quinta-feira, 18 de setembro de 2014

SEMANA NACIONAL DO TRÂNSITO


Tem início hoje, 18/9, a Semana Nacional do Trânsito. O período é aproveitado pelos órgãos fiscalizadores do trânsito para reforçar o alerta aos condutores de veículos motorizados, sobre diversos temas importantes, principalmente educativos. A cada dia aumenta o número de veículos nas vias urbanas e rodovias.
Um dos assuntos mais abordados é a Lei Seca que entrou em vigor em 1998. Em 2012 a Lei Seca foi reeditada, tornando-se mais rigorosa. As estatísticas comprovam que após a promulgação da Lei Seca, os acidentes de trânsito no Brasil, a maioria com vítimas fatais, têm diminuído. Mesmo assim, os números atuais de acidentes de trânsito ainda são assustadores.
O trânsito também é tema para os poetas populares, a exemplo deste cordel :

DIRIGIR É IMPORTANTE,
MAS EDUCAR É PRECISO

Pedro Paulo Paulino

Alô, alô, juventude,
Nestes versos eu repriso
O que muito já foi dito,
Como um importante aviso
A respeito do volante:
Dirigir é importante,
Mas educar é preciso.

Toda classe estudantil
Precisa disso saber,
Que na lei do trânsito tem
O direito e o dever,
É como na lei da vida
Que para ser bem vivida
Depende do proceder.

Na Semana Nacional
Do Trânsito, nós repassamos
Dicas para os estudantes
E os filhos que nós amamos,
Está neles o futuro
De um trânsito mais seguro,
É isso o que desejamos.

Atenção, muita atenção,
Alunos e professores:
É necessário investir
Em nossos novos valores,
Que são nossos educandos,
Desta forma preparando-os
Pra futuros condutores.

Sendo assim, é bom lembrar
Que perícia se conquista
Dirigindo com cuidado,
Seja "escorregar" na pista,
Mantendo sempre atenção
E uma boa relação
Do pedestre e o motorista.

Condutores do volante,
Tragam sempre na lembrança:
Seja conduzindo adulto
Ou conduzindo criança,
De maneira responsável,
Torna-se indispensável
O CINTO DE SEGURANÇA.

Tem outra dica importante
Que é necessário lembrar:
Quem dirige tem que ter
Atenção particular.
Neste lembre se ligue:
SE FOR DIRIGIR, DESLIGUE
O APARELHO CELULAR.

Dirigir parece simples,
Mas requer muito cuidado.
“Vida boa não quer pressa”,
Já diz um velho ditado.
Nunca é demais se dizer,
QUE O LIMITE DE CORRER
É PARA SER RESPEITADO.

Atenção, muita atenção:
Se você é motoqueiro,
Siga sempre as mesmas regras,
Seja prudente e ordeiro.
Guarde bem esse lembrete:
USE SEMPRE O CAPACETE,
INCLUSIVE O PASSAGEIRO.

Pilotar ou dirigir
Precisa HABILITAÇÃO.
A CARTEIRA NACIONAL
É prova de aptidão.
E também é bom saber
Que o veículo tem que ter
Sua DOCUMENTAÇÃO.

A educação no trânsito
Faz parte da nossa vida.
Por isso, desde criança
Precisa ser entendida.
Para ter boa atitude,
Educar a juventude
É lema da nossa lida.

Tudo neste mundo tem
Sua forma de mensagem.
O trânsito se comunica
Utilizando a imagem
Chamando nossa atenção:
É a sinalização
A sua própria linguagem.

É essa simbologia
Detalhe muito importante,
Para você que pilota
Ou que conduz o volante,
Conhecer esses sinais
É necessário demais!
Assim você se garante.

Dirigir não é somente
Manter a velocidade.
Precisa muito respeito
E também sobriedade.
Dirigir com garantia
Exige cidadania
E a solidariedade.

A juventude precisa
Colocar na consciência,
Que por desrespeito ao trânsito
E por desobediência
Às leis que são adotadas,
Muitas vidas são ceifadas
Só por falta de prudência.

