sexta-feira, 7 de julho de 2017

SONETO

UM AMIGO

Pedro Paulo Paulino

Desperta-me com teu cantar, amigo –
Pássaro livre, das manhãs em festa!
Segue fazendo assim tua seresta
No galho que é teu palco e teu abrigo.

A tua voz e o teu cantar bendigo,
Pois o teu canto, na alvorada, empresta
Mais alegria e nova vida a esta
Velha vivenda de um sonhar antigo.

Canta mais alto, passarinho, canta!
Que tudo em volta escuta o teu clarim,
E o sol, te ouvindo, logo se levanta...

Canta, porque cantar é tua sina,
E pouca coisa há tão bonita, enfim,
Quanto o teu canto, ó Galo-de-Campina!

quinta-feira, 29 de junho de 2017


AOS PÉS DE GLAUCO MATTOSO


Pedro Paulo Paulino 
Recebo mais um livro do poeta Glauco Mattoso. Desta feita, o título é: “AOS PÉS DAS LETRAS – Antologia podólotra da literatura brasileira”. Organizada pelo próprio Glauco e por Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, a publicação vai da prosa ao cordel, de Machado de Assis a escritores anônimos. Com mais esse livro, sobe para nove volumes minha coleção mattosiana - sem falar num CD – “Melopéia” – com sonetos musicados do grande poeta paulistano de Vila Mariana, e que hoje aniversaria.
Autor de milhares de sonetos, a versatilidade literária de Mattoso permite-lhe ainda destaque nacional como contista, ensaísta, lexicógrafo, tradutor, letrista, editor e colunista nas mídias impressa e virtual. Graduado em biblioteconomia e em Letras pela USP, estas qualificações são apenas aditivos ao currículo de Glauco, um sonetista fantástico, com autoridade máxima para assinar sua “Teoria do soneto” e um tratado de versificação intitulado “O sexo do verso: machismo e feminismo na regra da poesia”.
A temática vertiginosa dos sonetos de Glauco Mattoso faz uma espécie de varredura macro e micro do mundo. Da política à ciência, do bairrismo ao cosmopolitismo, em tudo o seu estro transita livremente: as mais complexas nuances da psicologia humana comparecem na sua poética monumental. Como poeta anárquico, mordaz e sarcástico, nem parece ter havido qualquer hiato de tempo entre Gregório de Matos e Glauco Mattoso, pois a crítica impiedosa é uma de suas ferramentas geniais. Já como poeta dito fescenino, poderíamos considerá-lo mais refinado que seu homônimo remoto, Pietro, o Aretino, uma vez que Glauco também é Pedro, sendo Ferreira da Silva. O pseudônimo é um desdobramento do nome da enfermidade que o deixou cego, na década de noventa.
Glauco Mattoso
 Como poeta licencioso, na grandeza de seus sonetos, burilados no melhor calibre da métrica e da rima, o que vulgarmente se chama de pornografia adquire um grau de nobreza. O que mais pesa na literatura mattosiana é a construção impecável de seus poemas, em especial os sonetos de uma estética e plasticidade palpáveis. A rigidez da forma clássica do soneto, nas mãos do poeta ganha uma felixibilidade admirável, fazendo-o encontrar rimas quase impossíveis e cavalgar de um verso para o outro com uma destreza de malabarista. O poeta e literato canindeense Silvio R. Santos chama a atenção para um detalhe na métrica de Mattoso: seus decassílabos, invariavelmente, além da acentuação clássica, têm pausa logo na segunda sílaba, dando ao verso uma cadência especial.
Na prosa, Glauco Mattoso salienta sua habilidade prodigiosa com a construção literária, oferecendo como exemplo seu livro “A planta da donzela”, parodiando famoso romance. Muita vez, rejeita as normas atuais da gramática e emprega a ortografia de 1940. A marca registrada do seu gênio reside exatamente nesse universo de habitantes que têm o raro brilho da ironia sem fronteira e da imaginação inesgotável. O trabalho perfeito do poeta é, certamente, uma joia da literatura brasileira contemporânea, pois é entregue despido de pieguismo – mesmo quando trata do romântico – e isento de hipocrisia – mesmo quando trata da virtude. Glauco Mattoso é tão original, que elegeu o pé como objeto de seus versos, sem todavia contrariar o coração:

“SONETO VICIOSO

Poema lembra amor, que lembra carta,
Que lembra longe, e longe lembra mar,
Que lembra sal, e sal lembra dosar,
Que lembra mão, e mão alguém que parta.

