quarta-feira, 20 de julho de 2016

RITO CELESTIAL

Pedro Paulo Paulino

Nos céus repete-se adorável rito:
É noite de mais uma Lua cheia.
Somente alguma estrela no infinito
Timidamente ante o luar vagueia.

Resto de nuvem que desliza aflito
Recorda vagamente uma sereia.
O dobre do silêncio é quase um grito,
Nos ermos ao redor da minha aldeia.

A noite cresce ingênua e compassiva,
E quanto mais a noite se condensa,
Mais vai ficando bela a Lua altiva.

Por fim, na paz do seu clarão enorme,
– Que todo o afã do dia recompensa –
Descansa a terra e a própria noite dorme.

domingo, 17 de julho de 2016

FILOSOFIAS

Pedro Paulo Paulino

Desde as remotas eras tem-se visto
A busca infinda da filosofia
Definitiva, e tudo é utopia
Sofismadora – nada mais que isto.

Desde os filósofos de Alexandria;
De Sócrates, Platão a Jesus Cristo;
Ou do sucinto “Penso, logo existo”
Aos profundos conceitos de hoje em dia,

Jamais se chega ao marco decisivo.
Nada liberta o homem da dramática
Angústia de se ver no mundo a esmo.

E sábio, sim! é quem, por lenitivo,
Dentre as filosofias põe em prática
A de viver em paz consigo mesmo.

sexta-feira, 8 de julho de 2016


OS VERDADEIROS ATLETAS
DAS MAIORES OLIMPÍADAS

Pedro Paulo Paulino

Acho muita redundância
Olimpíadas no Brasil,
Pois aqui a todo instante
E de modo até hostil,
Em forma de ralação
Não falta competição
Pra população civil.

Os atletas todos são
Os cidadãos brasileiros,
Trabalhadores diários,
Combatentes verdadeiros:
Além da luta que enfrentam,
A contragosto sustentam
Congressistas trapaceiros.

Na dura competição
Das maratonas da vida,
Para muitos a batalha
Acaba sendo perdida,
Pois muito atleta obscuro
Passa a vida dando o duro,
Sem aplauso e sem torcida.

Senão vejamos primeiro
Nosso bravo professor,
Um atleta do saber,
Importante educador
Que trabalha o tempo inteiro
Ganhando pouco dinheiro
Sem ninguém lhe dar valor.

Esse, sim, conduz a tocha
Nobre do conhecimento.
Porém, por mais que batalhe,
Sempre é jogado ao relento:
Termina velho, esquecido,
Pela sorte preterido
E sem reconhecimento.

Atleta peso pesado
É mesmo o caminhoneiro:
Como um Atlas do progresso,
Passa quase o tempo inteiro
Agarrado à direção
Transportando a produção
Por todo o chão brasileiro.

Outro craque grandioso,
O trabalhador rural
Do nordeste do país,
Que na luta desigual
Trabalha feito um jumento
Na produção de alimento,
Por um ganho desleal.

Outro atleta de valor
Do nordeste brasileiro,
Que nem mesmo a Grécia deu
Mais viril e altaneiro,
Forte em toda ocasião,
Herói do nosso sertão,
É nosso bravo vaqueiro.

Mulheres donas de casa,
Atletas do dia a dia,
Enfermeiras, empregadas,
De toda categoria,
Se nessa imensa batalha
Fosse pra ganhar medalha,
Era quem mais merecia.

Médicos nos hospitais
Públicos desta nação,
Trabalhando dia e noite,
Sem lhes darem condição,
Curando e sanando dores,
Esses são merecedores
Do título de campeão.

Policial competente,
Que mesmo mal protegido,
Em prol da sociedade
Não teme enfrentar bandido,
Devia, dentro da meta,
Como herói e como atleta
Ser também reconhecido.

Os nossos grandes atletas,
Em várias modalidades,
São trabalhadores que,
Dentro das grandes cidades,
Lutam sem intermitência
Por sua sobrevivência,
Com cruéis dificuldades.

Os cidadãos brasileiros,
Operários, altruístas,
A imensa classe dos
Desamparados artistas
Que trabalham pra valer,
É que deveriam ser
Nossos grandes medalhistas.

