quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O MUNDO ESTÁ SENDO VÍTIMA DE UMA LÍNGUA ENVENENADA



Autor: Pedro Paulo Paulino 

Em mais de quinhentos anos,
Nosso Brasil, certamente,
No reinado ou na república,
Nunca teve um presidente
Indecoroso, insultante,
Torpe, vil e arrogante,
Que nem esse no presente.

A cada dia que passa,
É mais feio o seu papel,
Pois só basta abrir a boca
Pra virar uma babel.
Fala como abobalhado,
Está sendo até chamado
De “língua de cascavel”.

Pra todo canto do mundo,
Que o presidente se vira,
Personagens importantes
Já estão na sua mira,
Os mais destacados vultos
São alvos dos seus insultos,
Do seu ódio e sua ira!

Parece até que o demônio
Mora no seu coração,
E sai pela sua boca
Cuspindo fogo no chão,
Assombrando o mundo inteiro,
Com seu horrível berreiro,
Igual uma assombração!

Causam revolta e repúdio
As suas declarações
Vexatórias ao Brasil
Perante várias nações,
Ferindo a diplomacia,
Provocando antipatia,
Pondo em xeque as relações.

Criou animosidade
Recentemente com França,
Que por longa tradição,
Com Brasil tem aliança.
Qual chocalho que badala,
A cada vez que ele fala
Vomita a pura lambança.

Feriu Brigitte Macron,
Primeira-Dama francesa,
Que foi alvo abertamente
Da sua indelicadeza.
Poço de deselegância,
O “Bozo” tem abundância
Da mais extrema rudeza!

Em troca do desaforo,
Aumentou a sua lista
Dos seus antipatizantes,
Incluindo muito artista.
E nas redes sociais,
Foi chamado até demais
De moleque e sexista.

Como uma metralhadora
Por um louco utilizada,
Da sua boca só sai
Palavra mal-educada.
E do fel da sua bile,
Agora foi alvo o Chile,
Que ao Brasil não deve nada.

Em todo tipo de mídia,
Todo o mundo agora vê
Os ataques que ele fez
A Michelle Bachelet
E a seu pai, morto em tortura,
Por conta da ditadura
Do tirano Pinochet.

Como se vê, nem defunto
É por ele respeitado!
É feliz, quem hoje em dia
Está de peito lavado,
E de modo consciente
Não votou pra presidente
Num louco despreparado.

Com exceção de Donald,
A quem faz salamaleque,
O presidente grosseiro
Só põe o Brasil em xeque.
Seu comportamento imundo,
Perante o resto do mundo,
É visto como moleque.

Enquanto, neste momento,
Países esclarecidos
Tentam salvar a Amazônia
Dos incêndios produzidos,
O presidente careta
Não passa de um proxeneta
Para os Estados Unidos.

Pelo voto irrefletido
De eleitores sem preparo,
O Brasil agora está
Pagando bastante caro!
Enquanto a merda prossegue,
Viraliza a 𝘩𝘢𝘴𝘩𝘵𝘢𝘨:
“#calabocabolsonaro”.

Nós brasileiros vivemos
Mais um governo cruel,
Com verniz de ditador,
Por isso eu uso o cordel
Como uma arma decente
De repúdio ao presidente
De língua de cascavel.
 

sábado, 24 de agosto de 2019

ZÉ ADAUTO BERNARDINO, BOIADEIRO DO SERTÃO


Homenagem do Blog, ao boiadeiro Zé Adauto Bernardino, dos Sertões
de Canindé, Ceará, que nesta data completa 75 anos de idade.


Autor: Pedro Paulo Paulino

Antigamente o sertão
Tinha cabra bom de gado,
Vestido em roupa de couro,
No seu cavalo montado.
No campo ou no tabuleiro,
Sendo mesmo um bom vaqueiro,
Dava conta do recado.

Porém essa tradição
Está ficando pra trás.
O sertão modernizou-se,
O tempo tudo desfaz,
De modo que hoje em dia,
Vaqueiro como existia,
No sertão já não tem mais.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A TERRA PEDE SOCORRO, SEM NUNCA SER ATENDIDA!



