quinta-feira, 21 de julho de 2011

artigo


No dia 29 de julho, Canindé completa 165 anos de emancipação política. Publicamos hoje artigo que questiona tópicos importantes das origens do município.

Canindé, 165 anos de emancipação política

Augusto Cesar Magalhães Pinto*

Basílica de S. Francisco em Canindé

           Desde que iniciei minhas pesquisas históricas, vi em diversas fontes que quando da emancipação de Canindé, o município foi formado por terras desmembradas de Fortaleza e Quixeramobim.  No nosso livro “Viagem pela história de Canindé”, página 64, capítulo V, denominado “Os primórdios da atuação da Câmara municipal de Canindé”, apesar de termos mencionado textualmente tal afirmação, fazemos referência a primeira reunião da Câmara Municipal de Canindé, ocorrida em Baturité no dia 21 de junho de 1847. Confesso que esse assunto sempre me deixou intrigado. Ora, se não há registro de que Canindé tenha sido desmembrado, ainda que parcialmente de Baturité, por que cargas d’agua a primeira reunião da nossa Câmara foi lá, ao invés de Fortaleza ou Quixeramobim? É bem verdade que Canindé juridicamente pertencia a Baturité e é de se fazer nova indagação: por que não pertencia juridicamente a Fortaleza ou Quixeramobim?   
        Sem autoridade para questionar, me limitei a dizer no segundo parágrafo do capítulo, de maneira despretensiosa e sem nenhum destaque que “a sessão representou de maneira prática e definitiva de Baturité e Canindé, quando esta, a partir daquela data, passou a contar com sua própria Câmara funcionando em próprio território”.  A origem de toda questão se acha no “Anuário do Ceará”, que tem como autores Antônio Martins Filho, Raimundo Girão e Doriam Sampaio; sem dúvida nomes de peso que chancelam uma fonte confiável de pesquisa.
          O incansável octogenário Padre Neri Feitosa, a quem Canindé muito deve pela determinação, o  gosto pela pesquisa da nossa história e o incentivo que dá aos novos pesquisadores pela autoridade moral do exemplo, reabriu a polêmica em 2010, com sua monografia nº 5, do Instituto de Memória de Canindé, denominada “Achegas ao Livro Origens de Canindé”. Dito autor, discorda do anuário apresentando argumentos sólidos e irrefutáveis, porém, desprovidos de soberba, ressaltando que, “salvos melhor juízo e melhor documentação”, NÃO vê como o município de Canindé tenha em parte sido desmembrado do território do município de Quixeramobim nem que o município tenha cedido parte para a autonomia do município de Canindé, nem que a cidade de Canindé tenha algum dia ficado no mapa territorial de Quixeramobim. De forma elegante, defende os autores do anuário (apesar de não concordar com eles) dizendo que eles “têm uma certa razão de generalizar uma afirmação para não perder tempo com o vaivém da divisão administrativa dos Distritos e Municípios”.
                 Sabe-se que desde 1796, quando Canindé concluiu sua primeira igreja (apesar de estar faltando uma torre e o assoalho) os canindeenses requereram a Rainha D. Maria I (inicialmente conhecida como “a Piedosa” e depois a “Louca” por sofrer de problemas mentais, sendo que na realidade era seu filho D. João quem de fato governava) a criação de uma paróquia, naqueles tempos chamadas de Freguesia. Estávamos na mera condição de colônia e as relações da Igreja com o Estado português eram regidas pelo Padroado que se constituía num acordo entre a Santa Sé e o governo português. Os cargos mais importantes e até os párocos, então chamados de vigários colados, eram de escolha do monarca e recebiam subsídios como se fossem funcionários públicos. Desta forma, o governo não tinha o menor interesse em criar freguesias que na prática aumentariam a despesa a ser coberta pelo erário.
                 Na pequena povoação de Canindé, a devoção ao santo padroeiro era incipiente e crescente, sendo que as contribuições recebidas dos fieis que traziam oferendas ao oráculo em penhor da gratidão pelas graças alcançadas foram decisivas para formação do patrimônio de São Francisco das Chagas que, impossibilitado de manter um pároco às expensas das rendas do aludido patrimônio, era um significativo argumento para a Côrte portuguesa dignar-se a criar uma Paróquia e consequentemente nomear um vigário. Todavia, as decisões eram muito lentas e duas décadas depois nada ainda tinha sido resolvido.
