sexta-feira, 3 de junho de 2011

CRÔNICA SERTANEJA



ENFIM, VERÃO...
Pedro Paulo Paulino
O mês de junho chega anunciando uma nova estação para o sertanejo. Estamos entrando no verão, a segunda estação do ano para nós cearenses. Aqui, só conhecemos duas etapas climáticas bem definidas: inverno e verão. Isto quando chove. Nos anos de seca, a estação é uma só. Este ano, porém, tivemos um bom inverno, principalmente na região do Sertão Central, onde não houve grandes enchentes e alagamentos. Em outras regiões do Estado, as chuvas foram mais intensas e até causaram prejuízos.
Uma das grandes dádivas do inverno deste ano foi a reposição da reserva hídrica. Até mesmo os grandes reservatórios, Castanhão e Orós, por exemplo, sangraram. Outros, de médio porte, não chegaram a sangrar mas captaram bastante volume dágua. O imperial açude do Cedro, em Quixadá, raramente sangra e, mais uma vez, este ano passou, como se diz, batido. Em Canindé, o açude S. Mateus, com capacidade de 11 milhões de metros cúbicos, sangrou com uma lâmina dágua muito baixa. Já o açude Sousa, com capacidade três vezes maior, não sangrou.
As chuvas, conforme previsto e agora confirmado pela Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), atingiram índice um pouco acima da média histórica, que é de 600 milímetros. A rapidez com que os médios e grandes açudes do Estado completaram sua reserva hídrica até sangrar, deve-se ainda ao inverno de 2009. Segundo dados da Funceme, nesse ano choveu 1.003 milímetros, tendo se configurado como o maior inverno no Ceará dos últimos 30 anos. Em descompensação, a seca de 2010 foi considerada a maior estiagem também dos últimos 30 anos.
É importante ressaltar o progresso nas pesquisas climáticas principalmente em nosso Estado. O órgão oficial do governo, a Funceme, durante muito tempo esteve desacreditada, tornando-se até alvo de chacota por parte do povo. Mas nota-se agora um empenho mais profissional e competente na equipe dos seus meteorologistas e pesquisadores. É claro que o estudo do clima atualmente denota um intercâmbio entre os diversos órgãos especializados no assunto, gerando com isso uma aproximação bem maior entre previsão e realidade. O próprio rurícola já está habituado a prestar atenção diariamente, no período do inverno, à previsão do tempo feita no rádio e na televisão. Não se sabe se esse conteúdo influencia na vida prática do sertanejo, que no fundo ainda é um grande observador da natureza.
Prova disso é o grande encontro dos profetas do sertão realizado em Quixadá a cada início de ano, já se tornando um evento tradicional. Na ocasião, homens e mulheres de várias idades trocam suas experiências adquiridas a partir da observação direta e atento de aspectos da nossa fauna e da nossa flora. É um conhecimento já adquirido dos mais antigos e repassado de geração a geração. O evento em Quixadá chama atenção de diversos segmentos, de estudiosos e da mídia. Para alguns, o encontro dos profetas do sertão é, antes de mais nada, uma manifestação cultural. Na verdade, o folclore tem um peso indiscutível nas chamadas `experiências`. Mas não resta dúvida que muitas delas têm um embasamento científico, principalmente as que se referem ao comportamento de animais e plantas nativos.
No que tange ao folclore, a `experiência` de inverno com mais autenticidade, creio que seja a das `pedras de sal`, no dia de S. Luzia, 13 de dezembro. Uma fileira de seis pedrinhas de sal, representando cada uma os meses de janeiro a junho, é posta ao relento da noite. As pedrinhas que amanhecerem úmidas indicam que naquele respectivo mês vai chover. É evidente que essa ‘experiência’ não tem fundamentação alguma. Mas é de uma grandeza imaginativa admirável. Outras ‘experiências’ que não vamos elencar aqui também vêm do reino da fantasia e da imaginação fértil do povo.
O mês de junho chega, portanto, inspirando-nos o clima típico do período próprio de se festejar nossos santos mais populares: São Pedro, Santo Antonio e São João. Viva as festas juninas!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

HISTÓRIA


DIA DA ITÁLIA

O dia 2 de junho é o dia da República Italiana, correspondente ao 15 de novembro no Brasil. Foi nesta data, em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, que os italianos foram às urnas para decidir o destino do país. Durante dois dias (2 e 3 de junho), a população votou para escolher a forma de governo: as opções eram República (vencedora do referendo) ou monarquia.

