sábado, 3 de dezembro de 2011

CRÔNICA


REVIVENDO UM GRANDE AMIGO

Pedro Paulo Paulino

Há 16 anos, na data de hoje (2/12), Canindé se despedia de Francisco Leônidas Vidal, nome dos mais conceituados e queridos nesta comuna. É com a mais sincera saudade que nestas linhas relembro a pessoa de caráter incomum que foi o Batestaca - seu apelido carinhoso. Em seu amplo círculo de amigos, entre os que estão entre nós seu nome é sempre relembrado com nostalgia e admiração. Cultor de boas relações, teve uma existência cercada de pessoas que nele encontravam o companheiro leal e puro. Laborioso em tudo, edificou uma reputação de alcance invejável, tornando-se um dos vultos mais populares de Canindé em seu tempo por todo este sertão.
Sua origem potiguar, do aventureiro que chegou em Canindé nos idos de 40, aos poucos foi perdendo nitidez para o conterrâneo nosso que se tornou o Batestaca em todas as suas afinidades com nossa terra e nossa gente. Homem simples, mesmo tendo subido os degraus da opulência, soube manter indelével sua modéstia a vida inteira. Do pequeno comerciante ao lojista respeitado, fazia questão de jamais negar sua origem humilde. Mesmo quando construiu seu vistoso prédio no centro comercial de Canindé, um dos primeiros edifícios modernos da cidade e onde reinstalou seu comércio, conservou o nome - A Lojinha -, sem esquecer o protótipo do grande empreendimento que o colocou entre os mais prósperos empresários destas plagas.
A história de vida de Francisco Leônidas Vidal é dessas que para um novelista já vem fermentada por si própria. Filho de pessoas modestas da cidade de Patu, ele veio a Canindé em busca do pai, que aqui chegou como pagador de promessas e estabeleceu-se. O reencontro de pai e filho fixou este definitavamente nesta cidade, onde trabalhou, casou, constituiu família, fama e prestígio. Espírito brando, Batestaca tinha o rosto iluminado sempre por um sorriso sem preço. A dimensão da sua benevolência podia ser avaliada em todos os momentos e em todos os setores a que ele comparecesse, da mais alta posição ao patamar mais simples da comunidade. E tudo indica que era nesta parcela da população onde a alma do nosso saudoso amigo mais se sentia livre.
Desportista, católico praticante, empresário, incentivador das artes, boêmio dos bons, amigo da poesia e bom contador de causos, em tudo Batestaca emprestava aquela alegria franca e espontânea. Ao lado de outros canindeenses de peso, dentre eles o professor Laurismundo Marreiro e seu irmão Marreirinho, Batestaca é uma dessas pessoas que se pode dizer deixou uma lacuna impreenchível numa mesa de amigos. A piada mais boba, saindo de sua boca, tinha graça. Amante da cultura, e autodidata, era um ledor voraz de bons livros, com predileção para os escritores nordestinos. Guardo na lembrança a imagem viva do Batestaca, onde quer que estivesse, sempre com alguma leitura à mão, fosse um livro ou o mais recente número da revista Seleções. Em seu escritório no comércio ou na sua sala de estar, certamente havia o que ler ao seu redor. E era poeta. Guardo como um tesouro alguns de seus versos manuscritos. O seu bom gosto estava presente em tudo. Essa sua inclinação para a cultura fazia-o sempre cercado dos debutandes das artes canindeenes, uma geração recente que produziu músicos, poetas, artistas plásticos e os atuais cordelistas de fama desta cidade. E mais à vontade ficava ele na presença de um violão, com cujos acordes casava bem a sua voz cantando alguma coisa do seu artista preferido, Augusto Calheiros.
O reconhecimento e o apreço que os canindeense lhe tinham inevitavelmente o conduziram à política local, elegendo-o, entre 1973 e 1976, vice-prefeito da cidade que foi então administrada por Walter Cruz Uchoa, outro canindeense ilustre. Antes disto, a gratidão da cidade que o acolheu, e que por ele foi acolhida, veio com o título de cidadão canindeense, iniciativa do vereador Tonico Marreiro. Outra prova do carinho dos nossos conterrâneos com Batestaca podia ser notada na legião de pessoas que o tiveram como padrinho de batismo, ao lado de sua esposa d. Hilda, com a qual construiu uma família de pessoas não menos queridas em nosso meio. De sua convivência com todos nós, guardamos na memória vários registros da existência marcante do Batestaca, que a todos chamava com carinho “meu nêgo” ou “cabra bom”. Era a sua marca expressiva.
Francisco Leônidas Vidal era desses homens para quem a solidariedade chegava a ser um imperativo, um lema de vida. Humanitário, sensível, grato e honesto, um dos raros caracteres de que tivemos a honra da sua convivência. Dono de uma sólida cultura cristã alicerçada em sua própria experiência de vida. É caminhando ainda pelas ruas desta tua cidade, enxergando em cada canto o teu riso pleno e suave, ouvindo em cada reencontro o eco da tua prosa cheia de graça, que com muita saudade brindo-te daqui à tua grande alma, cabra bom!