            Novamente em 1816, os canindeenses mandaram uma súplica, desta feita dirigida à Mesa de Consciência, solicitando uma nova Freguesia nas Ribeiras do Curu. Dita Mesa era quem dava encaminhamento ao pedido, evidentemente, dando parecer e formando um processo que contava inclusive com um parecer de 20 de abril de 1802 que tinha como signatário o Pároco da Vila de Fortaleza, Pe. Cláudio Alvares da Costa e um despacho do Governador da Capitania, Manoel Ignácio de Sampaio, datado de 27 de junho de 1816. Foi neste mesmo ano que D. Maria I faleceu, e seu filho, que há anos de fato governava, foi empossado como rei e recebeu o nome de D. João VI, e era quem na verdade tinha o poder de decisão sobre a criação da nova paróquia.
           Fazia oito anos que a família real se achava morando no Brasil fugindo das guerras napoleônicas, e desde então a colônia passou à condição de Reino Unido de Portugal e Algarves. A presença do monarca no solo brasileiro e o crescente aumento do patrimônio de São Francisco foi decisivo para que D. João VI em 30 de julho de 1817, despachasse o alvará de ereção da Paróquia de São Francisco das Chagas de Canindé, elevando-se da categoria de capela, então filial de Fortaleza, para Matriz Colada, ato confirmado pelo então Bispo de Pernambuco, Dom Frei Antônio de São José Bastos.
Canindé antigo: vista do local onde é
hoje o coração da cidade
          Todo este processo  está catalogado por completo no Arquivo Público do Estado do Ceará,  no Livro de Registro de Ofícios do Tribunal do Desembargo e do Paço, Mesa da Consciência e ordens,  achando-se em único Tomo os processos ocorridos na Província do Ceará de 1814 a 1819. Ali lê-se no bojo da solicitação os limites requeridos e deferidos como a da nossa Paróquia, a saber: “Pelo Nascente até a Serra de Baturité a confinar com a Freguesia de Aquiraz e vindo Canindé abaixo para o Rio Curu e extrema na Barra do Cachitoré, e subindo pelo mesmo Riacho Cachitoré a compreender tudo que fica para a parte do mesmo Cachitoré e Curu e, procurando o poente sobe pela mesma ribeira do Curu até a Serra do Machado a confinar com a Freguesia de Quixeramobim”.
          No mesmo documento consta que “Esta partilha não prejudica a Freguesia de Fortaleza porque lhe ficam treze Capelas Filiais...” O documento não faz nenhuma menção a Quixeramobim a não ser quando no parágrafo anterior se refere ao confinamento da nova Freguesia. O Decreto nº  365 de 29 de julho de 1846 que cria o município de Canindé com elevação a Vila, diz no seu artigo 2º que os limites do termo desta Vila serão os mesmo da freguesia e com base na documentação pertinente acima exposta, é de se valorar a pesquisa do ilustre Pe. Neri, que mesmo sendo dispensável nossa opinião é de se reconhecer, no mínimo, que são verossímeis suas conclusões.
           Os tempos são outros, é bem verdade;  hoje em dia com a proliferação de outras igrejas e até seitas e a consequente perda parcial da hegemonia da Igreja Católica, há uma certa ciumeira quando se faz a ligação da emancipação do município com a atuação da Igreja. Todavia, mesmo que se reclame que o historiador/pesquisador faça uma abordagem “laica” da história, é impossível, pelo menos na história e Canindé, essa dissociação.
           Nascemos sob a égide do manto franciscano e foi simbioticamente ligado ao exercício dessa fé que a Meca franciscana floresceu. A aura mística que envolve este solo sagrado dá a esta cidade a condição de segundo maior santuário franciscano do mundo. Afora essa, é inquestionável a vocação desenvolvimentista desta cidade, apesar da nossa orfandade política, sob os múltiplos aspectos. Parabéns, terra querida, pelos teus 165 anos de emancipação na imorredoura esperança de que dias melhores nos aguardam.