Partir lembra fatia e mesa farta;
Fartura lembra sobra, e sobra dar;
Dar lembra Deus, e Deus lembra adiar,
Que lembra carnaval, que lembra quarta.

A quarta lembra três, que lembra fé;
Fé lembra renascer, que lembra gema,
A gema lembra bolo, e este o café.

Café lembra Brasil, que lembra um lema:
Progresso lembra andar, que lembra pé,
E pé recorda alguém que faz poema.”

No aniversário do poeta, este soneto de sua autoria faz um resumo singular:

“SONETO REMONTANDO A 1951

Minha cronologia principia
no dia de São Pedro. De glaucoma
já nasço portador, mas, nesse dia,
só querem que se beba e que se coma...

Sou neto de italianos, e a mania
é dar diminutivos: no idioma
de Dante, sou Pierin. Me oferecia
um brinde o bisavô, que vinho toma...

Pierin, ou Piergiuseppe, dura pouco.
Já sou Pedro-José. O ouvido mouco
não é, mas um dos olhos já pifava...

Na foto, faço gestos algo obscenos,
unindo dois dedinhos: já pequenos,
mostravam a revolta: ‘Vão à fava!’”  


segunda-feira, 12 de junho de 2017

SONETO

NAMORADOS

Pedro Paulo Paulino

Dois seres quando um dia, por acaso
Ou força de atração correspondente,
Deparam-se na vida, de repente
Sentem brotar o amor em solo raso.

E juntam-se duas flores num só vaso,
De júbilo regadas plenamente,
Pois se lhes torna o tempo, unicamente,
Um renascer de auroras sem ocaso.

Dois seres que se juntam num só ser,
Embora um dia tornem-se isolados
Pelas vicissitudes do viver

Ou mesmo pela morte separados,
Não deixarão, porém, jamais de ser
Aqueles dois eternos namorados.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

CORDEL


O VELHO, O BURRO E A CABRA
ROUBADOS POR TRÊS LADRÕES*

Pedro Paulo Paulino

Três ladrões estavam juntos,
Quando um velho ia passando
Cabisbaixo, com um burro
E uma cabra puxando
Que tinha preso no rabo
Um chocalho badalando.

Um dos ladrões assim disse:
– Eu vou a cabra roubar.
O segundo então falou:
– O burro, vou carregar.
Disse o terceiro: – Esse velho,
Sem a roupa vai ficar.

Dito isto, os três ladrões
Depressa se separaram.
Em lugares diferentes,
Num instante se postaram
E partiram para agir
Do jeito que planejaram.

O primeiro, atrás do velho,
Qual cobra foi rastejando,
Tirou ligeiro o chocalho
Da cabra e foi colocando
No rabo do burro, e o mesmo
Continuou badalando.

Logo mais na frente, o velho
Olhou pra trás, espantado,
Ao perceber que a cabra,
Um ladrão tinha roubado,
Quando avistou um sujeito
No caminho, bem sentado.

– Meu amigo, há pouco tempo
Um gatuno me roubou –
O velho disse ao estranho,
E assim continuou:
– Pois eu trazia uma cabra
E só o burro ficou.

– Meu senhor, há pouco tempo,
Bem ali eu avistei
Um homem com uma cabra,
Era a sua, disto eu sei!  –
O estranho disse ao velho,
Com segurança de rei.

O velho pediu ao homem,
Para o burro pastorar,
Enquanto ele ia atrás
Da cabra recuperar.
O estranho então lhe disse:
– Vá sem se preocupar!