Leia também no site KANINDÉ CULTURAL: "Batestaca - o center ralf".

NOSSA LÍNGUA
Tirar o cabresto Tirar a virgindade de alguém.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

FILOSOFIA


TRÊS PÉROLAS DO LIVRO OS GRANDES
PENSADORES, DE WILL DURANT

Colaboração: Flávio Henrique

“SOBRE PLATÃO:
Seus diálogos constituem uma das maiores preciosidades do gênero humano. Pela primeira vez a filosofia toma forma, e pela exuberância atinge perfeição jamais observada. Quereis ouvir um nobre discurso sobre o amor e a amizade? Lede o Lysis, o Charmides e o Phedon, cujas derradeiras páginas são picos culminantes na história da prosa. Estais interessados nos mistérios da mente e do  conhecimento? Lede o Parmênides e o Teeteto. Tendes interesse em tudo? Lede A República, onde encontrareis metafísica, teologia, ética, psicologia, educação, estatismo, arte; e também feminismo, controle da natalidade, comunismo e socialismo com todas as suas virtudes e dificuldades, eugenia e educação libertária, aristocracia e democracia, vitalismo e psicanálise - que é que não encontrareis lá? Não admira que  Emerson aplicasse à República as palavras que o piedoso califa Omar escreveu no Corão: ‘Queimem-se as bibliotecas, porque neste livro está tudo.’ (p. 15)

SOBRE OS CEM MELHORES LIVROS PARA UMA EDUCAÇÃO,
ESCOLHIDOS  POR  WILL DURANT NA SUA OBRA:
Eis a nossa Odisseia de livros. É todo um mundo, contendo a excelência bem ponderada de cem gerações; mundo não tão belo e vivo como o da realidade - como a natureza e o homem, mas abundante de insuspeitada sabedoria e de inexplorada beleza. A vida vale mais que a literatura, a amizade suplanta a filosofia, e as crianças nos tocam a alma com música mais profunda que a de todas as sinfonias; mas ainda assim esses deleites vivos não desmerecem o prazer  secundário que em tais obras encontraremos. Quando a vida se torna amarga, ou os amigos fogem, ou nossos filhos nos abandonam a casa para a fundação de outro lar, resta-nos o consolo de sentar-nos a esta mesa com Shakespeare e Goethe, e rir-nos do mundo com Rabelais, e de contemplar a sua beleza de outono com Keats. Porque estes são amigos que nos dão unicamente o melhor, que nunca nos refogem e que sempre estão à nossa espera. Depois de frequentá-los por algum tempo e humildemente ouvi-los falar, curados estaremos de nossas enfermidades e conheceremos a paz que vem  da compreensão. (p. 60)

A OPINIÃO DO FILÓSOFO KEYSERLING SOBRE
O INDUSTRIALISMO NORTE-AMERICANO:
É conhecido o efeito desse sistema sobre o caráter. Por uma estranha inversão, o individualismo econômico rebenta em socialismo psicológico. A caça à riqueza  conduz à produção em massa, à estandartização dos produtos, gostos, ideias, almas; vender o mesmo artigo ao maior número de pessoas exige que grande número de pessoas tenham a mesma mentalidade; fazer o povo pensar e agir do mesmo modo é a função da propaganda comercial - gotas d’água que  caem incessantemente sobre o  cérebro humano até que  a individualidade se adormente e só fique o estereotipado. ‘Unicamente na América a propaganda pôde tornar-se uma indústria autônoma; sem a produção em massa, tal coisa seria impossível. Por meio dela forma-se em todos os campos uma opinião pública artificial, que se vai acumulando geometricamente graças à imitação, até tornar-se irresistível. O mais incrível ideal que o  homem jamais teve - o ideal do homem da rua’, o desejo de ser exatamente igual aos outros - amolda o vestuário, a conduta, o pensamento e até as caras do americano. Por fim, cada homem se torna duplicata de outro, e o grande valor da realidade espiritual, que é a personalidade característica, desaparece. (pp. 134-5)"

[Will Durant. Os Grandes Pensadores. 6.ª ed. Tradução de Monteiro Lobato. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1965.]

