sexta-feira, 23 de setembro de 2011


MÁQUINA DE ESCREVER



Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.

Vende esse rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.

Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.

Vende, além das gravatas, do chapéu,
meus sapatos rangentes. Sem ruído
é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.

Vende meu dente de ouro. O Paraíso
requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.

Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.

Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.

Pode vender meu próprio leito e roupa
para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe, mas poupa
esta caduca máquina em que escrevo.

Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas, tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.

Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro,
mas não! ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!

Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical.

Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.

Pois será para ela uma tortura
sentir nas bambas teclas solitárias
um bando de dez unhas usurárias
a datilografar uma fatura.

Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.

Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.

Giusepp Ghiaroni (1919-2008)

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

notícia


CÂMARA CONGRATULA TONICO MARREIRO


Tonico com a faixa de protesto no 7 de Setembro 

A Câmara Municipal de Canindé, no dia 8 de setembro, apresentou Moção de Congratulações ao radialista Tonico Marreiro pela sua manifestação no Dia da Pátria em defesa da reposição das luminárias decorativas da basílica de São Francisco. Num gesto cívico e de amor à sua terra, no Dia da Independência Tonico chamou a atenção do público quando manifestou pelas ruas da cidade seu protesto, conclamando a comunidade franciscana local para a importância da preservação da cultura religiosa canindeense. Uma faixa foi exibida aos populares e às autoridades lembrando o Cânone 23 que trata das tradições e costumes religiosos.
O reconhecimento do legislativo canindeense foi uma proposta da vereadora Maria Coelho (PSDB). Para Tonico, esse gesto representa mais um passo nessa campanha que ele vem empreendendo desde o ano passado, quando foram retiradas as luzes decorativas da fachada da basílica. “É importante que cada canindeense veja o significado desse protesto em favor de um dos maiores atrativos da festa do nosso santo padroeiro, e que é uma tradição com mais de 80 anos”, explica. Abaixo, o teor do ofício de agradecimento que Tonico enviou à Câmara:

“Canindé, 21 de Setembro de 2011.

Excelentíssima Senhora.

Sirvo-me do presente, para agradeçer a Vossa Excelência e aos demais parlamentares que compõem o altaneiro Parlamento da minha querida terra natal, Canindé, pela apresentação, votação e aprovação da Moção de Congratulações 015/2011, a este simplório canindeense, que nada mais fez do que cumprir o seu dever de cidadão, nascido aqui, neste antigo ‘Bairro Alto do Tiro’. Neste ensejo, passo às mãos de Vossa Excelência, um exemplar da revista ‘SÚPLICA CANINDEENSE’, escrita e editada por mim, custeada por amigos conterrâneos, no ano passado, 2010, quando iniciei esta batalha que julgo seja dever de todos nós, em defesa da cultura religiosa da ‘Terra de São Francisco’, componente exponencial da história canindeense, cujas páginas, desde 1956 (vide revista), veem sendo rasgadas por quase todos os vigários que por aqui passaram, num grosseiro desrespeito à própria história da presença dos Padres Seculares, a partir do primeiro Vigário - Padre Francisco de Paula Barros, e, posteriormente, da proveitosa passagem dos Frades Capuchinhos, tendo à frente o maior benfeitor desta Paróquia, Frei Matias de Ponterãnica. Como ex-vereador, componente desta Augusta Casa, sugiro respeitosamente às Senhoras e Senhores Vereadores que hoje são meus representantes ligítimos, discutam esse assunto, elaborem um documento apolítico e respeitoso e façam chegar às mãos do Senhor Provincial – Frei Marconi Lins e ao Senhor Vigário – Frei João Hamilton para que revejam mais este mal causado a história desta cidade que São Francisco escolheu para operar com seus excelsos milagres.

