domingo, 13 de maio de 2012


ESTRELAS DE MAIO

O mês de maio assinala várias efemérides na vida de grandes artistas da Música Popular Brasileira, dentre eles:

No dia 4 de maio, fez 75 anos que o compositor, cantor e violonista NOEL ROSA nos deixou. Nascido e criado no bairro carioca de Vila Isabel, colaborou para transformar o bairro em ponto-chave no mapa do samba brasileiro. Mesmo tendo morrido com apenas 26 anos, deixou mais de 200 composições, entre elas inúmeros clássicos indiscutíveis como Palpite infeliz, Feitiço da Vila, Conversa de botequim, Último desejo, Silêncio de um minuto, Pastorinhas e Com que roupa?. Desde a adolescência mostrou gosto pela música e pela vida boêmia, deixando de lado os estudos e o curso de medicina sonhado pelos pais. Criou fama de bom violonista no bairro e em 1929 foi chamado para integrar o Bando dos Tangarás, ao lado de João de Barro, Almirante, Alvinho e Henrique Brito. Suas primeiras composições foram gravadas por ele mesmo em 1930: Minha viola e Festa no céu. Desde cedo Noel mostrou grande aptidão para o humor, para o relato do cotidiano urbano, do amor nem sempre idílico, da realidade nua e crua e, dependendo do ponto de vista, muito engraçada. Exemplos de seu bom humor são Coração (samba anatômico), lembranças do curso de medicina), Mulher indigesta, Com que roupa?, Tarzan, o filho do alfaiate (com Vadico), Gago apaixonado, Cem mil-réis (com Vadico) e muitas outras. Já sua faceta cronista do Rio de Janeiro dos anos 20/30 se revela em Conversa de botequim (com Vadico), Coisas nossas, O orvalho vem caindo (com Kid Pepe), O X do problema, Três apitos. Noel vendeu alguns sambas a cantores e teve outros gravados, sendo conhecido no rádio. Mário Reis, Francisco Alves e principalmente Aracy de Almeida foram alguns dos intérpretes mais notórios de seus sambas. Com Mário Reis chegou a excursionar pelo sul do país, atuando como violonista. No ano de 1933, depois de gravar sucessos como Até amanhã, Fita amarela e Onde está a honestidade, aconteceu o primeiro “round” de seu desentendimento com o sambista Wilson Batista. Da rixa saíram as músicas Lenço no pescoço (Wilson), Rapaz folgado (Noel), Mocinho da Vila (Wilson). O segundo “round” deu-se em 1934, com Feitiço da Vila (Noel), Conversa fiada (Wilson), Palpite infeliz (Noel) e Frankenstein da Vila (Wilson). Nesse mesmo ano de 1934 casou-se com Lindaura, apesar de sua notória paixão pela dançarina de cabaré Ceci, para quem compôs suas músicas mais líricas, como Último desejo, Dama do cabaré, Pra que mentir (com Vadico) e Quantos beijos (com Vadico). Apesar da tuberculose que o atacou desde cedo, obrigando-o a internações em sanatórios, jamais abandonou a boêmia, o samba na rua, a bebida, o cigarro. Depois de sua morte, em 1937, sua obra caiu em um certo esquecimento, sendo redescoberta por volta de 1950, quando Aracy de Almeida lançou com enorme sucesso dois álbuns de 78 rotações com músicas suas. Desde então passou a figurar na galeria dos nomes fundamentais do samba.

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A cantora DALVA DE OLIVEIRA completaria, no dia 4 de maio, 95 anos de idade amanhã, dia 05.05.2012. O pai era saxofonista e clarinetista amador em Rio Claro (SP), e a menina acompanhava o conjunto do pai em serenatas e bailes. Com a morte do pai quando ela tinha apenas oito anos, foi para um orfanato e um pouco depois juntou-se à mãe em São Paulo, onde trabalhou como babá e arrumadeira de hotel e cozinheira. Arranjou um emprego de faxineira numa escola de dança, e lá costumava cantar e improvisar ao piano depois das aulas. Um professor a ouviu cantando e conseguiu que ela integrasse um grupo musical, com o qual viajou por algumas cidades do interior. O grupo acabou e, sem dinheiro, fez um teste para a Rádio Mineira, em Belo Horizonte. Foi aprovada e adotou o nome artístico que a consagraria. Mudou-se em seguida para o Rio de Janeiro e acabou arranjando uma vaga na Rádio Ipanema depois outras emissoras até parar na Philips. Na década de 30 formou o Trio de Ouro com Nilo Chagas e Herivelto Martins, com quem acabou casando. O grupo emplacou clássicos como Praça Onze (Herivelto e Grande Otelo) e Ave Maria no morro (Herivelto). Trabalhou nas principais rádios da então capital do país, cantou no famoso Cassino da Urca. Em fins de 49, separou-se de Herivelto e em 1950, lançou três grandes sucessos: Errei sim (Ataulfo Alves), Que será (Marino Pinto e Mário Rossi) e Tudo acabado (J. Piedade e Oswaldo de Oliveira Martins). Fez sucesso ainda com "Segredo" (Herivelto e Marino Pinto), Olhos verdes (Vicente Paiva), Ave-Maria (Vicente Paiva e Jayme Redondo), A Bahia te espera (Herivelto e Chianca de Garcia) e outras músicas. Em 1951 foi eleita Rainha do Rádio e excursionou pela Argentina e Europa. Outro grande sucesso foi a gravação do baião Kalu (Humberto Teixeira), acompanhada pela orquestra do maestro Roberto Inglez. Morou por um tempo em Buenos Aires, depois voltou ao Brasil nos anos 60 e continuou em atividade gravando sucessos como as marchas-rancho Rancho da Praça Onze (João Roberto Kelly e Chico Anysio), Máscara negra (Zé Keti e Pereira Matos) e Bandeira branca (M. Nunes e L. Alves), do Carnaval de 1970, seu derradeiro e imortal sucesso. Até o fim da vida se apresentou em casa noturnas e programas de televisão.

