sábado, 2 de julho de 2011

OPINIÃO


SUJARAM A BELA HISTÓRIA DE SENADOR POMPEU
NO SERTÃO CENTRAL

Wanderley Pereira*

Fico muito triste, decepcionado mesmo, vendo Senador Pompeu nas manchetes dos escândalos públicos. E o principal acusado é o prefeito municipal, que continua foragido da polícia e da justiça, certamente orientado pelos advogados caros que está pagando com o dinheiro do contribuinte pobre. É uma lástima, para quem conheceu Senador Pompeu como eu conheci, ter que aceitar essa página suja de uma história linda que surgiu com o povoado ou Vila de Humaitá.
Fui menino e adolescente em Senador Pompeu e me orgulhava do centro comercial, educacional e cultural que o município representava para a região, na época da grande fartura e dos homens de bem. Conheci os prefeitos Antônio e José Soares, Agostinho Bezerra, França Cambraia e outros nomes que representaram trabalho, confiança e respeitabilidade para a população. Venho dos tempos do Grupo Escolar Martins Rodrigues, que tinha um elenco de grandes professoras como Dona Nininha, Dona Veleda, Dona Fransquinha Sá, Dona Maria Herminda, Dona Cristina Pessoa, entre outras notáveis que tantos serviços prestaram à juventude e às famílias da região.
Lembro-me dos Ginásios Nossa Senhora das Dores e Cristo Redentor, o primeiro fundado e dirigido pelas professoras Franscisquinha e Franscinete. Não esqueço grandes mestres como os professores José Sebastião da Silva, de Português e Inglês, Dona Neuda, a mulher dele, e José Barros Cavalcante, de Matemática e Latim. O outro, fundado pelo padre Odílio Lopes Galvão, era comandado por irmãs religiosas educadoras. Foram eles verdadeiros celeiros da educação. Enviaram para Fortaleza e para outros centros jovens estudantes que se formaram nas diversas profissões.
Não consigo esquecer o Senador Pompeu, centro de maior dinamismo no Sertão Central, ligado comercialmente com outros grandes centros como Campina Grande, na Paraíba. Não saem da minha lembrança os grandes armazéns de vendas no atacado como o do Aureliano, do Janjão, do José Costa, do Zezé Teixeira, do Aldemir Soares, do Geraldo Tristão, do Fortunato, do Geraldo Celedoni, do Raimundo do Fumo. Na esquina da Praça Alcides Barreira com a Rua Grande, lá estava o bar de Dona Ambrozina, ligado ao cinema também de sua propriedade.
O movimento de trens, carga e descarga nos grandes armazéns junto à grande estação da RVC, reforçavam a dinâmica da cidade. A farmácia do Dr. Adonias com o farmacêutico Mimi era garantia do atendimento. As festas da padroeira Nossa Senhora das Dores, os bairros Pavãozinho, Caracará, Alto do Bode , Barra do Patu, este último onde morou Antônio Cambraia que se tornou prefeito de Fortaleza. A ponte de ferro sobre o encontro dos rios Patu e Banabuiú, os bailes no Senador Pompeu Clube, os grandes lojistas como Geraldo Pinheiro, Luís Sá, Antônio Guilherme e tantos outros, tudo isso está presente na minha Senador Pompeu dos bons tempos. Prefiro pertencer ao seu passado de luzes e de glórias das usinas de algodão do Fonseca Coelho e da P..Machado, da Jucá, do que a este presente de vergonha, em que a cidade surge no noticiário como covil de malfeitores, comandado por gestores irresponsáveis que se ocupam unicamente de enterrar uma história tão bonita e de tanta saudade. (Via Blog da Janga)
(*)Wanderley Pereira é jornalista da TV Jangadeiro

sexta-feira, 1 de julho de 2011

LANÇAMENTO EDITORIAL


SEGUNDA EDIÇÃO DO LIVRO
"GUERREIRO TOGADO"


