segunda-feira, 30 de abril de 2018

PROMESSAS

Pedro Paulo Paulino

Em breve, se ouvirá discurso assim:
“Por melhor assistência social!
Por mais saúde – e a meta principal:
Fazer a violência ter um fim!

Por mais educação fundamental;
Por inclusão, emprego e renda, enfim,
Eu peço ao eleitor que vote em mim
Para eu ser deputado e coisa e tal!

Na minha plataforma de campanha,
Escola para o povo é compromisso;
Vencendo, ajudarei quem me acompanha!...”

Porém, passado o pleito, é tudo omisso,
Porquanto o postulante, assim que ganha,
Sequer se lembrará de nada disso!

domingo, 22 de abril de 2018

MÃE TERRA

Pedro Paulo Paulino

Louvada seja a Terra, nosso lar!
Mãe poderosa e frágil que nos cria,
Berço da vida, fonte da energia
E tudo o quanto a vida precisar!

Da superfície que recebe o dia
Às profundezas abissais do mar,
Trabalha a terra, sem jamais cessar,
Exemplarmente em plena sinergia.

Pequena joia cósmica tão bela.
Bandeira universal e colorida,
Ao mesmo tempo opípara e singela!

Sendo singela está, porém, ferida
Por mãos humanas que precisam dela
Indispensavelmente para a vida!

terça-feira, 17 de abril de 2018

NÃO HÁ DINHEIRO QUE PAGUE O INVERNO NO SERTÃO

Autor: Pedro Paulo Paulino

Eu sei que a cidade tem
Mil escolhas de lazer,
Lugares que dão prazer
Da maneira que convém;
Praia, parque e mais uns cem
Recantos de diversão...
Porém eu peço perdão
Por minha rude franqueza:
Nada tem maior beleza
Do que chuva no sertão!

Sei que a praia tem o riso
Do sol e mulheres belas,
E a serra tem aquarelas
Que parece um paraíso.
Mas eu não fico indeciso
Com a minha opinião.
Sem querer, meu coração
Por si mesmo se declara,
Porque nada se compara
Com inverno no sertão!

Acordar de manhãzinha
Ouvindo a doce cantiga
Da chuva mansa e amiga
Que há tanto tempo não vinha!
A nuvem lambendo a linha
Dos serrotes (que visão!).
Água correndo no chão
E fazendo ziguezague:
Não tem dinheiro que pague
O inverno no sertão!

O raio, para o Nascente,
Piscando de madrugada,
Avisando à matutada
Que vem chuva novamente.
Ouvir-se eloquentemente
O soluço do trovão
Sacudindo a imensidão
Com seu gemido profundo:
Nada é mais belo no mundo
Do que chuva no sertão!

Ouvir alguém nos contar
Que tem açude sangrando.
De tarde, avistar-se um bando
De borboleta a voar.
Galo-campina cantar,
Tomado de inspiração,
A mais bonita canção
Que até parece um bendito:
Não há nada mais bonito
Do que chuva no sertão!

Até mesmo uma goteira
Em cima da nossa rede
Ou descendo na parede
Tem qualquer coisa fagueira.
Tomar banho na biqueira,
Sem sabonete ou sabão.
Colher maxixe e feijão,
Milho verde e jerimum:
Não há bem maior algum
Do que chuva no sertão!

As nuvens, como lençol
Pesado feito de lã,
Vencendo pela manhã
A claridade do sol,
Apagando o seu farol
Com perfeita distinção;
Singular combinação
Do mais belo colorido:
Não há nada parecido
Com inverno no sertão!

Pisar a terra molhada
Descalço e sentir o cheiro
Da folha do marmeleiro
Na caatinga esverdeada,
Onde alegre, a passarada
Faz a sua orquestração;
Sapo fazer refeição
Com cardápio de besouro:
Vale muito que ouro
O inverno no sertão!

domingo, 8 de abril de 2018

HOMO SAPIENS

Pedro Paulo Paulino

É sobre a Terra o ser predominante,
Possui um cérebro ímpar e capaz
De mil prodígios! Maravilhas faz,
Com sua inteligência fulgurante!

