CANINDÉ NA POEIRA
Parece que estava escrito nas estrelas: Canindé perdeu na competição pela conquista do Hospital Regional do Sertão Central. Só mesmo muito crédulo, porém, confiava que essa conquista viesse para esta cidade. Canindé ficou na poeira, participando de um jogo sujo de cartas marcadas. Por que o governador não adotou o mesmo critério para levar um hospital desse porte para Sobral, terra de Cid Gomes, e para Juazeiro, terra da mulher dele? Em relação ao Sertão Central, ele tirou covardemente o corpo de banda e preferiu jogar os municípios uns contra os outros.
Canindé, pela sua posição geograficamente centralizada, seria sem dúvida a cidade naturalmente adequada para abrigar esse importante hospital. No entanto, a obra foi recuada para um município cuja localização fica às avessas do restante dos municípios próximos desta cidade. Não resta dúvida que a realidade política da terra de S. Francisco é também um forte impecilho a toda conquista que porventura acene para cá. A fragilidade do atual governo municipal, aliada à incompetência e desunião com outros segmentos, como a Igreja, são fatores inegáveis que favorecem o retrocesso de Canindé e a falta de atenção das autoridades estaduais com este município.
Considerando que esta terra contasse com coesão política, força representativa na Assembleia Estadual, por exemplo, e apoio maciço dos franciscanos num momento importante como esse, podemos dizer quase com convicção que o Hospital Regional seria indicado diretamente para Canindé, sem ter que passar por escolha suspeita e, embora democrática, injusta.
Porém, canindeenses, não deixemos nunca de alardear que temos uma das maiores romarias do mundo, que temos o segundo maior Santuário Franciscano do mundo e que temos um dos maiores monumentos sacros do mundo. Enquanto batemos no peito e fazemos essas orgulhosas afirmações, no entanto, baixemos também a vista por termos um hospital mendicante, insuficiente para atender ao grande número de enfermos que o procuram, realidade que, tragicamente, parece ter uma continuidade sem fim.
Por enquanto, temos que nos contentar com líricos “Caminhos de Assis”, uma policlínica inacabada e um CEO longe de sua conclusão. Brevemente, vamos ter ainda que pedir licença a S. Francisco e ir pedir a nossa humilde benção a Antonio Conselheiro. Embora voltemos (se voltarmos vivos) para pagar nossa promessa ao querido santo Seráfico padroeiro de Canindé.
Adoro o silêncio, mas, perdoem-me este grito de desabato: “Cadêêêêêêêêê o PT de Canindééééééééééé´???!!!