Quem conduz a direção,
A própria vida conduz.
Valorizemos a vida
E a ela façamos jus.
Não deixe que a direção
Em nenhuma ocasião
Se transforme numa cruz.



terça-feira, 16 de setembro de 2014

O HERÓI DO SERTÃO

(Zé Laurentino)


Conheci Pedro Tomaz
Na fazenda do Estreito.
Caboclo trabalhador,
Respeitador e direito.
Há muito tempo eu não via
Um cabra daquele jeito.

Na cartilha de seu Pedro
Não tinha o nome preguiça,
Só deixava o seu roçado,
Domingo, pra ir à missa.

Minhas palavras são pobres
Para pintar seu retrato:
Tinha dois metros de altura,
Ligeiro que só um gato;
Pesava mais de cem quilos,
Era um Maguila do mato.

Casaco com Minervina,
Filha de seu Virgolino,
Aquele casal bonito,
Unido, quase divino,
No espaço de dois anos
Fez um casal de menino.

No ano sessenta e dois,
Eu ainda estou lembrado,
Que Pedro Tomaz, sozinho,
Fez um esforço danado.
Brocou, queimou e plantou
Oito quadros de roçado.

Mas o sol quente, danado,
A seca avassaladora
E a lagarta acabaram
Com toda a sua lavoura.

Às quatro horas da tarde,
Quando o sol da cor de guerra
Incendiava o sertão,
Do baixio até à serra,
Seu Pedro Tomaz sentia
Seu sonho cair por terra.

Tanto suor derramado
Por cima daquele chão,
O nosso herói contemplava
Os calos de cada mão
E um desgosto profundo
Batia em seu coração.

Tomou uma decisão:
Ir ao Rio de Janeiro
Arranjar algum trabalho,
Conseguir algum dinheiro.

Em cada menino, um cheiro
E um abraço comovido.
Minervina soluçando
No ombro do seu marido.
Não sei se era soluço,
Não sei se era gemido
De um peito apaixonado
Pelo desgosto partido.

Na velha rodoviária,
O lenço branco acenando,
O carro dando partida,
Os dois meninos chorando,
E Pedro Tomaz partindo
Pra voltar, quem sabe quando!

Com quatro dias depois,
O nosso Herói do Sertão
Desembarcava no Rio,
Com a mala velha na mão
E a saudade dos filhos
No fundo do coração.

O dinheiro que levara
Gastara todo na estrada...
E haja procurar emprego,
Mas qual emprego, qual nada!
Comia quando pedia,
Dormia pela calçada.

Depois de quase dez dias,
Sem um trabalho encontrar,
Falou com o dono de um circo,
O palhaço Baltazar.

Baltazar olhou pra Pedro
E disse: – cabra da peste,
Tem serviço pra você,
Mas primeiro tem um teste.

Tá vendo aqueles três quartos?
Pedro respondeu: – Estou.
– Pois o teste é o seguinte –
E a ensinar começou.

– Naquele primeiro quarto,
Que está em sua frente,
Em cima de uma mesa
Tem um litro de aguardente.
Você bebe a pinga toda,
Não deixa um pingo somente.

Naquele segundo quarto
Encontra-se uma coroa,
Uma velha de setenta
Mas ainda muito boa.
Você faz amor com ela
Que de muito vive à toa.

Então no terceiro quarto
Tem uma onça pintada,
Você pega a mão da onça
E cumprimenta a danada.

Pronto, vá fazer o teste,
Se der conta do recado,
Daqui a mais um hora
Você já está empregado.

Falou e saiu sorrindo,
Com a maior gozação,
Enquanto Pedro Tomaz,
O nosso Herói do Sertão,
Já partia humildemente
Pra cumprir sua missão.

Entrou no primeiro quarto,
Pegou o litro e a taça,
Bebeu sem fazer careta
Todo o litro de cachaça.

Já saiu puxando fogo,
De cabeça meio sonsa.
Errou o quarto da velha,
Entrou no quarto da onça.