Explora a natureza e é bastante
Competidor, intrépido e tenaz.
Porém, prefere a guerra em vez da paz;
Por índole, escraviza o semelhante.

Arroga-se provir de um ser supremo.
Cheio, no entanto, de animalidade,
Constantemente chega a um ponto extremo

E sua inteligência desperdiça
No crime, na calúnia, falsidade
E a prática execrável da injustiça. 

sábado, 31 de março de 2018

O TESTAMENTO DO JUDAS PARA O POVO BRASILEIRO




















Autor: Pedro Paulo Paulino

Sou Judas, o Tenebroso,
Covarde, falso, embusteiro,
Inimigo da justiça,
Sou corrupto e caloteiro,
E quero, neste momento,
Escrever meu testamento
Para o povo brasileiro.

Sou golpista e consegui,
Por meio de traição,
Ocupar de qualquer jeito
O comando da Nação,
A minha conduta é má
E o Brasil inteiro está
Na palma da minha mão.

sexta-feira, 30 de março de 2018

SEXTA-FEIRA SANTA

Pedro Paulo Paulino

Relembro bem, na mente está retida
Cada impressão que eu tenho desse dia:
Havia reverência -- e regra havia
Que só por todos era obedecida.

O jejum, que tornava mais comprida
A manhã consagrada de harmonia,
E ao chegar pontualmente o meio-dia,
Família em torno à mesa reunida.

A tarde vagarosa se passava
Na mesma paz. E a ordem era tanta
Que até não se vendia nem comprava…

De noite a ceia no lugar da janta,
E logo após, o terço se rezava.
Já foi assim a Sexta-Feira Santa…

quarta-feira, 28 de março de 2018

HÁ 27 ANOS, VILA CAMPOS VIROU PALCO DE GUERRA


Texto/fotos: Pedro Paulo Paulino

A hora “H” da grande luta aproxima-se. Desde cedo, ouvem-se os estampidos dos rifles de cangaceiros e soldados, que em confronto e montados em seus cavalos atravessam velozmente a pequena Soledade, situada no meio do sertão do Ceará. O regresso de Emerenciano, remanescente do bando de Lampião, deixa a cidade em polvorosa. O bandoleiro retorna com o propósito de fazer vingança, dez anos depois de ter sido humilhado, espancado e preso pela população.

sexta-feira, 23 de março de 2018

FOLCLORE


UNIVERSIDADE VALE DO LEITE: 16 ANOS

Pedro Paulo Paulino

Hoje, 23 de março, está fazendo 16 anos de fundação da Universidade Vale do Leite, em Canindé. A UVL foi uma brincadeira de amigos que frequentam o estabelecimento comercial do sr. Pedro Mathias, o Pedro do Leite, na tradicional Praça Azul. Rotineiramente, reúnem-se ali pessoas de várias atividades, desde o prosaico “cambista” a profissionais liberais. Os artistas locais são presença quase certa no local e, evidentemente, também não faltam os “funcionários de Cristo” e outras autoridades. Entre um brinde e outro, muitos assuntos são levantados, principalmente nos finais de tarde quando seu Pedro resolve instalar as cadeiras na calçada. Então começam a chegar um a um os habitués.

quarta-feira, 21 de março de 2018

INDAGAÇÃO

Pedro Paulo Paulino

Eu sei que tudo passa: o mal e o bem,
A guerra e a paz, a dor e a alegria
Sucedem-se tais como a noite e o dia;
Momentos bom e ruim passam também.

Eu sei que após a tempestade vem
Sempre a bonança; e após a letargia,
Renasce um mundo cheio de euforia.
A vida é toda feita de vaivém.

Nossa existência é como um folhetim,
No qual, altos e baixos são a lei.
O próprio tempo passa. E sendo assim,

Ao tempo agora mesmo eu perguntei:
Por que, ó tempo, nunca chega ao fim
A saudade de quem não te direi?!...

sexta-feira, 16 de março de 2018

A MORTE DE MARIELLE E A PÁTRIA DA VIOLÊNCIA



















Autor: Pedro Paulo Paulino

A morte de uma mulher
No mês dedicado a ela,
Mulher negra e ativista
Nascida numa favela,
Onde a pobreza resiste,
É o capítulo mais triste
De uma assombrosa novela.

