quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

CORDEL

PROFETAS DO MEU SERTÃO

Pedro Paulo Paulino

No nosso sertão, ainda
É possível se saber,
Pela voz da Natureza,
Se está perto de chover.
Nem a tecnologia
Derrubou essa magia,
Pois temos sempre o desejo,
Mesmo no mundo moderno,
De saber sobre o inverno
O que diz o sertanejo.

O sertanejo que vive
Em contato com a terra,
Que dialoga com aves
E com Sapo-boi que berra.
Esse matuto importante
Muita coisa nos garante
Pela sua experiência!
A Natureza é seu tema
E não tem nenhum problema
Se misturar com ciência.

Ele, observando, sabe
O que diz o passarinho
Que dependendo do ano
Vê como constrói o ninho:
Se de chuva há garantia,
Faz a sua moradia
Com entrada pro poente;
Mas quando é seca que arrasa,
João-de-barro faz a casa
Com entrada pro nascente.

Antes, quanto encantamento,
Quanta surpresa e magia
Tem nas pedrinhas de sal
Noite de Santa Luzia.
Seis pedras representando
De janeiro a junho quando
Nosso inverno se sustenta,
A pedra que umedecer
Informa que vai chover
No mês que ela representa.

Pra saber se vai chover,
O sertanejo entrevista
Uma Rã no pé do pote
Que canta feito um artista.
Depois dessa sinfonia,
Ele encontra sintonia
Com o Pássaro Carão,
E, segundo a sua norma,
Através dele se informa
Se vai chover cedo ou não.

O sertanejo consulta
Também o Fura-barreira
Que, sentindo vir a chuva,
Antes canta a tarde inteira.
Por outro lado, a Acauã
Quando canta de manhã
Ou da tarde, no final,
Da maneira que eu entendo
Cantando ela está dizendo
Que não é um bom sinal.

O profeta do sertão
Também decifra a Cigarra,
E na manhã do Natal
Acorda pra ver a barra.
Se tem barra, inverno tem,
Se não tem barra, porém
O matuto desanima.
Pode parecer banal,
Mas a barra do Natal
Também faz parte do clima.

Jumento escaramuçando
Meio-dia no sol quente,
Pode esperar confiante
Que vem chuva pela frente.
Aranha Caranguejeira
Desfilando bem faceira
Num calor que a terra treme,
A chuva está prometida,
Às vezes mais garantida
Que previsão da Funceme.

Também Gavião Vermelho
Com sua alegre chegada,
A Tatu fêmea buchuda,
Tetéu fazendo enxurrada.
E tem outra fonte amiga:
A ciência da Formiga,
Muito importante também.
Se no período de estio
Formiga deixar o rio,
É sinal que a chuva vem.

Depois que escuta os insetos,
Nosso sertanejo agora
Se volta para espiar
Ao redor de si a flora.
Por exemplo, o Cajueiro,
Se “fulorar” em janeiro,
Todo mundo fique alerta,
Porque sua floração
Fora da própria estação
Indica seca na certa.

A floração da Aroeira,
Que ocorre no fim do ano,
Se for no seu tempo certo,
Tem inverno, sem engano.
A Jurema, no verão,
Com a sua floração
Também bom inverno indica;
Se o Mandacaru 'florar'
Na seca, pode botar
O pote embaixo da bica.

O sertanejo examina
A correnteza do vento
E a partir disso também
Faz previsão a contento.
Mas quando em cima do chão
Esgota-se a munição
E o tema se torna escasso,
Para adivinhar o clima
O profeta olha pra cima
E consulta o grande espaço.

Repara se a estrela d’Alva
De tarde está para Oeste
Ou se nasce de manhã
Do lado oposto, no Leste.
Nessas observações,
Tira as suas conclusões,
Conforme seus rituais.
Prefere não comentar,
Se por acaso notar
Que não são bons os sinais.

Um lago ao redor da Lua
Também lhe traz esperança;
As estrelas cintilando
Transmitem mais confiança.
E tem ainda o Cruzeiro
Que no céu é mensageiro
Se chove na terra ou não.
Faz parte da experiência
E da sagrada ciência
Dos profetas do sertão.

