sábado, 7 de maio de 2011

NOTÍCIA


CORDEL BATE RECORDE DE VISUALIZAÇÃO

O Blog VILA CAMPOS ONLINE, criado há um mês, já registrou perto de dez mil visualizações. O recorde no número de visualizações foi verificado no dia três de maio, na postagem do cordel MORTE E TESTAMENTO DE OSAMA BIN LADEM. Nesse dia, foram mais de seis mil visitas ao blog no Brasil, além de outras em vários países. No gráfico de Estatísticas do blog, até agora o cordel sobre a morte do terrorista ainda é a postagem mais visitada, atingindo em média 800 visualizações.
Além disso, vários blogs pescaram a postagem e publicaram em sua página principal, a exemplo do BLOG DA JANGA, do Portal TV Jangadeiro - Fortaleza. O PORTAL VERMELHO, um dos sites mais visitados no Brasil, também deu destaque para o cordel. O poeta Arievaldo Viana, em seu blog ACORDA CORDEL, afirma ter contabilizado um enorme índice de visualizações nesse mesmo dia, assim como no blog CORDEL PARAÍBA, do poeta Manoel Belizário. Vários outros blogs também publicaram o cordel sobre Bin Laden.
As milhares de visualizações, desde o dia três de maio até agora, ajudam a comprovar a importância da Literatura de Cordel ainda nos dias de hoje. Esse fato concorre também para a influência do Cordel como veículo informativo, que foi no passado e continua sendo, principalmente como divulgador de acontecimentos marcantes. A Enciclopédia Larousse, por exemplo, informa: “Por muitos anos, a Literatura de Cordel foi a principal forma de veiculação de informações conhecida no Nordeste: A morte de Getúlio Vargas, p. ex., vendeu 70.000 folhetos em 48 horas.”
Migrando das antigas folheterias para os meios eletrônicos de divulgação, o Cordel reafirma sua posição no ranking da literatura atual e social, como fonte de informação, entretenimento e cultura. Agora, que o Cordel junta-se à mídia eletrônica, a interligação entre blogueiros que desenvolvem ou valorizam essa Literatura é um fator relevante para a amplitude da divulgação de folhetos já impressos ou mesmo de publicações originalmente virtuais, a exemplo do cordel MORTE E TESTAMENTO DE OSAMA BIN LADEN. Nossos cordelistas reivindicam, no entanto, um basta na prática da pirataria impressa.

CORDEL DO MOMENTO


MORTE E TESTAMENTO DE OSAMA BIN LADEN

Pedro Paulo Paulino


Neste dia dois de maio,
Logo quando amanheceu,
A notícia estava solta,
O planeta estremeceu,
No rádio e televisão
Corria essa informação:
Que Bin Landen já morreu. 

A notícia dava conta
Que o famoso terrorista,
De quem os americanos
Há muito andavam na pista,
Foi executado então
No distante Paquistão,
O refúgio do extremista.

Seu retrato, na internet,
Para o mundo foi mostrado.
Bin Laden mais velho e morto,
O seu rosto ensanguentado.
Segundo corre a notícia,
Ele foi pela milícia
Com um tiro fuzilado.

A milícia americana,
Que depois de o executar,
Não encontrou neste mundo
Quem o quisesse enterrar.
Por falta de cemitério,
Adotaram o critério
De jogá-lo em alto-mar.

O fato causou impacto.
A notícia, num segundo,
Provocou tremendo abalo
E um alvoroço profundo,
Como se os americanos
Acabassem, com seus planos,
Todo o mal que tem no mundo.

Até João Paulo II
Que foi beatificado 
- Esse fato, nos jornais,
Ficou meio deslocado…
Do casamento real,
Não mais se fala, afinal,
O Osama é mais cotado.

Lá nos Estados Unidos
O povo comemorou,
Como sendo o maior feito
Que seu país conquistou.
Porém, nesse panorama,
Terá sido mesmo Osama
Que morto no chão tombou?

Essa pergunta intrigante
É feita por muita gente:
Por que pegar o defunto
E dar fim tão de repente?
Depois que correu a nova,
Por que não pegar a prova
E mostrar mundialmente?

O retrato de Bin Laden,
Que na mídia foi mostrado,
Pelo jeito, não convence,
Pois a cara do finado
Parece doutra pessoa
Ou mesmo um defunto à toa
Há muito tempo enterrado.

Eu mesmo fico na minha.
Já vi até um maluco
Dizer que Osama Bin Laden
(Ele diz, eu não retruco)
Não morreu nem foi embora,
Lá em Petrolândia mora,
Cidade de Pernambuco.

Eu não quero entrar no mérito
Dessa questão, no momento.
Mas, de tanto ouvir falar
Em tal acontecimento,
Sonhei enquanto dormia
Que Bin Laden então morria
E deixava um testamento.