Esses atletas anônimos
São importante tesouro
Para a vida da nação,
Porém vivem no desdouro...
Mas nessas lutas sem fim
Mereciam, isto sim,
Muitas medalhas de ouro!

terça-feira, 14 de junho de 2016


BRASIL, A PÁTRIA DA QUEDA

Pedro Paulo Paulino

De algum tempo para cá,
O leitor tem percebido
Que no Brasil, quase tudo,
De repente tem caído?
Embora não seja inédito,
Cai o país no descrédito,
Cai o valor da moeda,
A vergonha cai a mil,
De tal modo que o Brasil
Tornou-se o país da queda.

Só na construção civil,
Pelos meus apontamentos,
Desde o edifício Palace,
São vinte desabamentos.
Caiu viga, caiu teto,
Viaduto de concreto,
Caiu ponte, caiu prédio,
Caiu teto de igreja,
Só não caiu na bandeja
Foi o preço do remédio.

Rompeu-se a represa em Minas
E a lama caiu no rio
Que era doce como a vida
Que lá ficou por um fio.
Caiu shopping, arquibancada,
Caiu parte de uma estrada
Por faltar conservação.
Parece até um complô,
Em São Paulo, do metrô
Caiu parte da estação.

Torre de alta tensão
Caiu em Minas Gerais,
Prédios no Rio de Janeiro
Já caíram três ou mais.
Recentemente, em abril,
Ficou chocado o Brasil
Com aquela ciclovia
Que caiu feito um balseiro
Devido um erro grosseiro
Nas obras de engenharia.

Avião, já nem se contam
Quantos por aqui caíram.
De alguns, só os pedaços,
Porque nos céus se partiram.
De todo acidente aéreo
Mais recente e mais funéreo
E também mais lamentável
Foi com aquele avião,
Quando perto da eleição
Morre um presidenciável.

Falamos aqui em queda
De gigantes estruturas.
Mas horrível mesmo é quando
Caem famosas figuras.
Personagens importantes,
Ilustres representantes
No Congresso da Nação.
Só se ouve é a notícia:
Caiu nas mãos da polícia
Mais um por corrupção.

Não me vem neste momento
Número bastante exato,
Mas calculo que uns duzentos
Caíram na “Lava Jato”.
No começo deste mês,
Até mesmo o japonês
Que brilhou no carnaval,
Por facilitar “entregas”,
Caiu nas mãos dos colegas
Da Polícia Federal.

Na alta esfera em Brasília,
Cai senador, deputado,
Cai ministro, e quando cai,
Às vezes cai algemado.
Nessa terrível maré
Não fica ninguém de pé,
Cai até a presidente
(Nesse caso, com rasteira
De quadrilha traiçoeira
Não tem bom que se sustente).

Mal se ergue outro governo,
Cai Silveira e cai Jucá.
Só não cai, infelizmente,
Chuva no meu Ceará,
Onde um sólido machado
De gume muito afiado,
Caiu como testemunha.
Mas duvido que aconteça
Machadada na cabeça
Que derrube o tal de Cunha.

Muita gente, ainda hoje,
Cai no conto do vigário.
E enquanto o Congresso aprova
A subida do salário
Dos ministros do Supremo,
Acrescentando o extremo
De quase três mil ou mais,
O salário do povão
Teve a mesquinha injeção
De 92 reais.

Corre o risco de cair
Até madeira de lei,
Tronco velho resistente
Do Maranhão dos Sarney.
Duro mesmo no poleiro
É o povo brasileiro
Que apesar do vai-não-vai,
É como fruta madura
Que no galho se segura
Balançando mas não cai.

domingo, 12 de junho de 2016

SONETO

NAMORADOS

Pedro Paulo Paulino

Dois seres quando um dia, por acaso
Ou força de atração correspondente,
Deparam-se na vida, de repente
Sentem brotar o amor em solo raso.

E juntam-se duas flores num só vaso,
De júbilo regadas plenamente,
Pois se lhes torna o tempo, unicamente,
Um renascer de auroras sem ocaso.