ITALIANOS NO BRASIL

A imigração italiana no Brasil teve como ápice o período entre 1880 e 1930. Segundo estimativa da embaixada italiana no Brasil, vivem no País cerca de 25 milhões de descendentes de imigrantes italianos. Os ítalo-brasileiros estão espalhados principalmente pelos estados do Sul e do Sudeste do Brasil, quase metade no estado de São Paulo. Assim, os ítalo-brasileiros são considerados a maior população de oriundi (descendentes de italianos) fora da Itália. É importante notar, contudo, que o Censo Brasileiro não pesquisa este tipo de informação, nem a Embaixada Italiana no Brasil realiza pesquisas nesse sentido. Culturalmente, a imigração italiana no Brasil deixou sua marca principalmente em nossa culinária. 

UM ECO DA ITÁLIA NO BRASIL
Uma voz tipicamente italiana que fez muito sucesso no Brasil foi do cantor Vicente Celestino, nascido no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, no dia 12 de setembro de 1894, filho de italianos da Calabria. Ídolo da MPB, Celestino, ainda bem jovem começou uma carreira artística que foi coroada de muito sucesso, inclusive no cinema. Uma de suas canções mais conhecidas, “O Ébrio”, gravada em 1936, dez anos depois foi transformada em filme de mesmo nome, dirigido por sua mulher, Gilda de Abreu. A produção alcançou recorde de bilheteria na época.
Outras canções do artista, “Porta Aberta”, “Coração Materno” e “Patativa”, por exemplo, ainda são rodadas até hoje em emissoras de rádio de todo o país. Celestino passaria incólume por todas as fases e modismos, mesmo quando, no final dos anos 50, fiel ao seu estilo, gravou “Conceição”, “Creio em Ti” e “Se Todos Fossem Iguais a Você”. Seu eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor, fizeram com que o povo o elegesse como A Voz Orgulho do Brasil.
Nunca saiu do Brasil e manteve sua voz grave que era marca registrada independente do estilo musical que estava executando. Teve suas músicas regravadas por grandes nomes, como Caetano Veloso, Marisa Monte e Mutantes.
Vicente Celestino teve uma das mais longas carreiras entre os cantores brasileiros. Quando morreu, às vésperas dos 74 anos, no Hotel Normandie, em São Paulo, estava de saída para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil, na famosa gafieira “Pérola Negra”, que seria gravado para um programa de televisão.
Outra música de Vicente Celestino que fez muito sucesso na sua voz e, mais tarde, na voz de outros intérpretes, é Mia Gioconda. Para ouvir, click no link abaixo:

CORDEL DE ÉPOCA


No dia 8 de março de 1997, eu e o poeta Arievaldo lemos na revista Veja matéria intitulada “Dolly, a revolução dos clones”, com o seguinte sub-título: “Ian Willmut abre uma polêmica sobre ética na pesquisa científica ao copiar ovelha em laboratório”. Achamos um verdadeiro desperdício esse renomado cientista gastar seu precioso tempo fazendo clone de ovelha, já que existe tanta mulher bonita por aí… Foi então que imaginamos clones da Carla Pérez, Bruna Lombardi, Isadora Ribeiro, Vera Fischer e outras musas da época. E este cordel que foi publicado numa caixa com dez folhetos de nossa autoria, e ainda no livro O Baú da Gaiatice, de Arievaldo. Os versos, claro, são uma sátira ao assunto mais controverso e polêmico da época. Já nos dias de hoje, o que está muito em voga é a clonagem de cordel.


SE O CLONE FOR APROVADO
VOU MANDAR FAZER O DELA

Arievaldo Viana e
Pedro Paulo Paulino

Já que ela não me quis
Vou apelar pra ciência
Nem que minha consciência
Me transforme num infeliz
Eu desejava a matriz
Mas só me trouxe querela
Pra terminar a novela
Já estou determinado:
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Se com ovelha é possível
Por que não daquela gata?
A sorte não é ingrata
E a ciência é incrível
Acho muito apetecível
Um clone até do Mandela
Já do Carneiro Portela
Eu acho bem empregado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Tomara que o equipamento
De fazer repetição
Tire dela a danação
Que me deixou ciumento
Foi o mais perfeito invento
Que a TV mostrou na tela
Se não passar de balela
Eu já me sinto animado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Num vilarejo pacato
Eu procuro um certo alguém
Se ela não me quis bem
Eu nem por isso me mato
Sou um homem, não um rato
Mulher pra mim, só tem ela
A considero a mais bela
E a desejo a meu lado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Eu quero com perfeição
A cópia da criatura
Com a mesma curvatura
Do corpo de violão
São não quero o coração
Que me deu triste sequela
Mas quero a boca singela
Que me deixou amarrado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Já disse isso em Natal
E afirmo no Canindé
Amor pra mim só dá pé
Se eu pegar esse “animal”
Agora, no Carnaval
Eu segurei até vela
Quase que morro por ela
Êta! Que amor arretado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Sei que agora vou viver
Ao seu lado, sem parar
Pois quando um clone acabar
Mando logo outro fazer
Vou sempre permanecer
Ao lado dessa donzela
Quem para ciência apela
Nunca fica abandonado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Em se tratando de clone
Eu acho coisa decente
Resolve um amor pendente
Até paixão de ciclone
Lá no brega, um cicerone
Me mostrou linda “donzela”
Mas depois do “rela-rela”
Me senti prejudicado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Era esse o tal problema
Que me deixou descontente
E a ciência, de repente
Pôs um fim no meu dilema
O amor é forte tema
Ninguém na vida o cancela
Morena cor de canela
Vou tirar meu atrasado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