“Sou a Terra, sou a Mãe
De toda forma de vida.
Em todo canto do mundo,
Sou a casa garantida.
Mas de algum tempo pra cá
A minha saúde está
Bastante comprometida.

Padeço pelo que fazem
Com a minha natureza.
Está virando deserto
Onde existia riqueza.
Estou velha, estou cansada,
E preciso ser tratada
Com muita delicadeza.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

CORDEL



Autor: João Pajeú

PAPA ESCREVE PARA LULA,
DIABO ESCREVE PARA BOZO

Pelas redes sociais,
Quase todo mundo leu
Carta que o Papa Francisco
Recentemente escreveu,
Seu nome embaixo assinou
E para Lula enviou,
Que bastante o comoveu.

Nessa carta já histórica,
Fala Sua Santidade
Em amor, em esperança,
Em justiça e liberdade.
E de maneira envolvente,
Expõe ao ex-presidente
Sua solidariedade.

Por outro lado, no inferno,
O diabo, com mais de cem,
Todo cheio de rancor,
Resolveu lá do além,
De modo bastante claro
Escrever pra Bolsonaro
A sua carta também.

Pela inveja, todos sabem,
O capeta vive cego.
Quando soube da notícia,
Viu insultado o seu ego,
Uma carta logo fez
E lançou, por sua vez,
No site da caixa-prego.

Um internauta que viu,
Leu a carta até o fim,
Aproveitou, fez um print
Da letra do “coisa ruim”,
Um escrito bem graúdo
E todo seu conteúdo
Diz mais ou menos assim:

 “Inferno, trinta de maio,
Caro Bozo presidente,
Desde que você ganhou,
Vivo aqui muito contente!
Lhe apoiei, não me arrependo,
Aprovo o que está fazendo,
No Brasil, contra essa gente.

Eu também estou torcendo
Pelo fim a Previdência,
Pode exterminar sem pena
Tudo quanto é assistência.
E nem que cresça o alarma,
Libere o porte de arma,
Pra aumentar a violência.

Reduza o mais que puder
Verbas pra universidade,
Que é para pobre jamais
Fazer qualquer faculdade.
Faça isso com ganância,
Que aumentando a ignorância,
Aumenta a incapacidade.

Acabe vários projetos
Em favor da educação.
Suba bem os combustíveis,
Aumentando a inflação.
Cometa também o crime
De adotar o regime
De capitalização.

Confesso-lhe, caro Bozo,
Adoro cada proposta
Que você faz contra o povo,
Sem dar ouvido a resposta.
Eu acho muito bem feito,
Pode fazer desse jeito,
Que assim é que o diabo gosta!

Invista no desemprego
Do jeito que me convém,
Porque nessa proporção
Vão multiplicar também
Os casos de violência,
E logo, com evidência,
Muita gente pra cá vem.

Dê todo apoio a banqueiros,
De fora, principalmente.
Privatize as estatais,
Destrua o meio ambiente.
Com Trump faça aliança,
Pois ele desde criança,
Sempre foi gente da gente.

Dê castigo a todo aquele
Que com você não se alinha.
Aumente bastante o preço
Também do gás de cozinha.
Ache graça do demente,
Que em você, todo contente,
Foi votar fazendo arminha.

Saudações a seus ministros,
O Tchutchuquinha, a Damares,
O Serginho, o Marcos Pontes,
Que vivia pelos ares...
Para todos, com carinho,
Tenho aqui no meu cantinho
Reservados seus lugares.

Mando também saudações
A seus filhos (aliás,
Tem um deles que eu não sei
Se é moça ou se é rapaz).
O resto, deixe comigo.
Abraços do velho amigo
E colega, Satanás”.