Novela da violência
Que assola todo o Brasil,
Que ceifa vidas humanas
E tem por lei o fuzil
Com pontaria assassina
Para a classe feminina
E até a classe infantil.

sábado, 3 de março de 2018

O DEDO DE UM JOGADOR COMOVE O PAÍS INTEIRO


Autor: Pedro Paulo Paulino

Jornais, rádio, internet,
Canais de televisão,
A imprensa brasileira
Volta completa atenção
Para um fato aterrador:
O dedo de um jogador
Comove toda a nação.

Dedo mindinho do pé,
Que num momento infeliz,
Jogando bola distante
Na cidade de Paris,
Foi de repente atingido,
E o fato só tem sido
A desgraça do país.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

MANGA COM UM PAR DE CHIFRES NASCE LÁ EM PETROLINA


Autor: Pedro Paulo Paulino

Diziam velhos profetas
Que pregavam no deserto,
Que após o ano dois mil,
Seria o mundo coberto
De tudo quanto é ruim.
E se não chegou ao fim,
Só pode está muito perto.

A violência matando,
Os povos se dividindo.
Roubo, corrução e crime
O globo inteiro cobrindo.
O mundo num pé de guerra,
A paz descendo por terra,
A desunião subindo.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

ENGRENAGEM HUMANA

Pedro Paulo Paulino

Enquanto durmo, o coração trabalha,
E o cérebro prossegue trabalhando,
Pois até mesmo quando estou sonhando,
A mente continua na batalha.

A todo instante, por extensa malha
Vai sem cessar o sangue circulando,
Uma por uma as células banhando
E normalmente sem nenhuma falha.

Maravilhosa máquina da vida,
O corpo humano cumpre seu dever
Num ritmo de elegância e eficiência!

Vasta engrenagem operando unida,
Lutando para, de manhã, trazer
Acesa novamente a consciência!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

SAGA DE DOIS CEARENSES NA GRANDE SECA DO QUINZE


Autor: Pedro Paulo Paulino

Na grande seca do Quinze,
O Sebastião Pereira,
O caboclo mais disposto
De toda sua ribeira,
Devido à situação
De faltar chuva no chão,
Perdeu sua roça inteira.

A seca destruidora
Foi se alastrando geral,
Fazendo no Ceará
Um quadro descomunal;
Quanto mais foi aumentando,
Gente foi se retirando
Do Sertão pra Capital.

Mas nem na cidade grande
Havia emprego também.
E Sebastião Pereira
Ajuntou os seus terém
Pra vender e apurar
Dinheiro pra viajar,
Sem pedir nada a ninguém.

Despediu-se da família
No final de fevereiro,
Vendeu até mesmo o galo
Que cantava no poleiro,
 Vendeu jegue, vendeu boi,
Comprou o bilhete e foi
Para o Rio de Janeiro.

Na viagem de navio
Pra capital fluminense,
O Sebastião conhece
Um colega cearense,
Era o Mamede Cordeiro,
Que pro Rio de Janeiro
Vai também, pra ver se vence.

E quando os dois chegam na
Cidade Maravilhosa,
Contentes se agradecem
Pela companhia e prosa.
Um do outro se despede,
Sebastião e Mamede
Seguem sorte tortuosa.

O dia todinho andou
O pobre Sebastião
Pela cidade do Rio
Procurando ocupação.
Andou por toda biboca,
Mas sequer um carioca
Lhe dava nem atenção.

Do dinheiro que levou,
Não restava uma quantia
Nem pra quebrar o jejum,
Pois durante a travessia
Viajando de navio
Do Ceará para o Rio
Gastou toda mixaria.

Bateu perna e percorreu
O Rio por todo lado.
Aquele bom cearense,
Trabalhador e honrado,
Longe do seu aconchego,
Sem dinheiro e sem emprego,
Estava desesperado.

No dia seguinte andou
Por acolá, por ali...
Dentro da cidade grande,
Perdido feito um zumbi,
Foi esbarrar, o coitado,
Num circo que estava armado
Pras bandas do Andaraí.

Morrendo quase de fome,
E sem poder andar mais,
Pediu ao dono do circo,
Soltando profundos ais:
“Emprego, por caridade!
Nem que seja, por bondade,
Pra cuidar dos animais!”