O meu amigo aconselha
Sendo um vate campesino
(Mas não sendo o valdivino
Dono mesmo de uma ovelha):
Faça o que lhe der na telha
Copie quem não lhe dá na trela
E não ligue pra mazela
Que chifre não é pesado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Mulher, embora vadia
Também merece clonagem
Pois somente a vadiagem
Satisfaz a nossa orgia
Tudo, tudo eu toparia
Pularia até cancela
Por um coisa daquela
Me confesso um desgarrado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Agora mesmo eu queria
Um clone bem reluzente
De olhar verde, inocente
Vindo da Andaluzia
Não quero a fotografia
Porque paixão não revela
A foto fica amarela
E a gente deixa de lado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Se eu pegá-la, vou tirar
Dez cópias de uma só vez
Depois, com todos vocês
O pão vou compartilhar
Só assim posso evitar
De cair numa procela
Do chifre, que sempre atrela
O cabra despreparado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Chifre era antigamente
Agora, está resolvido
A mulher que tem marido
Se acaso achar pretendente
Não dá nada de presente
Como se vê em novela
Tira carne da costela
E o “negão” fica arrumado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

Junta óvulo, cromossomo
Mais um pedaço da teta
Bota tudo na proveta
Mistura com sabão Omo
Bastar consultar um tomo
Que descreve essa querela
Não precisa de sovela
Deixe o martelo de lado
Se o clone for aprovado
Vou mandar fazer o dela

quarta-feira, 1 de junho de 2011

MEMÓRIA


AIR FRANCE – TRAGÉDIA COMPLETA DOIS ANOS

Há dois anos o mundo inteiro comovia-se com o desastre aéreo que matou 228 pessoas de 33 nacionalidades, inclusive 58 brasileiros. No mês que passou, foram encontradas no fundo do Oceano Atlântico as caixas-pretas do voo Air France 447. Até agora, mais de uma centena de corpos já foi resgatada pelo BEA, o órgão francês responsável pelas investigações. Segundo as informações, a análise das caixas-pretas aponta para falha técnica. No entanto, os próprios familiares das vítimas suspeitam de falha humana. Foi divulgado até que o comandante da aeronave, o piloto Marc Dubois, estava descansando quando o avião começou a entrar em pane.
Um dos detalhes revelados por uma das duas caixas-pretas dá conta de que a queda do avião da Air France durou três minutos e meio. Quando esses dados (por sinal muito escassos) começaram a ser divulgados, especialistas disseram na imprensa que “a queda do avião não foi sentida”, porque os passageiros podem ter sofrido um fenômeno chamado “desorientação espacial”. Sem querer ser pessimista, duvido muito que o pânico não tenha tomado de conta de todos os ocupantes da aeronave. Imaginemos um monstro de quase duzentas toneladas, a onze mil metros de altitude e 900 quilômetro/hora despencando a uma velocidade de 200 quilômetros/hora até se despedaçar dentro dágua. Três minutos e meio devem ter sido uma eternidade.
A tragédia com o Voo Air France 447, rota Rio-Paris, foi sem dúvida uma das maiores da aviação civil. Um mundo de sonhos, planos, expectativas e emoções antevistas foi de um momento para o outro naufragado. Viajavam no voo trágico, artistas e profissionais de diversas áreas. Entre eles, o maestro Silvio Barbato, regente do Theatro Municipal do Rio e da Sinfônica de Brasília. Octavio Augusto Ceva Antunes, cientista de primeira linha no Brasil, um dos pesquisadores mais produtivos do Insituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele foi consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS), na produção de remédios de combate ao HIV.
Ainda lembro que, na semana do acidente, ouvi no rádio um espírita dizer que “todos os passageiros do Voo 447 foram reunidos no plano espiritual para desencarnar juntos naquele dia”. No momento, perguntei-me por que os “agentes do plano espiritual” não reuniram 228 congressistas em Brasília para “desencarnarem” naquele dia…
EM 1973
O primeiro desastre aéreo da rota Rio-Paris aconteceu na tarde de 11 de julho de 1973. “Quando faltava apenas um minuto para atingir a pista do aeroporto de Orly, o Boeing 707 do voo RG 820 da Varig fez um pouso forçado sobre uma plantação de repolhos, no vilarejo de Saulx-les-Chartreux, ao sul da capital francesa. Das 134 pessoas que haviam embarcado no Aeroporto Internacional do Galeão, 11 sobreviveram – dez tripulantes e um passageiro. Entre os 123 mortos, encontravam-se personalidads ilustres, como o então presidente do Senado, Filinto Muller, o cantor Agostinho dos Santos, a atriz Regina Lécrery e o iatista Joerg Bruder.” O acidente aconteceu a apenas cinco quilômetros do aeroporto de Orly. 

