quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

CRÔNICA

O TEMPO E SEUS PARADOXOS

Freitas Diassis*

Na medida em que o tempo escoa por entre nossos dedos e suas marcas vão se evidenciando em nosso corpo, mais e mais percebemos que este inexorável senhor nos é cada vez mais escasso. É como se sua velocidade fosse inversamente proporcional à idade que temos. Já foram comuns para mim, em tempos idos, as horas de marasmo e tédio, sem ter muito que fazer. Acontece que a vida passa. Hoje os tempos são diferentes e surgiram outras atribuições domésticas e familiares, alheias ao trabalho; este mesmo, de certa forma ficou mais complicado. E se o termo complicado não é a palavra correta, diria então que no trabalho surgiram mais cobranças e algumas mudanças.

sábado, 13 de dezembro de 2014


13 de dezembro, aniversário de Luiz Gonzaga. Em homenagem,
reproduzo as décimas que escrevi no centenário do Rei do Baião, em 2012.

GONZAGÃO CENTENÁRIO

Pedro Paulo Paulino

Salve Sua Majestade,
Gonzaga, Rei do Baião.
Salve treze de dezembro,
Data Magna do Sertão.
Salve Exu tão venerado.
Salve doze, ano sagrado.
Salve, ó dia que trouxeste
Para o povo brasileiro
Gonzagão, o verdadeiro
Embaixador do Nordeste.

domingo, 16 de novembro de 2014


CONTRADIÇÃO

Pedro Paulo Paulino

A milhões de quilômetros distante,
Um mensageiro a mando dos humanos
Produz tal feito que nos deixa ufanos
De nossa ciência nunca tão brilhante!

No núcleo frio de um cometa errante,
Pequena sonda pousa sem ter danos,
Depois de navegar por muitos anos
Na profundeza cósmica gigante.

A mesma inteligência (oh! Ironia)
Que o infinito além dos céus vasculha
Em busca do que lá se esconderia,

Aqui na Terra, tanto tempo faz,
Procura como no palheiro agulha
E não encontra simplesmente paz.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014



AUGUSTO DOS ANJOS
(Centenário de morte)

Pedro Paulo Paulino

Quando Augusto dos Anjos pereceu,
Contando só três décadas de idade,
Nossas letras choraram de saudade
E a própria morte até se entristeceu.

Como herança maior, deixou seu “Eu”,
Que o consagrou para imortalidade,
Pois seus versos transmitem, na verdade,
A sensação de que ele não morreu.

A doze de novembro, um séc’lo faz
Que Augusto, para sempre, dorme em paz,
Mas entre os homens é seu nome infindo.

E enquanto mais um século se passe,
É como se ele apenas descansasse
Debaixo do seu velho tamarindo...

domingo, 2 de novembro de 2014


O CEMITÉRIO SECULAR DE CAMPOS

Pedro Paulo Paulino

O cemitério de Vila Campos tem um século e alguns anos mais de existência. Durante decênios funcionou como destino último quase exclusivo da gente do lugar e só de tempos a tempos testemunhava um funeral. Reduzido e muito simples, foi construído em terras de Júlio Paulino Gomes, coração dos mais humanitários que já vieram a este mundo e hoje ali ‘descansa dessa longa vida’. A conservação da velha necrópole ficava também sob seu encargo filantrópico, afora outras ações próprias de um benfeitor. 

