sexta-feira, 8 de julho de 2011

poesia

LAMENTO DE UM CANTADOR

João Siqueira de Amorim, grande poeta cearense natural de Barbalha, Ceará (913), foi também fenomenal cantador. Filho de pais humildes, não teve sequer o curso primário.Começou a cantar em 1928. Formou dupla com o violeiro Domingos Fonseca. Exerceu o jornalismo. Funcionário público aposentado. Chegou em Fortaleza no ano de 1935 onde foi colaborador nos jornais "Gazeta de Notícias", "O Estado", "O Povo" e "Correio do Ceará", no qual manteve a secção "Poesia Popular" de parceria com DomingosFonseca. Sócio efetivo da Associação Cearense de Imprensa, desde 1950. Siqueira de Amorim fundou em Fortaleza, em 1956, um jornalzinho com o nome "A Voz do Cantador", órgão da Associação dos Cantadores do Nordeste, saindo seu primeiro número em 1/1/1956. Autor do livro "Ecos da Juventude" (1949). A certa altura da existência, perdeu totalmente a voz. Seu desabafo em versos é de um lirismo instigante:

Passarinho lavandeira,
Canta e diz para a cidade
Que a viola do Siqueira
Emudeceu de saudade!...

Qual a razão, quais o males
Que fiz aos meus semelhantes
Para perder minha voz
No curso de alguns instantes?
Às vezes, sonho cantando,
Mas é o sonho enganando
As minhas cordas vocais;
De alegria me transbordo,
Porém depois quando acordo
Tudo é mudez… nada mais.

Quanta tristeza me invade
Quando a manhã vem raiando:
Eu ouço o concerto alegre
Da passarada cantando…
Acordes da melodia
Trazem aquela alegria
Da aurora que surge além,
Enquanto eu, mudo, enlutado,
Me lembro que no passado
Já fui cantador também.

Em certas horas soluço
Qual um órfão pela rua;
Chora comigo a saudade
Nas noites claras de lua…
Meus tempos de cantorias,
Meus “quadrões”, minhas porfias,
No litoral, nos sertões.
O sabiá sem gaiola
Perdeu a voz, a viola,
O sonho, a rima, as canções…

Nesses momentos divinos
Sob estranhos pesadelos,
Chegam-me versos e rimas,
Mas eu não posso dizê-los:
Minha viola querida
Lá num canto emudecida,
Como quem tudo perdeu.
Quero cantar, como outrora,
Procuro a voz, foi embora,
Minhalma também morreu!...

Fonte: O Dossiê do Fonseca
Colaboração: Arievaldo Viana

crônica

SERENATA DE CHUMBO

Pedro Paulo Paulino

A cidade despertou plena madrugada com aquele estrondo. O povo, atônito, saiu à rua. Era uma madrugada até então serena como sempre. A brisa de julho vagava por cada fresta. O silêncio, agora bruscamente quebrado, nada mais comunicava que o espanto geral. O que seria? A indagação nos rostos cheios de sono àquelas duas horas da manhã era indiscutivelmente assombrosa. Nada, antes do anoitecer, dera indício do sinistro. O pavor crescia ante o inexplicado. E todos deixaram seus leitos e correram sem saber para onde, ansiosos por desvendar o mistério…
Não, não estou dando início a nenhum conto de pavor, mesmo porque não sou do ramo. Além disso, é preciso muita imaginação hoje em dia para competir com a realidade. A sequência do primeiro parágrafo está nos fatos relatados na imprensa há mais de dois dias, quando foi noticiado o ataque a banco na pequena Caridade, cidade satélite de Canindé que há menos de mês reverenciou festivamente o santo de sua proteção, Santo Antonio.
Notícias deram conta de que “cerca de oito homens fortemente armados explodiram o caixa eletrônico de um posto de autoatendimento bancário e levaram todo o dinheiro que havia ali, cerca de R$ 215 mil”. Tudo isso aconteceu quando a população dormia seu sono de cidade pacata, no início da madrugada do dia seis de julho. Um espetáculo criminoso. Ousadia, técnica e perícia. Fatos assim estão se tornando corriqueiros. É contado o dia em que não se tome conhecimento de um assalto a banco, e não só à noite, mas em plena luz do sol. Os bandos de assaltantes, fazendo uso de dinamite, aperfeiçoaram com traquejo sua técnica. Sabem perfeitamente a carga exata e o local exato da explosão – e, principalmente, o momento exato! Os despojos do ataque são milhares em espécie. A fuga é, sempre, perfeita.
Não é que não houvesse fatos assim em outros tempos. Porém, com a sofisticação de agora, isto sim, é incrível. Evidentemente, há todo um aparelho auxiliar aos meliantes, não só humano como tecnológico. Eles sempre saem vitoriosos. Agem invejavelmente bem armados. A força policial é acionada, o Estado expede em vão a busca aos infratores e… eles voltam a atacar novamente. A população já teme tanto uma agência bancária como ao próprio inferno, pois é no ambiente de um banco que se torna mais vulnerável. O assunto é grave e de melindroso trato. A perseguição ao vil-metal extrapolou qualquer barreira. Só uma pergunta: terão os mais bem aquinhoados que recorrer novamente à velha botija enterrada,  para preservar o seu tesouro? 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