PERSONAGEM


ZÉ FREIRE

Augusto Cesar Magalhães Pinto

             Um dos tipos populares mais arretados destes sertões canindeenses chama-se José Freire Sobrinho, ressaltando logo que não tem apelido, mas é conhecido como Zé Freire. Bonachão e espontâneo, contagia qualquer ambiente com sua exacerbada energia, sua voz de timbre forte e seus causos hilários, sendo que onde chega, em pouco tempo fica rodeado de pessoas que gostam de ouvi-lo.
             Sertanejo forte, veio ao mundo na seca de 1937, no dia 11 do santo mês de Maria, na fazenda Buriti, entre as fazendas “ Grossos” e “Longá”; época de grande penúria para o povo nordestino, e em especial para o Ceará, onde havia a total dependência da quadra invernosa e não existia nenhuma rede de proteção social por parte do Estado.
             Afirma com todo orgulho que foi abençoado por Nossa Senhora na hora do seu nascimento, haja vista, que sua mãe há 14 dias nada comia e ele teve como primeiro alimento o leite de uma jumenta, único bem que restava à família. Mesmo assim, nasceu forte, sadio  e inteligente, atributos que sempre conservou.
             É um homem dotado de muitas profissões, entre as quais: veterinário prático, mestre de obras, agricultor, vaqueiro, curandeiro, motorista e poeta. Diz já ter possuído dezenas de propriedades rurais, sendo a primeira, e mais conhecida, denomina-se “Cachoeira”, localizada nas proximidades do campo de aviação, propriedade que, toda cercada e com os currais lotados de gado, deixou para a esposa quando se separou.
             Casou-se uma única vez, todavia, se diz muito fogoso, razão pela qual já teve dezenas de amantes, tendo predileção por mulheres jovens e esbeltas. Filosofando sobre o belo sexo, afirma do alto da experiência de seus 72 anos: mulher só presta nova e de 50 kg pra baixo. A propósito, diz que a atual companheira tem 26 anos e pesa 36 kg, depois da janta; ela é tão magra que, outro dia, ele forrou o colchão da cama, do lado que ela dorme, de bolacha “creme-craquer” e na manhã seguinte, após minuciosa perícia, constatou que todas elas estavam intactas.
               Segundo filho de uma prole de doze irmãos (sete homens e cinco mulheres), iniciou sua vida como a esmagadora maioria dos sertanejos da sua época, labutando na agricultura. Posteriormente, num dia de domingo, a família recebeu a visita de um irmão do seu pai, e este vendo a desenvoltura de Zé Freire, moleque esperto e falante que naquela época mal completara 11 anos, solicitou ao irmão que lhe desse o sobrinho para “comboiar” com ele que tinha mais futuro do que esse negócio de agricultura.
               Por anos a fio Zé Freire trabalhou de modo itinerante, comboiando um lote de burros para a Serra, trazendo rapadura e café e levando outros gêneros. De princípio viajava com o tio e posteriormente passou a viajar sozinho. Apesar do tio explorá-lo sem nada pagar-lhe, adquiriu grande experiência na atividade, conheceu muitas trilhas e se envolveu com muitas mulheres. Trabalhava somente pela “bóia” (igual a caixa d´agua), dando lucro ao patrão/tio sem nada dele ganhar, porém, experto, fazia pequenos negócios paralelos e ganhava o bastante para os seus modestos luxos.
               Cansado de ser explorado pelo tio, que abandonou a profissão comboieiro e abraçou o ócio, pediu demissão no dia 23 de agosto de 1953, e, para não atritar com ele, agradeceu-lhe por tudo que ele lhe proporcionou e solicitou que ele lhe desse uma gratificação pelos anos trabalhados. O Patrão já suspeitava da intenção do sobrinho e ficou muito ofendido pela sua insolente “ingratidão”; chamou seus capangas, chefiado por um de nome “Sebastião” e ordenou que eles dessem o pagamento ao “ingrato”. O capanga deu seis tiros no Zé mas nenhum pegou nele. O mais impressionante é que quando ele atirava, metade da bala ficava o cano e a outra metade fora, ocasião em que Sebastião arrancava a bala no dente e fazia outro disparo, em vão. Os capangas concluíram que Zé Freire tinha o corpo fechado e foram com ele no punhal. Nosso herói mostrou valentia e destreza, tendo ao final do encarniçado combate, saído completamente ileso e deixado 14 feridos, à faca.