Agradecido,

Antonio Gonzaga Marreiro
(Tonico Marreiro)

Excelentíssima Senhora
Vereadora Mariinha Coêlho
Camara Municipal de Canindé”



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

crônica


21 DE SETEMBRO – DIA DO RÁDIO

Pedro Paulo Paulino

Destaco a folhinha esta manhã e vejo que hoje é o dia do Rádio. A efeméride é, mais do que tudo, uma homenagem justa ao meio de comunicação de massa ainda mais popular. É provável que em toda a mídia o rádio ainda seja o campeão de audiência. A praticidade de um recptor de rádio (presente agora até nos telefones celulares) além do seu preço irrisório e sua manutenção quase de graça, faz do rádio o mais autêntio dos aparelhos de informação e entretenimento. Comparativamente, o rádio supera todos os outros instrumentos de comunicação a distância inventados depois dele. Um radinho de pilha, em qualquer lugar do mundo pode captar várias emissoras, sem os obstáculos enfrentados por outros equipamentos, como a carência de sinal de recepção, antenas externas etc.
Meu fascínio por rádio vem desde menino, um hábito herdado de meu pai, que era um ouvinte contumaz. Com ele aprendi a ouvir os melhores comunicadores da década de 80. No noticiário, a audiência imbatível era do Peixoto de Alencar, cujo slongan muita gente ainda recorda: “Peixoto de Alencar quando fala, o Ceará escuta”. Outro grande noticiarista, Cid Carvalho, ainda atua na radiofonia de Fortaleza. Pelo sucesso que fazia, parece que o Ceará inteiro combinava para ouvir de manhã o programa “Guajará no Varandão”, do Guajará Cialdini, a meu ver o maior apresentador de forró do rádio cearense em todos os tempos. A mesma dose de audiência repetia-se com os programas vespertinos de José Lisboa e Aurélio Brasil, verdadeiros ídolos do povão.
Giovana Paulino e meu antigo receptor
de ondas curtas, modelo Semp
E antes que a região do Sertão Central ficasse pulverizada de emissoras, principalmente através da Rede Uirapuru de Rádio, do ousado José Pessoa de Araújo, o que se escutava mesmo por aqui, além das emissoras da Capital, eram as rádios Difusora Cristal de Quixeramobim e a Rádio Tupinambá de Sobral. Lembro da expectativa com que o ouvinte esperava o programa “Seu Presente é Música”, nas tardes da Rádio Tupinambá. Os locutores dessa época eram verdadeiras estrelas. A vinda de um profissional desses de Fortaleza para uma cidade interiorana representava o que hoje significa a visita de um artista de TV. Eram todos locutores de excelente voz e comunicação atraente, fazendo cada um a seu modo o seu estilo de apresentar.
As emissoras de rádio estão presentes agora em quase todas as cidades do Estado. E há cidades com mais de uma rádio, a exemplo de Canindé onde operam duas emissoras AM e três FM. O número de emissoras cresceu bastante, mas admite-se que a qualidade do rádio que é feito caiu sensivelmente. O despreparo ou meramente a falta de vocação estão levando para emissoras interioranas uma safra de maus profissionais. O ouvinte sensível é comparável ao leitor sensível: ambos percebem a falta de traquejo de quem está comunicando por um meio ou pelo outro. Com preferência para o rádio AM, sou um consumidor voraz da programação diária de emissoras tradicionais no Brasil, o que me é permitido por um antigo receptor de ondas curtas e, mais recentemente, pela internet, com quem o rádio em boa hora fez proveitosa aliança. Do notíciário ao entretenimento, o rádio é um ingrediente no meu e no nosso dia a dia. Meu leitor amante do rádio há-de concordar comigo que aquela música que tanto nos delicia, quando tocada no rádio, tem um magnetismo muito maior. Viva o dia do Rádio!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