Esse estranho, todavia,
Era o segundo ladrão,
Que só fez pegar o burro
E na mesma ocasião
Fugiu com o animal,
Deixando o velho na mão.

O velho nada encontrou,
Retornou desanimado
E chegando no local
Em que o burro foi deixado,
Percebeu que novamente
Havia sido roubado.

Sem o burro, sem a cabra
E com as mãos abanando,
O pobre homem saiu
Sua sorte lamentando,
Quando avistou outro homem
Lá mais na frente chorando.

Sentado à beira dum poço,
O tal homem se encontrava.
Quanto mais olhava o poço,
Mais o seu pranto aumentava.
O velho então perguntou
Por que tanto ele chorava.

– Meu senhor – eis a resposta –
Eu trabalhei feito um mouro,
Como fruto do trabalho,
Trazia um saco de ouro,
Mas cochilei, e o poço
Engoliu o meu tesouro.

E o pior disso tudo
É que eu não sei nadar –
Disse o homem, soluçando
– Mas dou sem pestanejar
Vinte moedas de ouro,
Quem o saco for buscar.

– Pois pode deixar, que vou
Buscar o seu saco agora! –
Disse o velho bem contente,
E sem a menor demora
Tirou a roupa e pulou
Dentro do poço, na hora.

Era o terceiro ladrão,
Que cumprindo o prometido,
Pegou a roupa e tomou
Destino desconhecido,
Ficando o velho sem burro,
Sem cabra e também despido.

FIM

*Adaptado de um conto de Leon Tolstói.

sábado, 27 de maio de 2017

SONETO

CORES DE MAIO

Pedro Paulo Paulino

É maio. Sobre a terra o sol flameja
Tornando a natureza mais bonita.
Folhas e flores, brando vento agita;
E a terra, ainda úmida, viceja.

Naquele galho, um bem-te-vi habita;
Naquela flor, a borboleta adeja;
Nos ares, uma aragem benfazeja
Em nossa volta, sem cessar, levita.

A floração dos pés de jitirana
Compete, em seu primor, com outras flores
– Talvez com a flor branca da chanana.

Em tudo, mil palpitações de amores,
Pois o sertão inteiro se engalana
Coberto de perfumes e de cores.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

SONETO

PRESO É O POVO

Pedro Paulo Paulino

Quando a justiça, aos brados, alardeia
Que um nome da mais ínclita grandeza,
Por desonestidade e por vileza,
Foi finalmente posto na cadeia,

De dúvida minh’alma fica cheia,
Pois no sangue trazemos a certeza
De que por cá, aos donos de riqueza,
A nossa lei não vale um grão de areia.

Preso é o povo em sua maioria,
Aos ditames do Estado e à impunidade,
Aos deveres fiscais (que covardia!)

E à violência em plena liberdade
Que faz o povo, em sua moradia,
Viver como culpado atrás da grade.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Zé Freire completa hoje, 11 de maio, 80 anos de vida. Reproduzo em sua homenagem esta crônica.


EM VISITA AO ZÉ FREIRE...

Pedro Paulo Paulino


Zé Freire mora numa pequena propriedade rural nos arredores da vila que tem o auspicioso nome de Esperança. Foi ali que há mais ou menos um par de décadas ele resolveu se aboletar, trabalhar e viver. Encontrei-o pela manhã remontando a cerca de varas que o “Sereno”, seu Pégaso indomável, havia derrubado, num rompante próprio dos eqüinos corajosos.

sábado, 6 de maio de 2017

CRÔNICA

O COMPRADOR DE PIRILAMPOS

Pedro Paulo Paulino

A propósito de meu soneto “O vagalume”, aqui publicado, o inspirado amigo Walter Gomes, Vavá, contou-me há dias uma história que vem a ser das mais originais e criativas de uma infância privilegiada. Ouvindo seu relato, não disfarcei meu desejo de que tal história fosse legitimamente minha. Uma vez que não é, adoto-a e passo a recontá-la.
Bem poucos meninos nascidos no interior em tempo mais remoto devem ser que não tenham brincado de aprisionar vagalumes nas noites de inverno no sertão. Confinava-se o inocente inseto em caixa de fósforo ou coisa parecida, para vê-lo piscar.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