              Fugiu para a Serra de Baturité e conhecendo bem a região e os moradores refugiou-se num Sítio, pertencente a um determinado senhor (o Zé dava nome a todos os bois, mas prefiro omitir) e apesar de ser uma época em que predominava o império machista,  era sua esposa quem de fato governava o empreendimento com mão de ferro. Era afamado o dizer daquela época que lá nem a polícia entrava sem a anuência dela. De fato, ele nunca foi molestado por ninguém e nem respondeu qualquer processo pelas lesões, atribuindo ao poder da patroa a sua impunidade. Entretanto trabalhou por oito anos no regime de semi-escravidão.
                Posteriormente ele foi trabalhar em outro Sítio, desta feita, no município de Mulungu, onde, segundo afirma, trabalhava dia e noite: de dia tomava conta de oito burros do patrão e de noite promovia-lhe a proteção empunhando um possante rifle “papo amarelo”. Saiu de lá às pressas por ter sido flagrado namorando a linda filha do patrão e este, muito preconceituoso, só queria que a filha namorasse com doutor. Ciente de que não tinha sorte com patrão, enfrentou a vida com os parcos recursos que acumulou estoicamente. Todavia, como Deus abençoa a quem trabalha, em pouco tempo multiplicou seu capital, comprando e vendendo animais, e tornou-se próspero   fazendeiro. Toda a humilhação que sofreu nos anos que trabalhou como empregado lhe forjaram na mente o conceito de que nunca mais trabalharia para ninguém. Porém, engana-se que se arvora a ser o dono do próprio destino.
                Na década de 1980, através da atividade comercial que desenvolvia (compra e venda de gado), deparou-se Zé Freire com um bem sucedido comerciante de livros da capital, Sr. Sérgio Braga Barbosa que adquirira uma fazenda no município de Caridade, na região conhecida como “Pereiros”, a qual denominou de Fazenda Alegria. O fato é que ambos ficaram se conhecendo e nasceu uma sólida amizade. A pedido daquele cidadão, embora tivesse firme o propósito de nunca mais trabalhar para ninguém, se rendeu ao apelo do amigo que necessitava de um gerente para a fazenda e ali permaneceu de 1985 a 1994. Homem prestativo e de uma calma eclesiástica, em pouco tempo, Sergio Braga tornou-se um líder naquele município e através do respeito mútuo com aquela comunidade terminou por ter sido eleito prefeito, no ano de 1992. A pedido do patrão, de quem era seu braço direito, o Zé não teve alternativa a não ser servi-lo como preposto da prefeitura, onde passou a ser um mestre de obras dos serviços da municipalidade, cargo este  que ele, sem falsa modéstia,  denomina de Secretário Geral da Prefeitura.
                 Em 1998, Zé Freire foi morar na Fazenda Esperança e ao que parece, em termos financeiros, não foi muito feliz e, segundo diz “foi esgotar o mar com uma cuia” que em termos práticos significa: trabalhar, trabalhar e não vê resultado. Houve uma época em que ele tinha um caminhão F.4000, transporte no qual fazia horário para Canindé. De certa feita, na Festa de São Francisco, ele viajava para a Meca franciscana, transportando moradores da “Esperança” que vinham assistir a novena do padroeiro. Ao Passar pela Vila Campos havia um rigorosa “blitz” da Polícia Federal com cães farejadores que buscavam localizar drogas. Todos os carros eram revistados e quando chegou a vez do seu caminhão, ele desceu da boleia e a todos cumprimentou com seu jeito envolvente de sertanejo autêntico e disse: - Pode “corrigir” tudo, meu patrão, aqui só vai gente de bem, assistir a novena de São Francisco. O policial postou-se ostensivamente junto ao carro com o gigantesco cão pastor alemão e o Zé Freire não sabendo exatamente a função do cachorro na operação, fez-lhe um afago na cabeça e chamou-o de “Joly”, nome americanizado e contemporaneamente popular entre os cães do interior. O cachorro gostou do carinho e lambeu-lhe as mãos. A revista terminou em clima de camaradagem: o Zé Freire ria satisfeito com a beleza e mansidão do cão e não se propôs a comprá-lo com medo de ofender os policiais que não resistiram e gargalhavam contagiados pelo jeito envolvente e espontâneo daquele cabra da peste.