sábado, 1 de novembro de 2014


OCORRÊNCIAS INCOMUNS

Freitas de Assis*

Já mal despontam os primeiros raios de sol no horizonte e tem início a rotina diária em lares de todo Brasil. Com certa dificuldade e preguiça estampada na face, crianças e adolescentes seguem para o colégio enquanto seus pais cuidam do lar ou vão para a labuta rotineira buscando prover o sustento dos seus. Além de alimentos, roupas, por vezes remédios e algum supérfluo, em nossa terra, além dos itens citados, existe a necessidade de se obter água nestes tempos de escassez e seca inclemente. E a água que nos chega, e quando chega, é de duvidosa qualidade e procedência. Infelizmente é preciso que nos viremos com o que temos e rogar que nossos gestores tenham compaixão do povo e busquem soluções para este secular flagelo que nos persegue.  Como devotado pai de família, também sofro com a inconsistência do abastecimento em nossas torneiras, obrigando-me a comprar de carros-pipa, ou vez por outra recorrer ao vigor de meus braços para conseguir água, transportando-a de poços profundos, em baldes e garrafões. Mas apesar do esforço considero uma atividade que de certa forma me dá satisfação; talvez pelo simples fato de lidar com água, calmante natural, ou por que sacio a sede do meu lar.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

PRECONCEITO X COMPETÊNCIA

Pedro Paulo Paulino

Triste fato se repete
Vitimando nossa gente,
E cada vez mais crescente
Como um mal que não tem jeito:
É muito chocante ver
Nordestinos insultados,
Barbaramente atacados
Por causa de preconceito.

Que sentimento mesquinho,
Baixo, sujo e desleal,
Filho bastardo do mal,
Nos tempos tão atuais!
Em plena modernidade,
Só um quadrúpede rude,
Sem competência e virtude,
Tem preconceitos banais.

Burro é quem não reconhece
O Brasil como um gigante
Que tem em cada quadrante
O mesmo DNA.
Dividido em regiões,
Todavia, convenhamos,
A mesma língua falamos,
Dos Pampas ao Ceará.

Em costumes e culturas
Há rica diversidade,
Mas numa só unidade
Converge a grande Nação.
Brasileiros é que somos!
Seja no Norte e Nordeste,
Sul, Sudeste e Centro-Oeste,
Sem ter discriminação.

Preconceito é chaga aberta
Por todo o mundo espalhada,
A qualquer hora inflamada,
Para nosso grande espanto.
Não só contra nordestinos
Investem sem ter proveito,
Pois quem nutre preconceito
Empesta por todo canto.

Contra nós, particularmente,
É preciso que se diga:
Estamos prontos pra briga,
Para a luta varonil.
Com talento e com coragem,
Toda hora nosso povo
Constrói São Paulo de novo,
Brasília e todo o Brasil!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014


ROMEIROS SÃO IMPEDIDOS
DE CHEGAR A CANINDÉ

Pedro Paulo Paulino

A fé, que move montanha
Intransponível, fechada,
Poder supremo que pode
Produzir graça alcançada,
Agora por ironia,
Numa simples rodovia
De repente foi barrada.

domingo, 12 de outubro de 2014



MAGIA E DEVOÇÃO NO PARQUE

Há 29 anos o Parque do Airton é uma atração nos festejos de Canindé. E o dono, um romeiro fervoroso de São Francisco.

Pedro Paulo Paulino

José Airton de Sousa tinha apenas nove anos quando a primeira vez veio a Canindé como romeiro de São Francisco. Desde então ele assumiu um compromisso pelo resto da vida: nunca mais perder a festa do padroeiro dessa cidade do Sertão Central cearense que abriga o maior santuário franciscano das Américas e recebe por ano cerca de um milhão e meio de peregrinos. Ele conta, no entanto, que já nessa época trabalhava como ajudante de parque – e esse foi um fator determinante na sua caminhada profissional.

sábado, 27 de setembro de 2014

CHICO ALVES
62 ANOS SEM O ‘REI DA VOZ’



No dia 27 de setembro, completa 62 anos da morte do cantor, violonista e compositor FRANCISCO ALVES, falecido em 1952. Um dos maiores fenômenos da história da música popular brasileira, Francisco de Moraes Alves nasceu no dia 19 de agosto de 1898 e foi peça-chave no mercado fonográfico nacional.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