NOSSA LÍNGUA
Gasosa Em todo o Nordeste a palavra é usada como sinônimo de limonada gasosa ("água saturada de ácido carbônico e perfumada com sumo ou essência de limão", segundo o Dicionário Aurélio.)


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

COLABORAÇÃO


RECORDAÇÕES DE HIDROLÂNDIA

Francisco de Assis Freitas Silva

Outro dia relembrei dos bons tempos em que servi no destacamento da cidade de Hidrolândia, a terra das águas sulfurosas. Uma pequena cidade distante cerca de 130 quilômetros de Canindé, de povo ordeiro e acolhedor, dos quais ainda tenho boas lembranças e amizade sincera. Em 1998 fui lá para morar com minha família e trabalhar na companhia de meu irmão Eriberto e outros companheiros de farda sob a tutela do sargento, hoje subtenente, Ribamar. O trabalho era bem simples e as condições bastante precárias. Fazíamos o policiamento da cidade praticamente a pé. Às quartas e domingos pela manhã havia uma feira onde vendedores de outros municípios, como Ipu e Santa Quitéria, ofereciam diversos produtos, como frutas, legumes, feijão, rapadura e também confecções; então ficávamos no centro da cidade pela parte da manhã onde fazíamos também o policiamento externo do Banco do Brasil e ocasionalmente incursões nos três distritos do município, Betânia, Conceição e Irajá, em um veículo gol pertencente à polícia civil em lastimável estado de conservação, tão ruim estava, que o barulho da descarga que o mesmo fazia quando trafegava pelas ruas lhe rendeu o apelido de “trovão azul”.
À noite ficávamos na praça da matriz até às 23 horas, quando os alunos seguiam para os seus destinos na cidade e também na zona rural. Então, após uma ronda nos bairros, íamos repousar, ficando de sobreaviso para qualquer eventualidade. Em pouco tempo, a viatura foi devidamente aposentada e nós ficamos literalmente a pé. O comércio ilícito de entorpecentes, à época, era desconhecido dos policiais, fazendo com que as ocorrências mais corriqueiras fossem apenas embriaguez e desordem, brigas de casal e pequenos furtos, eventualmente. A cidade, para qualquer policial trabalhar era utópica.
O tempo foi passando e em 2002, ano da conquista do pentacampeonato mundial de futebol pela seleção brasileira, o inverno não era dos piores, e numa tarde de domingo por volta das quatro da tarde, mês de março ou abril, estávamos na delegacia eu e o soldado Villy, hoje sargento, quando chegou uma senhora de nome Maria, aparentando seus cinquenta anos de idade, semblante cansado, mas demonstrando ser forte, como assim são os sertanejos, pele fustigada pelo sol do sertão e com um ar de aflição e desespero. Ao entrar, ela foi logo relatando ao ‘seu Cordeiro’, como era conhecido o soldado Villy, que seu irmão desaparecera desde a manhã de sexta feira, afirmando que o ente querido havia saído de uma localidade denominada Riacho Verde, onde residia, com uma refeição para seu pai e um couro de carneiro para vender na feira de domingo, sendo que esta, ao chegar na manhã de sábado à casa do pai, um homem de seus setenta anos, foi logo perguntando pelo irmão e foi informada que o mesmo não chegara ao lar paterno.
Perguntamos se o ele possuía algum inimigo e ela citou que há pouco chegara um parente vindo do Maranhão que prometeu vingar a morte do avô. Ao relatar este fato, lembrei-me que, por volta dos últimos dias do ano de 2001, fomos acionados para uma ocorrência na mesma localidade, onde um homem havia lesionado um casal a golpes de faca, e este, segundo relatos das vítimas, chegara há pouco tempo das terras do honorável senador José Sarney. No momento deste fato, por volta das 21 horas, estava acontecendo uma comemoração por conta da reeleição do prefeito Luis Antonio de Farias e tivemos que nos deslocar até a localidade em questão e tentar prender o acusado, o qual não esperou tempo ruim e tomou rumo ignorado.
Retornamos para a cidade e fomos para a delegacia que ficava a poucos metros da comemoração e constatamos que a mesma havia sido arrombada e de seu interior furtado três armas de fogo, fruto de apreensões e com os inquéritos inconclusos. Posteriormente após uma investigação, descobrimos o autor da façanha, um menor conhecido por Paulo Sujeira, e recuperamos as armas roubadas. Saliento apenas que o prédio da delegacia era somente um quarto com banheiro às margens da CE 257 e sem a menor segurança. Voltemos então a nossa principal história.