terça-feira, 31 de maio de 2011

CRÔNICA


UMA CRÔNICA DO SÉCULO DEZENOVE E
SUA ESPANTOSA ATUALIDADE

Pedro Paulo Paulino

Diante da repugnância e da revolta da sociedade brasileira nos dias de hoje ao ver estampadaos na mídia os casos bárbaros de prostituição infantil, leia com atenção esse trecho de uma crônica que recoli:

“Não sei que jornal, há algum tempo, noticiou que a polícia ia tomar sob sua proteção as crianças que aí vivem, às dezenas, exploradas por meia dúzia de bandidos. Quando li a notícia, rejubilei. Porque, há lonto tempo, desde que comecei a escrever, venho repisando esse assunto, pedindo piedade para essas crianças e cadeia para esses bandidos.
As providências anunciadas não vieram. Parece que a piedade policial não se estende às crianças, e que a cadeia foi feita para dar agasalho aos que prostituem corpos de sete a oito anos… E a cidade, à noite, continua a encher-se de bandos de meninas, que vagam de teatro em teatro e de hotel em hotel, vendendo flores e aprendendo a vender beijos.”

Título da crônica: “Prostituição infantil”. Autor: Olavo Bilac (1865-1918). Data da publicação: 14 de agosto de 1894. há exatamente 117 anos! O mal é espantosamente mais antigo do que imaginamos. Atentados à integridade e à vida de pessoas indefesas, extorsão da dignidade alheia e agressões irreversíveis contra o caráter deixam ver claramente que são males que acompanham a civilização pari passu, em sua longa caminhada.
Se em fins do século dezenove já se faziam crianças vítimas de exploração sexual, que apelo podemos fazer hoje quando casos dessa natureza são tão corriqueiros e mostrados às escâncaras nos meios de comunicação? A população brasileira atual, principalmente a de bandidos, multiplicou-se em progressão geométrica, as probabilidades de acontecerem crimes desse tipo crescem, portanto, assustadoramente. A realidade é inegável.
Bilac apelava, em seu tempo, à piedade policial. A sociedade agora dispõe de um aparelho amplamente mais fortalecido, incluindo os conselhos tutelares, as varas judiciais específicas, as ONGs, a própria polícia e uma sociedade mais bem-informada, além de segmentos que resolveram se unir para combatrer os atos animalescos de prostituição infantil.
Muitas cidades já vêm aderindo ao chamado “toque de recolher”, uma medida recente que de certo modo está obtendo algum êxito. Mas os crimes contra a infância, reitere-se, são, a nosso ver, quase inevitáveis. As tragéidas parecem não comover como deviam. Já ouvi mesmo pais darem depoimentos frios sobre a perda de seus filhos menores que foram ceifados de modo estúpido. Como se nada tivesse acontecido.
Da distante época em que Bilac já denunciava essa barbárie, aos dias de hoje, o que se pode concluir é que pouca coisa, na verdade, foi feita pelo Estado para coibir com austeridade tais absurdos. E ainda não estamos levando em conta aqui os casos escamoteados, com frequência, pelas próprias famílias, não raras vezes as verdadeiras culpadas desse delitos. O resultado deprimente da prostituição infantil, via de regra, são as mães precoces e sem amparo, que contribuem com isso para um efeito do tipo “bola de neve” das misérias sociais.
Em sua crônica, Bilac afirma ter sentido “a morte na alma”. Nem calculo o que sentiria hoje o grande poeta. As crianças agora já não vendem mais flores. O mercado é incisivamente mais direto e plenamente aberto. Já não vendem só beijos, mas o corpo. Até posso ver esses(as) mesmos(as) infelizes de tenra idade na versão moderna dos(as) “flanelinhas” que, a exemplo de quase tudo hoje, já estão semobilizando para se oficializar como categorias organizadas, na forma de associação etc, como se a dignidade e o bem-estar dessas pessoas tenham uma solução definitiva na forma de um estatuto.
E eis o mais grave nas palavras proféticas de Bilac: “Bem sei que, enquanto o mundo for mundo e enquanto houver meninas, haverá pais que as esbordoem, mães que as vendam, cadeias que as industriem e cães que as deflorem!”. Mais atual, impossível. (Crônica publicada no jornal De Mão em Mão, em maio de 2009)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