espetáculo

O FORRÓ DE GILBERTO GIL

Silvio R. Santos

Gilberto Gil em Canindé
22h15min de 07 de julho, depois de breve anúncio, sobe no palco erguido na praça dr. Aramis, em Canindé, totalmente lotada, o esguio músico, trajando jeans e camiseta escuros e tênis claros, local em que estivera testando o som por volta de quatro da tarde. De guitarra em punho, com  vitalidade que apresentaria em todo decorrer de um show de duas horas, Gilberto Gil entoa as frases da primeira música da noite, uma canção de seu disco Fé na Festa, lançado em 2010 e dedicado ao repertório junino. Gil recupera um gênero que tem sido profundamente deturpado pela voragem comercial das bandas de baile nos últimos anos, com graves prejuízos em sua autenticidade no decorrer desse caminho. Acompanhado por excelentes músicos, com pelo menos dois virtuoses, na rabeca e no acordeom, num entrosamento sem hesitações, com um gingado permanente no palco, garantido por sua forma física excepcional, o show do autor de Drão, teve como suporte clássicos de Luíz Gonzaga como Baião da Penha e Xote das Meninas,  numa interpretação renovada, mas que faz justiça ao original, sem achegas, reduções ou ousadias malsucedidas.  A voz de Gil é aguda e límpida, como sempre foi, o que lhe permite efeitos, onde o falsete é um dos mais simples.  Baião, xote, xaxado, reggae, samba esses foram os ritmos que predominaram nessa noite em que o diálogo constante do artista com o público, tecendo explicações simples mas profundas sobre as músicas que executava, encantou a multidão que compareceu à praça. Em face de duas situações inusitadas (uma consentida), na outra, dois jovens irromperam no palco para abraçar o cantor, saiu-se muito bem, enquanto a segurança a postos resolvia cumprir o seu papel. Ao pedir água à produção Gil entoa versos de Tenho Sede, composição de Dominguinhos e Anastácia, num belo momento de improviso. A vitalidade do artista é tanta que chega a ofuscar a beleza das músicas que canta, como quando executa com agilidade passos de xaxado, pontos de umbanda e frevo, isto em primeiro momento, porque logo, qualquer um se deixa envolver pelo som do seu forró pesado.  Minha Princesa Cordel, executada utilizando a parceria virtual de Roberta Sá, tema de uma telenovela, foi uma das músicas mais ovacionadas pela platéia. O clássico Não Chore Mais (No Woman no cry) foi cantado em versão bilíngüe. O swing de Toda Menina Baiana,  Madalena, Expresso 2222,  Nos Barracos da Cidade, tocada já em momento em que voltou para atender ao pedido de bis da platéia,  proporcionaram grande momentos dançantes, assim como do seu último disco, o temático Fé na Festa, o arrasta-pé Assim, sim. Vindo de uma longa e vitoriosa carreira, tendo estado presente nos principais momentos de renovação da música nacional, Gilberto Gil não fez adesão de última hora à música nordestina, o acordeom é um dos instrumentos que conhece bem. Na verdade é um pesquisador dessa tradição, com incursões fundamentais pelo rock, pela balada romântica,  por músicas de grande profundidade filosófica. Sua desenvoltura no forró é a mesma de quem já emplacou sucessos como Eu só Quero um Xodó, Esperando na Janela e Lamento Sertanejo.  O show de ontem é o mesmo com que já percorreu em turnê a Europa, no ano passado. Nada mal para quem chegou a bem vividos 69 anos, em 26 de junho último.