Com meia hora depois
Saiu todo ensangüentado.
O palhaço, quando o viu,
Quase que cai espantado.

E Pedro Tomaz sorrindo,
Todo cheio de lorota,
Disse: – Eu já comi a onça,
Só tá faltando a velhota.

O palhaço disse: – Moço,
Tu és um cabra danado,
A partir deste momento
Estás por mim empregado.

O grande Pedro Tomaz,
Caboclo forte da peste,
Mandou buscar a família
Que deixara no Nordeste
E ainda hoje trabalha
Grande circo Everest.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

DATA


VIVA O DIA DO FOLCLORE

Pedro Paulo Paulino

O Folclore é o conjunto
Das tradições populares,
De mitos, lendas e crenças
E de coisas similares,
Uso antigo e uso novo
Praticados pelo povo
Nos mais diversos lugares.

Por exemplo, o cantador
Que se apresenta na feira,
O coquista em desafio,
O vaqueiro e a rendeira,
Todo esse tipo de arte
Que completa em grande parte
A cultura brasileira.

O Folclore vem do seio
De uma terra e sua gente.
Nosso modo de falar
É folclore puramente.
Se pesquisar por aí,
Do Oiapoque ao Chuí
O Folclore está presente.

Folclore, no Ceará,
Nós temos no jangadeiro,
No Padim Ciço Romão,
O santo do Juazeiro,
E nas histórias contadas
Das antigas vaquejadas
E bravura de vaqueiro.

Prestando bem atenção,
O Folclore também é
Romaria todo ano
De fiéis andando a pé
Nas estradas do sertão
Pra rezar com devoção
Na Matriz do Canindé.

O Folclore é o produto
Da cultura popular.
Por isso em sua homenagem,
De modo particular,
Tornou-se assim necessário
Um dia no calendário
Para a data festejar.

A 22 de agosto
Essa data se mantém
(E por sinal, este mês
Para muita gente tem
Um quê de superstição,
E por esta condição
Já é Folclore também).

O jangadeiro, um herói
De fama reconhecida,
Grande exemplo de coragem
Da nossa gente aguerrida,
Emblema do Ceará,
Também no Folclore está
De forma bem merecida.

Outro herói da nossa terra
Aliado ao jangadeiro,
Também recebe homenagem
Neste dia alvissareiro:
Por seu imenso valor,
No Folclore tem louvor
O nosso bravo vaqueiro!

Montado no seu cavalo
E vestido em seu gibão,
É o rei das nossas matas
Na busca do barbatão.
Vaqueiro, cavalo e boi,
Trindade que sempre foi
Respeitada no sertão.

Dentro do nosso Folclore
Tem uma mulher guerreira
Que merece ser lembrada
Por defender a bandeira
Da vida em gesto profundo,
Pois eu mesmo vim ao mundo
Pelas mãos de uma parteira.

É um ser especial
Que nos tempos de outrora,
Praticando a caridade
Trabalhava a qualquer hora,
E pelo valor que tem
Ela é folclore também,
Portanto se comemora.

Temos outra tradição
Toda nossa e genuína,
Uma prática brilhante
Da cultura nordestina,
Própria do nosso sertão:
Estou chamando atenção
Para a quadrilha junina.

Pois todo bom sertanejo
Carrega em sua lembrança
Os festejos de São João,
Desde os tempos de criança.
Praticada sempre seja
A quadrilha sertaneja,
A nossa mais bela dança.

Ainda tem outro vulto
Que ergue a sua bandeira
Importante no cenário
Da cultura brasileira:
No tratamento e na cura,
Aplausos para a figura
Sem igual da rezadeira.

Quem de nós não a chamou
No momento que não tinha
Um doutor para tratar
Do adulto ou criancinha.
Hoje mesmo, muita gente
Acredita piamente
Na reza junto à mezinha.