O dono do circo disse:
“Não tem vaga pra ninguém.
Aliás, tem uma vaga,
Se topares, tudo bem!
Já começa a trabalhar
No show que vai começar,
E bastante gente vem”.

E continuou dizendo:
“Morreu o tigre real.
E se o amigo topar
O meu convite, afinal,
De tigre vai se vestir,
Pra de noite divertir
Nosso público leal”.

O Sebastião Pereira
No mesmo instante topou.
Vestiu a pele dum tigre
E tão perfeito ficou,
Que à noite, no picadeiro,
Agradou o público inteiro
E ninguém desconfiou.

Mas quando foi de manhã,
O pobre Sebastião,
Viu-se cercado de bichos
Numa jaula, e viu então,
Perto dele acocorado
Bufando feito um danado,
Um pavoroso leão!

“Valei-me, meu São Francisco
Das Chagas do Canindé!
Me salve desse aperreio,
Que eu juro com toda fé:
Se eu conseguir sair dessa
Pagarei uma promessa,
Voltando daqui a pé!”

Tremendo muito, assim disse,
Perante tanta desgraça.
Mas, para sua surpresa,
Acabou-se a ameaça,
Pois na mesma ocasião
Ele avistou o leão
Se acabando de achar graça.

Em vez de dar um rugido,
Assim falou o leão:
“Tu larga de ser tão besta,
Cumpade Sebastião!
Vou contar o que sucede:
Sou teu amigo, o Mamede,
Colega de arribação.

Eu também vim para o circo,
Procurando me empregar.
E só teve mesmo um jeito,
Foi esta oferta aceitar.
O meu caso é igual ao teu:
O leão também morreu,
E eu fiquei no seu lugar!”

(Adaptado de um conto do escritor maranhense Humberto de Campos – 1886-1934.)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

DÁDIVA

Pedro Paulo Paulino

Havia tempo, a terra estava à espera
Do sopro redentor e benfazejo
Que ao derramar nos ares seu bafejo,
Já sobre o chão o verde recupera.

Úmidos ventos enchem a atmosfera,
Deixando a terra prenhe de desejo;
O raio rasga os céus com seu lampejo,
Logo o trovão com fúria vocifera.

Transforma-se o sertão num paraíso,
Como afirmou Euclides n’Os Sertões.
E o sertanejo, que da seca é réu,

Gratificado mostra o seu sorriso
E os braços abre cheio de emoções,
P’ra receber a dádiva do céu!...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

EU VOU VOTAR NO BANDIDO MAIS QUERIDO DA NAÇÃO

Autor: Pedro Paulo Paulino


Num país de tanta fraude,
De roubo e corrupção,
Onde nem se sabe mais
Quem é santo ou é ladrão,
Eu já estou decidido
Que vou votar no “bandido”
Mais querido da Nação!

Votei nele cinco vezes
E volto a votar de novo!
Pois diante de injustiça
Todo dia eu me comovo.
Já estou determinado:
vou votar no “acusado”
Mais querido pelo povo!

domingo, 28 de janeiro de 2018

NOTA CULTURAL

UNIÃO BRASILEIRA DOS TROVADORES
INSTALA SECÇÃO EM CANINDÉ

O segmento cultural de Canindé viveu neste fim de semana um momento marcante. Na manhã de ontem, foi instalada na cidade uma Secção da União Brasileira dos Trovadores (UBT). O evento aconteceu no auditório do Jardineira Park e reuniu artistas locais e convidados. Para proceder à instalação, compareceu o presidente da UBT-Ceará e vice-presidente do Conselho de UBTs do Ceará, Francisco José Moreira Lopes.
A cerimonia foi comandada pelo presidente da Academia Canindeense de Letras, Artes e Memória (ACLAME), Tonico Marreiro. Na ocasião, foi eleita e empossada a diretoria da Secção da União Brasileira de Trovadores de Canindé – Ceará, tendo como presidente Pedro Paulo Paulino. Trovadores e cordelistas de Maranguape, Maracanaú e Ocara também abrilhantaram o acontecimento, num autêntico intercâmbio cultural.
A solenidade foi aberta com os presentes entoando a oração de São Francisco, patrono dos trovadores, e o Hino dos Trovadores, composto pelo fundador da UBT.
A União Brasileira dos Trovadores foi criada em 1966, pelo poeta Luiz Otávio (nome literário de Gilson de Castro), nascido no Rio de Janeiro em 1916. A entidade é dividida em seções e delegacias municipais, conforme o número de membros no município e em seções estaduais, conforme o número de cidades representadas no estado. O Dia do Trovador é comemorado em 18 de julho.