CRÔNICA

A RUA DA MINHA INFÂNCIA


Freitas de Assis

Depois de uma semana de muitos afazeres domésticos e resolução de problemas, que graças ao bom Deus existem para que possamos solucioná-los, chega o domingo e o começo bem cedo com uma boa caminhada onde sempre encontro velhos amigos de longa estrada, como o professor Zé Parecido, de minha querida CNEC; o colega dos tempos de vôlei Junior Martins e eventualmente um ou outro companheiro de profissão que madrugam com a mesma intenção que a minha. Depois de chegar a casa e ajudando a esposa nas corriqueiras tarefas domésticas, após o café da manhã começo a ver meu material de trabalho já para a segunda-feira, pois as merecidas férias estão dando um até breve. Uma olhada no cinto de guarnição, uma escovada nos coturnos e demais aparatos do fardamento, companheiros de um quarto de século de minha ingrata profissão, completam a prévia preparação da jornada que se aproxima. Depois tento colocar a leitura em dia.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

RESSURREIÇÃO

RESSURREIÇÃO

Pedro Paulo Paulino

A terra estava já quase sem vida
E panorâmico era o seu martírio.
O sol crestante, como imenso círio,
A cada passo abria uma ferida.

Mas de repente, como num delírio,
Outra paisagem surge colorida,
E o verde sobre a terra renascida
Aos nossos olhos torna-se um colírio.

A fauna e a flora pulsam! Tudo canta!
Nas águas há murmúrios de alegria.
De novo brota vida em profusão.

Do solo, um cheiro brando se levanta.
E a Natureza assim nos anuncia
Mais um milagre de ressurreição.

domingo, 26 de março de 2017

CORDEL


ENGOLIMOS MAIS MENTIRA
OU CARNE COM PAPELÃO?

Pedro Paulo Paulino

Já comemos vaca louca,
Bebemos coca com rato,
Tudo quanto é porcaria
Rebolam no nosso prato.
Sendo assim, por que razão
A carne com papelão
Fez tamanho espalhafato?

Agrotóxico não falta
Na mesa diariamente.
Transgênico todo dia
Na comida está presente.
Por trás de bela embalagem,
O produto é uma miragem
Jogada aos olhos da gente.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

SONETO

QUIXOTISMO

Pedro Paulo Paulino

Quisera ser às vezes Dom Quixote,
De escudo e lança e rígida armadura,
Ir pelo mundo à cata de aventura,
Montado em Rocinante a todo trote;

Velar por minha amada em noite escura,
Fazer de alguma estrela o meu archote,
E ter da fantasia o extremo dote,
Como o da triste, singular figura.

Mas para ser Quixote cavaleiro,
Se por um lado tenho Rocinante,
Por outro lado falta-me escudeiro.

E ainda tendo-os, abandono a ideia
Por falta do não menos importante
Fundamental amor de Dulcineia. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

SONETO

AOS PASSARINHOS

Pedro Paulo Paulino

Mantenho todo dia um ritual
Que intimamente faz-me muito bem:
Arremessar mancheias de xerém
Aos passarinhos livres no quintal.

E logo um bando alegre de aves vem
Pousar, ruflando as asas, no local.
Dentre elas, o canoro cardeal
E os bem-te-vis que ali pousam também.

Se os passarinhos, por sinal, têm crença,
Talvez ser livre seja a crença deles,
E semelhante é nossa recompensa:

Vendo-os libertos de gaiola ou grade,
Identifico-me demais com eles,
Pois é também meu credo a Liberdade.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

TRAGÉDIAS

Pedro Paulo Paulino

A “pátria de chuteiras” veste luto
Às vítimas fatais de Chapecó.
Há pranto, há crepe, desespero e dó,
Em face do sinistro atroz e bruto.

Um clube inteiro e um destino só,
Um sonho rudemente dissoluto
No espaço tão pequeno de um minuto
– E vida e alegria viram pó.