PONTO DE VISTA


APOLOGIA À IGNORÂNCIA


Assisti estarrecido à notícia da adoção pelo Programa Nacional do Livro Didático de uma obra de uma professora de nome Heloísa Ramos, em que admite a construção de frases ignorando a concordância, numa verdadeira apologia ao erro e descancarada valorização da ignorância.
        Ao que parece, a professora não é uma voz isolada, há um grupo de professores de lingüística, que movidos por viés ideológico, expressam a opinião de que “a língua culta é um instrumento de dominação das elites”. 
         Nesse diapasão, defendem a ideia segundo a qual o professor que chama a atenção do aluno que infringe regras gramaticais está a cometer um ato de “preconceito lingüístico”. Ora, se ensinar correto for humilhar, a regra tende a valer para todas as disciplinas e em breve ouviremos algum aluno mal informado atribuir a Napoleão Bonaparte o descobrimento da América e as patrulhas ideológicas não permitirão que ninguém o corrija. O aluno se sentirá cada vez mais encorajado a ir se utilizando da linguagem chula e incorreta, num verdadeiro atentado a nossa maior identidade cultural.
          Toda essa baboseira em torno da qual essa corrente de pensamento tola se articula, tacitamente, e de maneira perversamente enganosa, busca proteger aqueles que vindo das camadas mais pobres, cresceram em ambientes em que a língua pátria é utilizada incorretamente.
          O problema é que proteção desprotege e o tiro sai pela culatra. O idioma é o nosso melhor cartão de visita e ninguém tenha dúvida de que numa eventual entrevista para um emprego qualificado (o mercado está cada vez mais exigente), os que falam errado ficam, inexoravelmente, à margem dos melhores postos.
            O mencionado livro cuja tiragem de quase 500.000 cópias será utilizado na rede pública de ensino, exatamente a que tem sua clientela predominantemente formada pelas camadas menos favorecidas da sociedade, do ponto de vista financeiro. A frouxidão do rigor intelectual terá uma ação nefasta sobre esta camada da sociedade a se implantar de imediato e a se agravar ao longo dos anos. Será uma maneira altamente eficaz de afastar das Universidades Federais, cujas provas de redação não irão adotar tal sistema , até porque se o fizerem não terão parâmetros para correção das provas.
           Tudo isso sob as bênçãos, proteção e financiamento do Governo Federal através do Ministério da Educação que, ao invés de patrocinar uma educação de qualidade que prime pela igualdade de chances no mercado de trabalho, promove um “apartheid” cultural, e excluiu definitivamente as camadas populares.
            Se a prática de escrever de forma que nos aprouver de fato vingar, seria pra mim muito cômodo, afinal, na qualidade de escritor rábula, autor de dois livros, ficaria livre do gigantesco esforço que faço no sentido de escrever direito. E nem precisaria importunar o Pedro Paulo Paulino e o Silvio Roberto Santos, a quem sempre recorro no sentido de corrigir meus textos. A propósito, sempre sou grato aos dois e nunca me senti humilhado quando elas apontam os meus impropérios gramaticais.
           Esse é um grande “pobrema” a ser resolvido. Talvez seja a hora de se estudar mais “ingrês”, afinal, português “a gente já sabemos.”


Augusto César Magalhães Pinto

TRADIÇÃO


LAMBE-BITS


Zé da Mocinha: do lambe-lambe
à fotografia digital
Uma típica cena canindeense pode ser vista aos domingos, em frente à majestosa Basílica de Canindé. No centro, o fotógrafo Zé da Mocinha, quarenta anos de profissão passados, desde as nostálgicas lambe-lambe até as câmeras atuais movidas a bits, com as quais confessa já ter intimidade.
Ele nem imagina, mas é personagem do livro Mundo dos Milagres do suíço Hugo Loetscher, que esteve em Canindé na década de setenta. O primeiro capítulo desse livro, ainda sem tradução disponível em português, focaliza uma negociação em torno do retrato de um “anjo”, como há bem pouco tempo eram chamadas as crianças sertanejas mortas prematuramente pela seca ou outras misérias, e acertos de cena entre os familiares e o caixão da menina Fátima. O livro todo é um diálogo entre o escritor e a menina morta em que entram personagens como Antonio Conselheiro, literatura de cordel e muita crítica social.
Pergunto ao Zé pela aposentadoria, me diz que já procurou, mas questões esotéricas da burocracia ainda entravam esse benefício. Grande figura, sempre sorridente, longe de aparentar os anos já vividos, conforme o perfil já tecido pelo escritor Augusto César Magalhães Pinto em seu livro Histórias de Nossa Terra e de Nossa Gente.
O que falta acrescentar é que o fotógrafo também é músico, o som de seu trombone de válvulas pode ser ouvido nos dias de carnaval, em alguma praça, mas raramente, hoje em dia, pelas tardes do Alto Guaramiranga.