É sabedoria pura
Que o homem trouxe da terra.
Até pode errar porque
A própria Ciência erra.
Também é nosso folclore.
Onde quer que você more,
Preserve, não perca ensejo.
Viva a nossa poesia
E viva a sabedoria
Do profeta sertanejo!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

CORDEL

O ANO QUE MORRE

Pedro Paulo Paulino

“Eu sou o Ano que morre
Nas mãos do Tempo que corre,
Morro e ninguém me socorre,
E não adianta mais.
Contra as ordens naturais
É sempre em vão insistir;
Não deixem, pois, de assistir
Aos meus instantes finais.

Já vejo meu sucessor
Nascendo qual uma flor,
Cheio de luz e vigor,
Cercado de muita gente.
Vem chegando alegremente
Numa noite barulhenta,
Com trezentos e sessenta
E cinco dias na frente.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

CRÔNICA

O TEMPO E SEUS PARADOXOS

Freitas Diassis*

Na medida em que o tempo escoa por entre nossos dedos e suas marcas vão se evidenciando em nosso corpo, mais e mais percebemos que este inexorável senhor nos é cada vez mais escasso. É como se sua velocidade fosse inversamente proporcional à idade que temos. Já foram comuns para mim, em tempos idos, as horas de marasmo e tédio, sem ter muito que fazer. Acontece que a vida passa. Hoje os tempos são diferentes e surgiram outras atribuições domésticas e familiares, alheias ao trabalho; este mesmo, de certa forma ficou mais complicado. E se o termo complicado não é a palavra correta, diria então que no trabalho surgiram mais cobranças e algumas mudanças.

sábado, 13 de dezembro de 2014


13 de dezembro, aniversário de Luiz Gonzaga. Em homenagem,
reproduzo as décimas que escrevi no centenário do Rei do Baião, em 2012.

GONZAGÃO CENTENÁRIO

Pedro Paulo Paulino

Salve Sua Majestade,
Gonzaga, Rei do Baião.
Salve treze de dezembro,
Data Magna do Sertão.
Salve Exu tão venerado.
Salve doze, ano sagrado.
Salve, ó dia que trouxeste
Para o povo brasileiro
Gonzagão, o verdadeiro
Embaixador do Nordeste.

domingo, 16 de novembro de 2014


CONTRADIÇÃO

Pedro Paulo Paulino

A milhões de quilômetros distante,
Um mensageiro a mando dos humanos
Produz tal feito que nos deixa ufanos
De nossa ciência nunca tão brilhante!

No núcleo frio de um cometa errante,
Pequena sonda pousa sem ter danos,
Depois de navegar por muitos anos
Na profundeza cósmica gigante.

A mesma inteligência (oh! Ironia)
Que o infinito além dos céus vasculha
Em busca do que lá se esconderia,

Aqui na Terra, tanto tempo faz,
Procura como no palheiro agulha
E não encontra simplesmente paz.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014



AUGUSTO DOS ANJOS
(Centenário de morte)

Pedro Paulo Paulino

Quando Augusto dos Anjos pereceu,
Contando só três décadas de idade,
Nossas letras choraram de saudade
E a própria morte até se entristeceu.

Como herança maior, deixou seu “Eu”,
Que o consagrou para imortalidade,
Pois seus versos transmitem, na verdade,
A sensação de que ele não morreu.

A doze de novembro, um séc’lo faz
Que Augusto, para sempre, dorme em paz,
Mas entre os homens é seu nome infindo.

E enquanto mais um século se passe,
É como se ele apenas descansasse
Debaixo do seu velho tamarindo...

domingo, 2 de novembro de 2014


O CEMITÉRIO SECULAR DE CAMPOS

Pedro Paulo Paulino

O cemitério de Vila Campos tem um século e alguns anos mais de existência. Durante decênios funcionou como destino último quase exclusivo da gente do lugar e só de tempos a tempos testemunhava um funeral. Reduzido e muito simples, foi construído em terras de Júlio Paulino Gomes, coração dos mais humanitários que já vieram a este mundo e hoje ali ‘descansa dessa longa vida’. A conservação da velha necrópole ficava também sob seu encargo filantrópico, afora outras ações próprias de um benfeitor. 