Dizem que ao ler esta carta,
Quase no final do dia,
Bozo, com seus “pareceiros”,
Quase morrem de alegria.
Se é fakenews eu não sei,
Apenas só repassei,
E viva a democracia!




quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

NOTÍCIA



INAUGURADO PRIMEIRO RELÓGIO TERMÔMETRO
DIGITAL DE RUA DO SERTÃO CENTRAL DO CEARÁ

“Se na Serra tem termômetro / Medindo o clima de lá, / Vamos também ter no nosso / Medindo o clima de cá, / Saudável temperatura / Que faz parte da cultura / Do Sertão do Ceará”. Os versos do cordelista natural de Canindé, Pedro Paulo Paulino, anunciam a inauguração do primeiro relógio termômetro do Sertão Central, ocorrida no dia 31 de dezembro. O equipamento fica entre as cidades de Canindé e Caridade, no distrito do Camarão, às margens da BR 020.
A iniciativa é da própria comunidade, idealizada e bancada pelo morador Paulo Alexandre, que pontua que o relógio “vai ser um ponto de encontro dos romeiros que vão a pé para Canindé. O termômetro vai atrair os romeiros para pararem e conhecerem a fazenda Camarão, a nossa comunidade”.
Além disso, a implantação do relógio vai impulsionar a economia local, . “No inverno os produtores rurais que produzem feijão, milho e jerimum vendem esses produtos nas margens da BR. O termômetro instalado vai atrair a atenção das pessoas e vai trazer mais renda para a comunidade”, ressalta Paulo Alexandre.
PIONEIRISMO
O relógio termômetro é o primeiro a ser instalado no Sertão Central do Ceará. O equipamento e sua implantação foi toda feita por Paulo Alexandre, que desembolsou o valor de R$ 3.500,00 e contou com a ajuda do irmão, Adriano Queiroz, para criar o layout da plataforma com os dizeres: “I Termômetro do Sertão Central”. 
A inauguração foi regada a música, discurso, com a divulgação de um manifesto pelo desenvolvimento do sertão, que elenca vários pontos junto à comunidade visando defender o desenvolvimento do sertão, e um brinde em frente ao termômetro com toda a comunidade local.
INSPIRAÇÃO
A ideia do termômetro veio da inquietação de Paulo Alexandre em suas viagens. Ao se dirigir até a Serra, via que as pessoas sempre tiravam fotos nos termômetros desses locais, lugares com clima frio, mostrando as baixas temperaturas, como Guaramiranga, que possui um termômetro semelhante ao implantado na localidade Camarão.
“Pensei comigo, por que é que a gente também não tem orgulho de tirar fotos no calor, que é o lugar que a gente nasceu e se criou? É uma contraposição, contra-hegemonia a essa supervalorização do que é de fora e não valorização do que é nosso. É uma maneira de reafirmar o nosso orgulho de ser nordestino e de morar aqui no sertão central cearense”, conclui o realizador da iniciativa. (Fonte: jornal Diário do Nordeste)

O SERTÃO AGORA TEM
SEU TERMÔMETRO OFICIAL

Autor: Pedro Paulo Paulino

Em 31 de dezembro,
Na fazenda Camarão,
Um evento vem marcar
A vida da Região,
Pois é de modo altaneiro
Inaugurado o primeiro
Termômetro do Sertão.

Se na Serra tem termômetro
Medindo o clima de lá,
Vamos também ter no nosso
Medindo o clima de cá,
Saudável temperatura
Que faz parte da cultura
Do Sertão do Ceará.

Também simbolicamente
Vai medir durante o ano
Nossa nordestinidade
E nosso calor humano,
Costumes e tradições
E as realizações
Do nosso cotidiano.

É também uma homenagem
Aos nossos tipos guerreiros,
Ao trabalhador da roça,
Ao cantador violeiro,
E um personagem valente,
Destemido e resistente:
O nosso bravo vaqueiro.

Esse Termômetro vai,
Além da temperatura,
Medir o valor que tem
Nossa terra e agricultura.
Com ele, a gente deseja,
Louvar nossa sertaneja,
Mulher de garra e bravura.

Também por ocasião
Desse evento inaugural,
Perante as autoridades,
Convidados em geral,
Assinamos em protesto
Detalhado Manifesto
Em prol do Sertão Central.

Esse documento histórico
Defende a dignidade,
Favorece nosso povo,
Combate a desigualdade
E pede a transposição
Do Canal da Integração
Pra nossas comunidades.

Também nesse Manifesto,
Seu conteúdo geral
Propõe universidades
Federal e estadual,
Com curso e vagas bastantes
Pra todos os estudantes
Do nosso Sertão Central.

O Manifesto contempla
Esporte, urbanização,
A cultura, a ecologia
E a comunicação,
Além de um Memorial
Do Nosso Sertão Central,
Sua história e tradição.

