sábado, 10 de dezembro de 2011


Hoje, 10/12, faz um ano que me conectei à internet aqui na Vila Campos. Dias antes, em novembro de 2010, minha amiga Márcia Maria Daniel Viana tornava-se a pioneira aqui na localidade a se interligar pela Rede Mundial de Computadores. Repriso esta crônica que em junho foi publicada neste blog.

A VILA E A INTERNET

Pedro Paulo Paulino 

No final de 2010, Vila Campos entrava para o universo online. Uma empreitada ousada do canindeense Altay Pereira fazia chegar por aqui os sinais eletrônicos que agora nos conectam com o mundo. Com fôlego de desbravador, Altay veio cá pelos Campos, levou as mãos à testa sombreando os olhos, contemplou o serrote que chamamos Logradouro e viu bem lá no topo a possibilidade de instalar uma torre com seu transmissor. E nós, que sempre olhamos para o Logradouro à espera da chuva, ficamos atentos para essa outra novidade que enfim apareceu, silenciosa e altaneira, sem trocadilhos.
A marcha dessa aventura durou pelo menos uma semana. A escalada da montanha fez lembrar alguma cena cinematográfica, em que não faltaram os incidentes típicos do percurso. Ciceroneados por colaboradores, Lulu e Grandão – os técnicos – conseguiram chegar ao local adequado para a instalação da torre. Ali encontram uma enorme pedra, de cima da qual se avista a cidade de Canindé, e lá cravaram com cimento uma estrutura de ferro para suporte dos aparelhos.
O sucesso foi alcançado. Não resta dúvida que os percalços andaram desanimando os missionários. No primeiro dia, enfrentaram a dificuldade para o transporte dos equipamentos e do material. Altay não esquece que a primeira e invencível dificuldade foi exatamente encontrar um jegue de aluguel. Havia mais motocicleta e carro a disposição, do que jumento. Os veículos motorizados eram impróprios para escalar o terreno. Como o transporte não foi encontrado, o Grandão determinou-se, fazendo jus à sua alcunha e sem perder a hora, arrojar num ombro uma parte dos acessórios e no outro uma saca de cimento e seguir os guiadores pelas veredas improvisadas serra acima.  A poucos passos de chegar ao local, entretanto, um tropeço fez despencar ladeira abaixo a carga. O saco espatifou-se e… lá se foi o  cimento.
A nova aventura foi mais bem sucedida.
Vencidos esses obstáculos, já instalados e devidamente programados, os aparelhos começaram a enviar o sinal da Rede Mundial de Computadores para estes ermos.
Iniciativas dessa magnitude me fizeram refletir sobre o antigo desafio do homem para se comunicar a distância. Em uma tentativa inspirada de se fazer ouvir melhor por uma multidão, Cristo subiu a montanha para anunciar suas Bem-aventuranças. Marconni foi desacreditado quando propôs na Itália que a voz humana podia navegar pelo espaço sem fio: o rádio ainda é hoje o meio de comunicação de massa mais imediato. Antes, Graham Bell provou que o telefone era uma realidade. E bem antes ainda, Morse anunciou o telégrafo. Nosso Marechal Rondon levou a telegrafia para as selvas da Amazônia. É de todos conhecido o meio de comunicação através do solo utilizado pelo índio (pelo menos nos filmes de Hollywood). Ainda no reino dos mamíferos, é cientificamente compravado que as baleias se comunicam a longas distâncias por sons emitidos através da água. E quem de nós não brincou de telefone usando duas caixas de fósforo ligadas por um cordão? (Não precisa me dizer: os meninos de hoje usam celular.)
Uma invenção sempre chega, momentaneamente, para desbancar a anterior. Um velho já me contou aqui o espanto que causou a chegada do primeiro receptor de rádio neste lugar. Era um monstrengo de vávula e a bateria, trazendo em seus ruídos as notícias da Segunda Guerra e mais tarde narrativas da chegada do homem à Lua, coisa de que muita gente por aqui ainda duvida. Em seguida, chegou nesta região o primeiro aparelho de TV, exatamente no ano em que o Brasil tirou dos pés e das mãos dos italianos a taça Jules Rimet, consagrando-se tri-campeão mundial na Copa do México.
É certo que o rádio e a televisão fizeram mais barulho com sua chegada do que a internet. Talvez porque esta, na sua universalidade, seja mesmo mais separatista, tal como é o mundo. Afora essa novidade, em quase toda habitação do mato brilha hoje a tela de um aparelho de TV em cores, munido de antena parabólica. E mais: um aparelho de telefone celular também está presente em cada rancho – no meu, não. Em atenção a uma desconfiança temerosa, a internet já me basta para nos distanciar cada vez mais uns dos outros. 