artigo


HEROIS

Francisco de Assis de Freitas Silva*


Ao amanhecer do dia milhões de pessoas saem de seus lares e partem em busca do pão de cada dia na luta diária pela sobrevivência em suas mais variadas ocupações. Sapateiro, gari, operário da construção civil, médico ou empresário, todos têm lá seus afazeres e ao final do dia retornam para o seio de sua família. Na absoluta maioria das vezes todos têm a plena certeza que voltarão para seus entes ao fim de sua jornada, e que seu trabalho não acarreta riscos para sua vida, com raríssimas exceções. Entre os que arriscam suas vidas estão motoristas, que invariavelmente podem sofrer algum sinistro no trajeto que percorrem, seja nas ruas das cidades ou mesmo singrando as estradas nos mais distantes rincões do nosso Brasil Varonil. Outra classe que corre riscos diversos é a de policiais e pessoas ligadas à segurança pública, também incluídos os agentes penitenciários e bombeiros; estes profissionais ocasionalmente são vitimados durante o exercício de suas funções por pessoas que estão à margem da lei ou por conta de acidentes inerentes ao atendimento de ocorrências, como é o caso dos bombeiros.
Independente da função que exerçam, a maioria destes profissionais pode ser considerada um herói para seus familiares. O que são ou como surgem os heróis, não importa. Surgem do nada, de uma ação inesperada ou por conta das circunstancias que a caixinha de surpresas que é a nossa vida diária nos proporciona. Então pergunto o que nós podemos falar a respeito dos heróis? Será que eles são capazes de feitos memoráveis, ou que são superiores aos demais seres humanos? Não. Ou será que são capazes de enfrentar Titãs, Colossos e Leviatãs, como os mitológicos gregos? Também não. Podemos falar apenas que eles são meramente como nós, simples seres humanos, perecíveis e cheios de defeitos. São filhos, pais e também são irmãos. Têm irmãos e família, amigos e conhecidos que se preocupam com ele. Infelizmente na nossa vida cheia de perigos e com a profissão que abraçamos, não temos nunca a certeza do dia de amanhã. Às vezes esperamos a morte numa traiçoeira emboscada, numa ocorrência fútil. Uma bala perdida ou uma faca empunhada por alguém buscando nossa jugular para extrair nossa vida.  Estes são os nossos heróis. Não os da ficção, mas nós mesmos, de carne e osso, com nossas imperfeições, arrogâncias, prepotências e virtudes, que trabalhamos duramente para dar a nossos filhos e esposa um dia melhor com um pouco mais de conforto e sonhos no futuro, e com a esperança de alcançar uma aposentadoria com saúde, e aí sim, ser considerado um herói por ter passado 30 anos nesta profissão tão cheia de obstáculos, esquivando-se dos perigos do dia a dia e sem nenhuma mácula na ficha profissional.
Às vezes as preocupações com os perigos do cotidiano são tão inúmeras que esquecemos que nosso corpo pode ser um inimigo em potencial e nos trai. Deixa-nos vulneráveis e nos leva prematuramente ao encontro do Criador. Não sem antes lutarmos com todas as forças, usar de todos os recursos que a medicina e o conhecimento humano são capazes para nos esquivarmos do destino fatídico. Foi desta maneira que Deus quis que nosso amigo Arleno fosse levado embora. De repente, os sintomas e o diagnóstico de um tumor no cérebro. Como uma notícia desta chega até um de nós e de que forma reagiríamos? Cada qual a sua maneira, ele reagiu como um herói. Alguns de nós o chamávamos de homem de ferro, o herói dos quadrinhos, por estar sempre disposto a tirar um serviço extra. Lutou bravamente por sua vida, tendo sempre a seu lado outros heróis, seus irmãos, principalmente o colega de profissão Júlio, sempre trazendo notícias sobre a evolução de seu quadro clínico após a cirurgia e o internamento em UTI. Como no dia de sua morte, segunda feira 10 de maio de 2010, quando Júlio esteve pela manhã no quartel e falou com alguns policiais, informando sobre seu estado de saúde, falando que ele estava bem e se recuperando. Ao entardecer recebi a notícia inesperada. Uma infecção hospitalar causada por uma bactéria minou a vida de nosso amigo. Nossos heróis são assim, não ganham todas as batalhas. Outro herói é o sargento Antonio Carlos Nunes Pierre, que ingressou na Polícia Militar do Ceará em 20 de janeiro de 1992, na cidade de Fortaleza, juntamente comigo, quando após um curso de formação de seis meses fomos servir no Batalhão de Choque. Passados alguns meses consegui uma transferência pra meu torrão natal, onde estou até hoje.