O Manifesto apresenta
Um leque de alternativas
Para o desenvolvimento;
Dentre as iniciativas
Que podemos adotar,
Uma delas é plantar
Trinta mil mudas nativas.

Defendemos a conquista
Do Hospital Regional,
A Estátua de Santo Antônio
Para o turismo local,
E uma arena pioneira
Pra receber a Primeira
Divisão do Estadual.

Assinado por diversas
Entidades sociais,
O Manifesto será,
Em suas linhas gerais
E projetos detalhados,
Entregue pra deputados,
Federais e estaduais.

Também ao governador
E ao futuro presidente,
A todos vereadores
Da Região, finalmente,
Esse Manifesto é
Nos Sertões de Canindé
Um documento influente.

Aos convidados presentes,
Deixamos neste momento,
Nossos votos de Ano Bom
E nosso agradecimento.
Paulo Alexandre Queiroz
Foi quem ergueu sua voz
Em defesa deste evento.

Nossos parabéns pra ele,
Pela ideia e inovação,
Que de todos nós exige
Nossa participação.
O ano está terminado;
Antes, deixa inaugurado
O Termômetro do Sertão! 

terça-feira, 7 de agosto de 2018

UM JUMENTO É ESCOLHIDO ENTRE OS MELHORES PREFEITOS




















Autor: Pedro Paulo Paulino

O Brasil está coberto
De fraudes e de defeitos,
De crimes e falcatruas,
Racismos e preconceitos.
Mas nem tudo está perdido,
Pois um jegue é escolhido
Entre os melhores prefeitos!

O seu nome é “Precioso”,
Um jegue pernambucano,
Mais honesto e mais sincero
Do que muito ser humano.
Por merecidos valores,
Foi eleito entre os gestores
Mais importantes do ano.

domingo, 10 de junho de 2018

A VOZ AMIGA (E SAUDOSA) DO CANINDÉ


Pedro Paulo Paulino

Era sempre aos domingo, que se ouvia no rádio essa saudação: “Alô, meus amigos, alô, minhas amigas, cumprimenta-lhes Tonico Marreiro!”. Saudação antológica, alegre e cordial. Ao som da melodia de “Pedacinhos do céu”, estava no ar mais um programa “Fim de semana com o Tonico”. Essa saudação transformou-se em silêncio. Tonico Marreiro já se chama saudade – palavra entranhada no seu coração que por longos anos drenou rios de sentimento bairrista. Depois de estar presente sete décadas e meia no palco da vida, Tonico dá adeus no derradeiro ato da existência. E Canindé fica órfão de um patrono apaixonado por esse pedaço de chão.

quarta-feira, 28 de março de 2018

HÁ 27 ANOS, VILA CAMPOS VIROU PALCO DE GUERRA


Texto/fotos: Pedro Paulo Paulino

A hora “H” da grande luta aproxima-se. Desde cedo, ouvem-se os estampidos dos rifles de cangaceiros e soldados, que em confronto e montados em seus cavalos atravessam velozmente a pequena Soledade, situada no meio do sertão do Ceará. O regresso de Emerenciano, remanescente do bando de Lampião, deixa a cidade em polvorosa. O bandoleiro retorna com o propósito de fazer vingança, dez anos depois de ter sido humilhado, espancado e preso pela população.

sexta-feira, 23 de março de 2018

FOLCLORE


UNIVERSIDADE VALE DO LEITE: 16 ANOS

Pedro Paulo Paulino

Hoje, 23 de março, está fazendo 16 anos de fundação da Universidade Vale do Leite, em Canindé. A UVL foi uma brincadeira de amigos que frequentam o estabelecimento comercial do sr. Pedro Mathias, o Pedro do Leite, na tradicional Praça Azul. Rotineiramente, reúnem-se ali pessoas de várias atividades, desde o prosaico “cambista” a profissionais liberais. Os artistas locais são presença quase certa no local e, evidentemente, também não faltam os “funcionários de Cristo” e outras autoridades. Entre um brinde e outro, muitos assuntos são levantados, principalmente nos finais de tarde quando seu Pedro resolve instalar as cadeiras na calçada. Então começam a chegar um a um os habitués.