Pedro Nunes Filho
Em contato por e-mail com o famoso escritor pernambucano Pedro Nunes Filho, ele informa que acaba de lançar a segunda edição de “Guerreiro Togado”, seu livro monumental que trata de uma das histórias mais empolgantes do Nordeste. O fato se passa na então Paraíba do Norte em 1911, portanto há exatamente um século. No livro épico, é narrada a luta armada do Dr. Augusto Santa Cruz, promotor público em Monteiro, Paraíba do Norte. Em 1911, o bacharel insurgiu-se contra o governo da Paraíba, formou uma milícia armada de 500 homens e fez uma guerra que encheu todo o Sertão. Trata-se de uma epopeia sertaneja, cuja leitura empolga e comove.
Edição luxuosa, comemorativa dos 100 anos daquele incidente político que teve desdobramentos em Pernambuco e no Ceará. Impresso no formato 16x23cm, o livro contém 516 páginas e 69 fotos em preto e branco de excelente resolução. Prefácios de Frederico Pernambucano de Mello e de Antônio Jorge de Siqueira. O texto da orelha é assinado por José Rafael de Menezes, que depõe: “Guerreiro Togado inscreve-se entre os melhores estudos municipalistas nordestinos.” O preço de lançamento é R$ 70,00 e a remessa é via postal por conta da editora. Pedidos podem ser feitos pelo e-mail: pnunesfilho@yahoo.com.br

Pedro Nunes Filho é um escritor renomado, com várias publicações e detentor da Medalha Augusto dos Anjos. Mais informações sobre o autor, acesse o link:

quinta-feira, 30 de junho de 2011

CRÔNICA

O MÊS DE JUNHO E ALGUMAS PARTICULARIDADES

Pedro Paulo Paulino

O mês de junho acaba, mas por aí afora continuam os festejos típicos deste período. Pelo que se observa na mídia, as festas juninas tiveram um grande crescimento no Nordeste, fazendo a gente crer mesmo que essa tradição está bem preservada, com todos os seus elementos do folclore, como as fogueiras, quadrilhas, roupas e comidas típicas. Até mesmo o forró, tão maltratado agora, volta a ser ouvido em sua versão genunína nesta época. Mas falo de longe; de perto, a coisa deve se mostrar muitas vezes depreciada.
E, se fosse realizada uma estatística, suponho que São João, na média geral, ganharia folgado como o santo que mais atraiu gente em sua festa. Isto talvez porque, seu dia coincidiu com o feriado prolongado de Corpus Christi. Afora este detalhe, os três santos deste mês, Santo Antonio, São João e São Pedro, sempre estiveram em pé de igualdade perante a aceitação popular, cada um com sua magia e promessas. O povo nordestino adotou esses personagens da Igreja Católica como se realmente eles fossem nossos conterrâneos, tal a afinidade com nossa cultura.
Reunião de amigos na
Vila Campos no feriadão
Quanto às festas, eu, particularmente, optei pelo meu recesso caseiro. Mas não deixei de acender uma fogueira a São Pedro, santo do meu nome e do nome do meu pai. São Pedro, pescador santo e chaveiro do céu, tem emprestado seu nome a muita gente desde a antiguidade, aqui e alhures. O nome Pedro tem equivalente em quase todos os idiomas do mundo. Conheço um cidadão que se chama Pedro Pierre, ou seja, Pedro duas vezes. Bom, como disse, o feriado pegou-me em casa, onde logo na quinta-feira fui visitado por amigos lá de Canindé. Um deles, o Wanderley de Castro, que sempre vem por aqui; outro, o poeta Wanderley Pereira. Comentamos, inclusive, essa ocasião rara da reunião de dois Wanderley no mesmo local. Ainda na quinta-feira que passou, surpreendeu-me com sua visita o Capitão Arimateia Bezerra, acompanhado de seu mano Wellington.
Capitão Ari acaba de voltar a Canindé depois de uma temporada no Norte do país a serviço da Marinha Mercante do Brasil. Desta vez ele optou por navegar aqui por perto mesmo. Perto digo em relação às diversas vezes que ele já cruzou os sete mares comandando grandes embarcações. Já que uma de suas predileções é a boa leitura, podemos dizer que ele é um homem lido e viajado. Assim, conhece ele um bocado da cultura de cada terra por onde já passou. O retorno do Capitão Ari a Canindé faz acender o farol da cultura local.
É uma tradição dele juntar os amigos poetas, escritores, músicos e artistas em geral, nas animadas reuniões em sua cobertura. É um encontro do tipo de A a Z da arte local: Arievaldo, Jota Batista, Chico Walter, Silvio R. Santos, Edmundo, Dedé Fabiano, Cesar Menotti, Nadja, Filomeno, este escriba e outros amigos da cultura ali são convidados sempre. Mencionar os Marreiro é redundância, que todos são da casa e poetas. Verso, prosa, violão e muita história compõem o cardápio espiritual desses encontros. A recepção é, como se diz, impecável, tanto pela parte do Capitão, quanto pela parte de sua querida Aurora Marreiro. O casal anfitrião acolhe seus convivas num misto da hospitalidade de nossa gente com o verdadeiro conhecimento de causa no assunto receber bem. O drink é servido, um ótimo acepipe, e o sarau acontece...
Capitão Ari, Dedé Fabiano e PPP
De sua cobertura, tem-se uma visão panorâmica da zona Leste da cidade, onde fica a estátua de S. Francisco. Durante essas audiências culturais, um grosso e pesado caderno, uma espécie de livro de ponto, começa a passar de mão em mão. Nele, os convidados obrigatoriamente têm que assinar uma décima, uma trova, uma mensagem, um registro qualquer de sua frequência. O próprio Capitão toma a iniciativa, como bom versejador. O livro já recebeu o apropriado nome de “Sossego do Mar”. Capitão Ari, aliás, tem sempre à mão uma novidade livresca interessante para mostrar aos amigos, seja uma publicação da literatura cearense, seja um livro antigo de história. Bom papo e muita coisa interessante pra contar, ele faz a vez de anfitrião e convidado ao mesmo tempo. Em resumo, seu retorno mobiliza culturalmente o Canindé. A satisfação do Capitão Ari em voltar e reencontrar toda essa gente deixa-o, literalmente, pisando em terra firme. A sua alegria faz notar ainda que, apesar de ele conhecer o mundo inteiro, seu mundo maior é a terrinha natal.


quarta-feira, 29 de junho de 2011

SÃO PEDRO E UM ANIVERSARIANTE ILUSTRE


PREZADO PRESIDENTE (10/10/2010)

Escrevo novamente, ao fim da sua
Dobrada permanencia no mandato.
Confesso que, na imprensa, fui um chato;
Agora, a seu favor, eu saio à rua.

Cobrei, como eleitor, que quem jejua
Comesse, e o capital pagasse o pato.
Em verso o critiquei, mas me tretracto,
Pois, sem você, mais temo a falcatrua.

Você fez muito mais do que eu suppunha!
Supera Vargas, Prestes, Juscelino:
Um pobre, ou negro, ou cego, é testemunha!

Por isso é que eu “lulista” me defino:
Partidos se desgastam, mas quem cunha
A propria effigie, fica, é o seu destino!
 