Fotos gentilmente cedidas por Altay Pereira

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011


O MINISTÉRIO DA CULTURA
E O COCHILO DE MINERVA


Pedro Paulo Paulino

A ministra da Cultura, Ana de Holanda, esteve ontem (7/12) em Fortaleza na solenidade de entrega de certificados a ganhadores do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré. O concurso investiu três milhões de reais na promoção de projetos na área de pesquisa, produção e difusão do cordel e linguagens afins, com participantes de todo o Brasil. Foram mais de 600 inscritos, com 449 projetos aprovados. O evento de ontem reuniu diversos artistas populares e pessoas ligadas à cultura, no espaço cultural do BNB. A Academia Brasileira de Literatura de Cordel foi representada pelo cordelista Arievaldo Viana, que sugeriu a segunda edição do concurso homenageando da próxima vez o poeta Leandro Gomes de Barros.
Para os poetas populares, o acontecimento traz uma sensação de alívio, haja vista a série de problemas e descontentamentos que envolveram o concurso desde seu lançamento. A começar, pela ideia de injustiça que fizeram alguns dos participantes sobre o julgamento dos trabalhos, chegando eles a recorrer judicialmente, conforme resalva feita no edital, que foi publicado e republicado no Diário Oficial da União. Desde então, vários aspectos do concurso geraram desencontros entre os artistas classisificados e os organizadores do certame. Protestos e mais protestos foram feitos através da internet, em blogs e principalmente na página eletrônica do MinC, onde diariamente as postagens dos leitores clamavam por mais atenção do Ministério com a classe dos artistas populares.
Desde o anúncio oficial dos classificados, o MinC entrou numa fase de total apagão em relação ao concurso, a despeito da cobrança constante dos que participaram, ansiosos por informação sobre a conclusão do prêmio. Lançado ainda na gestão do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel chegou a ponto de perder a credibilidade entre os participantes e alcançou com desgastes o novo comando do Ministério da Cultura, que a cada dia mais recuava diante do assunto. Nem mesmo a facilidade da comunicação eletrônica fazia com que os responsáveis pelo concurso dessem qualquer satisfação aos premiados. E dessa forma, tudo ia acontecendo ao deus-dará, fazendo crescer cada vez mais a angústia e a revolta. Finalmente, em outubro de 2011 o MinC deu início ao pagamento da premiação, embora à revelia dos contemplados que por acaso tomaram conhecimento. Mais uma vez, os organizadores do concurso deixaram evidente a desatenção com a classe artística popular.
Diante desses contratempos, é o caso de se indagar se a cultura popular é verdadeiramente valorizada no Brasil ou não. A realidade reflete o que o marketing governamental alardeia a respeito de incentivos à arte feita por pessoas simples, que exploram seu talento longe dos holofotes? Os artistas populares têm mesmo a devida consideração por parte do poder público, através de órgãos como o Ministério da Cultura? Ou é tudo um faz-de-conta? Devemos contar verdadeiramente com o amparo do governo na divulgação dos nossos trabalhos? Aqueles que de sua arte fazem meio de vida devem acreditar no auxílio do poder constituído?
Confiar na veracidade e honradez de concursos como esse ficou comprovado que é o mesmo que dar um tiro no escuro. Enquanto os participamentes do prêmio honraram pontualmente com as exigências rígidas e prazos do MinC, a recíproca foi bem diferente. A fexibilidade com as regras do edital em todo momento beneficiou apenas o lado deles. A presença da ministra Ana de Holanda e seus acessores ontem em Fortaleza deixava bem nítida tão-somente a estratégia de marketing. Tivemos bastante tempo para melhor ser vistos pelo MinC. Ou foi somente um cochilo da deusa Minerva?...