domingo, 28 de janeiro de 2018

NOTA CULTURAL

UNIÃO BRASILEIRA DOS TROVADORES
INSTALA SECÇÃO EM CANINDÉ

O segmento cultural de Canindé viveu neste fim de semana um momento marcante. Na manhã de ontem, foi instalada na cidade uma Secção da União Brasileira dos Trovadores (UBT). O evento aconteceu no auditório do Jardineira Park e reuniu artistas locais e convidados. Para proceder à instalação, compareceu o presidente da UBT-Ceará e vice-presidente do Conselho de UBTs do Ceará, Francisco José Moreira Lopes.
A cerimonia foi comandada pelo presidente da Academia Canindeense de Letras, Artes e Memória (ACLAME), Tonico Marreiro. Na ocasião, foi eleita e empossada a diretoria da Secção da União Brasileira de Trovadores de Canindé – Ceará, tendo como presidente Pedro Paulo Paulino. Trovadores e cordelistas de Maranguape, Maracanaú e Ocara também abrilhantaram o acontecimento, num autêntico intercâmbio cultural.
A solenidade foi aberta com os presentes entoando a oração de São Francisco, patrono dos trovadores, e o Hino dos Trovadores, composto pelo fundador da UBT.
A União Brasileira dos Trovadores foi criada em 1966, pelo poeta Luiz Otávio (nome literário de Gilson de Castro), nascido no Rio de Janeiro em 1916. A entidade é dividida em seções e delegacias municipais, conforme o número de membros no município e em seções estaduais, conforme o número de cidades representadas no estado. O Dia do Trovador é comemorado em 18 de julho.

Prof. Zé Parecido, sec. de educ. de Canindé, Arleyse Matos,
Erivaldo Costa (IBGE), presidente da ACLAME, Tonico
Marreiro, presidente da UBT-CE, Francisco Lopes e PPP

Auditório Jardineira Park 

Tonico Marreiro e PPP

Francisco Lopes, trovador Artemiza Silva (Ocara) e PPP

Tonico Marreiro, Artemiza Silva, Francisco Lopes, PPP,
trovador Luiz Carlos (Maranguape) e cantor Chico Walter


Arleyse Matos, PPP e Artemiza Silva


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O ADEUS DE LOURO BRANCO

Autor: Pedro Paulo Paulino


A viola está de luto,
O repente emudeceu,
O brilho da cantoria
Neste dia esmaeceu:
Corre a notícia no mundo,
Que Louro Branco Morreu.

Setenta e quatro viveu
E sessenta e três cantou,
Porque foi com doze anos
Que na viola pegou
E durante a vida inteira
Muito verso improvisou.

Muita graça provocou
Com o seu humor preciso,
Que sempre ilustrava mais
Seu genial improviso,
Por isso é que Louro Branco
Morreu no Dia do Riso.

Fez da terra um paraíso
Da mais pura poesia.
Seu improviso veloz
No palco da cantoria
Era como um carro novo
Correndo na rodovia.

Cantava durante um dia
Inteiro, sem lhe faltar
O verso feito na hora
E a rima pra completar,
Pois o seu forte era mesmo
A arte de improvisar.

Quem o quisesse topar,
Devia estar preparado,
Pois Louro, de todo jeito,
Dava conta do recado,
Foi sempre fera terrível
No seu verso improvisado.

Deixou um grande legado
De poemas e canções
Que somam juntas, talvez,
Seiscentas composições,
Todas bastantes poéticas
E cheias de emoções.

Diversas premiações
Louro Branco conquistou.
Os melhores cantadores,
Em desafio enfrentou,
E em mais de vinte estados
Do Brasil ele cantou.

Sua viola calou,
Nós lamentamos perder
Um dos maiores poetas
Que o Nordeste pôde ter.
E sobre sua própria morte,
É Louro quem vai dizer:

“No dia em que eu morrer,
Deixo a mulher sem conforto,
Roupas em malas guardadas,
O chapéu num prego torto,
E a viola com saudade
Dos dedos do dono morto”.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017


Uma cena original
É um jumento com sela
Parado em frente à cancela
Da moradia rural;
Com estribo e peitoral,
Esperando paciente
O dono seguir em frente
Montado no seu “gangão”:
Ainda existe sertão
Como havia antigamente.