Viva o Dia do Folclore
Marcado no calendário!
Viva o povo que festeja
Esse lindo aniversário!
Folclore não tem suspeita,
É do povo e não aceita
Disposições em contrário!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

BREVE HISTÓRIA DE VIOLÊNCIA FAMILIAR

Freitas de Assis*

No trabalho de policiamento ostensivo e atendimento de ocorrências, das mais comuns é a de violência doméstica. Raro é o fato deste tipo de violência ser cometida contra homens. Geralmente é o contrário: a mulher, considerada o sexo frágil, é quem leva a pior na história, embora ocorram vez por outra situações, digamos, vexatórias para o homem, quando algumas mulheres literalmente partem para cima e resolvem as desavenças de casal no braço; e assim como a mulher, quando o homem leva a pior, nem sempre registra a ocorrência, talvez por se sentir envergonhado ou achar que as tenazes da justiça sejam incapazes de atingir a mulher neste tipo de situação, e que a lei Maria da Penha apenas protege as mulheres, quando na realidade, hoje, ela serve para inúmeras situações de violência doméstica, independente do grau de parentesco, apenas que haja vínculo afetivo ou consanguíneo e uma convivência dentro de um lar.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

19/8 - DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA


FOTOGRAFAR AINDA É UMA ARTE?

Pedro Paulo Paulino

Hoje é o Dia Mundial da Fotografia. Diz-se que fotografar é uma arte. Mas será que na era da fotografia digital, fotografar ainda é mesmo uma arte? Com a facilidade incrível que se tem hoje para registrar imagens, acho que fotografar descambou mesmo para a banalização. Um aparelho celular, embora dos mais simples, traz embutida uma mini-câmera digital. As câmeras digitais propriamente ditas popularizaram-se extraordinariamente devido ao barateamento dos preços e podem ser encontradas à venda nos mais inusitados pontos. Sem o uso de filmes, munidas de cartões eletrônicos com enorme espaço de armazenamento, as maquininhas digitais são mesmo um milagre da tecnologia. E ainda contam com recursos de uso que a grande maioria de seus donos, certamente, quase não exploram.
Fáceis de operar, com apenas um clique está registrada a fotografia, desejada ou não, que logo é mostrada no display da câmera. A foto que não interessa pode ser imediatamente excluída. Associadas ao computador, já tão vulgarizado também, as câmeras digitais fizeram uma revolução impressionante. Com essa união de máquinas, perdeu-se também o hábito de passar nossas fotos para o papel. O mais impressionante em tudo isso foi a velocidade com que saltamos do processo analógico para o digital. Houve um autêntico boom, tanto tecnológico quanto comercial, no mundo da fotografia. A câmera digital ou o celular que levamos no bolso e até as crianças sabem usar, de um instante para outro aposentou a indústria do filme fotográfico e de todos os ingredientes utilizados no antigo processo.
Como fotógrafo amador e apaixonado por fotografia, venho ainda do mundo analógico. Fotografo desde os 13 anos. Minha primeira câmera foi uma Kodak que empregava filme de 126mm. O rendimento máximo de um cartucho era de 24 fotos, ou chapas. Por isto, tínhamos a devida cautela em não esperdiçar nenhuma pose, que era assim também chamada cada exposição do filme. Mais tarde, adquiri do meu amigo Laurismundo Marreiro, professor de inglês apaixonado por fotografia, uma câmera Olympus com filme de 35mm e rendimento de até 36 exposições. Nessa mesma época montei laboratório próprio e passei a revelar minhas fotos em preto e branco. (Confesso que pouca vez em minha vida repetiu-se a emoção que tive ao revelar a primeira fotografia.) 
Chico Karam, pioneiro da
revelação em cores em Canindé
Esse meu avanço no invento de Daguerre deveu-se ao incentivo e orientação do mago da fotografia em Canindé, Chico Karam. O Foto Karam, ao lado da basílica, foi por muito tempo o ancoradouro de todos os fotógrafos canindeenses, profissionais ou não. Os filmes eram levados a Fortaleza para revelação. Passava-se, via de regra, uma semana para recebermos nossas fotos, o que gerava uma expectativa ansiosa. No final dos anos 80, Chico Karam, num gesto pioneiro, montou nos fundos da sua loja um laboratório para revelação em cores. Foi empresa difícil para a Mônica, a laboratorista, atinar com o ajuste das cores, e enquanto isso as fotos tinham uma tonalidade azul. Depois tudo se consertou.
Guardo ainda hoje centenas de “negativos” e uma pequena montanha de ábuns, produto da minha senda de fotógrafo. Agora estou entre a fauna dos fotógrafos da era digital. Mas ainda mantenho o hábito de só apertar o obturador da câmera (ainda é obturador?) no momento que julgo necessário. Clicar, clicar e clicar, a meu ver, não é exatamente fotografar.
Minha homenagem aos antigos fotógrafos que conheci em Canindé, entre eles, João Almeida e Chico Karam (in memmorian), Giovanni Almeida, João Carneiro, Lourival e todos os fotógrafos lambe-lambe da Praça da Basílica. E viva a fotografia digital…