O soneto acima é de autoria de Glauco Mattoso, o grande poeta paulistano que completa hoje 60 anos de vida. Seu nome de batismo é Pedro José Ferreira da Silva, nascido em São Paulo no dia 29 de junho de 1951. Seu nome artístico é um trocadilho com glaucomatoso, termo usado para os que sofrem de glaucoma, doença que o fez perder progressivamente a visão, até a cegueira total em 1995. É também uma alusão a Gregório de Matos, de quem se considera herdeiro na sátira política e na crítica de costumes.
Glauco cursou biblioteconomia na Escola de Sociologia e Política de São Paulo e letras vernáculas e na USP. Nos anos 70, participou da resistência cultural à ditadura militar através do grupo dos "poetas marginais". Além de editar o fanzine poético-panfletário Jornal Dobrabil (trocadilho com o Jornal do Brasil e o formato dobrável dos folhetos satíricos), colaborou em diversos periódicos da imprensa alternativa, tal como o humorístico O Pasquim.
Na década de 80, publicou trabalhos em revistas como Chiclete com Banana, Tralha, Mil Perigos, SomTrês, Top Rock, Status e Around, ensaios e críticas literárias no Jornal da Tarde, além de diversos volumes de poesia e prosa. Em 1982, edita a Revista Dedo Mingo, como um suplemento do Jornal Dobrabil.
Nos anos 90, perde por completo a visão em decorrência do glaucoma de que sofria há anos. Deixa de lado a criação gráfica (história em quadrinhos e poesia concreta) e passa a dedicar-se a escrever letras de músicas e à produção fonográfica. Com o professor da USP Jorge Schwartz, ganha o Prêmio Jabuti pela tradução que ambos fazem da obra inaugural de Jorge Luis Borges, Fervor de Buenos Aires.
Nos anos mais recentes, retorna à criação de poesia escrita e textos virtuais, produzindo textos e poesias para a internet, colaborando em revistas eletrônicas e impressas, tais como a Caros Amigos. A obra de Glauco Mattoso caracteriza-se pela exploração de temas polêmicos, tais como a violência e a discriminação. O autor tem a reputação de “poeta maldito”, uma espécie de boca do inferno moderno ou Bocage pornográfico do século XX. Em edição recente, a revista Cult trouxe um perfil de Glauco Mattoso, que já atingiu a marca de quatro mil sonetos. Suas publicações somam mais de 20 livros. O curioso em Glauco, é que ele escreve obedecendo à ortografia de 1940. Através de Silvio R. Santos, tenho a graça de manter uma correspondência eletrônica com o grande poeta brasileiro da atualidade e sempre. E para ele, envio este soneto:

NO ANIVERSÁRIO DE GLAUCO MATTOSO

Pedro Paulo Paulino

São Pedro, hoje é teu dia, é nosso dia,
Que Pedro eu sou também, embora santo
Não seja. Mas, debaixo do teu manto,
Teu nome, se preciso, evocaria…

Que sejas sempre eterno e nosso guia.
E se não for acaso pedir tanto,
Louve, ó São Pedro, sem nenhum espanto,
Um grande Pedro que aniversaria.

Glauco Mattoso, Pedro de batismo,
Sem ranço algum de mero fanatismo,
Louvado sejas tu entre os poetas!

Pedindo, rezarei (assim prometo),
Que São Pedro te cubra de soneto,
Nas seis décadas que hoje tu completas!...


Mais sobre Glauco Mattoso, acesse: http://glaucomattoso.sites.uol.com.br/quem.htm

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RIBA CARNEIRO

Pelo rádio, tomo conhecimento esta manhã que morreu o agropecuarista canindeense Riba Carneiro, homem de excelente reputação nos sertões de Canindé. Em sua fazenda, às margens do rio Curu, região do distrito de Bonito-Ubiraçu, Riba Carneiro foi sempre uma grande liderança que gozava de muito conceito, tanto entre sua gente como no meio político e social do município. Homem de bem, sua casa na fazenda era uma referência naquela região. Lembro de uma vez, durante uma campanha política para prefeito, que uma grande caravana foi recebida pelo Riba e sua esposa d. Myrtes, em sua casa. A simpatia dele era extremamente espontânea, aquela hospitalidade sertaneja pura. Mesa farta para todos, como era farto de bondade o coração do Riba Carneiro. Homem de boa estatura, sorriso constante, recebia a todos com um forte aperto de mão. Quando vinha a cidade, gostava de tomar discretamente sua cerveja, sendo sempre cumprimentado a todo momento, dada a sua popularidade. Riba Carneiro foi uma dessas pessoas necessárias em seu lugar e que, quando morrem, deixam uma lacuna impreenchível.

