A OUTRA ESTRELA DA NOITE
Pedro Paulo Paulino
Agora, estou vendo Júpiter pela luneta. E cada vez que repito esse gesto, sinto a mesma emoção. Pela lente, dá pra ver quatro pontinhos luminosos em torno do gigante. São as suas quatro luas interiores (sim! Júpiter também tem luas). A emoção bate, ao imaginar que essa imagem foi vista pela primeira vez por um ser humano, na noite de 7 de janeiro de 1610, quando o italiano Galileu Galilei apontou para o céu um binóculo por ele mesmo construído, e viu essas joias nunca dantes avistadas. Por causa dessa sua bisbilhotice com as coisas celestes, e também por ser muito abelhudo (ele andou espalhando que a Terra é redonda e gira ao redor do Sol), Galileu por pouco não virou churrasco na fogueira da santíssima Inquisição. Mas um contemporâneo de Galileu, de nome Simom Marius, foi quem deu nome às quatro luas – chamadas luas interiores – de Júpiter, e então as chamou: Io, Europa, Ganimedes e Calisto. Júpiter e elas formam uma espécie de sistemar solar mirim, embora o maior dos planetas desta redondeza arraste consigo uma ninhada de pelo menos 16 satélites naturais.
Pela ocular da luneta, também chamada galileana em justa homenagem, é possível divisar uma faixa vermelha na cintura do planeta Júpiter, o que lhe confere um ar de respeitável campeão de alguma arte marcial. Júpiter era tão estimado na antiguidade, que os caldeus lhe dedicavam um dia da semana, a quarta-feira. Na mitologia, Júpiter é a maior divindade romana, encontrando no Zeus grego o seu correspondente, filho de Saturno e Reia e nascido na ilha de Creta. Sem querer escavacar a vida turbulenta dos deuses, basta dizer que havia sérias desavenças no Olimpo por esse tempo. Júpiter, por exemplo, teve graves conflitos com o pai, que o queria devorar. Mas disto escapou e, para crescer forte e robusto, foi nutrido com leite de cabra… Coisa da mitologia.
Na realidade, o quinto planeta do nosso Sistema Solar é um mundo fantástico, segundo foi revelado há pouco na década de 70 pelas sondas inteligentes enviadas lá pelo homem. Esses aparelhos não menos fantásticos mergulharam em nosso vizinho planeta, como amebas no corpo de um elefante. Mas anunciaram muita novidade impressionante de Júpiter. Por exemplo: não se trata de um corpo sólido, como a Terra, mas gasoso! Uma estrela frustrada. Inóspito para nós, talvez bonito mesmo só a 600 milhões de quilômetros em média.
Ohando o céu agora, é-me impossível não voltar ao tempo em que eu via Júpiter pelo ponto de vista do meu pai, que o chamava estrela, e estrela ruim, anunciadora de seca e outras coisas indesejadas. Mas a Mitologia é mais condescendente com Júpiter, e o tem na conta de guardião da honra, da hospitalidade e dos juramentos e presidente da Assembleia dos deuses. Ainda hoje, repito, ouço muita gente chamar Júpiter de estrela. Confesso que até me chega a vontade de também chamá-lo de estrela, embora sabendo que é um planeta – estrela dona do céu, que vai do Oriente ao Ocidente a noite inteira, única a competir em atração com o magnífico luar daqui.
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NOSSA LÍNGUA
BILUNGA - Em AL é mais um nome para pinta, o pênis da criança.











