sexta-feira, 23 de março de 2012

folclore


UMA UNIVERSIDADE TODA NOSSA

Pedro Paulo Paulino

Hoje, 23 de março, está fazendo dez anos de fundação da Universidade Vale do Leite, em Canindé. A UVL foi uma brincadeira de amigos que frequentam o estabelecimento comercial do sr. Pedro Mathias, o ‘Pedro do Leite’, na tradicional Praça Azul. Rotineiramente, reúnem-se ali pessoas de várias atividades, desde o prosaico “cambista” a profissionais liberais. Os artistas locais são presença quase certa no local e, evidentemente, também não faltam os “funcionários de Cristo” e outras autoridades. Entre um brinde e outro, muitos assuntos são levantados, principalmente nos finais de tarde quando seu Pedro resolve instalar as cadeiras na calçada. Então começam a chegar um a um os habitués.
A conversa corre solta, do principal assunto do momento a temas polêmicos. Frequentemente o debate esquenta mas, a certa altura a coisa é controlada pelo seu Pedro, o mediador de tudo que se discute ali. Política, por exemplo, é um tema altamente controlado pela censura da casa. A vida do próximo também faz parte do cronograma. A mesa redonda chama mesmo a atenção dos passantes. No geral, essas audiências vão até às oito da noite mas, algumas vezes, estendem-se por altas horas. Às quartas e quintas, os discursos ficam mais acalorados com a presença do médico abstêmio Pedro Gervásio Martins. Não raro, os frequentadores travam verdadeiras polêmicas, troca de ideias as mais opostas, com direito a altercações, réplica e tréplica.
Um certo dia de 2002, Carlos Alberto Martins, observando essa diversidade de pessoas e assuntos no ambiente, apontou a ideia de se fundar ali a Universidade Vale do Leite. (Convém lembrar que o estabelecimento do seu Pedro, genuinamente, é destinado à venda de laticínios. O comércio de cerveja no mesmo espaço é uma atividade paralela que veio depois.) A ideia do Carlos Alberto contagiou logo toda a turma e ali mesmo no balcão do seu Pedro foram traçadas as diretrizes de fundação da UVL. Tudo, de fantasia, foi idealizado como se fosse verdade. O primeiro passo foi a criação da diretoria. Naturalmente, foi eleito Magnífico Reitor o Sr. Pedro do Leite; Vice-Reitor, Carlos Alberto Martins; patrono, dr. Pedro Gervásio; Honoris-Causa, Tõe Walverto e Cachoeira. Também foi providencial a criação de um novo “curso” universitário: o de Etilicologia. Uma equipe, da qual fiz parte, elaborou a prova que foi feita por vários “concursandos”. Realizada a prova, programou-se para o dia 23 de março de 2002 a festa de colação de grau.
O evento foi dignamente uma noite de gala. Não bastou o espaço da “universidade” para acolher a turma de concludentes, ao todo 45. Foi necessário anexar a rua em frente para instalação de convidados. Um ponto alto da festa foi a solenidade de instalação do quadro com as fotografias e os nomes dos diretores, pró-reitores e de todos os etilicólogos. O quadro, bem trabalhado, é obra de Giovanni Almeida. O conteúdo da programação festiva cumpriu todas as formalidades. Como orador da turma, foi escolhido o Valdeci Góis (Pepeu), que de seu natural é um abstêmio da fala. O Magnífico Reitor Pedro do Leite estava mesmo magnífico nessa noite. E a festa varou a madrugada, no embalo do violão e da voz do Chico Walter.
Nesse período, criou-se também O Queijo, informativo da UVL, que atingiu apenas três edições até agora. Tudo isso, claro, foi uma brincadeira salutar de amigos e já integra os anais do folclore canindeense. Hoje, quem chega no bar do seu Pedro do Leite, digo melhor na UVL, tem o olhar atraído para o quadro exposto na parede. A tradição continua a mesma no campus. Alguns dos frequentadore, entretanto, é que não estão mais presentes, e apenas passeiam por ali na memória dos amigos que ficaram.

Vice-Reitor Carlos Alberto e o orador Pepeu
Ato de juramento dos concludentes
Quadro da UVL
Reunidos na festa de colação de grau
Magnífico Reitor Pedro do Leite
e o poeta Natan Marreiro

3 comentários:

  1. "Não raro, os frequentadores travam verdadeiras polêmicas, troca de ideias as mais opostas, com direito a altercações, réplica e tréplica." Pedro Paulo conseguiu, nesta e em outras passagens do texto, retratar a UVL com um refinado senso de humor e poesia, abordando o assunto sob um ponto de vista positivo, vendo o lado bom.
    Espera-se que os alunos da UVL escrevam comentários sobre o tema, de tal forma que a crônica não se torne um monólogo. Afinal, um dos objetivos principais da Internet é tornar-se um instrumento fácil de comunicação. Além disso, a inclusão de comentários só irá enriquecer o artigo, acrescentando-lhe mais dados pitorescos.

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  2. Tenho o orgulho e satisfação de fazer parte do quadro de graduados dessa eclética, cobiçada e concorrida instituição de ensino que é nossa UVL. O nosso estimado Reitor, Pedro do Leite, continua ainda hoje irradiando sabedoria, gentileza, um homem que se destaca pela sua educação, paciência e o fino trato que tem com todos os que frequentam nossa universidade. Ressalto ainda com alegria nesses dez anos de existência, que tive a honra e o previlégio de ser o ORADOR DISCENTE DA TURMA EM NOSSA INSQUECÍVEL COLAÇÃO DE GRAU.

    ROGÉRIO VIDAL.

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    1. Permita-me, caro confrade Rogério Vidal, fazer das suas as minhas palavras. Acrescentando ainda outros atributos à personalidade do nosso Magnífico Reitor, Sr. Pedro do Leite, dizendo deste que se trata de um caráter requintado e brilhante. Fino no trato com o próximo, sutil em seus comentários, alheio à vida alheia, gentil com todos e hospitaleiro. Até mesmo quando um intruso adentra nosso campus, o Sr. Reitor usa de modos elegantes e nobres, convidando o penetra a retirar-se. Ele é digno de honrarias ainda não lhe concedidas, creio eu, injustamente. Meus parabéns ao nosso Magnífico Reitor, extensivos a todos os companheiros formandos de uma década atrás, em cujo período até agora abriram-se lacunas em nosso quadro por mera obra do destino.

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