PPP
26/12/17

quarta-feira, 25 de outubro de 2017


HUMBERTO DE CAMPOS – 131 ANOS

Pedro Paulo Paulino

Obra escolhida de Humberto de Campos,
lançada em 1983 pela Opus Editora Ltda
No dia 25 de outubro de 1886 nascia Humberto de Campos Veras, na então cidade maranhense de Miritiba. Autodidata, foi poeta, contista e crítico literário. Mas se destacou como o cronista mais lido na década de 1920 e começo dos anos 30, na imprensa do Rio de Janeiro, para onde mudou-se depois de trabalhar como caixeiro na bodega de um tio, na Parnaíba, Piauí. Menino pobre, órfão de pai aos seis anos, descobriu o talento literário ainda em sua pequena Miritiba que hoje se chama Humberto de Campos. Sua obra completa inclui crônicas, contos, poesia e seu livro de memórias. Aos 33 anos entrou para a Academia Brasileira de Letras. Também com o pseudônimo de Conselheiro XX, assinou escritos que atraíram grande público. Humberto de Campos foi um dos escritores brasileiros mais lidos em seu tempo e suas obras tornaram-se presentes nas bibliotecas de todo o País, algumas sendo adotadas em escolas públicas. Sua notável popularidade e identificação com o espírito nacionalista consagraram-no também na política, elegendo-se deputado federal pelo Maranhão. O estilo conservador de escrever, embora numa linguagem bem acessível e dinâmica, entrou em confronto com os ditames da Semana de Arte Moderna de 1922; mesmo assim, conseguiu romper a fronteira entre o velho e o novo na literatura feita no Brasil, e por isso seu nome ainda hoje encontra visibilidade. Segundo Humberto de Campos Filho, que a exemplo do pai seguiu a carreira jornalística, ele foi um homem que sempre viveu modestamente e inteiramente dedicado à vida literária. Essa revelação está na obra escolhida de Humberto de Campos, lançada em 1983 pela Opus Editora Ltda., composta de dez dos 40 volumes da bibliografia completa do escritor maranhense. No primeiro volume, Poesias completas, Humberto de Campos Filho relata detalhes da vida do pai, reconhecido largamente em seu tempo, pelo público e pela crítica, mas em constante preocupação com a notoriedade no futuro. “Eu queria a vida para consagrá-la principalmente às minhas letras; à realização de uma obra que trazia no pensamento. Isso tornou-se impossível. E minhas horas são consumidas, todas, na conquista do pão de cada dia”, desabafa Humberto de Campos em seu Diário secreto. Em 1986, foi lançado pela Universidade Federal Fluminense – EDUFF, o livro O miolo e o pão, em homenagem ao centenário de Humberto de Campos, com estudo crítico e antologia do autor de O monstro e outros contos e um dos artistas nordestinos mais populares da literatura brasileira. O título do livro alude a outra citação de Humberto: “Passou a vida a insistir no comércio mais idiota deste mundo: vendia miolo da cabeça para comprar miolo de pão” (Os Párias). Humberto de Campos morreu no dia cinco de dezembro de 1934, aos 48 anos, deixando mulher e três filhos. Durante muito tempo lutou contra uma doença rara chamada acromegalia, um distúrbio na glândula hipófise. Problemas relacionados a cálculos na bexiga, no entanto, foram a causa de sua morte. Depois de uma operação para retirada dos cálculos, Humberto de Campos passou cerca de um ano urinando através de uma sonda implantada abaixo do umbigo. Depois desse período, uma nova cirurgia foi necessária para retirada da sonda. O pavor da anestesia raquidiana, que o já  traumatizara, fê-lo exigir do médico uma anestesia geral, a despeito dos riscos que corria. Morreu de um ataque do coração enquanto eram feitos os pontos da última sutura. Enxergou com profunda sensibilidade a vida, sendo-lhe poupado ver a própria morte.

CURIOSIDADES DE HUMBERTO DE CAMPOS

♦ Ainda existe na cidade piauiense de Parnaíba o cajueiro centenário plantado por Humberto de Campos e que inspirou uma de suas crônicas mais conhecidas.