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SÃO PEDRO NA LITERATURA DE CORDEL


O cordelista e grande pesquisador da Literatura de Cordel, Arievaldo, é o colaborador do blog no dia de hoje, em que se festeja um dos santos mais populares da Igreja Católica no Nordeste, São Pedro. É do Ari esse apanhado:


Hoje, 29 de junho, os católicos festejam São Pedro, o chaveiro do céu, primeiro papa da Igreja Católica, é um dos personagens prediletos dos poetas populares. Talvez porque seja um dos apóstolos mais citados no Novo Testamento, humano, temperamental, cheio de medos e fraquezas... O santo aparece também em dezenas de anedotas recolhidas por Câmara Cascudo, Silvio Romero, Gustavo Barroso e outros estudiosos, narrando episódios de quando Jesus andava no mundo.
Na literatura de cordel é bem extensa a relação de folhetos onde São Pedro, ao lado do Divino Mestre, aparece fazendo trapalhadas. Eis alguns títulos: O grande debate de Lampião com São Pedro, de José Pacheco; Jesus São Pedro e o ferreiro da maldição, de Francisco Sales Arêda; Jesus, São Pedro e o ladrão, de Manoel D’Almeida Filho; São Pedro e o coração do carneiro, de Paulo Roxo Barja, O homem do arroz e o poder de Jesus, de Mestre Azulão e muitos outros.
Comecemos, pois, pelo “Grande debate de Lampião com São Pedro”, onde José Pacheco esbanja talento e bom humor:

O GRANDE DEBATE DE LAMPIÃO COM SÃO PEDRO
Autor: José Pacheco da Rocha

(Trechos)

Chegou no céu, Lampião
A porta estava fechada
Ele subiu a calçada
Ali bateu com a mão
Ninguém lhe deu atenção
Ele tornou a bater
Ouviu São Pedro dizer
Demore-se lá. Quem é?
Estou tomando café
Depois vou receber

São Pedro depois da janta
Gritou por Santa Zulmira:
- Traz um cigarro caipira
Acendeu no de São Panta
Apertou o nó da manta
Vestiu a casaca e veio
Abriu a porta do meio
Falando até agastado:
- Triste do homem empregado
Que só lhe chega aperreio

Abriu na frente o portão
Ficou na trave escorado
Branco da cor de um finado
Quando avistou Lampião
Mas com a trave na mão
Não temeu de lhe falar
E disse: -Aqui não se dar
Aposento a gente mal
Senão que entrar no pau
Acho bom se retirar

Lampião lhe respondeu :
Não venha com seu insulto
Você é um santo bruto
Que ofensa lhe fiz eu?
E mesmo o céu não é seu
Você também é mandado
Portanto esteja avisado
Se não deixar eu entrar
Nós vamos experimentar
Quem é que tem bom guardado

- Você não entra, atrevido!
São Pedro lhe disse assim :
- Ingresso a quem é ruim
Nesta porta é proibido
Não sabes que sois bandido
Roubador da vida humana
Alma ferina e tirana
Coração cruel perverso!
Como queres um ingresso
Nesta mansão soberana

- É certo que fui bandido
Perverso, estrompa, voraz
Porém, quem foi não é mais
É mesmo que não ter sido
Mesmo eu sou garantido
Por um provérbio que tenho
Escrito sobre um desenho
Por pessoas elevadas
O qual diz: - Águas passadas
Não dão volta a meu engenho


— Não quero articulação
Você aqui nada tem
— É como você também
Lhe respondeu Lampião
É porque do seu patrão
Você transmite um mandado
Eu tenho visto empregado
Sair do trabalho expulso
Sem direção, sem recurso
Por qualquer trabalho errado

(...)

JESUS, SÃO PEDRO E O FERREIRO DA MALDIÇÃO
Franscico Sales Arêda

Quando Jesus e São Pedro
pelo mundo viajaram
em casa de um ferreiro
uma tarde eles chegaram
e pra descansarem um pouco
nessa casa se arrancharam.

