O MAL NAS TEIAS DA INTERNET
Alerta aos internautas, principalmente aos jovens
Alerta aos internautas, principalmente aos jovens
que buscam com avidez o uso da tele-informática
Pedro Paulo Paulino
Pedro Paulo Paulino
Outro cientista, o brasileiro Santos Dumont, suicidou-se ao ver o avião que ele inventou sendo utilizado na guerra. Há poucos anos, vimos esse meio de transporte fantástico sendo dominado por loucos para derrubar as Torres Gêmeas, provocando a morte de milhares de civis. Já nos primórdios da nossa evolução, o homem inventou a lança, com a qual abatia animais para o alimento das tribos primitivas. Mas em pouco tempo, a lança já estava sendo utilizada pelos primeiros guerrilheiros para matar seres humanos.
A história comprova que toda invenção humana tem duas faces: a do bem e a do mal. Sem a faca de cozinha, com que vamos cortar a carne e preparar nossa refeição? Essa mesma faca, nas mãos de um criminoso, pode tirar uma ou mais vidas humanas. Tudo, afinal, que o homem fabrica, tem uso diferenciado, conforme a intenção.
Nos fins do século passado e início deste século, a maior revolução na vida prática aconteceu com a popularização da internet, esse invento maravilhosamente humano. A rede mundial de computadores já faz parte do dia a dia de milhões de pessoas. A internet permite a realização de atividades como correio eletrônico, grupos de discussão, pesquisas, transferência de arquivos, lazer, compras etc. Tudo isso instatâneo! Pela internet, nos comunicamos em tempo real com um ente querido distante. Nas empresas e repartições públicas, a internet é hoje um recurso indispensável.
Lamentavelmente, a internet também já é uma ferramento a serviço do mal.
Exemplo recente causou escândalo em Canindé. A exposição de meninas em cenas de sexo explícito na internet, gerando inclusive a produção e comercialização de DVDs, nos dá uma medida do quanto arriscado é o uso inescrupuloso da informática. Jovens foram expostas ao escárnio e à zombaria pública, numa espécie de vingança que nos faz pensar no castigo de Afrodite, a deusa da beleza e do amor, na mitologia grega. Diz a lenda, que o esposo de Afrodite, enciumado, prendeu-a, juntamente com o amante dela, numa teia invisível e inquebrável para exibir a traição aos outros deuses do Olimpo.
A internet, a grosso modo, está se tornando essa teia inquebrável e invisível, já que seu endereço físico não está em lugar nenhum, mas seus endereços virtuais estão em todos os cantos do planeta. É preciso, portanto, muito cuidado para não cair nessa teia cibernética, que na proporção em que canaliza o bem, canaliza o mal. Com o progresso incrivelmente rápido da informática, já não temos mais a privacidade de outros tempos. De todos os modos, somos observados hoje em dia: pelo cartão eletrônico, pelas câmeras ocultas, pelos minúsculos gravadores, pelos aparelhos celulares, enfim, por uma parafernália – extremamente útil mas extremamente perigosa!
O episódio que tomou conta da cidade há pouco tempo, atraindo a curiosidade de muita gente, serve de parâmetro para nosso comentário. Estamos, assim, testemunhando que até a prática do sexo, uma necessidade imperativa de todas as espécies vivas, é também utilizada em determinados casos para fazer o mal. Apoteose do amor, o sexo é a glorificação sublime e secreta de uma relação a dois, e meio natural e irrevogável de reprodução. Vulgarizá-lo e utilizá-lo para macular alguém, gerando constrangimento e vergonha, trauma e desonra em famílias, nem é animalesco nem humano – é crime. O caso das jovens de Canindé expostas ao ridículo na internet, provocando uma onda impiedosa de humilhação e gracejos de mau gosto, virando até mesmo caso de polícia, nos faz concluir cabalmente que, em tais casos, em vez de amor – fez-se guerra.