♦ A biblioteca de Humberto de Campos, com alguns milhares de volumes, foi vendida pela família do escritor para o governo do Estado do Maranhão, por 40 contos.

♦ Ainda depois de morto, Humberto de Campos foi motivo de grande polêmica. Por volta de 1941, novas publicações assinadas por ele, como “psicografadas” por Chico Xavier e editadas pela Federação Espírita do Rio de Janeiro, ganharam grande popularidade em todo o Brasil, fazendo com que a família do escritor movesse uma ação judicial reivindicando direitos autorais. A família perdeu a causa.

♦ No final dos anos 50, o nome de Humberto de Campos é estampado novamente na imprensa. O anúncio da publicação do seu Diário secreto causa alvoroço no meio intelectual brasileiro. Mesmo assim, seu diário é publicado em fascículos pela revista O Cruzeiro e depois editado em dois volumes.

♦ Na edição de 3 de setembro de 2008, a revista Veja trazia em sua coluna “Radar”, assinada pelo jornalista Lauro Jardim, a seguinte nota: “VENDE-SE UM FARDÃO - Serão leiloados nos próximos dias no Rio de Janeiro o fardão e o espadim da Academia Brasileira de Letras usados pelo escritor maranhense Humberto de Campos. O lance mínimo é de 30. 000 reais – aliás, o mesmo preço de um fardão novinho em folha. A vestimenta tem quase noventa anos e estava guardada desde 1934, quando Campos morreu. Quem tiver a intenção de desfilar por aí fantasiado de imortal não deve perder a oportunidade. Não é todo dia que se consegue um fardão original, até porque a maioria dos acadêmicos é enterrada com seus trajes de gala”.

