quinta-feira, 1 de maio de 2014

POETAS E BANANAS

MORTE AOS POETAS!
E BANANAS, MUITAS BANANAS PARA TODOS...


Por Arievaldo Viana

A cada dia que passa a gente se surpreende com mais um ato de barbárie ou de imbecilidade coletiva nesse velho país do futebol. Enquanto o oportunista Neymar posa com uma banana, dizendo que “SOMOS TODOS MACACOS”, um maluco quebra a estátua do poeta Ascenso Ferreira, às margens do rio Capibaribe, em Recife. Tempos atrás foi a vez do Patativa, que teve seu monumento quebrado em Assaré. É meus caros, no país do futebol parece que poesia é mesmo um estorvo!

A humanidade hoje em dia
Perdeu de vez o bom senso
Já quebraram o PATATIVA
Apedrejaram o ASCENSO
Em Recife, Pernambuco,
Que o mundo está maluco
Cada vez mais me convenço.

Nesse país tropical
Só se fala em futebol
Poesia é um estorvo
É baba de caracol
Bananas ao preconceito
Eu não quero ser prefeito
Nem estátua exposta ao sol.

ESTALTA DISMANTELADA

(Patativa “psicografado “por Arievaldo Viana e Pedro Paulo Paulino)

Ô mamãe você num sabe
O qui foi qui aconteceu
Cum a minha bela estalta
Qui o dotô Luço mi deu...
Apregaram lá na praça
Feliz e achando graça
Mas veja só o caé...
Um sujeito ruim da vista
Cabilerêro, paulista,
Veio batê no Assaré.

O moço era atuleimado
E se dizia meu fã
Chegô na praça cedinho
Oito horas da menhã
Querendo tirá retrato
Fez um grande ispaiafato
Se atrepô no pedestá
Da estalta e desabô
Na queda ele me puxou
Cousa munto naturá.

Os meninos lá de casa
Pensando sê vandalismo
Trataro de discubrí
Quem me jogô no abismo...
Quebrei as perna, a cabeça,
Por incríve que pareça
Quebrei tombém as custela
Fiquei todo fachiado
Lá no chão, desmantelado
Cum tão medonha sequela.

Inda bem que esse moço
Não andou lá no Dragão
Imbora que ele dichesse
Qui tinha boa intenção
Se a ôtra estalta ele visse
Fazia a merma tolice
E num me deixava bem
Mamãe, eu tenho certeza
Se ele fosse a Fortaleza
Quebrava a ôtra tombém.


Eu já li foi no jorná
Escuitei em alta voz
Já quebram inté a estalta
Da Raquezim de Queiroz
Ô mundo dismantelado
Eu já não sei de que lado
Eu posso ficar em pé
Pois vivo nessa incerteza
Se fico na Fortaleza
Ou mermo no Assaré!

Nem estalta neste mundo
Tem um momento de calma
Na terra, eu sou uma estalta
E aqui tou como alma
Vagando na eternidade
Mas sinto munta é sodade
Da terrena vida minha
Fazendo verso e fumando
E de noite chamegando
Com minha insposa Belinha.

Aqui em riba, no céu
Eu num corto mais cabelo
Num vou a cabilerêro
Só pra num ver dismantelo
Aqui fiquei bom da vista
Cabilerêro paulista
Aqui num tira partido
E si vier me quebrá
É arriscado levá

Mãozada no pé-do-uvido.

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