quarta-feira, 6 de julho de 2011

crônica


O BAÚ DO SÉCULO

Pedro Paulo Paulino

“O Baú da Gaiatice”, livro do poeta Arievaldo Viana, foi lançado em Canindé em junho de 1999, portanto, no último ano do século passado. (Dá um estremecimento na alma quando se fala no século que passou, tendo sido nós personagens dentro dele. E mais atônitos ainda nos deixa a ideia de que essa época também fechou o milênio. Mas o nosso comentário aqui não é em torno do tempo e sim do livro.) O próprio Ari não recorda a data exata do evento, sabe apenas que foi numa noite de fogueira, mais provavelmente de S. Pedro. O que todos nós recordamos com fidelidade é que foi um momento de glória para o poeta e, de sobra, para todos nós que temos nosso nome registrado nessa publicação humorística. A solenidade de lançamento aconteceu no salão do extinto Bar Canindé nº 2, então comandado por nossa amiga Socorro Bastos. Naquele momento, juntou-se ali de alma nova a turma de amigos canindeenses que vez por outra alegremente vão bater à porta do Parnaso.
Para dar um ar mais festivo àquela noite, Arievaldo teve a diligência de contratar o sanfoneiro Pedro do Edmundo, um dos melhores puxadores de fole desta região e que ainda vem ser parente do nosso poeta. A cerimônia, capitaneada pelo radialista Assis Vieira e coordenada pelo Beethoven (Toinho Pereira), teve a nota certa para a ocasião. Tudo aconteceu de modo espontâneo e muito espirituoso. Aberta a solenidade, vieram em seguida os discursos, comentários, encômios, palmas e os primeiros brindes. Não faltaram as tiradas jocosas do Jota Batista que além disso encantou a plateia com a voz e o violão. Airevaldo, protagonista da festa, em algum momento deixou a mesa de autógrafos, pegou do microfone, fez recitações e debulhou gaiatices de dentro e de fora do seu “Baú”.
A poesia matuta teve seu momento de graça com as declamações eloquentes do poeta Natan Marreiro. A certa altura, também fui intimado a dizer alguma coisa para a plateia, como mostram raras fotos que Ari desenterrou de um velho álbum. Quem também figurou por lá e nada declamou foi o poeta Mário Lira, que guarda inédito desde brochote o seu livro de sonetos “O Braço de Deus”. Não se sabe até hoje por que cargas dágua o literato Silvio R. Santos deixou de comparecer. Ele mesmo não sabe. Presença infalível nessas ocasiões, atendeu ainda ao convite o Capitão Arimateia Bezerra, profundo entusiasta da cultura canindeense. E, para dar mais peso ao acontecimento, o editor do livro, vindo de Fortaleza, Vescenço Fernandes. Além desses, muitos populares prestigiaram a festa, convidados ou não.
“O Baú da Gaiatice” veio assim à lume no último ano do século XX naquela noite distante de junho. Foi um marco literário, depois do longo hiato que separava a cultura local da aclamação pública. Durante longo tempo, não se via publicada uma obra mais vultosa na cidade, além de pingados folhetos artesanais de cordel ou trabalhos fortuitamento saídos na imprensa mirim. O livro de Arievaldo há pouco já havia sido lançado em Fortaleza e foi comentado na imprensa alencarina, entre outras, por uma das melhores penas do jornalismo cearense, o saudoso Blanchard Girão. O sucesso editorial do “Baú” puxou no ano seguinte a segunda edição da obra; ambos os volumes estão entre os melhores desse filão literário. Ainda sobre o lançamento em Canindé, é desnecessário dizer que o sarau foi bem regado. Ari confessa ainda que não tem nem a microrrecordação de como a festa terminou. Nem eu. Mas, folheando agora o “Baú” doze anos depois, lembro o corre-corre do Ari para publicar seu livro, indo a uma porta e outra, pressuroso em busca de apoio patronal e editorial, como que vendo a hora o século terminar e a obra não sair da gaveta. Seu esforço não foi em vão. Efetivamente, o século passou e a obra ficou.