Meu amigo Pierre continuou no BP choque, na função de armeiro e, vez por outra, nos encontrávamos esporadicamente por conta do trabalho. Então, depois dum período sem contato, foi com grande satisfação que o reencontrei em Sobral em 2010, num dos encontros dos supervisores e fiscais do núcleo de policiamento comunitário da Zona Norte, onde os supervisores e fiscais do Ronda trocam idéias e experiências, capitaneados pelo tenente coronel Mendonça, coordenador do núcleo sediado em Sobral e composta por diversas cidades. Além de Canindé, Sobral, Itapipoca e Crateús, também conta, dentre outras, com as cidades de Tianguá e Viçosa do Ceará, terra natal do sargento Pierre e para onde o mesmo foi deslocado para assumir as funções de fiscal do Ronda, desde que o projeto lá foi implantado.
Viçosa do Ceará, com suas belas paisagens, clima ameno e de povo ordeiro e acolhedor, teve, no dia 04 de julho de 2011, seu silêncio e paz característicos de uma bucólica cidade, ultrajada por uma horda de mais ou menos 12 a 15 homens fortemente armados com fuzis e escopetas invadindo-a em plena luz do dia em busca de dinheiro do Banco do Brasil. A população em polvorosa acionou seus guardiões, a polícia militar, representada em Viçosa, assim como em Canindé, pelos policiais do Ronda e do POG, porém com um diferencial, Canindé por ser maior, conta com um efetivo mais numeroso que o de Viçosa do Ceará. Fato que ajuda a explicar o número pequeno, para não dizer inexistente, de crimes de grande repercussão. A situação que os policiais encontraram lá não foi das mais amigáveis. Os bandidos os receberam a tiros de fuzil, e os policiais tiveram que reagir. Por estar em menor número e tendo que proteger a população que foi usada como escudo, os policiais tiveram que cessar o revide, entretanto o sargento Antonio Carlos Nunes Pierre teve a infelicidade de ser alvejado na perna esquerda por um tiro de fuzil, uma arma de guerra que os facínoras não hesitam em usar no meio da população desprotegida. A conseqüência do ferimento foi a perda do membro atingido e o encerramento da carreira do nobre militar. Fato que causou tristeza e revolta na população de Viçosa.
A felicidade é que o sargento Pierre está vivo para contar sua história e terá sempre com o apoio da família e de seus amigos, bem como da corporação, como o próprio me relatou em conversa telefônica recente. Concluo este relato falando de um homem respeitado e admirado por todos os que com ele trabalharam e conheceram, por sua liderança, conduta, disciplina, honestidade, coragem, perícia e destreza no manuseio de armas de fogo, dono de uma paciência inesgotável quando ministrava alguma instrução aos seus subordinados ou mesmo superiores hierárquicos, além de exemplar marido e pai de família; refiro-me ao subtenente Parente, já bastante conhecido em nosso município por seus relevantes serviços prestado à corporação e sociedade canindeense, falecido, vítima da ação de marginais, no dia 10 de setembro de 2011. Diante deste fato e das lembranças do onze de setembro de 2001, completando uma década à época da confecção destas linhas, difícil não perceber como os heróis são pouco lembrados com o correr dos anos e diante de fatos de maior magnitude como assim foram os atentados da fatídica data; pouca gente lembra e a mídia deixou passar em branco, mas em nove de setembro de 2001, foi morto, em atentado à bomba, o líder da resistência afegã contra o regime Talibã, Ahmad Shah Massoud, conhecido como o leão de Panjishir, e que certamente iria ajudar aos americanos na busca por Bin Laden nas montanhas do Afeganistão, onde buscou abrigo após os atentados.
O subtenente Parente foi alvejado numa emboscada em Fortaleza com tiros, mas durante a abordagem ele conseguiu ainda matar um e ferir outro dos facínoras, entretanto diante do número maior e da covardia, foi ferido nas costas e veio a falecer nas enfermarias do IJF. Diferentemente dos feitos do herói afegão quase esquecido, os atos de bravura e coragem do sub Parente, como nós o chamávamos, e sua eterna lembrança estarão para sempre na memória de seus familiares e seus inúmeros amigos e admiradores. São assim nossos heróis. Deixam-nos saudades e lembranças, porém o seu legado nos faz mais fortes para abrir nossos olhos e vermos as injustiças tão grandes deste mundo e erguermos nossos braços para lutarmos contra elas e assim, nas palavras de um grande escriba, temos a imorredoura esperança de que dias melhores nos aguardam.

