quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

NOTÍCIA



INAUGURADO PRIMEIRO RELÓGIO TERMÔMETRO
DIGITAL DE RUA DO SERTÃO CENTRAL DO CEARÁ

“Se na Serra tem termômetro / Medindo o clima de lá, / Vamos também ter no nosso / Medindo o clima de cá, / Saudável temperatura / Que faz parte da cultura / Do Sertão do Ceará”. Os versos do cordelista natural de Canindé, Pedro Paulo Paulino, anunciam a inauguração do primeiro relógio termômetro do Sertão Central, ocorrida no dia 31 de dezembro. O equipamento fica entre as cidades de Canindé e Caridade, no distrito do Camarão, às margens da BR 020.
A iniciativa é da própria comunidade, idealizada e bancada pelo morador Paulo Alexandre, que pontua que o relógio “vai ser um ponto de encontro dos romeiros que vão a pé para Canindé. O termômetro vai atrair os romeiros para pararem e conhecerem a fazenda Camarão, a nossa comunidade”.
Além disso, a implantação do relógio vai impulsionar a economia local, . “No inverno os produtores rurais que produzem feijão, milho e jerimum vendem esses produtos nas margens da BR. O termômetro instalado vai atrair a atenção das pessoas e vai trazer mais renda para a comunidade”, ressalta Paulo Alexandre.
PIONEIRISMO
O relógio termômetro é o primeiro a ser instalado no Sertão Central do Ceará. O equipamento e sua implantação foi toda feita por Paulo Alexandre, que desembolsou o valor de R$ 3.500,00 e contou com a ajuda do irmão, Adriano Queiroz, para criar o layout da plataforma com os dizeres: “I Termômetro do Sertão Central”. 
A inauguração foi regada a música, discurso, com a divulgação de um manifesto pelo desenvolvimento do sertão, que elenca vários pontos junto à comunidade visando defender o desenvolvimento do sertão, e um brinde em frente ao termômetro com toda a comunidade local.
INSPIRAÇÃO
A ideia do termômetro veio da inquietação de Paulo Alexandre em suas viagens. Ao se dirigir até a Serra, via que as pessoas sempre tiravam fotos nos termômetros desses locais, lugares com clima frio, mostrando as baixas temperaturas, como Guaramiranga, que possui um termômetro semelhante ao implantado na localidade Camarão.
“Pensei comigo, por que é que a gente também não tem orgulho de tirar fotos no calor, que é o lugar que a gente nasceu e se criou? É uma contraposição, contra-hegemonia a essa supervalorização do que é de fora e não valorização do que é nosso. É uma maneira de reafirmar o nosso orgulho de ser nordestino e de morar aqui no sertão central cearense”, conclui o realizador da iniciativa. (Fonte: jornal Diário do Nordeste)

O SERTÃO AGORA TEM
SEU TERMÔMETRO OFICIAL

Autor: Pedro Paulo Paulino

Em 31 de dezembro,
Na fazenda Camarão,
Um evento vem marcar
A vida da Região,
Pois é de modo altaneiro
Inaugurado o primeiro
Termômetro do Sertão.

Se na Serra tem termômetro
Medindo o clima de lá,
Vamos também ter no nosso
Medindo o clima de cá,
Saudável temperatura
Que faz parte da cultura
Do Sertão do Ceará.

Também simbolicamente
Vai medir durante o ano
Nossa nordestinidade
E nosso calor humano,
Costumes e tradições
E as realizações
Do nosso cotidiano.

É também uma homenagem
Aos nossos tipos guerreiros,
Ao trabalhador da roça,
Ao cantador violeiro,
E um personagem valente,
Destemido e resistente:
O nosso bravo vaqueiro.

Esse Termômetro vai,
Além da temperatura,
Medir o valor que tem
Nossa terra e agricultura.
Com ele, a gente deseja,
Louvar nossa sertaneja,
Mulher de garra e bravura.

Também por ocasião
Desse evento inaugural,
Perante as autoridades,
Convidados em geral,
Assinamos em protesto
Detalhado Manifesto
Em prol do Sertão Central.

Esse documento histórico
Defende a dignidade,
Favorece nosso povo,
Combate a desigualdade
E pede a transposição
Do Canal da Integração
Pra nossas comunidades.