Arievaldo autografa o livro. Natan Marreiro (de costas),
 Toinho, Mário Lira, Itamar Lima e Capitão Ari
Declamando versos de Patativa
Ao lado, Arievaldo e Toinho Pereira (Beethoven)





terça-feira, 5 de julho de 2011

data


TRÊS MESES NO AR

PPP: diletantismo gratificante
O blog VILA CAMPOS ONLINE completa hoje três meses de existência. Atingimos até agora aproximadamente 15 mil visualizações. Além do Brasil, temos público em outros países, com mais frequência Itália, Estados Unidos e Portugal. É uma visitação modesta perante a de sites veteranos. Mas, como não estamos primando por quantidade, a qualidade de nossos visitantes fiéis nos deixa muito recompensados. Como espaço informativo e cultural, já acumulamos um arquivo bem diversificado, procurando atualizar nosssa página diariamente, salvo raras excessões. Isto é possível, acima de tudo, graças à gentil colaboração de amigos, incentivadores e simpatizantes que comungam desta iniciativa. Sem qualquer fim lucrativo, o que temos auferido neste período é a construção de novos e produtivos contatos, com pessoas bem mesmo distantes, justificando com isso uma das prerrogativas da internet, qual seja, de estreitar o relacionamento humano.
Por isso, este blog não é um espaço unicamente pessoal, mas aberto à opinião de todos nossos visitantes, seja através de comentários ou de artigos diretamente enviados até nós. Mesmo sujeitos a moderação, todos os comentários são enfim publicados, o que faz contabilizarmos já um acervo notável. É também muito gratificante o intercâmbio com parceiros de blog. Muito deles, claro, conheci depois desta empreitada. Não resta dúvida que, em meu caso, esta é uma atividade ainda amadorística. Mas também não resta dúvida que esse diletantismo acaba virando um compromisso, de vez que contamos com um público fiel à espera de novidade a cada dia, e torna-se uma obrigação nossa alimentar a página. Tudo isso demanda algum tempo e empenho.
Uma das particularidades que observei está no aspecto francamente democrático entre os blogueiros e webmasters em geral. A permuta de postagens entre os sites tem um caráter emancipativo na imprensa eletrônica. Deve-se convir, porém, que a sagração dos direitos autorais em si não seja brutalmente violada. Além disso, a manutenção de um blog, para os que gostam da leitura e da escrita é uma oportunidade a tantos que não têm chances editoriais nem canal para suas opiniões.
Tenho minha gratidão voltada para todos os visitantes deste espaço, parceiros de site, colaboradores em geral. Principalmente, a Silvio R. Santos, que me sugeriu a criação de um blog. Além dele, Arievaldo Viana, Flávio Henrique, Augusto Cesar Magalhães Pinto, Demétrius Marreiro e Lia, Marreiro Neto e Mayara, Altay, todos os colegas blogueiros, em especial Fatita Vieira. Particularmente, sou grato à legião de seguidores.

Abraços, Pedro Paulo Paulino.

Estatísticas do blog

segunda-feira, 4 de julho de 2011

REPRISE


No dia 2 de julho completou dois meses que estourou a notícia da morte do terrorista Osama Bin Laden. No dia seguinte, publiquei nesta página um cordel que vale a pena reprisar devido à grande repercussão que teve na mídia eletrônica. Pelo menos neste blog registraram-se mais de seis mil visualizações no mesmo dia. A postagem foi replicada por vários blogs. O cordel MORTE E TESTAMENTO DE OSAMA BIN LADEN, posteriormente, ganhou versão impressa através do Serviço Social do Comércio (SESC) de Fortaleza, com lançamento no dia 28 de junho.

MORTE E TESTAMENTO DE OSAMA BIN LADEN

Pedro Paulo Paulino


Neste dia dois de maio,
Logo quando amanheceu,
A notícia estava solta,
O planeta estremeceu,
No rádio e televisão
Corria essa informação:
Que Bin Landen já morreu. 

A notícia dava conta
Que o famoso terrorista,
De quem os americanos
Há muito andavam na pista,
Foi executado então
No distante Paquistão,
O refúgio do extremista.

Seu retrato, na internet,
Para o mundo foi mostrado.
Bin Laden mais velho e morto,
O seu rosto ensanguentado.
Segundo corre a notícia,
Ele foi pela milícia
Com um tiro fuzilado.