Dois seres que se juntam num só ser,
Embora um dia tornem-se isolados
Pelas vicissitudes do viver

Ou mesmo pela morte separados,
Não deixarão, porém, jamais de ser
Aqueles dois eternos namorados.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

CRÔNICA


MEU BOM AMIGO HOMERIM

Pedro Paulo Paulino

Na manhã de ontem, domingo, compareci ao enterro de um amigo. De um grande amigo. A cidade onde ele nasceu e viveu sua juventude representou-se no velório e no sepultamento, por meio de seus filhos mais estimados, senhores e senhoras, amigos e parentes. Homero Martins Filho, o Homerim tão popular, foi embarcado na carruagem da morte encerrando aos 78 anos uma existência bem aproveitada. Canindé, seu chão, fica mais vazio em seu gracejo, em sua molequice sadia, em seu bairrismo, em sua festa de S. Francisco e em sua legião dos homens bons.
Quem adentrasse o salão mortuário não seria contaminado por aquela atmosfera grave e lúgubre própria dessas ocasiões. Isto porque, o espírito e a memória do Homerim jamais permitiriam que, mesmo em face de sua morte, reinassem em torno dele a tristeza e o pranto. Em vez disso, um ar de alegria, leve e tocante, dominou o recinto. E em volta do caixão, nem choro dramático, nem soluços de profundo pesar, pois o que se ouviu mesmo foi o toque dolente do violão do Chico Walter seguindo a voz da Mirna Uchoa que entoou uma velha canção bem ao gosto do extinto boêmio, um dos derradeiros inquilinos da antiga “Mansão dos Inocentes”, a confraria ilustrada dos moços de sua época.
Enquanto isso, lá fora ouviam-se também historietas bem-humoradas, puxadas uma a uma pelos amigos mais próximos do saudoso amigo. Homerim era a crônica ambulante em carne e alma da cidade de Canindé, a caricatura das boas tradições locais. Especialmente, do Canindé dos anos sessenta, das serestas em noites de lua, das barracas do rio na festa do padroeiro e daquela convivência ainda provinciana, saborosa e pacífica.
Boêmio no sentido mais salutar e puro do termo, nosso bom amigo soube, como ninguém, preservar suas amizades, enquanto construía outras tantas, regadas sempre pelo seu bom-humor, pela sua prosa particular, suas pilhérias sem ofensa, sua lealdade e seu jeitão completo de ser. Tinha o dom de motejar sem ferir, de cativar à primeira vista e de colecionar amizades, tal como colecionava bonés. Seus amigos eram de todas as cores e idades, sem distinção.
Tinha ele a mais o dom de botar apelidos, nas coisas e nas pessoas. Em troco, ganhou da corriola à qual pertencia, como membro decano e egrégio, vários epítetos. Era o “Vermelho”, para uns; o “Elemento”, para outros; o “Meliante”, para outros mais; e, para os mais recatados, o “Mons. Martins”, dado o seu fenótipo alemoado, rubro, de boa estatura e cabeleira branca. Dele, o radialista e escritor Tonico Marreiro conta as mais engraçadas histórias, colhidas ao longo da parceria entre ambos nos idos tempos de boêmia. Anedotas que, por sua vez e para proveito da cultura local, já estão imortalizadas em páginas de livros, como bem o comprovam o escritor Augusto Cesar Magalhães Pinto e o próprio Tonico.
Na manhã ensolarada deste último domingo, dedicado às mães, um cortejo de amigos acompanhou o féretro do Homerim, cujo corpo foi devolvido à Mãe Terra, em algum recanto do cemitério S. Miguel de Canindé. Entre o riso e a saudade, leva-o a morte em sua carruagem sem freio e sem destino. Na cidade e nas pessoas do seu convívio, ficam seu emblema e sua lembrança tão marcante quanto adorável. Em mim, particularmente e acima de tudo, fica dele a grata e fiel amizade – que nem a morte leva.

domingo, 8 de maio de 2016

DATA

MINHA MÃE

Pedro Paulo Paulino

Na terra há muitas mães, mas uma apenas
Sente por mim o amor maior que existe,
E tem o dom de estar alegre ou triste,
Conforme o meu sorrir ou minhas penas.