Também nesse Manifesto,
Seu conteúdo geral
Propõe universidades
Federal e estadual,
Com curso e vagas bastantes
Pra todos os estudantes
Do nosso Sertão Central.

O Manifesto contempla
Esporte, urbanização,
A cultura, a ecologia
E a comunicação,
Além de um Memorial
Do Nosso Sertão Central,
Sua história e tradição.

O Manifesto apresenta
Um leque de alternativas
Para o desenvolvimento;
Dentre as iniciativas
Que podemos adotar,
Uma delas é plantar
Trinta mil mudas nativas.

Defendemos a conquista
Do Hospital Regional,
A Estátua de Santo Antônio
Para o turismo local,
E uma arena pioneira
Pra receber a Primeira
Divisão do Estadual.

Assinado por diversas
Entidades sociais,
O Manifesto será,
Em suas linhas gerais
E projetos detalhados,
Entregue pra deputados,
Federais e estaduais.

Também ao governador
E ao futuro presidente,
A todos vereadores
Da Região, finalmente,
Esse Manifesto é
Nos Sertões de Canindé
Um documento influente.

Aos convidados presentes,
Deixamos neste momento,
Nossos votos de Ano Bom
E nosso agradecimento.
Paulo Alexandre Queiroz
Foi quem ergueu sua voz
Em defesa deste evento.

Nossos parabéns pra ele,
Pela ideia e inovação,
Que de todos nós exige
Nossa participação.
O ano está terminado;
Antes, deixa inaugurado
O Termômetro do Sertão! 

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

SONETO

SAPIENS?!

Pedro Paulo Paulino

Varreu da terra, em todos os quadrantes,
Desde o começo, inúmeras criaturas,
Nos vales, nas montanhas, nas planuras,
Do menorzinho aos lêmures-gigantes.

Desceu ao mar, matou seus habitantes,
E perfurou o ozônio nas alturas.
Nas guerras, com as suas diabruras,
Matou milhões dos próprios semelhantes.

Com seus inventos, a floresta invade
E bota abaixo o cedro soberano
E extingue toda a biodiversidade.

Destrói o próprio lar, qual um insano,
E ainda crê numa imortalidade...
Que bicho estúpido é o ser humano!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

UM JUMENTO É ESCOLHIDO ENTRE OS MELHORES PREFEITOS




















Autor: Pedro Paulo Paulino

O Brasil está coberto
De fraudes e de defeitos,
De crimes e falcatruas,
Racismos e preconceitos.
Mas nem tudo está perdido,
Pois um jegue é escolhido
Entre os melhores prefeitos!

O seu nome é “Precioso”,
Um jegue pernambucano,
Mais honesto e mais sincero
Do que muito ser humano.
Por merecidos valores,
Foi eleito entre os gestores
Mais importantes do ano.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

VEM AÍ A SELEÇÃO QUE DO TEU VOTO DEPENDE



















Autor: Pedro Paulo Paulino

Brasil já voltou pra casa,
Sem vitória e sem convite.
Perdeu na Copa da Rússia
Para um futebol de elite.
Mais uma vez adiado
Fica o hexa tão sonhado
Pela Seleção de Tite.

Fica também a lição
Desse vício vergonhoso:
Endeusar um jogador,
Torna-o ruim e caviloso,
Tal qual o camisa dez
Que com frieira nos pés
Caiu mais que um joão-teimoso.

domingo, 10 de junho de 2018

A VOZ AMIGA (E SAUDOSA) DO CANINDÉ


Pedro Paulo Paulino

Era sempre aos domingo, que se ouvia no rádio essa saudação: “Alô, meus amigos, alô, minhas amigas, cumprimenta-lhes Tonico Marreiro!”. Saudação antológica, alegre e cordial. Ao som da melodia de “Pedacinhos do céu”, estava no ar mais um programa “Fim de semana com o Tonico”. Essa saudação transformou-se em silêncio. Tonico Marreiro já se chama saudade – palavra entranhada no seu coração que por longos anos drenou rios de sentimento bairrista. Depois de estar presente sete décadas e meia no palco da vida, Tonico dá adeus no derradeiro ato da existência. E Canindé fica órfão de um patrono apaixonado por esse pedaço de chão.

terça-feira, 17 de abril de 2018

NÃO HÁ DINHEIRO QUE PAGUE O INVERNO NO SERTÃO

Autor: Pedro Paulo Paulino

Eu sei que a cidade tem
Mil escolhas de lazer,
Lugares que dão prazer
Da maneira que convém;
Praia, parque e mais uns cem
Recantos de diversão...
Porém eu peço perdão
Por minha rude franqueza:
Nada tem maior beleza
Do que chuva no sertão!