SEMANA NACIONAL DO TRÂNSITO


Tem início hoje, 18/9, a Semana Nacional do Trânsito. O período é aproveitado pelos órgãos fiscalizadores do trânsito para reforçar o alerta aos condutores de veículos motorizados, sobre diversos temas importantes, principalmente educativos. A cada dia aumenta o número de veículos nas vias urbanas e rodovias.
Um dos assuntos mais abordados é a Lei Seca que entrou em vigor em 1998. Em 2012 a Lei Seca foi reeditada, tornando-se mais rigorosa. As estatísticas comprovam que após a promulgação da Lei Seca, os acidentes de trânsito no Brasil, a maioria com vítimas fatais, têm diminuído. Mesmo assim, os números atuais de acidentes de trânsito ainda são assustadores.
O trânsito também é tema para os poetas populares, a exemplo deste cordel :

DIRIGIR É IMPORTANTE,
MAS EDUCAR É PRECISO

Pedro Paulo Paulino

Alô, alô, juventude,
Nestes versos eu repriso
O que muito já foi dito,
Como um importante aviso
A respeito do volante:
Dirigir é importante,
Mas educar é preciso.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O HERÓI DO SERTÃO

(Zé Laurentino)


Conheci Pedro Tomaz
Na fazenda do Estreito.
Caboclo trabalhador,
Respeitador e direito.
Há muito tempo eu não via
Um cabra daquele jeito.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

DATA


VIVA O DIA DO FOLCLORE

Pedro Paulo Paulino

O Folclore é o conjunto
Das tradições populares,
De mitos, lendas e crenças
E de coisas similares,
Uso antigo e uso novo
Praticados pelo povo
Nos mais diversos lugares.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

BREVE HISTÓRIA DE VIOLÊNCIA FAMILIAR

Freitas de Assis*

No trabalho de policiamento ostensivo e atendimento de ocorrências, das mais comuns é a de violência doméstica. Raro é o fato deste tipo de violência ser cometida contra homens. Geralmente é o contrário: a mulher, considerada o sexo frágil, é quem leva a pior na história, embora ocorram vez por outra situações, digamos, vexatórias para o homem, quando algumas mulheres literalmente partem para cima e resolvem as desavenças de casal no braço; e assim como a mulher, quando o homem leva a pior, nem sempre registra a ocorrência, talvez por se sentir envergonhado ou achar que as tenazes da justiça sejam incapazes de atingir a mulher neste tipo de situação, e que a lei Maria da Penha apenas protege as mulheres, quando na realidade, hoje, ela serve para inúmeras situações de violência doméstica, independente do grau de parentesco, apenas que haja vínculo afetivo ou consanguíneo e uma convivência dentro de um lar.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

19/8 - DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA


FOTOGRAFAR AINDA É UMA ARTE?