O ferreiro muito alegre
deu uma boa hospedagem
para Jesus e São Pedro
descansarem da viagem
e tratou muito bem deles
com toda camaradagem.

E Jesus aproveitou
enquanto estava hospedado
e falou com o ferreiro
lhe mostrando muito agrado
para ferrar o burrinho
que ele andava montado.

O ferreiro interessado
fez o serviço ligeiro
porém Jesus disse a ele:
— Aqui não tenho dinheiro
mas te sirvo em três pedidos
pode dizer o primeiro.

O ferreiro olhou para Cristo
e começou a sorrir
depois disse: muito bem
tenho três coisas a pedir
porque sei que o senhor
pode isto me garantir.

— Vamos lá disse Jesus
diga que farei urgente
mas antes dele falar
São Pedro tomou a frente
e disse: Amigo ferreiro
me ouça primeiramente...

É verdade que não sei
qual sua finalidade
porém lhe dou um conselho
com toda sinceridade
peça-lhe o reino do céu
pra sua felicidade.

O ferreiro disse: Eu não
que céu não enche barriga
e olhando pra Jesus
lhe disse: Mestre me diga?
se pode dar-me uma coisa
que me serve e não periga.

Jesus disse: é qualquer coisa
que quiser pode falar
disse o ferreiro: Pois bem
quero que quem se sentar
no banco da minha tenda
só saia quando eu mandar.

— Prometo, disse Jesus
a outra coisa qual é?
— Pede-lhe o reino do céu
São Pedro gritou com fé
disse o ferreiro: Ora esta?
não me interrompa seu Zé.

(...)

VER TEXTO INTEGRAL DO POEMA AQUI: http://www.jangadabrasil.com.br/revista/junho67/cn67006b.asp

JESUS CRISTO, SÃO PEDRO E O LADRÃO
Manoel D’Almeida Filho

Jesus Cristo andou no mundo
Ensinando aos malfeitores
Com exemplos e milagres
Convertendo os traidores
No fim ainda deu a vida
Em favor dos pecadores

Os seus exemplos nos chegam
Através da sua glória
Onde muitos malfeitores
Inda alcançaram a vitória
Como esse que eu conto
Nessa pequena história

Jesus fez uma viagem
Com São Pedro certo dia
Por necessidade entraram
Numa grande travessia
Para salvarem um ladrão
Que só para o mal vivia

Mas São Pedro ignorava
O que ia acontecer
Porque Jesus não lhe disse
Para ele não temer
No meio da travessia
Começou escurecer

São Pedro tremendo disse:
- Estou morrendo de fome
Muito cansado e com sede
Só o medo me consome
Se não surgir uma casa
A onça hoje nos come

Jesus disse: a tua fome
Muito breve terá fim
"Ó homem de pouca fé"
Por que és tão fraco assim?
Estás tão desanimado
Que não tens fé nem em mim?

Porém adiante viram
Uma casinha surgir
São Pedro disse: eu não posso
Assim de noite seguir
Vou ficar naquela casa
Para comer e dormir

Jesus disse: Eu vou também
Para a casinha marcharam
Lá foram bem recebidos
Boa comida jantaram
E depois em boas redes
Todos dois se agasalharam

(...)

(BATISTA, Sebastião Nunes. Antologia da literatura de cordel)


Mais curiosidades sobre São Pedro na Literatura de Cordel e no Folclore, veja no blog ACORDA CORDEL: http://fotolog.terra.com.br/acorda_cordel