Sei que a praia tem o riso
Do sol e mulheres belas,
E a serra tem aquarelas
Que parece um paraíso.
Mas eu não fico indeciso
Com a minha opinião.
Sem querer, meu coração
Por si mesmo se declara,
Porque nada se compara
Com inverno no sertão!

sábado, 31 de março de 2018

O TESTAMENTO DO JUDAS PARA O POVO BRASILEIRO




















Autor: Pedro Paulo Paulino

Sou Judas, o Tenebroso,
Covarde, falso, embusteiro,
Inimigo da justiça,
Sou corrupto e caloteiro,
E quero, neste momento,
Escrever meu testamento
Para o povo brasileiro.

Sou golpista e consegui,
Por meio de traição,
Ocupar de qualquer jeito
O comando da Nação,
A minha conduta é má
E o Brasil inteiro está
Na palma da minha mão.

quarta-feira, 28 de março de 2018

HÁ 27 ANOS, VILA CAMPOS VIROU PALCO DE GUERRA


Texto/fotos: Pedro Paulo Paulino

A hora “H” da grande luta aproxima-se. Desde cedo, ouvem-se os estampidos dos rifles de cangaceiros e soldados, que em confronto e montados em seus cavalos atravessam velozmente a pequena Soledade, situada no meio do sertão do Ceará. O regresso de Emerenciano, remanescente do bando de Lampião, deixa a cidade em polvorosa. O bandoleiro retorna com o propósito de fazer vingança, dez anos depois de ter sido humilhado, espancado e preso pela população.

sexta-feira, 23 de março de 2018

FOLCLORE


UNIVERSIDADE VALE DO LEITE: 16 ANOS

Pedro Paulo Paulino

Hoje, 23 de março, está fazendo 16 anos de fundação da Universidade Vale do Leite, em Canindé. A UVL foi uma brincadeira de amigos que frequentam o estabelecimento comercial do sr. Pedro Mathias, o Pedro do Leite, na tradicional Praça Azul. Rotineiramente, reúnem-se ali pessoas de várias atividades, desde o prosaico “cambista” a profissionais liberais. Os artistas locais são presença quase certa no local e, evidentemente, também não faltam os “funcionários de Cristo” e outras autoridades. Entre um brinde e outro, muitos assuntos são levantados, principalmente nos finais de tarde quando seu Pedro resolve instalar as cadeiras na calçada. Então começam a chegar um a um os habitués.

sexta-feira, 16 de março de 2018

A MORTE DE MARIELLE E A PÁTRIA DA VIOLÊNCIA



















Autor: Pedro Paulo Paulino

A morte de uma mulher
No mês dedicado a ela,
Mulher negra e ativista
Nascida numa favela,
Onde a pobreza resiste,
É o capítulo mais triste
De uma assombrosa novela.

Novela da violência
Que assola todo o Brasil,
Que ceifa vidas humanas
E tem por lei o fuzil
Com pontaria assassina
Para a classe feminina
E até a classe infantil.

sábado, 3 de março de 2018

O DEDO DE UM JOGADOR COMOVE O PAÍS INTEIRO


Autor: Pedro Paulo Paulino

Jornais, rádio, internet,
Canais de televisão,
A imprensa brasileira
Volta completa atenção
Para um fato aterrador:
O dedo de um jogador
Comove toda a nação.

Dedo mindinho do pé,
Que num momento infeliz,
Jogando bola distante
Na cidade de Paris,
Foi de repente atingido,
E o fato só tem sido
A desgraça do país.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

MANGA COM UM PAR DE CHIFRES NASCE LÁ EM PETROLINA


Autor: Pedro Paulo Paulino

Diziam velhos profetas
Que pregavam no deserto,
Que após o ano dois mil,
Seria o mundo coberto
De tudo quanto é ruim.
E se não chegou ao fim,
Só pode está muito perto.