(Publicado inicialmente no blog em 19/8/11)

CENTENÁRIO DE ARACY DE ALMEIDA



Em 19 de agosto de 2014 comemora-se o centenário de nascimento da cantora ARACY DE ALMEIDA. Considerada a maior intérprete de Noel Rosa, Aracy de Almeida começou cantando em igrejas do subúrbio do Rio até ser levada para o rádio por intermédio de Custódio Mesquita, que a ouviu cantar em 1933. Logo fez fama como intérprete de sambas nas rádios Philips, Mayrink Veiga, Ipanema e Tupi e fez história com gravações antológicas de “Palpite infeliz” (Noel Rosa), “Tenha pena de mim” (Cyro de Souza e Babaú), “Fez bobagem” (Assis Valente), “Camisa amarela” (Ary Barroso) e “Feitiço da Vila” (Noel Rosa e Vadico). Foi, ao lado de Carmen Miranda, a maior cantora de samba dos anos 30. Depois de atuar com sucesso na boate Vogue em Copacabana na década de 40, entre 1950 e 1951 gravou dois álbuns dedicados a Noel Rosa, que seriam responsáveis pela reavaliação da obra do poeta da Vila. Tinha uma personalidade franca e boêmia, falava sempre o que queria, e sua maneira de cantar foi determinante para definir os rumos do samba cantado por voz feminina. No final da vida atuava como jurada do programa A Buzina do Chacrinha e do Show de Calouros do Programa Silvio Santos, do SBT, em que era conhecida por dar notas baixas a quase todos os calouros.

Via Site Collector's http://www.collectors.com.br/

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

EVENTO



PROCISSÃO DOS VAQUEIROS ABRE FESTA

DE SÃO ROQUE EM VILA CAMPOS


Uma caravana de vaqueiros montados a cavalo acompanhou no final da tarde de hoje a procissão com o painel de São Roque, num percurso de cerca de um quilômetro, entre Campos Novo (BR-020) e Campos Velho, assinalando a abertura dos festejos dedicados ao padroeiro da localidade, na zona rural de Canindé.
Dezenas de fiéis seguiram também em caminhada o mesmo percurso até a capela da vila de Campos Velho, onde no início da noite foram hasteadas bandeiras e celebrada missa campal, presidida por frei Jean Souza. No local, vaqueiros entoaram aboios e externaram sua religiosidade.
A missa dos vaqueiros é um evento tradicional que reúne grande número de pessoas em Vila Campos. A movimentação acontece durante todo o dia e a recepção é feita por Cosme Paulino Viana, um dos vaqueiros mais antigos dos sertões de Canindé. Em sua casa é servido banquete aos companheiros, que aproveitam a ocasião para se confraternizar e relembrar juntos vaquejadas e pegas de boi. “É um presente que damos anualmente ao meu pai e aos seus colegas vaqueiros”, garante Flaubert Viana, filho de Cosme Paulino.
A festa de São Roque em Vila Campos é um acontecimento centenário. A capela da povoação é uma das mais antigas do município de Canindé e é mantida pela própria comunidade, com apoio da Paróquia de São Francisco das Chagas. “Contamos sempre com a colaboração dos nossos conterrâneos, de parceiros e fiéis de São Roque, através das nossas campanhas beneficentes. Nossa festa tem o poder de promover um reencontro anual entre nossos familiares que moram fora”, afirma Verônica Paulino Viana, do Conselho Pastoral da Comunidade.
Durante os próximos dias acontecerá o novenário com a participação de comunidades circunvizinhas. No dia 16 de agosto, será celebrada missa festiva de encerramento, seguida de leilão e atrações à noite na quadra social da paróquia. (Texto/fotos: Pedro Paulo Paulino)


