sexta-feira, 15 de abril de 2011

UM ACHADO CURIOSO SOBRE CANINDÉ


BIBLIOGRAFIA CANINDEENSE 
Por: Silvio R. Santos
Está a necessitar de pesquisadores o levantamento de uma bibliografia sobre Canindé, para além do escopo histórico. Além das já esperadas alusões em Cruz Filho, é preciso que se saiba que autores como Manoel de Oliveira Paiva, Rodolfo Teófilo, Glauco Mattoso, Otacilio de Azevedo, Pedro Nava e outros usaram como referência em sua obra esta comuna exclusivamente conhecida pela romaria franciscana.  Isto tudo foi dito para que se chegue ao suíço Hugo Loetscher, que em seu O Mundo dos Milagres, salvo obras de somenos relevância, escreveu o único romance de envergadura tido e passado na referida cidade. Hugo esteve por aqui na década de setenta, e com as impressões que sofreu, logo depois desenvolveu a sua história, já dissecada em tese em universitária.
Capa da edição italiana
O Mundo dos Milagres, que nos chegou em versão italiana, não possui no momento tradução para o português.  Uma corajosa canindeense, radicada em Verona, fez essa singular descoberta e tem desviado algum tempo dos seus afazeres diários para lograr esse feito. Diz a autora de uma tese, disponível na  Rede Mundial de Computadores, que Il Mondo dei Miracoli seria uma distopia, na mesma linha de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. O que é uma utopia todos já sabemos, trata-se de um mundo de maravilhas, onde as coisas almejadas que nos faltam seriam possíveis, o exemplo mais conhecido é a obra de Thomas Morus. A distopia,  portanto, é o seu avesso. É de se perguntar, se numa terra de ufanismo infundado esse caráter realista não teria sido um entrave para a divulgação de semelhante livro, repleto de ironia e realismo, até também por haver essa lacuna em Portugal, terra em que o autor morou por vários anos. Mas pela leitura dos capítulos já traduzidos é uma surpresa seguir a história pelas ruas familiares da cidade. É preciso que se diga que o cenário social mudou bastante para o que foi escrito durante e  passando-se na época da ditadura militar. Para os jovens atuais vão soar estranhas coisas que eram corriqueiras, como carregar água para casa, numa época em que o encanamento do serviço de distribuição era apenas um detalhe de projetos do futuro.   Mais detalhes podem ser vistos em: http://www.swissinfo.ch/por/topnews/

domingo, 10 de abril de 2011

POESIA MATUTA


Enquanto se discute o motivo dos tsunâmis no Japão, vamos dar uma olhada nestes versos do saudoso mestre Alberto Porfírio (1926-2009), nascido em Quixadá.

IDEIAS DE CABOCLO

O professô dos menino
Fala, fala chega estronda!
Querendo que acredite
Que a tera seja redonda.

Não, senhor, num acredito
Nunca pude acreditá
Que viva assim todo mundo
Anda em cima de u’a bola
Sem nunca iscorregá!

Vós mincê preste atenção,
Um monstro Cuma é o trem!...
Se a terra fosse rendonda,
Iscorregava tombém.

Ele só diz que a terra
Veve solta pelo espaço
Rodando num canto só
Sem tê nada de embaraço.
E qui as volta que ela dá
Qui serve pra controlá
A frieza e o mormaço.

Num acredito!... Não! Não!
Qué sabê cuma é a terra
Na minha maginação?
É um prato feito de barro
Mal feito mas bem grandão!
Emborcado em riba d’água
N’ua firme pusição.
Cum a gente morando em riba
Cum toda satisfação.

Vou prová Cuma é mermo,
Vou dá toda insplicação:

Quando Deus fez este mundo
Mandou a terra secá,
Mandou se juntá as água
E foi assim que fez o má.
E se a terra já fosse doida
Rodando pra se acabá,
Tinha derramado as água
E era até perigoso
O próprio Deus se afogá.

Tá certo ou num tá?!

Os home riligioso
Gostun de dizê a gente
Qui tem um tal de inferno
De fogo que é munto quente
Qui vai pra dentro do fogo
As alma dessas pessoa
Qui num vão munto decente…

Desses homes priguiçoso
Quei num quere trabaiá;
Dessas muié vaidosa
Que isun as roupa curta
Qui é do juêio pra lá;
Qui usun outras safadage
Fazendo a gente pecá
Dispois qui tudo morrê
Vai morá nesse lugá
Apois esse inferno é
Debaixo desse arguidá.

Agora eu aviso os home
Quei pra muié são ingrato
Tombém aviso as muié
Qui andun de ponta de pé
Mode o salto do sapato;
Dão zunhada e esconde as unha
Fazendo a moda de gato
Se morrê nesses pecado
Vão pra debaixo do prato…