Prof. Zé Parecido, sec. de educ. de Canindé, Arleyse Matos,
Erivaldo Costa (IBGE), presidente da ACLAME, Tonico
Marreiro, presidente da UBT-CE, Francisco Lopes e PPP

Auditório Jardineira Park 

Tonico Marreiro e PPP

Francisco Lopes, trovador Artemiza Silva (Ocara) e PPP

Tonico Marreiro, Artemiza Silva, Francisco Lopes, PPP,
trovador Luiz Carlos (Maranguape) e cantor Chico Walter


Arleyse Matos, PPP e Artemiza Silva


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A LIÇÃO DO RATO E O GOLPE DA PREVIDÊNCIA

Autor: Pedro Paulo Paulino

Certo dia, um fazendeiro,
Ao retornar da cidade,
Trouxe um pacote na mão,
E por curiosidade,
Lá do telhado espiando,
Um rato ficou brechando
Qual seria a novidade.

 “Deve ser comida boa!”,
Calculou dessa maneira.
Mas quando viu o que era
Quase cai da cumeeira,
Pois o dono da fazenda
Trazia uma coisa horrenda
Que se chama ratoeira.

domingo, 21 de janeiro de 2018

MAR DA VIDA

Pedro Paulo Paulino

Eu neste mundo vou passando ao largo
Do mar tempestuoso de ambições
Que cegamente afoga os corações,
Como o torpor horrível de um letargo.

Tendo a missão da vida por encargo,
Meu mundo é concebido de porções
De algumas qualidades e senões
Que em mim convivem sem nenhum embargo.

Feliz ou não, jamais eu saberei,
Pois não se sabe onde há felicidade:
Se mora no vassalo ou se no rei...

Nisto, porém, eu nunca me confundo:
Do mar das ambições em tempestade,
Eu vou passando ao largo neste mundo...


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O ADEUS DE LOURO BRANCO

Autor: Pedro Paulo Paulino


A viola está de luto,
O repente emudeceu,
O brilho da cantoria
Neste dia esmaeceu:
Corre a notícia no mundo,
Que Louro Branco Morreu.

Setenta e quatro viveu
E sessenta e três cantou,
Porque foi com doze anos
Que na viola pegou
E durante a vida inteira
Muito verso improvisou.

Muita graça provocou
Com o seu humor preciso,
Que sempre ilustrava mais
Seu genial improviso,
Por isso é que Louro Branco
Morreu no Dia do Riso.

Fez da terra um paraíso
Da mais pura poesia.
Seu improviso veloz
No palco da cantoria
Era como um carro novo
Correndo na rodovia.

Cantava durante um dia
Inteiro, sem lhe faltar
O verso feito na hora
E a rima pra completar,
Pois o seu forte era mesmo
A arte de improvisar.

Quem o quisesse topar,
Devia estar preparado,
Pois Louro, de todo jeito,
Dava conta do recado,
Foi sempre fera terrível
No seu verso improvisado.

Deixou um grande legado
De poemas e canções
Que somam juntas, talvez,
Seiscentas composições,
Todas bastantes poéticas
E cheias de emoções.

Diversas premiações
Louro Branco conquistou.
Os melhores cantadores,
Em desafio enfrentou,
E em mais de vinte estados
Do Brasil ele cantou.

Sua viola calou,
Nós lamentamos perder
Um dos maiores poetas
Que o Nordeste pôde ter.
E sobre sua própria morte,
É Louro quem vai dizer:

“No dia em que eu morrer,
Deixo a mulher sem conforto,
Roupas em malas guardadas,
O chapéu num prego torto,
E a viola com saudade
Dos dedos do dono morto”.