terça-feira, 5 de agosto de 2014

CRÔNICA

DERROTAS E CONQUISTAS

Freitas de Assis*

Por água abaixo foram os anseios e sonhos do País do Futebol na terça feira 08 de julho de 2014. Na fatídica data para o futebol tupiniquim, a poderosa Alemanha, que já havia imposto uma sonora goleada em Cristiano Ronaldo e seus patrícios, desta feita humilhou a seleção canarinha com um placar de sete a um. A culpa? Muitos atribuíram à comissão técnica, aos cartolas e patrocinadores, e até mesmo a inércia do apoio psicológico à falta que fez o único fora de série da equipe, o jogador Neymar, seriamente contundido em uma disputa de bola em jogo anterior. Fato que lembra a “convulsão” de Ronaldo na copa da França em 1998, onde na final o Brasil também se mostrou apático e perdeu a final para os anfitriões por três a zero. Mas agora perdeu para um time organizado, humilde e que não contava com grandes estrelas. Contava sim, com a persistência, o trabalho em equipe e o espírito de grupo, tanto que na final com nossos vizinhos platinos, o jogador que fez o único gol da partida era um reserva que entrara havia pouco tempo.
Recordo que no dia do jogo no estádio Mineirão, a euforia era generalizada. A esperança era contagiante e eu entrava de serviço no turno da noite prevendo conter os ânimos de torcedores mais exaltados. Mas veio a derrota e não houve carreata. As motocicletas com descarga alterada ficaram caladas e o consumo de bebidas entorpecentes foi reduzido a patamares mais civilizados. Registraram-se naturalmente umas poucas ocorrências, normal para uma terça-feira e que não vale a pena tecer uma ou outra frase sobre estas. Quanto aos alemães, após a conquista do Mundial comemoraram na terça-feira em seu país, embora na segunda-feira, conforme reportagem em telejornal, pouca coisa em Berlim memorava o feito dos seus compatriotas e os alemães foram trabalhar normal e sobriamente.  Fosse o Brasil campeão, haveria uma festa memorável no domingo e na segunda-feira seria decretado feriado.  Aliás, o Brasil, campeão mundial de feriados, no período da copa e em dias de jogos do Brasil, era ponto facultativo, fazendo a economia parar em diversos setores, embora o setor de turismo tenha tido um “boom”.  O lado bom desse fato é que das adversidades e derrotas sempre conseguimos tirar algum ensinamento; sobretudo por que conseguimos aprender algo com os vitoriosos. E que sirva então de exemplo os alemães, que derrotadas em 1945, juntamente com o Japão depois da II Guerra Mundial, ergueu uma grande potência pouco tempo depois. E após a unificação do país com a queda do muro de Berlim em 1990, realmente virou uma potência. E de que forma conseguiram erguer-se dos escombros? Com uma simples receita: investimento em educação e trabalho com seriedade, aliados a um sistema jurídico eficiente, sem ser condescendente nem carrasco.
Voltando à realidade de julho e patrulhando nossas ruas de tosco calçamento e asfalto em uns poucos pontos da cidade, observo que o progresso começa a se instalar por aqui. É fato notório que o número de veículos que circula na cidade é bem maior que o número de pessoas habilitadas. E que para conseguir tirar a habilitação é necessário um pouco de esforço e dinheiro para pagar as taxas de auto-escola e as do Detran, sendo que alguns exames eram realizados em Fortaleza pelo fato do posto do órgão em Canindé funcionar de forma incompleta. Ocorre que agora funciona plenamente e os usuários não precisam se deslocar a nossa capital para sanar seus problemas. É só ir até a Avenida Perimetral, próximo ao loteamento Monte Líbano, passando por alguns redutores de velocidade, as populares tartarugas, ultrapassar os quebra-molas, os quais foram acrescidos também de tartarugas, isto se a pessoa vem do lado do Quartel do 4º BPM, pois se vier da Igreja do Cristo Rei, além dos redutores de velocidade, enfrentará um eterno buraco do lado direito. Este é numa subida, obrigando o motorista invadir um pouco a mão contrária para poupar a suspensão do carro, arriscando a  se envolver em um acidente. Sem mencionar os loucos sobre motocicletas que teimam em fazer deste logradouro uma pista de corrida, e seu acostamento, muito estreito, ainda é povoado por alguns animais que pastam por lá.
Nas últimas décadas houve uma estagnação no progresso e um ostracismo político como nunca se viu antes na história do nosso município. Posso citar como ponto positivo em Canindé a vinda do IFCE, que oferece formação superior e de qualidade. Infelizmente, obras que poderiam alavancar o progresso, como a construção da escola profissionalizante e a policlínica, estão atrasadas por conta das licitações feitas para sua execução, ou seja, a empresa ganhou o direito de executar a obra, mas não tem recursos suficientes para tal empreitada, ou então foi à bancarrota. Nova licitação tem que ser feita e todo o jogo recomeça.   