*Autor dos livros "Viagem pela história de Canindé" e "Histórias de nossa terra e de nossa gente".

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O VALOR DO AMIGO



A relação entre as pessoas continua sendo o grande desafio na vivência humana. Na verdade, quando o parceiro está longe faz falta e quando está perto, às vezes, faz raiva. Mas a força do amor é sublime e é belo ver jovens namorados ou vividos idosos continuarem a caminhada do Amor. Nos dias atuais os computadores e TVs tentam substituir a velha roda de conversa nas calçadas. Os relacionamentos ficaram frios e egoístas! Precisamos de colo e de carinho e ainda descobrir no espelho da face do irmão a revelação de nós mesmos como humanos que somos. Nada substituirá uma boa conversa. Um bate-papo descontraído com bom humor. Valorize seu amigo! Ele é um passaporte para a felicidade!

(Da Folhinha do S. C. de Jesus)


SONETO DO AMIGO

Vinicius de Moraes

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

segunda-feira, 18 de julho de 2011

DOIS LIVROS QUE ME TOCARAM O CORAÇÃO

"Vamos Aquecer o Sol"

Flávio Henrique Marques F. Lima*


No primeiro artigo, externamos a forte impressão que nos causou o livro O Meu Pé de Laranja-Lima, a obra mais conhecida de José Mauro de Vasconcelos. Concluímos relatando o imenso sofrimento de Zezé com a morte do seu Portuga, que foi para ele um verdadeiro pai. A história não teve um final feliz, e quem não chegou a conhecer o livro Vamos Aquecer o Sol, em que José Mauro conta a mudança radical na sua vida ainda quando criança, pode ter ficado extremamente decepcionado e compassivo diante da sorte de Zezé.
Ao relatar algumas passagens do livro, citaremos os números das páginas da 2.ª edição da sua publicação pela Editora Melhoramentos, São Paulo, de 2007, por questão de direitos autorais.
Ocorreu que a família de Zezé, que continuou a passar por grandes problemas de sobrevivência, mandou o nosso garoto para a cidade de Natal, para ser criado por seu padrinho médico que só tinha uma filha. (Alguns autores referem que se tratava de tios, mas não há certeza quanto a isso.) Na sua nova família, Zezé gozava de conforto, tinha aulas de piano de que não gostava e foi educado em um colégio de irmãos maristas. No entanto, faltava-lhe o afeto dos seus novos pais, que talvez não o tivessem para dar (isso era muito comum no começo do século XX, devido à educação rigorosa no ambiente familiar), não obstante gostarem da criança. A verdade é que eles eram bem intencionados, mas não sabiam dar amor a uma criança tão sensível e romântica como Zezé, que chegava às vezes a sentir saudade da sua vida livre em Bangu, brincando na rua.
Quando Zezé entrou no primeiro ano ginasial (págs. 32-33), ficou contente e orgulhoso, e foi correndo ao consultório de seu pai (era assim que Zezé o chamava) para mostrar a lista de livros e pedir-lhe o dinheiro para comprá-los. O seu pai disse: “Você não vale o preço desses livros. Está bem. Em casa lhe dou o dinheiro.” Às vezes, seu pai chamava-o de bugre, visto que a mãe de Zezé era uma índia da tribo Pinagé. O pai biológico dele, por outro lado, era português, segundo os biógrafos.
Talvez por causa da riqueza da imaginação de José Mauro, várias passagens do livro contam as conversas de Zezé com o sapo Adão e o artista de cinema Maurice Chevalier, tal como fazia com o pé de laranja-lima na sua primeira infância. O fato é que não se sabe se esses diálogos íntimos realmente aconteceram, mas o importante é que são ricos de belos sentimentos. Porém temos certeza da existência do Irmão Feliciano, um padre extremamente generoso e meigo do Colégio Marista que tratava Zezé com carinho e admiração pela sua inteligência e beleza de sentimentos. Zezé às vezes o chamava pelo seu verdadeiro nome: Paul Louis Fayolle. No final do livro, Zé Mauro conta que, já adulto, foi visitar sua família de criação em Natal e escreveu uma carta para Fayolle, que lhe respondeu dizendo que estava  muito doente, em Fortaleza, Zé Mauro viajou para Fortaleza de ônibus e lá tiveram, possivelmente, o último encontro.
Zezé era muito pequeno e magro para a sua idade, mesmo bem alimentado na sua nova casa. Fayolle sugeriu que uma operação de amígdalas seria bom, De fato, depois de operado, o garoto cresceu tanto que era um dos mais altos do colégio, além de ter um físico de atleta devido à natação que praticava. Conta-se que Zezé ganhou por diversas vezes campeonatos de natação em Natal. Já adolescente, adorava nadar na foz do rio Potengi, treinando possivelmente para as provas nas piscinas. Havia tubarões no rio, e certa vez teve de nadar muito para fugir de um deles (págs. 125-126).
Zé Mauro era loiro e no livro Doidão, o terceiro da sua série autobiográfica, conta suas aventuras amorosas. Quando foi morar no Rio de Janeiro, já adulto, foi modelo (dentre as diversas profissões humildes que exerceu, por opção própria), e há em frente ao antigo Ministério da Educação, naquela cidade, uma estátua do Monumento à Juventude, para a qual serviu de modelo.
Seu (terceiro) pai fez de tudo para que Zezé viesse a ser médico. Ele chegou a cursar dois anos de Medicina em Natal, mas abandonou o curso, tentou outros, inclusive Filosofia, e, devido ao seu espírito aventureiro (talvez pela sua origem indígena), tentou várias profissões humildes no Rio e em São Paulo, rejeitando todo o apoio material de seu pai adotivo. Depois foi ator de cinema e de novelas.
Foi professor de escolas indígenas em Pernambuco e conviveu muitos anos com os irmãos Villas Boas, em tribos do interior do Brasil. Devido à sua prodigiosa memória aliada à imaginação e talento para contar histórias, ganhou uma bolsa para estudar Literatura na França. Seus livros foram traduzidos em diversas línguas européias.
José Mauro morreu com apenas 64 anos de idade, em 1984. Sugerimos ao leitor que veja na Wikipedia uma pequena porém boa biografia desse autor tão querido pelo povo, pelo seu estilo simples e romântico que, como já dissemos, encontra eco nos mais nobres sentimentos da alma humana.