Pedro Paulo Paulino

Hoje é o Dia Mundial da Fotografia. Diz-se que fotografar é uma arte. Mas será que na era da fotografia digital, fotografar ainda é mesmo uma arte? Com a facilidade incrível que se tem hoje para registrar imagens, acho que fotografar descambou mesmo para a banalização. Um aparelho celular, embora dos mais simples, traz embutida uma mini-câmera digital. As câmeras digitais propriamente ditas popularizaram-se extraordinariamente devido ao barateamento dos preços e podem ser encontradas à venda nos mais inusitados pontos. Sem o uso de filmes, munidas de cartões eletrônicos com enorme espaço de armazenamento, as maquininhas digitais são mesmo um milagre da tecnologia. E ainda contam com recursos de uso que a grande maioria de seus donos, certamente, quase não exploram.
Fáceis de operar, com apenas um clique está registrada a fotografia, desejada ou não, que logo é mostrada no display da câmera. A foto que não interessa pode ser imediatamente excluída. Associadas ao computador, já tão vulgarizado também, as câmeras digitais fizeram uma revolução impressionante. Com essa união de máquinas, perdeu-se também o hábito de passar nossas fotos para o papel. O mais impressionante em tudo isso foi a velocidade com que saltamos do processo analógico para o digital. Houve um autêntico boom, tanto tecnológico quanto comercial, no mundo da fotografia. A câmera digital ou o celular que levamos no bolso e até as crianças sabem usar, de um instante para outro aposentou a indústria do filme fotográfico e de todos os ingredientes utilizados no antigo processo.
Como fotógrafo amador e apaixonado por fotografia, venho ainda do mundo analógico. Fotografo desde os 13 anos. Minha primeira câmera foi uma Kodak que empregava filme de 126mm. O rendimento máximo de um cartucho era de 24 fotos, ou chapas. Por isto, tínhamos a devida cautela em não esperdiçar nenhuma pose, que era assim também chamada cada exposição do filme. Mais tarde, adquiri do meu amigo Laurismundo Marreiro, professor de inglês apaixonado por fotografia, uma câmera Olympus com filme de 35mm e rendimento de até 36 exposições. Nessa mesma época montei laboratório próprio e passei a revelar minhas fotos em preto e branco. (Confesso que pouca vez em minha vida repetiu-se a emoção que tive ao revelar a primeira fotografia.) 
Chico Karam, pioneiro da
revelação em cores em Canindé
Esse meu avanço no invento de Daguerre deveu-se ao incentivo e orientação do mago da fotografia em Canindé, Chico Karam. O Foto Karam, ao lado da basílica, foi por muito tempo o ancoradouro de todos os fotógrafos canindeenses, profissionais ou não. Os filmes eram levados a Fortaleza para revelação. Passava-se, via de regra, uma semana para recebermos nossas fotos, o que gerava uma expectativa ansiosa. No final dos anos 80, Chico Karam, num gesto pioneiro, montou nos fundos da sua loja um laboratório para revelação em cores. Foi empresa difícil para a Mônica, a laboratorista, atinar com o ajuste das cores, e enquanto isso as fotos tinham uma tonalidade azul. Depois tudo se consertou.
Guardo ainda hoje centenas de “negativos” e uma pequena montanha de ábuns, produto da minha senda de fotógrafo. Agora estou entre a fauna dos fotógrafos da era digital. Mas ainda mantenho o hábito de só apertar o obturador da câmera (ainda é obturador?) no momento que julgo necessário. Clicar, clicar e clicar, a meu ver, não é exatamente fotografar.
Minha homenagem aos antigos fotógrafos que conheci em Canindé, entre eles, João Almeida e Chico Karam (in memmorian), Giovanni Almeida, João Carneiro, Lourival e todos os fotógrafos lambe-lambe da Praça da Basílica. E viva a fotografia digital…

(Publicado inicialmente no blog em 19/8/11)

CENTENÁRIO DE ARACY DE ALMEIDA



Em 19 de agosto de 2014 comemora-se o centenário de nascimento da cantora ARACY DE ALMEIDA. Considerada a maior intérprete de Noel Rosa, Aracy de Almeida começou cantando em igrejas do subúrbio do Rio até ser levada para o rádio por intermédio de Custódio Mesquita, que a ouviu cantar em 1933. Logo fez fama como intérprete de sambas nas rádios Philips, Mayrink Veiga, Ipanema e Tupi e fez história com gravações antológicas de “Palpite infeliz” (Noel Rosa), “Tenha pena de mim” (Cyro de Souza e Babaú), “Fez bobagem” (Assis Valente), “Camisa amarela” (Ary Barroso) e “Feitiço da Vila” (Noel Rosa e Vadico). Foi, ao lado de Carmen Miranda, a maior cantora de samba dos anos 30. Depois de atuar com sucesso na boate Vogue em Copacabana na década de 40, entre 1950 e 1951 gravou dois álbuns dedicados a Noel Rosa, que seriam responsáveis pela reavaliação da obra do poeta da Vila. Tinha uma personalidade franca e boêmia, falava sempre o que queria, e sua maneira de cantar foi determinante para definir os rumos do samba cantado por voz feminina. No final da vida atuava como jurada do programa A Buzina do Chacrinha e do Show de Calouros do Programa Silvio Santos, do SBT, em que era conhecida por dar notas baixas a quase todos os calouros.