*Cabo PM, colaborador do blog.


domingo, 18 de setembro de 2011


VIVA O POETA!

O blog parabeniza hoje o poeta Arievaldo Viana, que comemora 44 anos de existência. Cordelista premiado, parceiro de vários trabalhos, tenho a honra da sua amizade desde os bons tempos de ginásio, em Canindé. Irmão de poesia, filho das bandas dos sertões de Canindé-Quixeramobim, devoto de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, apóstolo de Leandro Gomes de Barros e José Pacheco, é um artista polivalente de nome já merecidamente consagrado. Parabéns, poeta!

Viva o poeta que vive
Mais um ano em sua vida!
Um ano pede a saída,
Porém outro já revive.
Poeta, nunca se prive
De paz, amor e bondade.
Pra nossa felicidade
Fica mais velho um poeta:
ARIEVALDO COMPLETA
44 DE IDADE.

44 de vida
Não sei quantos de Cordel,
Pois a vida e o menestrel
Se confundem na corrida.
Na subida e na descida
Têm igual velocidade.
Passado deixa saudade
Futuro tem sua meta:
ARIEVALDO COMPLETA
44 DE IDADE.

♦♦♦

POLÊMICA VIRA POESIA

A polêmica surgida em Canindé sobre a retirada das luzes decorativas da basílica de S. Francisco, e que ganhou as páginas do blog, vem rendendo muita audiência e comentários dos nossos leitores. Não é nossa intenção acender a polêmica, e sim, ver acesas de novo as luzinhas que tanto embelezavam a basílica, um dos monumentos mais visitados por católicos em todo o mundo. O tema tocou a sensibilidade também da jovem estudante canindeense Raynnara Magalhães, de 13 anos, que nos manda os seguintes versos de sua autoria:

O MEU GRITO

Canindé está tão triste
Com tão lúgubre aparência
É que as luzes da... Basílica
Ficaram só em reminiscência
Depois que um filho bastardo
Fez o povo de abestado,
Quis mandar com veemência.

Muita gente vem de fora
De carro, caminhão ou a pé
E tomados de emoção
Alimentam sua fé
Quando viam São Francisco:
- Valeu a pena todo risco
Cheguei, enfim, a Canindé.

Ao ver a Basílica, porém
Os olhos choram de tristeza
- Não estão em festa? - perguntam
- Cadê aquela beleza?
É que mandaram apagar a luz
E o romeiro: - Meu Jesus,
Quem fez tanta malvadeza?

Violar o que se diz
No Cânone 23?
Nada tenho a acrescentar
Ao que foi dito outra vez.
Canindé, você acorde!
Que esse vigário não pode
Pôr fim à história de vocês.

Eu tenho muita pena
Das futuras gerações
Que, provável, não verão o brilho
Que enternecia os corações
E 85 anos completaria
De sentido preenchia
As preces e orações

Com essa mania de achar
Que o povo não tem voz
Com todo o fôlego eu grito
E repito Celso Góis 
Que com o coração em apuro
Implora: Mesmo no escuro,
São Francisco, rogai por nós.