O pai de dona Maria e do desaparecido era um ex-presidiário, apenado por prática de homicídio contra o próprio irmão, uns quinze anos antes, justamente o avô do acusado do desaparecimento. Findo o relato, pegamos a “viatura” que dispúnhamos – um gol vermelho, bem melhor que o trovão azul, que fora usado em um assalto ao Banco do Brasil de Santa Quitéria, apreendido pela justiça e emprestado a polícia de Hidrolandia, já que não dispúnhamos mais de veículo oficial – e nos deslocamos então até o lugarejo Riacho Verde. No local conseguimos uma D-20 emprestada de um comerciante e a deixamos na estrada alguns quilômetros depois, já que não dava mais para seguir em frente e fomos a pé o restante do caminho, passando por cercas e riachos, sendo necessário, em certos trechos, tirar as botas para que não se molhassem. Quando chegamos à casa do acusado no começo da noite, o chamamos e ele logo se apresentou, sendo rendido por nós, procedida uma busca de armas e em seguida o algemamos. Indagado a cerca das acusações que lhes eram imputadas, o mesmo respondeu com as seguintes palavras: não dou notícias desse povo, em seguida ajoelhou-se e ratificou o que disse: juro pela luz dessas estrelas que me iluminam que não sei e nem dou notícia desse povo.  Após, seguimos em direção a cidade e no caminho fiquei momentos a sós com o acusado, que se chamava Raimundo Mororó, enquanto que o soldado Villy seguiu em busca de um segundo suspeito, logo retornando com o acusado devidamente algemado.
Em volta da delegacia logo se formou uma multidão de curiosos. O segundo suspeito provou sua inocência e foi liberado, enquanto Raimundo negava com veemência, afirmando também ser inocente. Nesse meio tempo chegou um vereador, parente de vítima e acusado, que se ofereceu para intermediar a conversa. O vereador Evaristo Mororó chegou para o acusado e disse que se ele foi homem para matar também o fosse para assumir a autoria: “Raimundo, você jurou vingar a morte do seu avô, se foi você, seja homem e assuma o crime.” Nesse momento estávamos bastante cansados, molhados e sujos de lama, os cintos de guarnição com as armas tinham sido postos em cima de uma mesa, o homicida, ainda algemado, ficou de pé, olhou para nossas armas (momento em que achei que ele fosse esboçar alguma reação) e confessou secamente: “Fui eu. Vamos lá que eu mostro onde enterrei o defunto”. De volta ao local da captura do homicida, com a ajuda de populares, desenterramos a vítima, bem como o assassino nos mostrou onde escondera a arma utilizada, a carteira ainda com algum dinheiro e também uma bolsa contendo comida e uma pele de animal.
Com o objeto utilizado no hediondo ato, cortei um galho de jurema e consegui também uma rede, que foi utilizada para o transporte do cadáver, como nos cortejos fúnebres de antigamente, já que nessa época o IML só funcionava mesmo em Fortaleza. O corpo foi conduzido para o hospital de Hidrolândia, onde o médico plantonista, fazendo às vezes de legista, fez a necropsia, sendo constatado que a vítima sofrera nove perfurações, a maioria no tórax e uma no pescoço.
O assassino confesso foi recolhido à cadeia pública de Santa Quitéria por temermos represálias da família; posteriormente foi apenado com treze anos de reclusão no regime fechado, que evoluiu depois para o regime semi-aberto e hoje já está em total liberdade passados menos de dez anos do fato. Podemos supor com esta narrativa que o código de processo penal no Brasil parece ser ainda muito deficiente; os crimes mais comuns, assalto e homicídio, deixam graves sequelas psicológicos em vítimas (quando estas não morrem) e seus parentes, quando cruzam com seus algozes pelas ruas e avenidas das cidades em completa liberdade quando, pela pena aplicada, deveriam ainda estar em clausura. Juízes e promotores ficam de mãos amarradas e têm que pôr em prática as leis escritas no código de processo penal, enquanto assistimos às pessoas dizerem nas esquinas que nossas leis são ineficientes e ajudam a fomentar a impunidade e a violência; e só quem perde com um crime realmente não é quem fica preso ou a família da vítima, mas quem perdeu a vida. Dizem ainda que a polícia prende e a justiça solta, quando na realidade a polícia prende e a justiça apenas executa as nossas frágeis leis.