Via Site Collector's http://www.collectors.com.br/

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

EVENTO



PROCISSÃO DOS VAQUEIROS ABRE FESTA

DE SÃO ROQUE EM VILA CAMPOS


Uma caravana de vaqueiros montados a cavalo acompanhou no final da tarde de hoje a procissão com o painel de São Roque, num percurso de cerca de um quilômetro, entre Campos Novo (BR-020) e Campos Velho, assinalando a abertura dos festejos dedicados ao padroeiro da localidade, na zona rural de Canindé.
Dezenas de fiéis seguiram também em caminhada o mesmo percurso até a capela da vila de Campos Velho, onde no início da noite foram hasteadas bandeiras e celebrada missa campal, presidida por frei Jean Souza. No local, vaqueiros entoaram aboios e externaram sua religiosidade.
A missa dos vaqueiros é um evento tradicional que reúne grande número de pessoas em Vila Campos. A movimentação acontece durante todo o dia e a recepção é feita por Cosme Paulino Viana, um dos vaqueiros mais antigos dos sertões de Canindé. Em sua casa é servido banquete aos companheiros, que aproveitam a ocasião para se confraternizar e relembrar juntos vaquejadas e pegas de boi. “É um presente que damos anualmente ao meu pai e aos seus colegas vaqueiros”, garante Flaubert Viana, filho de Cosme Paulino.
A festa de São Roque em Vila Campos é um acontecimento centenário. A capela da povoação é uma das mais antigas do município de Canindé e é mantida pela própria comunidade, com apoio da Paróquia de São Francisco das Chagas. “Contamos sempre com a colaboração dos nossos conterrâneos, de parceiros e fiéis de São Roque, através das nossas campanhas beneficentes. Nossa festa tem o poder de promover um reencontro anual entre nossos familiares que moram fora”, afirma Verônica Paulino Viana, do Conselho Pastoral da Comunidade.
Durante os próximos dias acontecerá o novenário com a participação de comunidades circunvizinhas. No dia 16 de agosto, será celebrada missa festiva de encerramento, seguida de leilão e atrações à noite na quadra social da paróquia. (Texto/fotos: Pedro Paulo Paulino)