A violência matando,
Os povos se dividindo.
Roubo, corrução e crime
O globo inteiro cobrindo.
O mundo num pé de guerra,
A paz descendo por terra,
A desunião subindo.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

SAGA DE DOIS CEARENSES NA GRANDE SECA DO QUINZE


Autor: Pedro Paulo Paulino

Na grande seca do Quinze,
O Sebastião Pereira,
O caboclo mais disposto
De toda sua ribeira,
Devido à situação
De faltar chuva no chão,
Perdeu sua roça inteira.

A seca destruidora
Foi se alastrando geral,
Fazendo no Ceará
Um quadro descomunal;
Quanto mais foi aumentando,
Gente foi se retirando
Do Sertão pra Capital.

Mas nem na cidade grande
Havia emprego também.
E Sebastião Pereira
Ajuntou os seus terém
Pra vender e apurar
Dinheiro pra viajar,
Sem pedir nada a ninguém.

Despediu-se da família
No final de fevereiro,
Vendeu até mesmo o galo
Que cantava no poleiro,
 Vendeu jegue, vendeu boi,
Comprou o bilhete e foi
Para o Rio de Janeiro.

Na viagem de navio
Pra capital fluminense,
O Sebastião conhece
Um colega cearense,
Era o Mamede Cordeiro,
Que pro Rio de Janeiro
Vai também, pra ver se vence.

E quando os dois chegam na
Cidade Maravilhosa,
Contentes se agradecem
Pela companhia e prosa.
Um do outro se despede,
Sebastião e Mamede
Seguem sorte tortuosa.

O dia todinho andou
O pobre Sebastião
Pela cidade do Rio
Procurando ocupação.
Andou por toda biboca,
Mas sequer um carioca
Lhe dava nem atenção.

Do dinheiro que levou,
Não restava uma quantia
Nem pra quebrar o jejum,
Pois durante a travessia
Viajando de navio
Do Ceará para o Rio
Gastou toda mixaria.

Bateu perna e percorreu
O Rio por todo lado.
Aquele bom cearense,
Trabalhador e honrado,
Longe do seu aconchego,
Sem dinheiro e sem emprego,
Estava desesperado.

No dia seguinte andou
Por acolá, por ali...
Dentro da cidade grande,
Perdido feito um zumbi,
Foi esbarrar, o coitado,
Num circo que estava armado
Pras bandas do Andaraí.

Morrendo quase de fome,
E sem poder andar mais,
Pediu ao dono do circo,
Soltando profundos ais:
“Emprego, por caridade!
Nem que seja, por bondade,
Pra cuidar dos animais!”

O dono do circo disse:
“Não tem vaga pra ninguém.
Aliás, tem uma vaga,
Se topares, tudo bem!
Já começa a trabalhar
No show que vai começar,
E bastante gente vem”.

E continuou dizendo:
“Morreu o tigre real.
E se o amigo topar
O meu convite, afinal,
De tigre vai se vestir,
Pra de noite divertir
Nosso público leal”.

O Sebastião Pereira
No mesmo instante topou.
Vestiu a pele dum tigre
E tão perfeito ficou,
Que à noite, no picadeiro,
Agradou o público inteiro
E ninguém desconfiou.

Mas quando foi de manhã,
O pobre Sebastião,
Viu-se cercado de bichos
Numa jaula, e viu então,
Perto dele acocorado
Bufando feito um danado,
Um pavoroso leão!

“Valei-me, meu São Francisco
Das Chagas do Canindé!
Me salve desse aperreio,
Que eu juro com toda fé:
Se eu conseguir sair dessa
Pagarei uma promessa,
Voltando daqui a pé!”

Tremendo muito, assim disse,
Perante tanta desgraça.
Mas, para sua surpresa,
Acabou-se a ameaça,
Pois na mesma ocasião
Ele avistou o leão
Se acabando de achar graça.

Em vez de dar um rugido,
Assim falou o leão:
“Tu larga de ser tão besta,
Cumpade Sebastião!
Vou contar o que sucede:
Sou teu amigo, o Mamede,
Colega de arribação.

Eu também vim para o circo,
Procurando me empregar.
E só teve mesmo um jeito,
Foi esta oferta aceitar.
O meu caso é igual ao teu:
O leão também morreu,
E eu fiquei no seu lugar!”