NOSSA LÍNGUA
Xandanga No MA e em PE é um dos sinônimos de xoxota. A mesma palavra em SP significa bunda, traseiro.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

PAPAI NOEL X PAPAI NOEL



A lenda do Papai Noel é atribuída à figura de São Nicolau, que nasceu por volta do ano de 350 d.C., e ficou famoso por sua generosidade com as criança. Acreditava-se que na véspera do dia de sua festa, 6 de dezembro, ele trazia presentes para os pequeninos. Já a imagem de um senhor gordo, o bonachão e vestido de vermelho é tipicamente norte-americana. Segundo a enciclopédia Delta, em 1822, o pastor Clement Moore descreveu pela primeira vez o traje de peles e o trenó puxado de renas. No século 19, o cartunista Thomas Nast fez uma sériee de desenhos que estabeleceram definitivamente a imagem de Papai Noel. (Da FOLHINHA)

♦♦♦

Uma das figuras mais descaracterizadas que já se intrometeram no nosso folclore é o Papai Noel. O "bom velhinho" jamais se adaptará simpaticamente ao nosso meio. Estereotipado para nós, o Papai Noel é o símbolo do consumismo importado dos Estados Unidos e chega-se a tornar ridículo, com seu trenó puxado a renas desfilando principalmente pelas estradas esburacadas e veredas do nosso imenso sertão. O maior protesto que conheço feito ao Papai Noel está nos versos dos poetas Geraldo Amancio e Oliveira de Panelas, sobre o mote: "Trinta Milhões de Crianças / Sem Noel e sem Natal". Algumas das estrofes:

"Criancinha do mocambo
Teu Papai Noel não vem
Pra te trazer um He-man
Ou um boneco do Rambo
Quando você, por um bambo
Vê um no comercial
Deseja pegar o tal
Porém teme aos seguranças
Trinta milhões de crianças
Sem Noel e sem Natal

Ou Papai Noel, por que
O senhor nunca visita
O guri da palafita
Que procura e não lhe
Ouvi tanto de você
'Tudo pelo social'
Chegou seu tempo, afinal
Restam amargas lembranças
Trinta milhões de crianças
Sem Noel e sem Natal

Criancinha magricela
Cadê teu Papai Noel
Esse homem de papel
Que entra pela janela?
Será que pela favela
Papai Noel passa mal
Por pensar que o marginal
Rouba as suas alianças?
Trinta milhões de crianças
Sem Noel e sem Natal"


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

145 ANOS DE FRED FIGNER
Pioneiro da indústria fonográfica no Brasil


Símbolo clássico da Casa Edson
No dia 2/12 comemorou-se o 145º aniversário de nascimento do empresário FRED FIGNER, pioneiro, responsável pelo início da história da música popular brasileira gravada. A primeira gravadora de discos do Brasil, Casa Edison, de propriedade de Frederico Figner & Cia. foi fundada em 1900 pelo empresário tcheco naturalizado americano, na rua do Ouvidor no Rio de Janeiro e se dedicava a vender aparelhos sonoros (máquinas falantes), cilindros, chapas, etc. Em 1901, Figner se associou à indústria de discos alemã Zon-O-Phone, pertencente ao conglomerado Carl Lindström, para lançar e gravar discos com exclusividade. Lá foi feito o primeiro registro fonográfico do Brasil, o lundu "Isto é bom" de Xisto Bahia, gravado por Bahiano, em 1902. Em 1913 Figner instalou no bairro de Vila Isabel a primeira fábrica de discos do Brasil, a Fábrica Odeon, com 500 funcionários e uma produção de 30 mil chapas por mês. Também fundou filiais em São Paulo e Porto Alegre. O Brasil se tornou, na época, o terceiro maior mercado discográfico do mundo, posto que perdeu depois da Primeira Guerra Mundial. Em 1930, a Transoceanic obrigou Figner a vender todo o patrimônio da Casa Edison, dominando, a partir de então, o processo de gravação no Brasil, ao lado de outras multinacionais, como a Columbia e a Victor. Com 40 mil títulos lançados ao longo de 28 anos, a Casa Edison marca a etapa heróica da gravação de discos no Brasil. A empresa funcionou até os anos 50, vendendo, como já vinha fazendo desde o início, mimeógrafos e máquinas de escrever.

(Via site Collector's http://www.collectors.com.br/)

NOSSA LÍNGUA
Despotismo No Nordeste, de acordo com Cantadores, do cearense Leonardo Mota, é sinônimo de "grande quantidade; coisa de exageradas proporções. Ex: Nas Santas Missões junta gente que é um despotismo."