terça-feira, 28 de junho de 2011

TÓPICOS

FALÊNCIA AURICULAR  - O SUCATEAMENTO DOS ORELHÕES EM CANINDÉ

Silvio R. Santos

Um dos pilares do programa de privatização dos governos do homem mais inteligente e capacitado do mundo, que mudaria radicalmente a face dos serviços públicos no País, seria o de garantir o fácil acesso da população à telefonia mediante a farta disponibilidade dos chamados orelhões.  Essa prerrogativa parece ter sido medianamente cumprida, tendo em vista que, de fato, existem muitos telefones públicos espalhados pela zona urbana canindeense, perímetro ao qual se restringe essa nota. Um fator não considerado (e por isto mesmo levado em consideração pela operadora) advindo da universalização da telefonia celular, porém, parece ter dado cabo ou prejudicado seriamente o bom andamento desse serviço, anteriormente, de grande utilidade à população. Percebe-se que a demanda pelo uso de orelhões caiu vertiginosamente,  devido à febre dos telefones celulares e seus planos de uso oferecidos nas mais diversificadas modalidades, o que levou a comprar essas traquitanas até mesmo pessoas que poderiam perfeitamente passar sem as mesmas, já que na maioria dos casos só as utilizam  para ouvir música de qualidade duvidosa e padecem da carência crônica de créditos para efetuar ligações, tendo aderido a essa onda apenas pela eterna mania da emulação. De outra forma haveria alguma manifestação pela manutenção desses telefones, tema que parece não se manifestar atualmente na pauta do noticiário paroquiano.
            Na principal rua da cidade não tem um orelhão sequer que complete uma chamada, invariavelmente todos estão fora de serviço. Depois de muito procurar, o único a efetuar ligações é um localizado dentro de um condomínio particular na rua Gervásio Martins. Donde se deduz que o mesmo deve ocorrer nas ruas secundárias, tirante a particularidade do condomínio. Ao contrário dos aparelhos que são vistos no cinema, com acabamento em inox, os orelhões locais são verdadeiros trambolhos, geralmente pichados e acinzentados de tanto levar sol, alguns não foram nem trocados e ainda apresentam o antigo logotipo da empresa estatal, num retrato acabado do descaso quando se trata da oferta de serviços baratos aos menos providos de recursos, não se fazendo nada para atrair o usuário ou oferecer um pouco mais de conforto e higiene na sua utilização.
            Um poeta amigo me deu o tom mais apropriado ao caso, dizendo que andou em todos os jardins à procura de um treco desses que funcionasse, para uma comunicação amorosa, em vão.

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SESC-IRACEMA LANÇA TRABALHO
DE CORDELISTA CANINDEENSE
Acontece hoje às 15h, no SESC-Iracema de Fortaleza, a solenidade de lançamento do folheto de cordel “Morte e Testamento de Osama Bin Laden”, do poeta popular canindeense Pedro Paulo Paulino. Segundo o coordenador do SESC, Fabiano de Cristo, o evento faz parte do Projeto SESC Cordel, que visa lançar uma vez por mês uma nova publicação em cordel de escritores novos ou já conhecidos dentro dessa linguagem. O projeto banca a tiragem de 1000 cópias e repassa a metade para o autor. O restante é utilizado pelo SESC para projetos culturais, educacionais, acervo e promoção. O lançamento contará também com a participação do músico cearense Orlângelo, do grupo “Dona Zefinha”.  A xilogravura da capa do folheto é de autoria de Arievaldo Viana. O cordel “Morte e Testamento de Osama Bin Laden” foi escrito no dia dois de maio de 2011, um dia após a morte do famoso terrorista, e ganhou na ocasião versão online em diversos blogs, a partir do blog Vila Campos Online, ao qual rendeu mais de seis mil visualizações nessa data.  

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CANINDÉ ELEGE MISS 2011

Sabrina Paulino é a nova Miss Canindé. A escolha aconteceu na quarta-feira, 22/6. Concorreram oito candidatas em trajes de banho e em trajes de gala. Cinco jurados escolheram as três melhores candidatas votadas em quatro quesitos. Sabrina, fila do casal Luís e Irene Paulino, tem 19 anos, 1,65m de altura, 53kg, olhos castanhos, manequim 36, pés tamanho 35 e mede 62cm de altura x 95 de quadris. Parabéns a Sabrina, uma representante Paulino da beleza canindeense. (Via blog FCE-CANINDÉ)



Sabrina Paulino com os pais