(Adaptado de um conto do escritor maranhense Humberto de Campos – 1886-1934.)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

EU VOU VOTAR NO BANDIDO MAIS QUERIDO DA NAÇÃO

Autor: Pedro Paulo Paulino


Num país de tanta fraude,
De roubo e corrupção,
Onde nem se sabe mais
Quem é santo ou é ladrão,
Eu já estou decidido
Que vou votar no “bandido”
Mais querido da Nação!

Votei nele cinco vezes
E volto a votar de novo!
Pois diante de injustiça
Todo dia eu me comovo.
Já estou determinado:
vou votar no “acusado”
Mais querido pelo povo!

domingo, 28 de janeiro de 2018

NOTA CULTURAL

UNIÃO BRASILEIRA DOS TROVADORES
INSTALA SECÇÃO EM CANINDÉ

O segmento cultural de Canindé viveu neste fim de semana um momento marcante. Na manhã de ontem, foi instalada na cidade uma Secção da União Brasileira dos Trovadores (UBT). O evento aconteceu no auditório do Jardineira Park e reuniu artistas locais e convidados. Para proceder à instalação, compareceu o presidente da UBT-Ceará e vice-presidente do Conselho de UBTs do Ceará, Francisco José Moreira Lopes.
A cerimonia foi comandada pelo presidente da Academia Canindeense de Letras, Artes e Memória (ACLAME), Tonico Marreiro. Na ocasião, foi eleita e empossada a diretoria da Secção da União Brasileira de Trovadores de Canindé – Ceará, tendo como presidente Pedro Paulo Paulino. Trovadores e cordelistas de Maranguape, Maracanaú e Ocara também abrilhantaram o acontecimento, num autêntico intercâmbio cultural.
A solenidade foi aberta com os presentes entoando a oração de São Francisco, patrono dos trovadores, e o Hino dos Trovadores, composto pelo fundador da UBT.
A União Brasileira dos Trovadores foi criada em 1966, pelo poeta Luiz Otávio (nome literário de Gilson de Castro), nascido no Rio de Janeiro em 1916. A entidade é dividida em seções e delegacias municipais, conforme o número de membros no município e em seções estaduais, conforme o número de cidades representadas no estado. O Dia do Trovador é comemorado em 18 de julho.

Prof. Zé Parecido, sec. de educ. de Canindé, Arleyse Matos,
Erivaldo Costa (IBGE), presidente da ACLAME, Tonico
Marreiro, presidente da UBT-CE, Francisco Lopes e PPP

Auditório Jardineira Park 

Tonico Marreiro e PPP

Francisco Lopes, trovador Artemiza Silva (Ocara) e PPP

Tonico Marreiro, Artemiza Silva, Francisco Lopes, PPP,
trovador Luiz Carlos (Maranguape) e cantor Chico Walter


Arleyse Matos, PPP e Artemiza Silva


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A LIÇÃO DO RATO E O GOLPE DA PREVIDÊNCIA

Autor: Pedro Paulo Paulino

Certo dia, um fazendeiro,
Ao retornar da cidade,
Trouxe um pacote na mão,
E por curiosidade,
Lá do telhado espiando,
Um rato ficou brechando
Qual seria a novidade.

 “Deve ser comida boa!”,
Calculou dessa maneira.
Mas quando viu o que era
Quase cai da cumeeira,
Pois o dono da fazenda
Trazia uma coisa horrenda
Que se chama ratoeira.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O ADEUS DE LOURO BRANCO

Autor: Pedro Paulo Paulino


A viola está de luto,
O repente emudeceu,
O brilho da cantoria
Neste dia esmaeceu:
Corre a notícia no mundo,
Que Louro Branco Morreu.

Setenta e quatro viveu
E sessenta e três cantou,
Porque foi com doze anos
Que na viola pegou
E durante a vida inteira
Muito verso improvisou.

Muita graça provocou
Com o seu humor preciso,
Que sempre ilustrava mais
Seu genial improviso,
Por isso é que Louro Branco
Morreu no Dia do Riso.

Fez da terra um paraíso
Da mais pura poesia.
Seu improviso veloz
No palco da cantoria
Era como um carro novo
Correndo na rodovia.

Cantava durante um dia
Inteiro, sem lhe faltar
O verso feito na hora
E a rima pra completar,
Pois o seu forte era mesmo
A arte de improvisar.

Quem o quisesse topar,
Devia estar preparado,
Pois Louro, de todo jeito,
Dava conta do recado,
Foi sempre fera terrível
No seu verso improvisado.