O resultado dessa falta de estrutura em educação e saúde, sem citar outras áreas, pode ser traduzido em parte no meu trabalho. Que consiste em prevenir o crime e prender pessoas que cometem crimes. E em meados de julho, a polícia militar, num esforço conjunto de suas equipes, desbaratou uma quadrilha responsável por vários crimes de assalto em Canindé, e boa parte dos membros da gangue são menores. Um fato que não deve ser comemorado. Mas julho também é aniversário de Canindé, e sinceramente espero que nos próximos aniversários possamos aplaudir não as prisões de infratores, mas o número recorde de alunos matriculados em cursos superiores, e que tais cursos também sejam feitos aqui; espero não prender dia sim dia não, o mesmo menor infrator, que ri da cara do policial que trabalha para que leis tão ineficientes sejam cumpridas. E espero ver ainda o progresso em ação, não só na minha cidade, mas em todo o país. Quero ver as pessoas tomarem consciência e não trocar seu voto por um adesivo no carro e dez litros de gasolina, um pneu de bicicleta ou mesmo uma clássica dentadura, e depois não poder cobrar ações de seu candidato. Em seus próximos aniversários, seus próximos 29 de julhos, ó Canindé, te verei como uma cidade moderna, com indústrias e fábricas, escolas e faculdades; verei avenidas e ruas asfaltadas nos bairros periféricos, te verei com honras e glórias. Serás uma cidade de renome e paz. Seus cidadãos sentarão às suas calçadas tranquilos e o país também terá atingido seu esplendor e apogeu. Veremos cada um pensar no próximo, ajudando a transformar sua terra num lugar melhor. E uma amarga derrota no futebol para um potência mundial será uma nota de rodapé em algum livro de história. Pelo seu aniversário, parabéns, Canindé! 

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*Cabo PM, colaborador do blog.

sábado, 2 de agosto de 2014

SONETO

VIVER O HOJE

Pedro Paulo Paulino

Jamais ancore o barco da existência
No porto permanente do passado.
Desfrutar o momento que é nos dado,
É prêmio que se alcança com vivência.

Pois quem vive ao sabor de contingência
Ou lamentando o tempo superado,
Constantemente viverá frustrado
Ou viverá só de reminiscência.

A vida é bela agora. É inseguro
O amanhã. O passado tem seus méritos,
Mas já passou. Portanto, viva e leve

A vida sem as ânsias do futuro
E o fardo dos momentos já pretéritos,
Que a vida tende a se tornar mais leve.