A milícia americana,
Que depois de o executar,
Não encontrou neste mundo
Quem o quisesse enterrar.
Por falta de cemitério,
Adotaram o critério
De jogá-lo em alto-mar.

O fato causou impacto.
A notícia, num segundo,
Provocou tremendo abalo
E um alvoroço profundo,
Como se os americanos
Acabassem, com seus planos,
Todo o mal que tem no mundo.

Até João Paulo II
Que foi beatificado 
- Esse fato, nos jornais,
Ficou meio deslocado…
Do casamento real,
Não mais se fala, afinal,
O Osama é mais cotado.

Lá nos Estados Unidos
O povo comemorou,
Como sendo o maior feito
Que seu país conquistou.
Porém, nesse panorama,
Terá sido mesmo Osama
Que morto no chão tombou?

Essa pergunta intrigante
É feita por muita gente:
Por que pegar o defunto
E dar fim tão de repente?
Depois que correu a nova,
Por que não pegar a prova
E mostrar mundialmente?

O retrato de Bin Laden,
Que na mídia foi mostrado,
Pelo jeito, não convence,
Pois a cara do finado
Parece doutra pessoa
Ou mesmo um defunto à toa
Há muito tempo enterrado.

Eu mesmo fico na minha.
Já vi até um maluco
Dizer que Osama Bin Laden
(Ele diz, eu não retruco)
Não morreu nem foi embora,
Lá em Petrolândia mora,
Cidade de Pernambuco.

Eu não quero entrar no mérito
Dessa questão, no momento.
Mas, de tanto ouvir falar
Em tal acontecimento,
Sonhei enquanto dormia
Que Bin Laden então morria
E deixava um testamento.

Era um sonho muito claro
E eu vi com perfeição
O testamento que Osama
Escreveu de própria mão
Num caderno bem guardado,
E noutro caderno, ao lado,
Se encontrava a tradução:

“O que tenho pra dexar
Para toda a humanidade
É ódio, ira e rancor,
Destruição e maldade,
Muita guerra e assassínio,
Desunião, morticínio,
Tragédia e barbaridade.

Deixo o mundo fabricando
Bomba de destruição,
Mais gente igualmente a mim
Que sabe usar avião,
Sofisticado transporte,
Somente pra causar morte
Mantando de multidão!

Deixo os Estados Unidos
Agirem bem à vontade,
Assaltando o mundo inteiro
Sem ter dó nem piedade;
Deixo esse país injusto
Se apossando a todo o custo
Do resto da humanidade…

Deixo o Oriente Médio
Caindo sempre no abismo,
Mergulhado brutalmente
No seu Fundamentalismo.
A Europa, eu deixo inteira
Consumida na fogueira
Do seu vil Capitalismo. 

Pra meu colega Kadafi
Eu vou deixar reunidos
Os meus planos traiçoeiros
E bastante esclarecidos,
Pra num momento feliz
Saber fazer como eu fiz
Contra os Estados Unidos.

Eu deixo o Barack Obama
Fazendo como acontece,
Ou seja, o que Bush fez,
Que o mundo inteiro padece,
Principalmente o Iraque,
Pois de Bush pra Barack
A vingança permanece.

Para o mundo inteiro eu deixo
Meu precioso arsenal,
Muitas armas poderosas
Pra, numa guerra global,
Os povos beligerantes
Extinguirem, em instantes,
A humanidade em geral.

Eu deixo a poluição
Em todo o meio ambiente
Tomando conta da terra
Causando incêndio e enchente;
O mundo sem paciência
Aumentando a violência
E gente matando gente.

Brigando pelo petróleo
Vou deixar o mundo inteiro,
Banhado sempre de sangue
E menos hospitaleiro.
E deixo em cima da terra,
Da fatal terceira guerra
Bem começado o roteiro.

Ao Brasil, onde eu passei,
Eu deixo o povo mais rude
Sem amparo e educação,
Sem trabalho e sem saúde;
Pior do que no Iraque,
Deixo o tráfico do crack
Destruindo a juventude.