Deixou um grande legado
De poemas e canções
Que somam juntas, talvez,
Seiscentas composições,
Todas bastantes poéticas
E cheias de emoções.

Diversas premiações
Louro Branco conquistou.
Os melhores cantadores,
Em desafio enfrentou,
E em mais de vinte estados
Do Brasil ele cantou.

Sua viola calou,
Nós lamentamos perder
Um dos maiores poetas
Que o Nordeste pôde ter.
E sobre sua própria morte,
É Louro quem vai dizer:

“No dia em que eu morrer,
Deixo a mulher sem conforto,
Roupas em malas guardadas,
O chapéu num prego torto,
E a viola com saudade
Dos dedos do dono morto”.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017


Uma cena original
É um jumento com sela
Parado em frente à cancela
Da moradia rural;
Com estribo e peitoral,
Esperando paciente
O dono seguir em frente
Montado no seu “gangão”:
Ainda existe sertão
Como havia antigamente.

PPP
26/12/17

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O JUMENTO E O NATAL


Autor: Pedro Paulo Paulino

Personagem esquecido
Nos festejos de Natal,
Não é homem nem mulher,
Mas um singelo animal
Que conduziu o menino
Jesus Cristo pequenino
Num sagrado ritual.

O jumento, todos sabem,
Transportou com segurança
A Santa Virgem Maria
Que deu à luz a criança
Jesus Cristo iluminado,
Símbolo divinizado
De bondade e de esperança.

Nesse pequeno animal,
A Santa Virgem Maria
E seu esposo José
Passaram na travessia
Que São Lucas descreveu,
E Jesus Cristo nasceu
Dentro de uma estrebaria.

O jumentinho ficou
Na espera do casal,
Pra chegarem na viagem
Ao seu destino final.
Sem nunca os deixar a pé,
O jumento também é
Um emblema do Natal.

Seu lombo tem um sinal
Que alguma coisa traduz,
Um desenho muito claro
No formato de uma cruz
Que segundo Gonzagão,
Não foi outra coisa não,
Foi o pipi de Jesus.

Por ter conduzido Cristo
Em notável trajetória,
O jumento nunca deve
Sair da nossa memória
Nem tampouco dos anais,
Porque dentre os animais
O jumento tem história.

Infelizmente, o jumento
Também é injustiçado,
Por não ter mais serventia
Vive à toa abandonado.
Sem dono e sem proteção,
Muito jegue no sertão
Morre sempre atropelado.

É que da terra distante
Onde o Salvador nasceu,
O jumento servidor
No Nordeste apareceu,
E à custa do seu suor
O sertão ficou melhor
Porque se desenvolveu.

Fez a vez de caminhão
E fez a vez de trator,
De transporte do matuto,
De parteira condutor,
Fez açude e fez estrada...
Jumento, em sua jornada,
Foi bastante servidor.

Como disse Gonzagão,
Fez também até a feira,
Usando em cima das costas
A cangalha e a esteira,
Em escravo convertido;
Também não foi esquecido
Por padre Antônio Vieira.

Se Jesus Cristo voltar,
Como diz o Testamento,
Talvez daqui a mil anos
Ou mesmo a qualquer momento,
A certeza podem ter
Que ele vai aparecer
Escanchado num jumento.

E quem sabe, novamente,
O Nazareno arrebanha
A multidão para ouvir
Novo sermão da montanha,
E ali, mesmo ao relento,
Faça em favor do jumento
Uma bonita campanha.

E talvez discurse assim:
“Meus irmãos, neste Natal
E em todo tempo do ano
Não esqueçam do animal
Que uma vez me transportou
E para sempre ficou
No seu lombo o meu sinal.

O jumento é nosso irmão,
Leal, amigo e fiel,
Seja lá pelo sertão,
Seja lá por Israel...
Deixo aqui aconselhado
Que ele seja mais lembrado
Do que o Papai Noel!”

Portanto, digamos viva!
Ao jumento nosso irmão.
Já disse padre Vieira,
Também disse Gonzagão.
Um deles foi escritor,
O segundo foi cantor,
Porta-vozes do sertão!

O jumento sempre foi
O servidor mais leal,
Auxiliar do matuto
No seu trabalho braçal.
Ao leitor sempre fiel,
Desejo neste cordel
Votos de Feliz Natal!