Era um sonho muito claro
E eu vi com perfeição
O testamento que Osama
Escreveu de própria mão
Num caderno bem guardado,
E noutro caderno, ao lado,
Se encontrava a tradução:

“O que tenho pra dexar
Para toda a humanidade
É ódio, ira e rancor,
Destruição e maldade,
Muita guerra e assassínio,
Desunião, morticínio,
Tragédia e barbaridade.

Deixo o mundo fabricando
Bomba de destruição,
Mais gente igualmente a mim
Que sabe usar avião,
Sofisticado transporte,
Somente pra causar morte
Mantando de multidão!

Deixo os Estados Unidos
Agirem bem à vontade,
Assaltando o mundo inteiro
Sem ter dó nem piedade;
Deixo esse país injusto
Se apossando a todo o custo
Do resto da humanidade…

Deixo o Oriente Médio
Caindo sempre no abismo,
Mergulhado brutalmente
No seu Fundamentalismo.
A Europa, eu deixo inteira
Consumida na fogueira
Do seu vil Capitalismo. 

Pra meu colega Kadafi
Eu vou deixar reunidos
Os meus planos traiçoeiros
E bastante esclarecidos,
Pra num momento feliz
Saber fazer como eu fiz
Contra os Estados Unidos.

Eu deixo o Barack Obama
Fazendo como acontece,
Ou seja, o que Bush fez,
Que o mundo inteiro padece,
Principalmente o Iraque,
Pois de Bush pra Barack
A vingança permanece.

Para o mundo inteiro eu deixo
Meu precioso arsenal,
Muitas armas poderosas
Pra, numa guerra global,
Os povos beligerantes
Extinguirem, em instantes,
A humanidade em geral.

Eu deixo a poluição
Em todo o meio ambiente
Tomando conta da terra
Causando incêndio e enchente;
O mundo sem paciência
Aumentando a violência
E gente matando gente.

Brigando pelo petróleo
Vou deixar o mundo inteiro,
Banhado sempre de sangue
E menos hospitaleiro.
E deixo em cima da terra,
Da fatal terceira guerra
Bem começado o roteiro.

Ao Brasil, onde eu passei,
Eu deixo o povo mais rude
Sem amparo e educação,
Sem trabalho e sem saúde;
Pior do que no Iraque,
Deixo o tráfico do crack
Destruindo a juventude.

Do mundo que me despeço
Só levo um prazer profundo.
Estão todos enganados:
Eu fui mesmo vagabundo,
Terrorista e muito ruim,
Mas não é me dando fim,
Que dão fim ao Mal no mundo.”




Atenção, colegas cordelistas: tem muito inescrupuloso por aí pirateando nossos folhetos. Vamos respeitar os direitos autorais, gente!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