Também na mesma pátria, é madrugada,
Outra tragédia, embora anunciada,
Não menos desastrosa e infeliz,

Ocorre no Congresso às escondidas,
Na forma de propostas e medidas
Contrárias aos destinos do país.

domingo, 20 de novembro de 2016

HISTÓRIA


ZUMBI E A ESCRAVIDÃO

Pedro Paulo Paulino

O dia 20 de julho é dedicado a Zumbi, o mais famoso herói do Quilombo dos Palmares, morto em 1695. O quilombo, situado na região hoje pertencente ao município de União dos Palmares, Alagoas, resistiu por quase um século e se desfez em 1710. Dessa época até a abolição da escravatura ainda se passaram quase dois séculos, pois o Brasil foi um dos últimos países a libertar os cativos. Não há registro, na história humana, de genocídio maior do que o praticado durante centenas de anos contra os negros traficados da África, principalmente para as colônias imperiais nas Américas. Tratados como bichos – para usar uma comparação grosseira, uma vez que os bichos também devem ser tratados com dignidade – os escravos eram submetidos aos mais cruéis tratos, suplícios e torturas. Eram trancafiados em senzalas, marcados a ferro em brasa e trabalhavam brutalmente sem ganho.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

CRÔNICA

AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

Freitas de Assis*

Escorre por entre os dedos a areia do tempo e tantas pessoas cruzam nossa estrada da mesma forma, que um dia cruzamos a delas. Sem nem mesmo imaginar que figuras de histórias alheias possam um dia estar diante de nossos olhos, passamos a ouvir e supor como esta ou aquela bravata se desenrolou de fato, que fatos apontados são reais e quais são mera licença poética ou mesmo uma lorota de indômita juventude.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

INDULTO DOS PASSARINHOS

Pedro Paulo Paulino

É cruel, sem coração,
Quem por si mesmo condena
Um passarinho à prisão,
Sem crime cumprindo pena.
É triste ver o bichinho
Preso longe do seu ninho,
Sem ninguém para o soltar.
Réu inocente, indefeso,
Que canta quando está preso,
Porque não sabe chorar.

E se soubesse, talvez
Praticava a própria morte,
Para se livrar de vez
De tão miserável sorte!
Porém, não! Seu negro fado
É penar encarcerado
Na detenção que o priva
De curtir a natureza
Em toda a sua grandeza
Tão bela e convidativa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

OBITUÁRIO

LUTO NAS LETRAS CEARENSES


Morreu na manhã de hoje, em Fortaleza, aos 72 anos, o médico e escritor Ray Silveira. Nascido em Massapê, Ceará, autor premiado nacionalmente e membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames), Silveira destacou-se na crônica e no conto, publicando pelo menos quatro livros, além de diversos artigos e ensaios em jornais, revistas e sites.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

SONETO

PARAGEM FINAL

Pedro Paulo Paulino

No Bonde da existência, em que viajamos,
Existe uma parada obrigatória:
Epílogo da nossa trajetória,
É para lá que nos encaminhamos.

E pouco importa o infortúnio ou glória,
Lauréis que porventura conquistamos,
Pois fatalmente ali nos despojamos
Das ilusões da vida transitória.

Mais cedo ou tarde, do fugaz transporte
Nós desceremos, um por um, sem trégua,
Nesse endereço e última morada.

Ao passo que no Bonde, a mão da Morte
Segue apontando com a sua régua
Quem descerá na próxima parada.

CRÔNICA

O CEMITÉRIO SECULAR DE CAMPOS


Pedro Paulo Paulino

O cemitério de Vila Campos tem um século e alguns anos mais de existência. Durante decênios funcionou como destino último quase exclusivo da gente do lugar e só de tempos a tempos testemunhava um funeral. Reduzido e muito simples, foi construído em terras de Júlio Paulino Gomes, coração dos mais humanitários que já vieram a este mundo e hoje ali ‘descansa dessa longa vida’. A conservação da velha necrópole ficava também sob seu encargo filantrópico, afora outras ações próprias de um benfeitor.