terça-feira, 5 de agosto de 2014

CRÔNICA

DERROTAS E CONQUISTAS

Freitas de Assis*

Por água abaixo foram os anseios e sonhos do País do Futebol na terça feira 08 de julho de 2014. Na fatídica data para o futebol tupiniquim, a poderosa Alemanha, que já havia imposto uma sonora goleada em Cristiano Ronaldo e seus patrícios, desta feita humilhou a seleção canarinha com um placar de sete a um. A culpa? Muitos atribuíram à comissão técnica, aos cartolas e patrocinadores, e até mesmo a inércia do apoio psicológico à falta que fez o único fora de série da equipe, o jogador Neymar, seriamente contundido em uma disputa de bola em jogo anterior. Fato que lembra a “convulsão” de Ronaldo na copa da França em 1998, onde na final o Brasil também se mostrou apático e perdeu a final para os anfitriões por três a zero. Mas agora perdeu para um time organizado, humilde e que não contava com grandes estrelas. Contava sim, com a persistência, o trabalho em equipe e o espírito de grupo, tanto que na final com nossos vizinhos platinos, o jogador que fez o único gol da partida era um reserva que entrara havia pouco tempo.
Recordo que no dia do jogo no estádio Mineirão, a euforia era generalizada. A esperança era contagiante e eu entrava de serviço no turno da noite prevendo conter os ânimos de torcedores mais exaltados. Mas veio a derrota e não houve carreata. As motocicletas com descarga alterada ficaram caladas e o consumo de bebidas entorpecentes foi reduzido a patamares mais civilizados. Registraram-se naturalmente umas poucas ocorrências, normal para uma terça-feira e que não vale a pena tecer uma ou outra frase sobre estas. Quanto aos alemães, após a conquista do Mundial comemoraram na terça-feira em seu país, embora na segunda-feira, conforme reportagem em telejornal, pouca coisa em Berlim memorava o feito dos seus compatriotas e os alemães foram trabalhar normal e sobriamente.  Fosse o Brasil campeão, haveria uma festa memorável no domingo e na segunda-feira seria decretado feriado.  Aliás, o Brasil, campeão mundial de feriados, no período da copa e em dias de jogos do Brasil, era ponto facultativo, fazendo a economia parar em diversos setores, embora o setor de turismo tenha tido um “boom”.  O lado bom desse fato é que das adversidades e derrotas sempre conseguimos tirar algum ensinamento; sobretudo por que conseguimos aprender algo com os vitoriosos. E que sirva então de exemplo os alemães, que derrotadas em 1945, juntamente com o Japão depois da II Guerra Mundial, ergueu uma grande potência pouco tempo depois. E após a unificação do país com a queda do muro de Berlim em 1990, realmente virou uma potência. E de que forma conseguiram erguer-se dos escombros? Com uma simples receita: investimento em educação e trabalho com seriedade, aliados a um sistema jurídico eficiente, sem ser condescendente nem carrasco.
Voltando à realidade de julho e patrulhando nossas ruas de tosco calçamento e asfalto em uns poucos pontos da cidade, observo que o progresso começa a se instalar por aqui. É fato notório que o número de veículos que circula na cidade é bem maior que o número de pessoas habilitadas. E que para conseguir tirar a habilitação é necessário um pouco de esforço e dinheiro para pagar as taxas de auto-escola e as do Detran, sendo que alguns exames eram realizados em Fortaleza pelo fato do posto do órgão em Canindé funcionar de forma incompleta. Ocorre que agora funciona plenamente e os usuários não precisam se deslocar a nossa capital para sanar seus problemas. É só ir até a Avenida Perimetral, próximo ao loteamento Monte Líbano, passando por alguns redutores de velocidade, as populares tartarugas, ultrapassar os quebra-molas, os quais foram acrescidos também de tartarugas, isto se a pessoa vem do lado do Quartel do 4º BPM, pois se vier da Igreja do Cristo Rei, além dos redutores de velocidade, enfrentará um eterno buraco do lado direito. Este é numa subida, obrigando o motorista invadir um pouco a mão contrária para poupar a suspensão do carro, arriscando a  se envolver em um acidente. Sem mencionar os loucos sobre motocicletas que teimam em fazer deste logradouro uma pista de corrida, e seu acostamento, muito estreito, ainda é povoado por alguns animais que pastam por lá.
Nas últimas décadas houve uma estagnação no progresso e um ostracismo político como nunca se viu antes na história do nosso município. Posso citar como ponto positivo em Canindé a vinda do IFCE, que oferece formação superior e de qualidade. Infelizmente, obras que poderiam alavancar o progresso, como a construção da escola profissionalizante e a policlínica, estão atrasadas por conta das licitações feitas para sua execução, ou seja, a empresa ganhou o direito de executar a obra, mas não tem recursos suficientes para tal empreitada, ou então foi à bancarrota. Nova licitação tem que ser feita e todo o jogo recomeça.   