sábado, 1 de novembro de 2014


OCORRÊNCIAS INCOMUNS

Freitas de Assis*

Já mal despontam os primeiros raios de sol no horizonte e tem início a rotina diária em lares de todo Brasil. Com certa dificuldade e preguiça estampada na face, crianças e adolescentes seguem para o colégio enquanto seus pais cuidam do lar ou vão para a labuta rotineira buscando prover o sustento dos seus. Além de alimentos, roupas, por vezes remédios e algum supérfluo, em nossa terra, além dos itens citados, existe a necessidade de se obter água nestes tempos de escassez e seca inclemente. E a água que nos chega, e quando chega, é de duvidosa qualidade e procedência. Infelizmente é preciso que nos viremos com o que temos e rogar que nossos gestores tenham compaixão do povo e busquem soluções para este secular flagelo que nos persegue.  Como devotado pai de família, também sofro com a inconsistência do abastecimento em nossas torneiras, obrigando-me a comprar de carros-pipa, ou vez por outra recorrer ao vigor de meus braços para conseguir água, transportando-a de poços profundos, em baldes e garrafões. Mas apesar do esforço considero uma atividade que de certa forma me dá satisfação; talvez pelo simples fato de lidar com água, calmante natural, ou por que sacio a sede do meu lar.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

PRECONCEITO X COMPETÊNCIA

Pedro Paulo Paulino

Triste fato se repete
Vitimando nossa gente,
E cada vez mais crescente
Como um mal que não tem jeito:
É muito chocante ver
Nordestinos insultados,
Barbaramente atacados
Por causa de preconceito.

Que sentimento mesquinho,
Baixo, sujo e desleal,
Filho bastardo do mal,
Nos tempos tão atuais!
Em plena modernidade,
Só um quadrúpede rude,
Sem competência e virtude,
Tem preconceitos banais.

Burro é quem não reconhece
O Brasil como um gigante
Que tem em cada quadrante
O mesmo DNA.
Dividido em regiões,
Todavia, convenhamos,
A mesma língua falamos,
Dos Pampas ao Ceará.

Em costumes e culturas
Há rica diversidade,
Mas numa só unidade
Converge a grande Nação.
Brasileiros é que somos!
Seja no Norte e Nordeste,
Sul, Sudeste e Centro-Oeste,
Sem ter discriminação.

Preconceito é chaga aberta
Por todo o mundo espalhada,
A qualquer hora inflamada,
Para nosso grande espanto.
Não só contra nordestinos
Investem sem ter proveito,
Pois quem nutre preconceito
Empesta por todo canto.

Contra nós, particularmente,
É preciso que se diga:
Estamos prontos pra briga,
Para a luta varonil.
Com talento e com coragem,
Toda hora nosso povo
Constrói São Paulo de novo,
Brasília e todo o Brasil!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014


ROMEIROS SÃO IMPEDIDOS
DE CHEGAR A CANINDÉ

Pedro Paulo Paulino

A fé, que move montanha
Intransponível, fechada,
Poder supremo que pode
Produzir graça alcançada,
Agora por ironia,
Numa simples rodovia
De repente foi barrada.

domingo, 12 de outubro de 2014



MAGIA E DEVOÇÃO NO PARQUE

Há 29 anos o Parque do Airton é uma atração nos festejos de Canindé. E o dono, um romeiro fervoroso de São Francisco.

Pedro Paulo Paulino

José Airton de Sousa tinha apenas nove anos quando a primeira vez veio a Canindé como romeiro de São Francisco. Desde então ele assumiu um compromisso pelo resto da vida: nunca mais perder a festa do padroeiro dessa cidade do Sertão Central cearense que abriga o maior santuário franciscano das Américas e recebe por ano cerca de um milhão e meio de peregrinos. Ele conta, no entanto, que já nessa época trabalhava como ajudante de parque – e esse foi um fator determinante na sua caminhada profissional.

sábado, 27 de setembro de 2014

CHICO ALVES
62 ANOS SEM O ‘REI DA VOZ’



No dia 27 de setembro, completa 62 anos da morte do cantor, violonista e compositor FRANCISCO ALVES, falecido em 1952. Um dos maiores fenômenos da história da música popular brasileira, Francisco de Moraes Alves nasceu no dia 19 de agosto de 1898 e foi peça-chave no mercado fonográfico nacional.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