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No dia 7 de maio, foi o 119º aniversário de nascimento do compositor, poeta, escritor e jornalista ORESTES BARBOSA. Aprendeu a tocar violão ainda na infância. Mais tarde trabalhou em redações de diversos jornais do Rio de Janeiro e publicou seu primeiro livro de poemas em 1917, Penumbra sagrada. Como jornalista, militou politicamente através de seus artigos, tendo sido preso por esse motivo algumas vezes. Acabou escrevendo o livro Na prisão, com seus relatos do cárcere. Escreveu outros livros de poesia e prosa antes de fazer suas primeiras letras para música: Romance de Carnaval, valsa em parceria com J. Machado, e "Bangalô", com Osvaldo Santiago. Compôs também nos anos 30 com o maestro J. Thomaz, Heitor dos Prazeres (Nega, meu bem), Nássara (As lavadeiras, Caixa Econômica) e Noel Rosa (Positivismo). Outros parceiros foram Custódio Mesquita ("Flauta, cavaquinho e violão"), Francisco Alves (Adeus, Dona da minha vontade), Wilson Batista (Abigail, Cabelo branco), Ataulfo Alves e Silvio Caldas, com quem compôs várias músicas, entre elas "Arranha-Céu, Suburbana, Serenata, Quase que eu disse, Torturante ironia e seu maior sucesso, Chão de estrelas, considerado um dos hinos da MPB. Entre valsas, foxes e sambas, suas composições foram gravadas por intérpretes como Castro Barbosa, Silvio Caldas, Carlos Galhardo, Aracy de Almeida, Orlando Silva e Zezé Gonzaga.

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No dia 10 de maio, faz 66 anos da morte do poeta, compositor, cantor e teatrólogo CATULO DA PAIXÃO CEARENSE. Filho de Amâncio José Paixão Cearense (natural do Ceará) e Maria Celestina Braga (natural do Maranhão). Mudou-se para o Rio em 1880, aos 17 anos, com a família. Trabalhou como relojoeiro. Conheceu vários chorões da época, como Anacleto de Medeiros e Viriato Figueira da Silva, quando se iniciou na música. Integrado nos meios boêmios da cidade, associou-se ao livreiro Pedro da Silva Quaresma, proprietário da Livraria do Povo, que passou a editar em folhetos de cordel o repertório de modismos da época. Catulo da Paixão Cearense passou a organizar coletâneas, entre elas O cantor fluminense e O cancioneiro popular, além de obras próprias. Vivia despreocupado, pois era boêmio, e morreu na pobreza. Em algumas composições teve a colaboração de alguns parceiros: Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Francisco Braga e outros. Como interprete, o maior tenor do Brasil, Vicente Celestino. Suas mais famosas composições são Luar do Sertão (em parceria com João Pernambuco), de 1914, que na opinião de Pedro Lessa é o hino nacional do sertanejo brasileiro, e a letra para Flor amorosa, que havia sido composta por Joaquim Calado em 1867. Também é o responsável pela reabilitação do violão nos salões da alta sociedade carioca e pela reforma da ´modinha’.