PRECE A S. FRANCISCO


SALVA, OH! FRANCISCO, TEU CANINDÉ…

Salva, oh! Francisco, teu Canindé, da peste e da praga de políticos maus e corruptos que destroem a cada dia a terra que te deu abrigo. Tu, que na terra foste o mais perfeito seguidor de Cristo, não mereces assistir a tanto desmando, desrespeito e incompetência daqueles que estão à frente do (des)governo desta cidade, adorada por todos que a visitam por causa do grande poder miraculoso da tua fé. Nós, canindeense, temos, oh! São Francisco, a infelicidade de conviver com o desleixo, a corrupção, a sujeira e os escândalos que rotineiramente tomam conta desta nossa cidade. Já faz muito tempo, muito tempo mesmo, que não temos o prazer de ver alguém, revestido de cargo público, que trabalhe com dignidade e perseverança pelo desenvolvimento do teu Canindé, que a cada dia vem sendo dilapidado, açoitado e assaltado por políticos interesseiros e desonestos.
De onde estás, oh! Francisco, deves estar com uma mão sobre o peito e a outra cobrindo o teu rosto, com vergonha de ver o que se passa nesta terra que é tua também. O teu povo já está cansado de testemunhar tanta miséria provocada pela falta de presteza e probidade dos ditos homens que a cada eleição – infelizmente para nós cidadãos – recebem o comando desta cidade. Diante de tando desmantelo, já não temos mais a quem apelar, a não ser a ti, oh! Francisco…
Deves saber que o prefeito escolhido por último tem-se comprovado o mais ineficaz, incompetente e infame dentre outros mais que, nestes últimos vinte anos, foram eleitos para (des)governar tua terra. É pesaroso e angustiante andar nas ruas onde milhares de teus fiéis desfilam em fervorosa romaria a cada ano! Falta pavimentação, diginidade, humanização e higiene em todos os logradouros desta cidade. Até mesmo o monumento erguido em tua memória encontra-se abandonado, sem término e às escuras.
Em teu Canindé, oh! São Francisco, falta assistência à saúde, à educação, às ações sociais. Falta moral, pudor e honradez ao prefeito e seus sequazes. Falta, mesmo, coragem no povo para reagir. Se não sabes, oh! Francisco, temos uma câmara de vereadores vilipendiada e corrupta também, repleta de falsos representantes do povo – vereadores sem retidão e torpes, que se vendem e deixam à revelia sua verdadeira missão.
É dolorosa, oh! Francisco, a falta de idoneidade e competência do atual prefeito no momento decisivo em que todos nós ansiamos pela vinda de um hospital de grande porte para esta cidade. Temos aqui o hospital que leva teu nome, o qual já não tem mais condição de atender a contento nossos enfermos. Amarguramos a infelicidade, oh! São Francisco, de não termos um representante nosso nas esferas maiores do Poder Legislativo. Por isto, caminhamos tristes, de pires na mão, mendigando a atenção e os favores de políticos alheios à nossa realidade.
Quanto é lamentável, oh! Francisco, econtrar-se tua terra em condições tão deploráveis como estas, quando aqui poderia ser um chão próspero e digno, que oferecesse melhores condições de vida à sua gente, mais segurança, emprego, escola, saúde e bem-estar social. Teus fiéis romeiros não recebem aqui o apoio merecedor. A Canindé só vêm, em louvor exclusivo a ti, pois aqui tudo lhes falta, até mesmo o devido reconhecimento por parte das autoridades públicas. Faça, oh! São Francisco, com que Canindé justifique ser a terra que abriga o segundo maior Santuário em tua honra.
Contritos, rogamos a ti, que interceda pelo teu Canindé, fazendo surgir em seu cenário homens honrados e competentes para governar esta cidade. Creia-nos, oh! São Francisco, que já temos vergonha de afirmar nossa naturalidade de canindeenses. Faça com que esta negra realidade mude um dia, que teu Canindé ainda veja pessoas decentes, íntegras e trabalhadoras governando o destino deste chão que te acolhe e que tem em ti seu mais poderoso homem e santo. Este apelo, fazemos-te, oh! São Francisco, cheios de piedade e de inteiro coração, cientes da tua enorme influência perante Jesus Cristo e Deus Pai, pois só estes poderão dar jeito no nosso e teu querido Canindé. Amém.

♦♦♦

(Irmão conterrâneo: faça esta prece e transmita-a para todo bom canindeense que se preza e que se acha envergonhado de tantos maus-tratos, imoralidade e sem-vergonhice por parte dos que (des)governam Canindé.)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

PERSONAGEM


PREFEITO VITALÍCIO
Prefeito de Vila Campos

Cosme Paulino Viana tem 83 anos e jamais em sua vida submeteu-se à disputa de qualquer cargo público. Mesmo assim, ele é o eterno “prefeito” de Vila Campos, lugar onde nasceu e vive até hoje. O apelido de Prefeito, ele diz que ganhou quando ainda era estudante do Instituto Frei Matias, em Canindé, isso lá pelos idos de 40. “Foi meu professor Mundim Martins que, certa vez, botou a mão na minha cabeça e disse que eu era o prefeito de Vila Campos”, afirma.
O apelido pegou. Por aqueles tempos, sair da zona rural e estudar em Canindé era privilégio de bem poucos meninos. No caso de Cosme Paulino, a vocação de vaqueiro falou mais alto, e ele voltou para a Vila, alcançando a fama de vaqueiro e dos bons. Nessa atividade, contabiliza muitas vitórias na vida de gado. Porém, não esconde uma derrota: foi correndo atrás de boi que ele perdeu o olho direito. “Faz parte do negócio”, conforma-se.
Aboiador, Prefeito foi um dos pioneiros, nos anos 80, na gravação de um compacto (disco em vinil) cantando vaquejadas ao lado da Rainha dos Vaqueiros e Mestra da Cultura do Ceará, Dina Martins. E orgulha-se de até hoje jamais ter deixado de participar da Missa dos Vaqueiros na Festa de São Francisco de Canindé. Como todo vaqueiro que se preza, mantém sempre bem tratado seu cavalo bom de sela. Na qualidade de Prefeito, é um dos mais queridos e com melhor índice de aceitação. Da meninada aos mais velhos, é prezado  por todos.
A mesma distinção goza a primeira-dama de Vila Campos, Susana Viana, que teve a honrosa e árdua missão de meter o bê-á-bá na cabeça de um sem-número de crianças da Vila e redondezas. Indagado do que faria se fosse prefeito de verdade, Cosme Paulino é taxativo: “Seria prefeito e vaqueiro”.
Ontem, 1º de maio, o Prefeito de Vila Campos completou 83 anos de vida. Filhos e netos reuniram-se em sua casa, na vila de Campos Velho, e comemoraram a data. E aqui, deixamos nossa homenagem ao nosso Prefeito vitalício.