SEMANA NACIONAL DO TRÂNSITO


Tem início hoje, 18/9, a Semana Nacional do Trânsito. O período é aproveitado pelos órgãos fiscalizadores do trânsito para reforçar o alerta aos condutores de veículos motorizados, sobre diversos temas importantes, principalmente educativos. A cada dia aumenta o número de veículos nas vias urbanas e rodovias.
Um dos assuntos mais abordados é a Lei Seca que entrou em vigor em 1998. Em 2012 a Lei Seca foi reeditada, tornando-se mais rigorosa. As estatísticas comprovam que após a promulgação da Lei Seca, os acidentes de trânsito no Brasil, a maioria com vítimas fatais, têm diminuído. Mesmo assim, os números atuais de acidentes de trânsito ainda são assustadores.
O trânsito também é tema para os poetas populares, a exemplo deste cordel :

DIRIGIR É IMPORTANTE,
MAS EDUCAR É PRECISO

Pedro Paulo Paulino

Alô, alô, juventude,
Nestes versos eu repriso
O que muito já foi dito,
Como um importante aviso
A respeito do volante:
Dirigir é importante,
Mas educar é preciso.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O HERÓI DO SERTÃO

(Zé Laurentino)


Conheci Pedro Tomaz
Na fazenda do Estreito.
Caboclo trabalhador,
Respeitador e direito.
Há muito tempo eu não via
Um cabra daquele jeito.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

DATA


VIVA O DIA DO FOLCLORE

Pedro Paulo Paulino

O Folclore é o conjunto
Das tradições populares,
De mitos, lendas e crenças
E de coisas similares,
Uso antigo e uso novo
Praticados pelo povo
Nos mais diversos lugares.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

BREVE HISTÓRIA DE VIOLÊNCIA FAMILIAR

Freitas de Assis*

No trabalho de policiamento ostensivo e atendimento de ocorrências, das mais comuns é a de violência doméstica. Raro é o fato deste tipo de violência ser cometida contra homens. Geralmente é o contrário: a mulher, considerada o sexo frágil, é quem leva a pior na história, embora ocorram vez por outra situações, digamos, vexatórias para o homem, quando algumas mulheres literalmente partem para cima e resolvem as desavenças de casal no braço; e assim como a mulher, quando o homem leva a pior, nem sempre registra a ocorrência, talvez por se sentir envergonhado ou achar que as tenazes da justiça sejam incapazes de atingir a mulher neste tipo de situação, e que a lei Maria da Penha apenas protege as mulheres, quando na realidade, hoje, ela serve para inúmeras situações de violência doméstica, independente do grau de parentesco, apenas que haja vínculo afetivo ou consanguíneo e uma convivência dentro de um lar.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

19/8 - DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA


FOTOGRAFAR AINDA É UMA ARTE?