O resultado dessa falta de estrutura em educação e saúde, sem citar outras áreas, pode ser traduzido em parte no meu trabalho. Que consiste em prevenir o crime e prender pessoas que cometem crimes. E em meados de julho, a polícia militar, num esforço conjunto de suas equipes, desbaratou uma quadrilha responsável por vários crimes de assalto em Canindé, e boa parte dos membros da gangue são menores. Um fato que não deve ser comemorado. Mas julho também é aniversário de Canindé, e sinceramente espero que nos próximos aniversários possamos aplaudir não as prisões de infratores, mas o número recorde de alunos matriculados em cursos superiores, e que tais cursos também sejam feitos aqui; espero não prender dia sim dia não, o mesmo menor infrator, que ri da cara do policial que trabalha para que leis tão ineficientes sejam cumpridas. E espero ver ainda o progresso em ação, não só na minha cidade, mas em todo o país. Quero ver as pessoas tomarem consciência e não trocar seu voto por um adesivo no carro e dez litros de gasolina, um pneu de bicicleta ou mesmo uma clássica dentadura, e depois não poder cobrar ações de seu candidato. Em seus próximos aniversários, seus próximos 29 de julhos, ó Canindé, te verei como uma cidade moderna, com indústrias e fábricas, escolas e faculdades; verei avenidas e ruas asfaltadas nos bairros periféricos, te verei com honras e glórias. Serás uma cidade de renome e paz. Seus cidadãos sentarão às suas calçadas tranquilos e o país também terá atingido seu esplendor e apogeu. Veremos cada um pensar no próximo, ajudando a transformar sua terra num lugar melhor. E uma amarga derrota no futebol para um potência mundial será uma nota de rodapé em algum livro de história. Pelo seu aniversário, parabéns, Canindé! 

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*Cabo PM, colaborador do blog.

sábado, 2 de agosto de 2014

SONETO

VIVER O HOJE

Pedro Paulo Paulino

Jamais ancore o barco da existência
No porto permanente do passado.
Desfrutar o momento que é nos dado,
É prêmio que se alcança com vivência.

Pois quem vive ao sabor de contingência
Ou lamentando o tempo superado,
Constantemente viverá frustrado
Ou viverá só de reminiscência.

A vida é bela agora. É inseguro
O amanhã. O passado tem seus méritos,
Mas já passou. Portanto, viva e leve

A vida sem as ânsias do futuro
E o fardo dos momentos já pretéritos,
Que a vida tende a se tornar mais leve.




domingo, 29 de junho de 2014

HOMENAGEM

UM ANIVERSARIANTE ILUSTRE

O sonetista brasileiro mais fecundo completa hoje 63 anos de vida. Seu nome de batismo é Pedro José Ferreira da Silva, nascido em São Paulo no dia 29 de junho de 1951. Seu nome artístico é vem do termo usado para os que sofrem de glaucoma, doença que o fez perder progressivamente a visão, até a cegueira total em 1995. Glauco Mattoso tem milhares de sonetos e dezenas de livros publicados. Fenômeno da literatura brasileira hodierna e de todos os tempos, ele mesmo se define neste soneto, homenagem do blog ao aniversariante ilustre:


“SONETO REMONTANDO A 1951

Minha cronologia principia
no dia de São Pedro. De glaucoma
já nasço portador, mas, nesse dia,
só querem que se beba e que se coma...

Sou neto de italianos, e a mania
é dar diminutivos: no idioma
de Dante, sou Pierin. Me oferecia
um brinde o bisavô, que vinho toma...

Pierin, ou Piergiuseppe, dura pouco.
Já sou Pedro-José. O ouvido mouco
não é, mas um dos olhos já pifava...

Na foto, faço gestos algo obscenos,
unindo dois dedinhos: já pequenos,
mostravam a revolta: ‘Vão à fava!’”  


NO ANIVERSÁRIO DO MATTOSO*

Pedro Paulo Paulino

São Pedro, hoje é teu dia, é nosso dia,
Que Pedro eu sou também, embora santo
Não seja. Mas, debaixo do teu manto,
Teu nome, se preciso, evocaria…

Que sejas sempre eterno o nosso guia.
E se não for acaso pedir tanto,
Louve, ó São Pedro, sem nenhum espanto,
Um grande Pedro que aniversaria.

Glauco Mattoso, Pedro de batismo,
Sem ranço algum de mero fanatismo,
Louvado sejas tu entre os poetas!

Pedindo, rezarei (assim prometo),
Que São Pedro te cubra de soneto,
Nas seis décadas que hoje tu completas!...


__________
*Soneto publicado no blog em 2011.