segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


CÂMARA DE CANINDÉ:
UM COVIL MAL-ASSOMBRADO


Fantasma estão rondando a Câmara Municipal de Canindé, onde logo no começo do ano vêm acontecendo fenômenos “paranormais”, verdadeiros efeitos “poltergeist” maquinados por “entidades” distantes do nosso conhecimento, espalhando assombro e repugnância na cidade.
Na semana passada, a bruxa começou a se soltar no "Poder Legislativo" do município. Os canindeenses ficaram surpresos com a decisão judicial que cassou o mandato do vereador Luiz Ximenes Filho e também seus direitos políticos por cinco anos. Impedidos por questões partidárias, seus suplentes imediatos não puderam ocupar a vaga que ainda permanece aberta. Na tarde desta segunda-feira, foi a vez do presidente da Câmara, Robson Saraiva, causar nova surpresa, ao convocar sessão extraordinária para comunicar sua renúncia ao cargo. Em sessão tumultuada, grosseira e de última hora, com a presença de muitos populares, foi realizada uma eleição rápida e empossado o novo presidente eleito em plenário, Heitor Pessoa.
Que motivos tão urgentes levariam o presidente Robson Saraiva a renunciar ao cargo, ocupado sucessivamente por ele nestes dois últimos biênios e já na reta final de seu exercício? Teria ele tomado esta atitude em solidariedade e protesto ao colega vereador cassado há menos de semana, mesmo sendo ambos opositores? Irá submeter-se a alguma intervenção cirúrgica inadiável? Ou, simples e tardiamente, estará ele se considerando inapto para continuar presidindo o legislativo do município, julgando oportuno e justo ceder o lugar para o vereador Heitor Pessoa, sobrinho do atual prefeito e por este carregado nas costas na campanha passada? Mistério.
O que indiscutivelmente se sabe, é que os bastidores da política de Canindé estão em verdadeira ebulição, em detrimento deplorável do atraso administrativo por que passa o município. Já perto de findar seus quatro anos de mandato, o prefeito Cláudio Pessoa foi outra surpresa desagradável para o município, fazendo um governo capenga, de ações invisíveis - menos o atraso na folha de pagamento de setores vitais do funcionalismo e a falta total de reestruturação da cidade visitada por milhares de romeiros.
A outra face da moeda mostra que Canindé, em toda sua história política, jamais como agora elegeu uma penca de vereadores (salvo alguma raríssima exceção) tão incapazes de se dizer representantes do povo. A maioria deles, absolutamente sem intenção alguma de melhorar sua terra, sem qualquer maturidade com a vida pública, desprovidos do ideal do coletivo e do social, e nitidamente venais.
Naturalmente, o que se viu acontecer até agora na Câmara Municipal de Canindé foram discussões que a maior parte das vezes descamba para o grotesco e o ridículo. A oposição foi a primeira a mudar de cara para aliar-se ao prefeito que, até para realizar uma administração tão fajuta, sozinho é incapaz. Por isso, a dança das cadeiras também foi um fenômeno muito corriqueiro nestes últimos quatro anos na chamada “Casa do Povo”. Todavia, a manobra política que fez Robson Saraiva renunciar, desbanca as manobras anteriores. Do tipo: por essa ninguém esperava.
Se a queda de Ximenes não foi motivo de festa na cidade, de shows pirotécnicos, carreatas e confraternizações, certamente é porque o povo está exausto de tanta farsa à custa de seu precioso voto. A safra presente de políticos que atuam na terra de São Francisco é a mais pestilenta de todos os tempos, atacada por todos os lados por vermes nocivos ao erário e ao bem-estar social e econômico do município. São todos farinha do mesmo saco, que nem o sábio Arquimedes lograria separar. Como se não bastasse, agora são seres invisíveis que estão manipulando os acontecimentos políticos de Canindé, espalhando assombro, terror e repugnância, a partir de sessões realizadas às pressas, deixando o povo atônito e sem resposta às suas indagações mais primárias. São fenômenos, sim!

14 comentários:

  1. Quero saber se o Sr. Robson vai para o SAAE, qto vale um vereador? Só digo uma cois, desde qdo o Sr Ze Hugo chegou em canindé a politica virou um sacanagem, trazendo consigo ximenes e claudio pessoa. Até quando povo de Canindé.