Pedro Paulo Paulino

Hoje é o Dia Mundial da Fotografia. Diz-se que fotografar é uma arte. Mas será que na era da fotografia digital, fotografar ainda é mesmo uma arte? Com a facilidade incrível que se tem hoje para registrar imagens, acho que fotografar descambou mesmo para a banalização. Um aparelho celular, embora dos mais simples, traz embutida uma mini-câmera digital. As câmeras digitais propriamente ditas popularizaram-se extraordinariamente devido ao barateamento dos preços e podem ser encontradas à venda nos mais inusitados pontos. Sem o uso de filmes, munidas de cartões eletrônicos com enorme espaço de armazenamento, as maquininhas digitais são mesmo um milagre da tecnologia. E ainda contam com recursos de uso que a grande maioria de seus donos, certamente, quase não exploram.
Fáceis de operar, com apenas um clique está registrada a fotografia, desejada ou não, que logo é mostrada no display da câmera. A foto que não interessa pode ser imediatamente excluída. Associadas ao computador, já tão vulgarizado também, as câmeras digitais fizeram uma revolução impressionante. Com essa união de máquinas, perdeu-se também o hábito de passar nossas fotos para o papel. O mais impressionante em tudo isso foi a velocidade com que saltamos do processo analógico para o digital. Houve um autêntico boom, tanto tecnológico quanto comercial, no mundo da fotografia. A câmera digital ou o celular que levamos no bolso e até as crianças sabem usar, de um instante para outro aposentou a indústria do filme fotográfico e de todos os ingredientes utilizados no antigo processo.
Como fotógrafo amador e apaixonado por fotografia, venho ainda do mundo analógico. Fotografo desde os 13 anos. Minha primeira câmera foi uma Kodak que empregava filme de 126mm. O rendimento máximo de um cartucho era de 24 fotos, ou chapas. Por isto, tínhamos a devida cautela em não esperdiçar nenhuma pose, que era assim também chamada cada exposição do filme. Mais tarde, adquiri do meu amigo Laurismundo Marreiro, professor de inglês apaixonado por fotografia, uma câmera Olympus com filme de 35mm e rendimento de até 36 exposições. Nessa mesma época montei laboratório próprio e passei a revelar minhas fotos em preto e branco. (Confesso que pouca vez em minha vida repetiu-se a emoção que tive ao revelar a primeira fotografia.) 
Chico Karam, pioneiro da
revelação em cores em Canindé
Esse meu avanço no invento de Daguerre deveu-se ao incentivo e orientação do mago da fotografia em Canindé, Chico Karam. O Foto Karam, ao lado da basílica, foi por muito tempo o ancoradouro de todos os fotógrafos canindeenses, profissionais ou não. Os filmes eram levados a Fortaleza para revelação. Passava-se, via de regra, uma semana para recebermos nossas fotos, o que gerava uma expectativa ansiosa. No final dos anos 80, Chico Karam, num gesto pioneiro, montou nos fundos da sua loja um laboratório para revelação em cores. Foi empresa difícil para a Mônica, a laboratorista, atinar com o ajuste das cores, e enquanto isso as fotos tinham uma tonalidade azul. Depois tudo se consertou.
Guardo ainda hoje centenas de “negativos” e uma pequena montanha de ábuns, produto da minha senda de fotógrafo. Agora estou entre a fauna dos fotógrafos da era digital. Mas ainda mantenho o hábito de só apertar o obturador da câmera (ainda é obturador?) no momento que julgo necessário. Clicar, clicar e clicar, a meu ver, não é exatamente fotografar.
Minha homenagem aos antigos fotógrafos que conheci em Canindé, entre eles, João Almeida e Chico Karam (in memmorian), Giovanni Almeida, João Carneiro, Lourival e todos os fotógrafos lambe-lambe da Praça da Basílica. E viva a fotografia digital…

(Publicado inicialmente no blog em 19/8/11)

CENTENÁRIO DE ARACY DE ALMEIDA



Em 19 de agosto de 2014 comemora-se o centenário de nascimento da cantora ARACY DE ALMEIDA. Considerada a maior intérprete de Noel Rosa, Aracy de Almeida começou cantando em igrejas do subúrbio do Rio até ser levada para o rádio por intermédio de Custódio Mesquita, que a ouviu cantar em 1933. Logo fez fama como intérprete de sambas nas rádios Philips, Mayrink Veiga, Ipanema e Tupi e fez história com gravações antológicas de “Palpite infeliz” (Noel Rosa), “Tenha pena de mim” (Cyro de Souza e Babaú), “Fez bobagem” (Assis Valente), “Camisa amarela” (Ary Barroso) e “Feitiço da Vila” (Noel Rosa e Vadico). Foi, ao lado de Carmen Miranda, a maior cantora de samba dos anos 30. Depois de atuar com sucesso na boate Vogue em Copacabana na década de 40, entre 1950 e 1951 gravou dois álbuns dedicados a Noel Rosa, que seriam responsáveis pela reavaliação da obra do poeta da Vila. Tinha uma personalidade franca e boêmia, falava sempre o que queria, e sua maneira de cantar foi determinante para definir os rumos do samba cantado por voz feminina. No final da vida atuava como jurada do programa A Buzina do Chacrinha e do Show de Calouros do Programa Silvio Santos, do SBT, em que era conhecida por dar notas baixas a quase todos os calouros.

Via Site Collector's http://www.collectors.com.br/