*Fazendário formado em Economia.

domingo, 17 de julho de 2011

ALMANAQUE DE DOMINGO

UM FATO

Serrote Logradouro: no mapa da mina
Este cenário poderá deixar de ser o mesmo num futuro próximo. No pé do serrote Logradouro, nos arredores de Vila Campos, instalou-se há poucos dias uma mineradora. Não temos dados precisos sobre a empresa, mas já é possível ver caminhões transportando imensos blocos de pedra que estão sendo extraídos no local. Vila Campos é cercada por uma cordilheira de montanhas baixas e o Serrote Logradouro afigura-se como o guardião dessa ciranda de serras. Segundo os mais antigos, no início da década de 40, esses serrotes tornaram-se o eldorado para os sertanejos durante uma seca prolongada. Foi detectada no local uma mina de rutílio e a exploração desse mineral foi uma verdadeira fonte de economia para os camponeses durante o flagelo da estiagem. Agora, a exploração de outro tipo de minério acontece em grande escala. Voltaremos a detalhar o assunto em breve aqui no blog.

UMA ANEDOTA

Do livro “A Praça do Ferreira – República do Ceará Moleque”, de Juarez Leitão, recolhemos esta:

“Conta Daniel Carneiro Job que, uma tarde, Demócrito Rocha passou cedo pelo Majestic e encomendou ao seu João quatro avoantes para tira-gosto da cerveja que tomaria mais tarde, no fim do expediente do jornal. O atarefado garçom se esqueceu completamente da encomenda e quando viu, por volta das 18 horas, chegar o freguês acompanhado de um amigo, procurou uma saída. Raspou lá pelas panelas uns restos de avoantes, enfeitou com tomates e alfaces e trouxe o pedido para a mesa com a cerveja geladíssima. Demócrito examinou o prato e viu logo a enrolada: ali só tinha pernas e asas. Reclamou:
- Seu João, cadê a titela da bicha?
E o esperto João Marques, fingindo estupefação:
- Foi bem a arma do caçador que levou. Eita, tiro lascado!!!

UM SONETO

Um dos sonetos mais conhecidos em todo o mundo literário é o “Soneto d’Arvers”, do poeta e dramaturgo francês Aléxis-Félix Arvers. Seu célebre soneto inspirou diversas traduções, peças e livros dedicados inteiramente ao seu desvendamento motivando extrema curiosidade sobre a musa que o teria inspirado. No Brasil, foi traduzido entre outros por J. G. de Araújo Jorge e por Guilherme de Almeida. Reproduzimos aqui a tradução feita pelo poeta e educador cearense Filgueiras Lima (1909-1965):

“Tenho na alma um segredo e na vida um mistério,
Um grande e eterno amor num momento nascido
Sem esperança, oculto, é um mal sem refrigério
Daquela que o inspirou nunca jamais sabido.