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O cantor e compositor JAMELÃO completaria, no dia 12 de maio, hoje 99 anos de idade. Conheceu ainda na infância os primeiros componentes da Mangueira, e integrou a bateria da escola tocando tamborim. Logo aprendeu cavaquinho e passou a cantar em gafieiras, influenciado principalmente pelo estilo de Cyro Monteiro. Em 1945 participou do programa Calouros em Desfile, comandado por Ary Barroso, interpretando "Ai, que saudades da Amélia", de Ataulfo Alves e Mário Lago. A partir daí conseguiu trabalhos no rádio e em boates, participando também como crooner da Orquestra Tabajara de Severino Araújo, com quem excursionou à Europa. Consagrou-se principalmente como cantor de samba, emplacando sucessos como Fechei a porta (Sebastião Motta e Ferreira dos Santos), Leviana (Zé Kéti), Folha morta (Ary Barroso), Não põe a mão (P.S. Mutt, A. Canegal e B. Moreira), Matriz ou filial (Lúcio Cardim), Exaltação à Mangueira (Enéas Brites e Aluisio da Costa), Eu agora sou feliz (com Mestre Gato), O samba é bom assim (Norival Reis e Helio Nascimento) e Quem samba fica (com Tião Motorista). Nos anos 50 começou a atuar como puxador de samba-enredo para a Estação Primeira de Mangueira tornando-se uma referência obrigatória no gênero. Foi o maior intérprete dos sambas-canções doloridos de Lupicínio Rodrigues, como Esses moços, Ela disse-me assim, Torre de Babel, Quem há de dizer, Sozinha e Exemplo.
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A cantora ÂNGELA MARIA completa hoje 84 anos. Abelim Maria da Cunha, verdadeiro nome de Ângela Maria, nasceu em Macaé, RJ, em 13 de maio de 1928. Filha de pastor protestante, passou a infância nas cidades fluminenses de Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti, e desde menina cantava em coro de igrejas. Foi operária tecelã, mas sonhava com o rádio, embora a família – por princípios religiosos – fosse contra a carreira artística. Por volta de 1947, começou a freqüentar programas de calouros. Apresentou-se no Pescando Estrelas, de Arnaldo Amaral, na Rádio Clube do Brasil (hoje Mundial), na Hora do Pato, de Jorge Curi, na Radio Nacional, e no programa de calouros de Ari Barroso, na Rádio Tupi. Usando o nome de Ângela Maria, para não ser descoberta pela família, participou também do Trem da Alegria, dirigido pelo “Trio de Osso” (os magérrimos Lamartine Babo, Iara Sales e Heber de Bôscoli), na Rádio Nacional. Logo sua voz foi se tornando conhecida dos ouvintes, o que dificultou sua participação nesses programas, pois ela estava deixando de ser caloura. Nessa época, era inspetora de lâmpadas numa fábrica da General Eletric e, decidindo tentar realmente a carreira de cantora, abandonou a família e foi morar com uma irmã no subúrbio de Bonsucesso. Em 1948 conseguiu lançar-se como crooner no Dancing Avenida. Em sua noite de estreia, cantou Olhos verdes (Herivelto Martins e Benedito Lacerda). No dancing, foi ouvida pelos compositores Erasmo Silva e Jaime Moreira Filho, que a apresentaram a Gilberto Martins, diretor da Rádio Mayrink Veiga. Feito o teste, começou carreira na emissora, interpretando musicas de Othon Russo e Ciro Monteiro, compositores quea ajudaram a criar um repertório pessoal, abandonando a influência de Dalva de Oliveira. Firmando-se a partir de 1950 como intérprete, em 1951 estreou em disco com Sou feliz (Augusto Mesquita e Ari Monteiro) e Quando alguém vai embora (Ciro Monteiro e Dias Cruz), na Victor. No ano seguinte, sua gravação do samba Não tenho você (Paulo Marques e Ari Monteiro) bateu recordes de venda, marcando o primeiro grande sucesso de sua carreira. Durante a década de 1950, atuou intensamente no rádio, apresentando-se na Rádio Nacional, nos programas de César de Alencar e Manuel Barcelos, e na Rádio Mayrink Veiga, como a estrela de A Princesa Canta, nome derivado de seu titulo de Princesa do Rádio, um dos muitos que recebeu em sua carreira. Em 1954, em concurso popular, tornou-se a Rainha do Rádio, e no mesmo ano estreou no cinema, participando do filme Rua sem sol, de Alex Viany. Apelidada Sapoti pelo presidente Getúlio Vargas, tornou-se a cantora mais popular do Brasil durante a década de 1950, alcançando os maiores êxitos com os sambas-canções Fósforo queimado(Paulo Marques, Milton Legey e Roberto Lamego), Vida de bailarina (Américo Seixas e Chocolate), Orgulho (Valdir Rocha e Nelson Wederkind), Ave Maria no morro (Herivelto Martins) e Lábios de mel (João Vilaça Júnior e Nage), alem da canção afro-cubana Babalu (Margarita Lecuona). Voltando a gravar na RCA Victor em fins da década de 1950, em 1963 viajou para Portugal e África, cantando para soldados portugueses que então lutavam nas colônias. Um de seus grandes êxitos na segunda metade da década de 1960 foi a canção Gente humilde (Garoto, Chico Buarque e Vinícius de Moraes). Em 1975, com 25 anos de uma carreira de muitos sucessos, preferia apresentar-se em clubes do interior ou em churrascarias das grandes cidades, ambientes onde, ao contrario da televisão e das boates sofisticadas, sentia mais de perto a reação do povo. Em 1979, com João da Baiana, participou do documentário Maxixe, a dança perdida, de Alex Viany. Em 1982 foi lançado o LP Odeon com Ângela Maria e Cauby Peixoto, primeiro encontro em disco dos dois intérpretes. Em 1992 apresentou-se com Cauby no show Canta Brasil, com grande sucesso de publico, sendo lançado em disco Ângela e Cauby ao vivo (RCA/BMG, 1992).

Considerada, ao lado de Elis Regina, uma das mais puras vozes da musica popular brasileira, continua a apresentar-se em espetáculos e em televisão.

Via Site COLLECTOR'S.

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