Todas as mães, de afeto e amor são plenas.
Mas nesta, a toda a prova o amor resiste.
Incondicionalmente, é quem me assiste
Em minhas ânsias, grandes ou pequenas.

Tão cheia de renúncia e de bondade,
Misteriosamente ela adivinha
Meus gostos e desejos e vontade...

Como servo leal dessa Rainha,
Hoje, em louvor de Sua Majestade,
Proclamo em público: Essa mãe é minha!!!

sábado, 7 de maio de 2016

LANÇAMENTO

Novo livro de Arievaldo Vianna resgata a história dos clãs Sousa-Mello, Martins-Vianna, Barbosa-Severo, Fonseca-Lobo, Chagas, Paulino, Araújo, Maciel, Aderaldo, Lima, dentre outros. São 300 anos de história que se desenrolaram nos municípios de Sobral, Santa Quitéria, Quixeramobim, Canindé, Itatira, Madalena e Boa Viagem.

SERTÃO EM DESENCANTO

Arievaldo Vianna

SERTÃO EM DESECANTO – I VOLUME DE MEMÓRIAS, o 31º livro de minha lavra, será lançado no dia 07 de maio de 2016, em Canindé, Ceará. Essa data marca o 75º aniversário de meu pai, Francisco Evaldo de Sousa Lima, que também completa este ano suas bodas de ouro com minha mãe, Hathane Viana Lima.
Este livro, a rigor, não é um livro de GENEALOGIA, porém um livro de história.  Não é a visão de quem esteve no centro da história, ou fazendo história, mas de quem participou discretamente ou a ouviu contar, num ambiente totalmente fora do eixo onde os acontecimentos se desenrolavam.
As vilas de QUIXERAMOBIM, CANINDÉ E SOBRAL, como qualquer outra, tinham os seus figurões, os seus mandantes, os seus caciques. No final do Século XVIII e primeira metade do Século XIX nossos antepassados eram mais atuantes e estiveram à frente de alguns acontecimentos importantes. Depois do fracasso da Confederação do Equador, os SOUZA-MELO, MARTINS-VIANA, SEVERO-BARBOSA preferiram o anonimato. Focaram suas ações na lida do campo, na agricultura e na pecuária, participando discretamente dos acontecimentos ao longo de quase 200 anos de história.
À exceção do PADRE MORORÓ, pelo lado SOUSA MELO e do ex-ministro ARMANDO FALCÃO pelo ramo BARBOSA-SEVERO, ao qual era filiado meu avô MANOEL BARBOSA LIMA, não tenho notícias de grandes voos de parente algum no campo da política. Tem sido sempre uma colaboração discreta, persistente e um olhar atento à história, desde os avós dos meus avós.
No campo da CULTURA, entretanto, a coisa muda de figura. Os LIVROS sempre estiveram presentes nesses lares sertanejos e o homem de letras sempre foi visto com entusiasmo pelos meus antepassados. Um José de Alencar, um Machado de Assis, um Humberto de Campos sempre gozaram de mais prestígio que qualquer figurão da política.  Aprendi com os antigos, sobretudo com a minha avó ALZIRA o respeito e o carinho pelos homens de letras e a devoção pelo universo da Literatura.
Daí que a proposta desse livro, SERTÃO EM DESENCANTO, é contar a saga dessas famílias ao longo dos últimos 300 anos, mesclando-a com acontecimentos históricos dos sertões de Sobral, Quixeramobim e Canindé, permeando-a com citações recorrentes à João Brígido, Barão de Studart, Manuel de Oliveira Paiva, Gustavo Barroso, D. Antônio de Almeida Lustosa, Martins Capistrano, Antônio Bezerra, Rodolfo Teófilo, Rachel de Queiróz e outros expoentes do mundo das letras que se ocuparam dessa região em seus escritos.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

SONETO

VIDAS CÉLERES

Pedro Paulo Paulino

Para que, neste mundo, tanta pressa,
Se a vida, por mais longa, é passageira?
Já basta o tempo em rápida carreira,
Pois mal termina o dia, outro começa.