domingo, 29 de maio de 2011

MOLEZA DOMINICAL


UM FATO

O sortudo e infeliz Tiziu
Em seu conto-novela O Alienista, Machado de Assis fala de um louco, “um boiadeiro de Minas, cuja mania era distribuir boiadas a toda a gente: dava trezentas cabeças a um, seiscentas a outro, mil e duzentas a outro, e não acabava mais”. Da ficção para a realidade a distância parece ser muito curta. Este caso parece mentira: em Canindé, no dia 14/5, um mendigo identificado pelo apelido de Tiziu achou nada menos do que a quantia de dez mil reais num tambor de lixo. Menos por generosidade do que por loucura, ele saiu distribuindo notas de cem reais a torto e a direito e ainda fazendo compras miúdas sem querer troco. Na sua alucinação, parece que de repente se viu diante da Fonte de Trevi e então começou a lançar, não moedas, mas a quantia de três mil reais no leito emporcalhado do rio Canindé. Que outro sonho ele desejava realizar com essa simpatia absurda – eis a questão! Vinte e quatro horas depois, Tiziu já se encontrava pedindo esmola novamente. A origem do dinheiro é um mistério. O fato extraordinário ganhou a mídia do Estado.Taí uma boa dica para os autores de Realismo Fantástico.

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UMA ANEDOTA

É Plautus Cunha, em seu livro CEARÁLEGRE, quem nos conta:
“Arnaldo Moura, dono do açude Fundão, pergunta ao pescador:
– A pescaria vai boa:
– Vai, sim senhor. Ainda ontem peguei vinte peixes de mais de dois quilos cada um.
– O senhor sabe com quem está falando?
– ?...
– Eu sou o dono do açude, sou delegado de polícia e prendo todo sujeito que venha pegar meus peixes!
– E o senhor sabe com quem está falando? Eu sou o maior mentiroso deste municipio…”

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UM SONETO

NOSSA CRUZ

Wanderley Pereira*

Um se pergunta: – Por que sofro tanto,
Se meu vizinho é mau, e é tão feliz?
Outro se queixa aos céus: – Que foi que fiz
Para viver marcado pelo pranto?

Queixa-se o pobre do seu desencanto,
E da moléstia o rico se maldiz;
O que matou, fazê-lo nunca quis…
Não fora o mal, talvez fosse até santo!

Outro recorre à prolongada prece,
Pedindo a Deus riquezas, mas esquece
Que é de pobreza o exemplo de Jesus.

Querem do Mestre ser seus seguidores;
Só que não querem suportar as dores,
Nem muito menos carregar a cruz!

*Poeta e jornalista.

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UM REPENTE

“O poeta Geraldo Amâncio tinha levado vantagem sobre o poeta Roque Machado numa cantoria. Um ano depois, noutra cantoria com Zé Cardoso, aparecem Roque Machado e Eliseu Rabelo para cantar um pouquinho. Sem que Geraldo esperasse, Roque passou a relembrar:

‘Geraldo Amâncio Pereira,
Cantador de alto preço,
Deu-me uma surra outro dia
Que eu não sei nem se mereço…”

Nisso, Geraldo Amâncio grita do lado: ‘Eu mesmo não, seu Roque!’. Roque continuou sem perder o fio da meada:

‘Você bateu, não se lembra;
Eu apanhei, não me esqueço!’”

(Do livro De Repente Cantoria, de Geraldo Amâncio e Wanderley Pereira)

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UMA CURIOSIDADE

Nero não tocava rabeca enquanto Roma ardia em chamas. Em primeiro lugar, porque a rabeca ainda não tinha sido inventada, em segundo porque ele se encontrava, na ocasião, em Antium, uma vila a cerca de 50 quilômetros de Roma, e só voltou à cidade depois de o fogo apagado. Quem o diz é o historiador Tácito.

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UMA FRASE

“A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.” (Albert Einstein)

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UM CAUSO

Durante rigoroso inverno, comentava-se numa mesa de bar em Canindé as enchentes pelo interior do município. Alguém que acabava de chegar da fazenda Serra Branca, informou que o rio Curu estava com “água no joelho”, expressão muito usada pelo sertanejo. O velho Bunaco, que até então assistia calado à conversa, temperou a garganta e disse:
– Se o Curu cum água no juêi, pro que num opera?

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UMA HOMENAGEM

À professora potiguar Amanda Gurgel pelo show de oratória e conhecimento no programa do Faustão da TV Globo (22/5). A professora desnudou com muita propriedade as aberrações do sistema educacional brasileiro.

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UMA IMAGEM
Em frente à Casa Marreiro, em Canindé, o
poeta Natan conversa com um amigo que

monta um jumento: cena típica

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UM ABRAÇO...