domingo, 1 de maio de 2011


AQUELA QUINTA-FEIRA SANTA…

…Era mesmo típica, calma e envolvida pela atmosfera sacra prenunciando o dia da Paixão de Cristo. Tudo chamava a atenção para o dia seguinte. Os costumes, obedecidos à risca: abstinência de carne, principalmente. Bebida alcoólica, nem pensar. Para os consumidores contumazes, permissão apenas para uma moderada taça de vinho, e pronto. O reencontro de entes queridos no lar, tudo em ambiente de total serenidade. A própria natureza comungava tacitamente dessa harmonia: manhã tranquila, pressagiando um início de tarde daqueles mais circunspectos, infundindo em nosso espírito a prudência e o respeito.
Eu até já me sentia, nesta quinta-feira santa que passou, o menino obediente e quieto que se portava como manda o figurino neste período litúrgico. Nada de excessos naquele dia, que, além do seu caráter sagrado, cobrou-nos a nossa atenção cívica, por ter sido também o dia de Tiradentes. A paz e o sossego deste recanto onde moro contribuíam para dar àquela quinta-feira o tom correto de Dia Grande, como aqui se costuma dizer.
Mas eis que de repente, o clima monástico foi quebrado e todo o protocolo também. A aura santificada evaporou-se num átimo, como se um tornado – redemunho mesmo, aqui pra nós – tivesse alterado a ordem de cada coisa. Ocorre que, avistei aproximando-se do pátio da minha casa, um comboio de quatro carros, isto mesmo, que chegou trazendo muita gente e muita alegria. De uma hora para outra, pensei que estivesse vendo alguma miragem. Mas a ilusão de uma ilusão óptica foi logo desfeita, quando a caravana esbarrou e seus componentes começaram a desembarcar, um a um. Eram eles, meus amigos Marreiro, que chegavam. A princípio, deduzi que fossem cerca de oito pessoas, depois contei minuciosamente dez.
Capitaneando a tropa, estavam Demétrius e Lia, que pela terceira ocasião dão-me o prazer de suas visitas. Fiz minha vez de anfitrião surpreendido mas não menos à vontade, principalmente, quando atentei para as ofertas que os visitantes me traziam de modo explícito. Demétrius e Lia de longe ostentaram uma garrafa da aguardente mineira Ferreira Januário (até então desconhecida para mim), que eles trouxeram de seu recente passeio pelas Alterosas. Minha surpesa cresceu com o maço de cigarros de palha que eles também me presentearam, original da terra de Tiradentes, coincidência ou não no seu dia. Isto, só para começar.
Improvisamos nossa tenda debaixo do sombreado de um pé de cajá-umbu que tem no meu quintal. A segunda providência foi arquitetar uma churrasqueira (que peixe coisa nenhuma!). Narcélio provou sua habilidade nesse ponto. E a descontração correu à solta. Um violão decorativo ilustrava o cenário, de vez que ninguém ali, para nosso bem ou mal, dedilhava o pinho, embora alguém ainda tenha mostrado alguma prática nessa arte. Todos já vinham muito animados, pois, durante o trajeto Canindé-Vila Campos, fizeram uma escala providencial no estabelecimento de um certo Zé Baderna, que, pelo que sei, a despeito do nome do dono, é um ambiente pacífico.
Um breviário de boa prosa e poesia foi então aberto. Os brindes amiudaram. Cada um de todos contou uma história divertida, ou uma observação curiosa, ou uma piada inteligente, ou uma rima, ou ensaiou alguma cantiga. Não faltou, claro, a narrativa dos causos admiráveis e jocosos de Canindé e até mesmo aqui da Vila. Severino, lúcido sempre, pedia vez em quando um aparte para contar alguma coisa espirituosa. A tarde também foi ficando inebriada, a ponto de chover à beça, fazendo correr todo mundo para o alpendre da casa.
E antes que o programa encerrasse, foi conveniente uma esticada até à vila de Campos Velho, onde fica a capela de S. Roque. Não que fôssemos para lá, pois a caravana rumou decretado para o barzinho do lugarejo. Ali, até um torneio de sinuca aconteceu. É oportuno frisar que toda essa gente veio aqui na mais perfeita ordem (alfabética): Demétrius, Francisco, Lia, Lucas, Marreiro Neto, Mayara, Narcélio, Severino, Socorro e Widja. E, para provar que não estou faltando com a verdade, o jovem casal Lucas e Widja registraram a ocasião com uma excelente câmera digital e muita sensibilidade.
Assim como aconteceu, confio que todo sacrilégio será perdoado…

Para ver as fotos, clique no link abaixo:
http://www.flickr.com/photos/widjaq/sets/72157626566117288/