Portanto, se marchamos tão depressa,
Maior é nosso fardo de canseira.
E quanto mais se vive na cegueira
Disto ou daquilo, em pedra se tropeça.

No trânsito da vida, a regra exige
De quem a vida, célere, dirige,
Que siga um pouco mais devagarinho,

Porque na marcha sempre acelerada,
Corre-se o risco de, nessa jornada,
Não desfrutar as prendas do caminho.

quinta-feira, 31 de março de 2016

SONETO

AMIGOS

Pedro Paulo Paulino

Discorde do que eu penso, do que eu digo,
Da minha crença ou não ou do meu time,
Que o bom amigo, sem pesar, redime
Do amigo a falha, e continua amigo.

Discorde se por vezes eu maldigo
De tal filosofia ou tal regime,
Que no final das contas, mais sublime
É amizade – e com você não brigo.

Em meio a tamanha turbulência,
De vendaval político e conflito...
Contrários partem para a violência.

Porém, de longe, mas na tempestade,
Bandeira branca em punho, eu, alto, grito:
Meu partido é o partido da amizade!!!

segunda-feira, 28 de março de 2016

MEMÓRIA



“OS HOMENS QUEREM PAZ”: 25 ANOS

Uma história que não sai da memória dos habitantes de Vila Campos

No dia 28 de março de 1991, uma equipe de produção da tevê Globo despedia-se de Vila Campos, no interior de Canindé, depois de duas semanas de locações que tiveram o povoado como cenário. As filmagens do especial “Os homens querem paz” agitaram o cotidiano da pacata vila que foi transformada na Soledade dos anos 30 – palco de ataques do bando de Lampião. É para lá que regressa Emerenciano, remanescente do bando, na intenção de fazer vingança dez anos depois de ter sido humilhado, espancado e preso pelos habitantes de Soledade.

sexta-feira, 25 de março de 2016

SONETO

DOIS MÁRTIRES

Pedro Paulo Paulino

A cada passo de Jesus, Maria
Presente estava, mesmo em pensamento.
Da vil traição ao torpe julgamento,
As dores dele ela também sentia.

Como uma flor atônita no vento,
Seu coração de mãe já o seguia
Rumo ao Calvário – palco de agonia,
Sinônimo de angústia e sofrimento.

O espinho, a cruz, o fel, a dor que anula
A vida de seu filho injustiçado...
Eis o dilema em que ninguém calcula

Qual é a dor maior, a dor mais triste:
Se a dor do filho que é crucificado,
Se a dor da mãe que à dor do filho assiste.

terça-feira, 8 de março de 2016

EFEMÉRIDE

A MULHER

Pedro paulo Paulino

É comparada à flor. A flor, porém,
Por mais que tenha cores, tenha encanto,
Jamais terá fascinação do tanto
Que uma mulher naturalmente tem.

As pétalas têm sedução; no entanto,
Não têm o dom daquele charme nem
Aquela graça original que vem
De uma mulher, ainda quando em pranto.

Sensualidade sobra num sorriso...
Eis a mulher! – o doce paraíso
Que Deus legou ao homem por bondade;

Porque não há, em toda a natureza,
Mais outro ser que tenha mais beleza
E mais amor e sensibilidade.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

CORDEL

No dia 26 de fevereiro de 2013 morria num acidente de carro, no interior da Bahia, o ex-vigário de Canindé frei Lucas Dolle. Franciscano atuante, sua história de vida confunde-se com a história contemporânea dessa cidade. Cordel publicado na época resume o legado do religioso para Canindé.


ADEUS A FREI LUCAS DOLLE

Pedro Paulo Paulino

Vinte e seis de fevereiro,
Quando o dia amanheceu,
Perante um fato brutal
Canindé entristeceu.
Durante o correr do dia,
Na cidade se anuncia:
Frei Lucas Dolle morreu.

Sozinho, se deslocava
Numa estrada da Bahia.
O carro dele tombou,
A notícia assim dizia.
Frei Lucas, infelizmente,
Em razão desse acidente,
Do mundo se despedia.