NOSSA LÍNGUA
Farnezim Incômodo, nervoso, agonia, no PI e na PB. Corruptela de frenesi, segundo a Grande enciclopédia internacional de piauiês, de Paulo José Cunha. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

CRÔNICA


Transcrevo hoje a crônica que o radialista Tonico Marreiro escreveu e leu em seu programa de rádio dominical. É uma homenagem a uma grande canindeense que tem um extenso trabalho social e humanitário: Odete Uchoa, que se destaca também pela sua atividade com a medicina popular através das plantas. Odete integra hoje a lista de Mestres da Cultura do Estado do Ceará e continua em plena luta na cidade de Canindé.

ODETE UCHOA – A DULCE DE CANINDÉ


Por: Tonico Marreiro
 Tenho sido repetitivo em afirmar no espaço desta crônica, que, a minha terra,Canindé, é um nascedouro de grandes talentos. Não que eu queira me incluir entre os grandes vultos que tiveram como berço esta nossa terra abençoada pelo Glorioso São Francisco. Mas, aqui, nasceram e se projetaram figuras de exponenciais talentos: Grandes poetas, como Clovis Pinto no passado, e, entre tantos vates de lá pra cá, uma geração atual de jovens poetas.
Canindé exportou para o Ceará, para o Brasil e para o mundo, economistas, advogados, engenheiros, odontólogos, luminosos professores, religiosos, jornalistas, radialistas, militares, empresários e muitos outros filhos desta terra que se destacaram no passado e se destacam no presente. Também aqui nasceram miracolosos e humanitários médicos, como um Dr. Tóia de imortal saudade, doutores João, Luiz e Chico Paiva, rebentos do grande e sempre lembrado senhor José de Freitas, sem esquecer, dentre outros, o Dr. Valdecy, filho do meu dileto amigo Edmilson Freire. Quem do meu tempo poderá esqueçer o “Farmacêutico dos Pobres”, Luiz Cruz? E nos dias de hoje, não reconhecer os prestimosos serviços do Dr. Valdery, filho do estimado amigo Zé Longá? (Aliás, o Dr. Valdery, quer me parecer que encarna o espírito do saudoso Luiz Cruz...) Com certeza, algum leitor atento há de se perguntar: eporque o Tonico não fala sobre as mulheres talentosas deste nosso Canindé... Boa ideia!Vou citar uma, para homenagear as grandes mulheres de Canindé. Do passado e do presente: ODETE MARTINS UCHOA! Aliás, eleita “Canindeense do Século” e laureada pelo Governo do Estado como mais uma “Mestra da Cultura”.
ODETE UCHOA é um dos muitos orgulhos que carrego no coração, quando eu encho o peito e digo com toda a minha euforia bairrista: ESSA É MINHA CONTERRÂNEA! Eu diria, por haver ela nascido nesta terra, encarnou de maneira sublime o espírito franciscana da humildade, do amor aos seus semelhantes, do apego aos pobres, aos quais já dedicou e vem dedicando os melhores dias da sua vida.
Com suas plantas medicinais, às vezes se assemelha a uma Irmã Dulce, levando o bálsamo das suas plantinhas salvadoras, curando ou amenizando a dor dos excluídos dos inconsistentes programas de saúde dos governantes de plantão. ODETE UCHOA, por haver feito essa franciscana opção pelos pobres, tem pago um preço duro e perverso, quando persseguida (aí sim!) por aqueles que fizeram suas opções pelos ricos, notadamente, as multinacionais dos remédios, remédios industrializados e proibidos ao bolso do indigente.
Todavia, o seu talento vai além dos seus valorosos e filantrópicos conhecimentos sobre as plantinhas medicinais. Ela é também poetisa... É claro! Prima que é do poeta Pedro Paulo Paulino não poderia ser diferente, visto que o DNA da poesia, não se descobre em laboratório. É dom de Deus que premia aos que têm a alma doce e sensível. Rendo hoje, no espaço desta CRÔNICA A VOZ AMIGA DO CANINDÉ, essa homenagem que vem do fundo do meu velho coração de canindeense bairrista, a essa incrível mulher. Sofrida, perseguida, injustiçada, mas, que não se desvia da tarefa que Deus lhe deu: amenizar o sofrimento dos excluídos dos programas sociais e de saúde dos poderes públicos.

NOSSA LÍNGUA
Rumbeira "Dançarina de circos do interior que usa biquíni". Dicionário Alagoano, Renato Oliveira.