terça-feira, 10 de maio de 2011


CANINDÉ NA POEIRA

 Parece que estava escrito nas estrelas: Canindé perdeu na competição pela conquista do Hospital Regional do Sertão Central. Só mesmo muito crédulo, porém, confiava que essa conquista viesse para esta cidade. Canindé ficou na poeira, participando de um jogo sujo de cartas marcadas. Por que o governador não adotou o mesmo critério para levar um hospital desse porte para Sobral, terra de Cid Gomes, e para Juazeiro, terra da mulher dele? Em relação ao Sertão Central, ele tirou covardemente o corpo de banda e preferiu jogar os municípios uns contra os outros.
Canindé, pela sua posição geograficamente centralizada, seria sem dúvida a cidade naturalmente adequada para abrigar esse importante hospital. No entanto, a obra foi recuada para um município cuja localização fica às avessas do restante dos municípios próximos desta cidade. Não resta dúvida que a realidade política da terra de S. Francisco é também um forte impecilho a toda conquista que porventura acene para cá. A fragilidade do atual governo municipal, aliada à incompetência e desunião com outros segmentos, como a Igreja, são fatores inegáveis que favorecem o retrocesso de Canindé e a falta de atenção das autoridades estaduais com este município.
Considerando que esta terra contasse com coesão política, força representativa na Assembleia Estadual, por exemplo, e apoio maciço dos franciscanos num momento importante como esse, podemos dizer quase com convicção que o Hospital Regional seria indicado diretamente para Canindé, sem ter que passar por escolha suspeita e, embora democrática, injusta.
Porém, canindeenses, não deixemos nunca de alardear que temos uma das maiores romarias do mundo, que temos o segundo maior Santuário Franciscano do mundo e que temos um dos maiores monumentos sacros do mundo. Enquanto batemos no peito e fazemos essas orgulhosas afirmações, no entanto, baixemos também a vista por termos um hospital mendicante, insuficiente para atender ao grande número de enfermos que o procuram, realidade que, tragicamente, parece ter uma continuidade sem fim.
Por enquanto, temos que nos contentar com líricos “Caminhos de Assis”, uma policlínica inacabada e um CEO longe de sua conclusão. Brevemente, vamos ter ainda que pedir licença a S. Francisco e ir pedir a nossa humilde benção a Antonio Conselheiro. Embora voltemos (se voltarmos vivos) para pagar nossa promessa ao querido santo Seráfico padroeiro de Canindé.
Adoro o silêncio, mas, perdoem-me este grito de desabato: “Cadêêêêêêêêê o PT de Canindééééééééééé´???!!!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

POESIA


SE VOLTARES

(Rogaciano Leite)*


Como sândalo humilde que perfuma
O ferro do machado que lhe corta,
Eu hei de ter minha alma sempre morta
Mas não me vingarei de coisa alguma.


Se voltares um dia à minha porta,
Tangida pela fome e pela bruma,
Em vez da ingratidão, que desconforta,
Terás um leito sobre um chão de pluma.


E em troca dos desgostos que me deste,
Mais carinho terás do que tiveste,
E os meus beijos serão multiplicados.


Para os que voltam pelo amor vencidos,
A vingança maior dos ofendidos
É saber abraçar os humilhados.


*Rogaciano Bezerra Leite nasceu São José do Egito, sítio Cacimba Nova, atualmente, município de Itapetim-PE, no dia 1º de julho de 1920 e faleceu no Rio de Janeiro, 7 de outubro de 1969. Foi jornalista e poeta. Conquistou o prêmio Esso de jornalismo. Como poeta, sua publicação mais conhecida é o livro Carne e Alma.

domingo, 8 de maio de 2011

MÃE É POESIA


SER MÃE

(Coelho Neto)*


Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.


Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!


Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!


Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!

 ♦♦♦

FIDELIDADE

(Silvio R. Santos)**


Até onde a inquietude me detendo
ou me impelindo possa me levar,
eu quero ouvir-te os passos, devagar,
leves, minha presença requerendo.


Na tua vida isenta de almejar,
dias tão similares percorrendo,
se teus cabelos outonais vou vendo,
bem mais dói-me esta angústia a me calar.


Somente tua espera ainda me aguarda,
continuamente, em hora indefinida;
sei como sofres se teu filho tarda...


E embora sempre o vejas ir partindo,
ao lado dele vais, despercebida,
muitos dos seus pesares dirimindo.


*Coelho Neto, escritor maranhense (1864-1934).
** Silvio R. Santos, poeta canindeense da atualidade.