♦♦♦

"
RODOLFO TEÓFILO

Humberto de Campos

QUANDO eu conheci Rodolfo Teófilo, em 1906, tinha ele já sua grande barba toda grisalha. Era um homem alto, magro, de rosto fino, que a barba tornava mais longo, e que vivia enrolado em uma sobrecasaca negra, abotoada de cima a baixo. Fantasiado assim de guarda-chuva, trazia, para evitar equívocos, outro guarda-chuva na mão. E eu confesso que, desde que o vi pela primeira vez, senti uma comovida simpatia por aquele homem, ao mesmo tempo que recebia uma impressão funda, e segura, da sua capacidade de sonho e de fé. Um homem que anda de guarda-chuva no Ceará, dispõe, necessariamente, de uma grande força de imaginação.
Era isso nos dias mais ingratos da existência do romancista. Dividido em dois agrupamentos políticos, o Ceará fervia, desde as praias do mar até às chapadas do Cariri, de entusiasmo e de indignação partidárias. As penas dos jornalistas ciscavam, no papel branco dos jornais, pondo à superfície dele, com as paixões próprias, os vícios ou defeitos dos adversários. Sem descer às discussões pela imprensa, Rodolfo Teófilo havia ficado, como eleitor, em oposição ao governo do Estado. O melhor governo é, sempre, no Brasil, o do partido que vai subir. E Rodolfo Teófilo era brasileiro e possuía, como todo brasileiro, espírito messiânico.
Essa definição de atitude custou, todavia, caro, ao velho sonhador. Lente de História no Liceu Cearense, foi removido imediatamente, como castigo, para a cadeira de grego. Debalde protestou ele contra essa confusão, alegando, como coautor da “Bo­tânica Amorosa”, que as raízes gregas nada têm com as dos vegetais. O governo manteve o ato. E Rodolfo Teófilo, que não sabia grego, foi demitido por abandono do cargo, exposto a todas as conseqüências de uma pobreza honrada, corajosa e inflexível.
Para viver, foi fabricar, então, na sua chácara de Cauípe, vinho de caju, cuja fermentação e filtragem aperfeiçoou, e que tomou, no comércio, a denominação de “néctar”. Aquela abelha não fabricava senão mel. Doce de alma e doce de coração, escolheu, para explorar, a mais doce e amável das indústrias. Não sabia grego, mas era um irmão de Aristeu, isto é, do primeiro grego que domesticou abelhas.
Não foi, todavia, na sua indústria, mas no seu apostolado, que o governo cearense passou a atacar o venerando e suave trabalhador. Toda a vez que a seca se manifesta­va no sertão, a companheira da fome era, sempre, a varíola. Farmacêutico, Rodolfo Teófilo chamou a atenção das autoridades sanitárias para a vacinação intensa. A ciência provinciana não admite, porém, insinuações. Só os oposicionistas fazem observações públicas ao governo ou aos seus auxiliares. E Rodolfo Teófilo passou a figurar no índex governamental.
Seu coração não se conformava, entretanto, com a devastação que a varíola fazia no Ceará. Menos para afrontar o governo do que para substituí-lo no exercício de um dever caprichoso, passou a vacinar, por conta própria, nas vizinhanças da capital. Adquiria vitelos, e fabricava uma das melhores vacinas do Brasil, a qual era distribuída gratuitamente pelos médicos locais que a pediam, ou enviada, independente de remuneração, para os Estados vizinhos. O governo do Estado multou-lhe o laboratório. E como se isso não bastasse, o órgão oficial do partido governista fazia contra a vacina utilizada pelo filantropo a mais terrível e desumana das guerras, aconselhando a população que a não aceitasse, porque era venenosa e causava a morte!
Não obstante essa campanha, Rodolfo Teófilo não esmorecia. Com a sua voz mansa, os seus olhos bons, e a sua derramada barba de apóstolo, andava de casa em casa, pedindo licença para premunir a família contra a epidemia reinante. Vacinada a maior parte da população da capital, passou ele, com a mesma dedicação, a exercer o sacerdócio entre a gente do interior. Escanchado em um burro, e levando como bagagem científica apenas a caixa de soro e alguns remédios suplementares, atirou-se para os municípios mais próximos solicitando, de choça em choça, de fazenda em fazenda, de povoado em povoado, permissão para vacinar as pessoas que ali moravam. Os caboclos o recebiam, quase sempre, com acentuada desconfiança, quase com hostilidade. E foi, então, quando, segundo se contava no sertão, Rodolfo Teófilo inventou uma linda história cristã, que teria repetido mil vezes, nos terreiros das cabanas e nos alpendres das casas de campo. Mais tarde, ele contestou, em carta que me escreveu, a paternidade do conto. A defesa foi, porém, tão frágil que me pareceu uma confirmação.
“Há muitos anos, — começava, foi uma grande cidade, capital de um grande reino, atacada pelas bexigas, que mataram quase toda a população. Dentro de pouco tempo estava a cidade quase deserta. Quem não morreu, fugiu, abandonando casa, fazenda, riquezas, tudo. Havia, entretanto, entre o povo, um homem muito bom, que, tendo perdido já todos os parentes, resolveu deixar a terra empestada. Arrumou a sua roupa, e partiu. Assim, porém, que chegou fora da cidade, encontrou-se com uma mulher muito formosa, que puxava uma vaca toda preta, seguida de um bezerrinho, alvo como o algodão. A mulher, ao vê-lo, perguntou-lhe por que fugia. Como ele lhe explicasse, ela lhe pôs a mão no ombro, e disse: ‘Não tenhas medo, meu filho. Volta à cidade com esta vaca e este bezerrinho. Quando chegares lá, tira uma gota do seu leite e, com ele, faze três cruzes em cada braço, em todas as pessoas que se quiserem salvar. Toda aquela em quem fizeres isso não será atacada pela peste’. Aí, a mulher, que não era outra senão Nossa Senhora, desapareceu, enquanto que o fugitivo regressava ao ponto de partida, onde fez o que ela lhe havia dito, e salvou todo o resto do povo. Essa vaquinha — acrescentava o narrador, — teve depois outras crias, e é do sangue e do leite delas que eu trago algumas gotas, para salvar das bexigas os que são filhos de Nossa Senhora.”
O sertanejo, ainda desconfiado do homem, mas confiando em Deus, entregava prontamente o braço, e o braço dos filhos, e o da mulher. E foi por esse meio que Rodolfo Teófilo, sozinho, extinguiu a varíola, até hoje, no interior do Ceará.
E esse benemérito acaba de morrer... Há um homem de menos na terra. Mas há, a esta hora, — se o céu existe, — mais um justo entre os justos. (Destinos)

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