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  2. Eu tenho acompanhado a política de Canindé desde 1982, quando o Dr. Bosco Sobreira, meu amigo pessoal, candidatou-se a prefeito, com apoio do saudoso Salomão de Paula Uchôa (este sim, um político identificado e comprometido com os ideais da coletividade, apesar de ser frequentemente chamado de doido pelos seus opositores). Na época eu só tinha 14 anos mas passava o dia no Comitê do Dr. Bosco, juntamente com o poeta Gonzaga Vieira, preenchendo chapas eleitorais (é o novo!) e fazendo folhetos de cordel, um dos quais intitulado "Um dia de eleição no país na bicharada" onde fazemos uma sártira à essas mazelas da politicagem. Parafraseando oo ex-presidente Lula, nunca antes na história desse município se viu uma Câmara tão fraca, para não fazer acusações mais graves. Afinal de contas, mexer com esse povo é a mesma coisa que enfiar a mão num vespeiro. Como eleitor de Canindé (estou afastado do município há tres anos, mas meu título continua sendo de lá) acho-me no direito de dizer aos canindeenses que precisam refletir e eleger melhores representantes no próximo pleito. Ainda bem que votei no meu amigo Carlos Alberto Martins para vereador e no Dr. Uiatan para prefeito.

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    1. Eu também votei no C. Alberto e no Uiatan, sem arrependimento até hoje.

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    2. Oh, amigo, não faça política partidária no seu blog. Preserve esse espaço.

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    3. Caro(a) leitor(a) anônimo(a), obrigado pela dica, mas, testemunhamos cada coisa entre o céu e a terra, diante das quais é impossível frustrar nossa indignação.

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    4. Acho justo, oportuno e necessário que blog VILA CAMPOS ON LINE aborde o assunto que bem entender. Por quê não tratar da política em Canindé? É tabu? Ora, bolas... Manda brasa Pedro Paulo!

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  3. Recordo bem dos anos 80 e 90, quando eram publicadas as revistas do Angeli, intituladas Chiclete com Banana, que tinham personagens bem underground, como o Bob Cusp, a Rê Bordosa e os Skrotinhos, além de outros com capas bem chamativas, entre as que eu me lembro tinha uma com um desenho representando um político em campanha beijando uma criancinha no colo, e esta criança fazendo sujeira na mão do político, o título era bem chamativo, tanto que ainda hoje me faz lembrar o quadro da nossa política,:POLITITICA.

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  4. Canindé a cada eleição que passa consegue se superar em termos de mediocridade politica, sofre dia após dia com governantes nem um pouco comprometidos com a cidade. Tinha tudo para ser uma das mais belas do sertão central, como poucas no Ceará atrai tantos tuiristas religiosos e o que estar sendo feito para atrair mais turistas? Praças destruidas, ruas esburacadas com esgoto a céu aberto, calçadas tomadas por ambulantes, obras inacabadas. A cidade sofre com o atraso de administrações desastrosas, que não se preocupam com o social e o crescimento da cidade. Como canindense e amante da minha terra fico indignado com tudo isso. É hora de todos nós levantarmos a voz em defesa da nossa cidade.

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  5. Robson SAI mas não vai para o SAAE... Dizem que renunciou ao mandato de presidente porque está prestes a ser cassado, tal e qual ocorreu com o Cururu Tei-tei. Já o HEI...TOR (Eita, Mah), apadrinhado politico do prefeito, volta a Câmara na esperança de se reeleger vereador. Abra do olho, povo de Canindé.

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  6. O Canindé, como sempre, gosta de ver um cu de bode fervendo numa panela pequena. Dizem que o vereador PANTA anda querendo suplantar o HEITOR na presidência. Faz uns versos aí, poeta, com essa marmota...

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  7. Quanto mais se exarceba o capitalismo em virtude do crescimento econômico, maior a oferta de bens de consumo. Como a maioria das pessoas têm naturalmente a ganância, a ambição, usam de todos os meios possíveis para obter esses bens, quando não podem adquiri-los de maneira justa, através do trabalho e do estudo.
    Hoje em dia, mesmo no interior do Estado, veem-se belas casas projetadas, apartamentos confortáveis, carros sofisticados, propriedades rurais utilizadas quase que exclusivamente para o lazer. É óbvio que toda essa afluência, e em alguns casos ostentação e consumismo supérfluo, desperta a cobiça de quase todos, que buscam o poder político para, por meio de apropriação desonesta de verbas públicas sempre generosas, alcançar rapidamente um padrão de vida de classe média alta para cima.
    Tudo isso ocorre em todos os níveis da administração pública do País, em todos os poderes (inclusive o Judicíário, como se pode ver pelos últimos acontecimentos envolvendo o Conselho Nacional de Justiça), em nível federal, estadual e municipal.
    Mas se pode perguntar por que isso não acontece com tanta intensidade nos países do Primeiro Mundo, realmente desenvolvidos econômica e socialmente. Bem, isso ocorre nesses países em muito menor grau, por diversos motivos: leis duras que realmente são aplicadas, um nível educacional muito superior ao nosso, que proporciona, em certa medida, nobreza de caráter e ética, e uma distribuição mais equitativa da riqueza.

    Flávio Henrique

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