Ai de mim! Ao seu lado irei despercebido,
Junto dela, e sozinho, embevecido e etéreo
E chegarei ao fim de meu viver funéreo
Sem nada haver ousado e nada recebido.

E ela, a quem o Senhor fez de ternura cheia,
Irá em seu caminho inteiramente alheia
Ao murmúrio de amor que aos seus pés cantará.

E, fiel ao dever que austeramente zela,
Dirá, talvez, ao ler meus versos cheios dela:
‘Que mulher será esta?’ – e não compreenderá.”

UM REPENTE

Cantavam Inácio Bezerra de Sousa, de São João do Cariri (PB) e José Bernardino de Oliveira, de São José do Egito (PE), quando Inácio termina um improviso filosofando:

“Este mundo é puro engano;
A vida não vale nada!”

Fazendo retrospecto de sua vida, Bernardino completa o esboço da sentença:

“Eu já fui quase uma fada,
Tesoureiro da moeda!
A sorte me fez subir,
Para depois dar-me queda!...
A vida é como garapa,
Que por qualquer coisa azeda!”

(“Antologia Ilustrada dos Cantadores”, de Francisco Linhares e Otacílio Batista)

UMA CURIOSIDADE

Neste período do ano em que o Leão do Imposto de Renda passa a devorar com selvageria o bolso do contribuinte, relembremos Lady Godiva, “nobre anglo-sacônica (c.1040-1080), famosa pelo seu legendário passeio a cavalo por Coventry, Inglaterra. Seu marido, Leofric, conde de Mércia, prometera reduzir os impostos que recaíam sobre o povo da região, se Lady Godiva passeasse nua pelas ruas da cidade, montada num cavalo branco. Segundo a lenda, todos os homens ficaram em casa enquanto ela cumpria a promessa; apenas um (‘peeping Tom’) tentou ver o espetáculo. Hoje em dia, os impostos continuam mais selvagens do que nunca. Mas certamente não é por isso que se veem tantas godivas mostrando sua exuberância carnal. E todos somos “peeping Tom”.

UM PENSAMENTO

“Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.” (Charles Chaplin)

UM CAUSO

Altay Pereira, por e-mail, nos manda esse causo do Bunaco que, por sua vez, já lhe foi repassado pelo radialista Tonico Marreiro.

“Findava o ano de 67. Um ano de seca. O açude São Mateus esturricou. A cidade de Canindé era abastecida através de uma adutora, que fornecia a água que restava nos porões do açude Salão. O ano seguinte se iniciava sem sinais de chuva. Num domingo de carnaval, Walter Cruz, de saudosa memória, e Dona Mundinha reuniram os amigos na Fazenda São Pedro. Chico Walter ao violão cantava para o agrado de todos. De repente, ele pára e entra no assunto que era discutido no momento: a falta d’agua em Canindé. 
Opinião de um e de outro, quando o poeta Celso Góis se vira para o Bonaco e diz:
- Bonaco, essa água do açude Salão não serve pra nada. O Bonaco pergunta por quê. Celso Góis explica:
- Bunaco, a água tá verde, verde...
A resposta do Bonaco foi em cima da bucha:
- Serve sim, Celso. Serve para lavar pano de sinuca...”

UMA HOMENAGEM

Antonio Alves Pereira, o Antonio da Carroça, é uma das personagens mais populares do meio urbano canindeense. Sua carrocinha de bijuterias é a mais conhecida e mais enfeitada de tantas que trafegam pelas ruas da cidade. Melhor dizendo, é a pioneira, pois foi ele o primeiro a ter a ideia de botar sobre duas pequenas rodas de bicicleta, o seu comércio ambulante. Onde quer que se ache um caminhão de romeiros em Canindé, o Antonio da Carroça se diz presente. Sexagenário aposentado, nem por isto abandou sua atividade de camelô, tradição que herdou de seu pai, que por sua vez foi o maior vendedor de folhetos de cordel da cidade. Costumava ir a Juazeiro do Norte para de lá trazer pacotes de folhetos adquiridos nas velhas tipografias, como a Lira Nordestina. Na minha meninice, fui seu cliente fiel. O filho deu sequência honrada à tradição do pai.
Cadê a CDL de Canindé que não homenageia o Antonio da Carroça?!

UMA IMAGEM

UM ÓTIMO DOMINGO