Do mundo que me despeço
Só levo um prazer profundo.
Estão todos enganados:
Eu fui mesmo vagabundo,
Terrorista e muito ruim,
Mas não é me dando fim,
Que dão fim ao Mal no mundo.”

domingo, 3 de julho de 2011

ALMANAQUE DE DOMINGO


UM FATO

Foto: A. C. Alves
Na tarde de segunda-feira, 27/6, agricultores fecharam a CE-257 que liga Canindé à Região Norte do Estado, chamando a atenção das autoridades das três esferas governamentais, sobre agilidade nas medidas que foram discutidas ano passado em relação aos assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Semace), Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) e prefeitura de Canindé. Líderes do movimento afirmaram que, se as reivindicações não fossem atendidas, os agricultores iriam ocupar outras rodovias do Município e até mesmo o prédio da Prefeitura de Canindé. Além da liberação de crédito para construção de casas populares, os rurícolas revindicam garantia de verba para construção de obras estruturantes na zona rual. Por falta de chuva não foi.

UMA ANEDOTA

O anedotário de Canindé está centrado nos últimos anos no Bunaco, personagem de uma presença de espírito admirável. No fim de sua vida, sua ocupação, além de proseador, era de cambista, pois andava pelo centro da cidade com uma caderneta debaixo do braço anotando as apostas do jogo do bicho. Estávamos no tradicional Posto Azul, quando uma senhora meio debochada entra, olha para o Bunaco e diz:
- Bunaco, sonhei com esse número: onze, treze. O que é?
Bunaco, com a calma de sempre, responde:
- Se não for hora do almoço, tá muito perto.

UM SONETO

Já se viu muito soneto exdrúxulo por aí, mas como este atribuído a Zé Limeira, o Poeta do Absurdo, duvido:

JUMENTO CARNAVALESCO
O jumento pastava no quintal,
Ciscando à procura de xerém.
Comeu o xerém e não se deu bem,
E como não se deu bem, sentiu-se mal.


Lá por fora passava um carnaval...
O xerém quis inchar dentro do papo.
O jumento correu dando sopapo
E gritando bem alto ao pessoal:


"Comi uma comida e me ofendeu!
Me ensinem um remédio para eu
Ficar bom desta doença, que eu tomo!"


Lhe ensinaram a saúde das mulheres,
O jumento tomou trinta colheres,
Vomitou o xerém para o Rei-Momo.

UM REPENTE

Do livro Quadra, Quadrado e Quadrão, de Wanderley Pereira, colhemos esta: “Durante uma reunião de violeiros no ‘Bar Jangadeiro’, em Fortaleza, da pequena assistência um cidadão insistia para que se glosasse em cima do seu mote: ‘É sem vergonha quem diz / Que o Brasil tem liberdade’. Raimundo Viana, de Aracoiaba, fez o seguinte registro entre os vários glosadores que se manifestaram:

‘Vou glosar seu mote agora,
Vou atender seu pedido,
Mas fique bem prevenido
Que eu jogo o corpo de fora.
Se um guarda passar na hora
Eu banco logo o covarde,
Dizendo essa autoridade
Me mandou fazer, eu fiz:
É sem vergonha quem diz
Que o Brasil tem liberdade.’”

UMA CURIOSIDADE

Este ano, o mês de Julho terá 5 sextas-feiras, 5 sábados e 5 domingos, fato que acontece uma vez a cada 823 anos.

UM PENSAMENTO

“Semeia um pensamento e colherás uma ação; semeia uma ação e colherás um

hábito; semeia um hábito e colherás um caráter; semeia um caráter e
colherás um destino.” (William Makepeace Thackeray, romancista britânico
nascido em Calcutá, na Índia, em 1811)


UM CAUSO

Do livro Cearálegre, de Plautus Cunha: “Contam lá em Canindé, que Miguel Carpina, certa ocasião andava descuidado por uma calçada, quando foi atacado por um cachorro que saiu de um jardim. O cão rosnava ferozmente e latia com furor, querendo morder o Miguel que, assustado, procurava se livrar do agressor quando apareceu a dona da casa e disse:
- Não tenha medo, seu Miguel, que este cachorro é capado. Miguel respondeu:
- Eu não tenho medo dos ovos do cachorro não, minha senhora, eu tenho medo é que ele me morda!

UMA HOMENAGEM

Ao poeta paulistano Glauco Mattoso, aniversariante do dia 29/6. Ele completou 60 anos e é um nome nacionalmente conhecido das letras brasileiras, autor de mais de quatro mil sonetos.

UMA IMAGEM

Precavida contra predadores, uma rolinha construiu
seu ninho num galho de mandacaru,
guarnecendo-se pelo exército de espinho do cactos