sábado, 31 de março de 2012


RECITAL REÚNE CORDELISTAS

Cícero Gomes, Ricardo Narciso, PPP, Edson Neto, Dina Martins,
James e Jair Morais
O II Recital de Poesia realizado pelo Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) reuniu no dia 30/3/12, em Canindé, cordelistas locais e de Fortaleza. Na ocasião foram também apresentados os trabalhos classificados no concurso de Literatura de Cordel promovido entre os estudantes. O primeiro lugar foi para o cordel “Patativa X Camões”, de autoria do estudante Antonio Alberto Amorim Ferreira, e em segundo lugar o cordel “Educação Física é Coisa Séria”, da autora Daiane Bezerra Vieira.
O evento, coordenado pelo professor Ricardo Narciso da Rocha, lotou o auditório do IFCE. Na abertura, houve apresentação de peças e coreografias, além do coral do Instituto. No palco, as declamações dos cordelistas Edson Neto, Cícero Gomes, Gozaga Vieira e Pedro Paulo Paulino arrancaram aplausos. O cordelista Jair Morais mostrou também sua versatilidade com a rabeca e o pífano, tocando músicas de Luiz Gonzaga. A “Rainha dos Vaqueiros” e mestra da Cultura do Ceará, Dina Martins, entoou aboios, seguida pela “vaqueira” Ritinha que também declamou versos de Patativa do Assaré.
PPP
Em seu pronunciamento, Padre Neri Feitosa sublinhou a importância do evento e parabenizou o professor Ricardo Narciso pela promoção. “Ele está fazendo um grande benefício à cultura de Canindé, tão desestimulada e quase abandonada”, frisou Padre Neri. O cordelista Gonzaga Vieira também fez críticas à falta de incentivo com a cultura local, principalmente por parte do poder público. “Vivo de cordel, mas não recebo o menor apoio das autoridades públicas. O município tem uma fundação cultural que não vê o trabalho do cordelista”, polemizou Gonzaga.
Para o professor Ricardo Narciso, a segunda edição do Recital superou as expectativas. “Ano passado, o evendo limitou-se aos estudantes. Desta vez, para acalorar mais, resolvemos trazer cordelistas de renome para que nossos alunos sintam de perto a riqueza da nossa cultura”, afirmou. Natural de Camocim, professor Ricardo é também cordelista e está preparando uma série de folhetos de sua autoria para publicação. “Estou radicado em Canindé e fiquei fascinado com o grande número de talentos que encontrei nesta cidade. Pretendo colaborar muito mais com a cultura desta terra.” Depois do evento, a caravana de cordelistas visitou a estátua de S. Francisco, o poeta Natan na Casa Marreiro e o historiador Augusto Cesar Magalhães Pinto.
LANÇAMENTO – Por ocasião do II Recital de Poesia - IFCE, o escritor Padre Neri Feitosa fez o lançamento de seu mais novo livro, “Benemerências do Capitão-Mor Antônio José Moreira Gomes”, publicado pelo Instituto Memória de Canindé. A sessão de autógrafos atraiu o público para o salão de eventos, onde estão expostos livros e cordéis de autores locais, incluindo um stand com folhetos de Gonzaga Vieira.

Gozaga Vieira, PPP e Padre Neri Feitosa
Padre Neri autografa seu mais novo livro
IFCE valorizando a cultura canindeense
Padre Neri e prof. Ricardo Narciso
Cordelista Jair Morais

Cordelista Gonzaga Vieira
Dina, Rainha dos Vaqueiros


quarta-feira, 28 de março de 2012


SÃO JOSÉ NÃO TROUXE CHUVA

Pedro Paulo Paulino

Sertanejo ainda espera
bom inverno
Um fenômeno atípico ocorreu este ano com relação ao inverno no Ceará. Até mesmo em anos comprovadamente escassos de chuva, é comum o quadro se inverter em torno do dia 19 de março, dedicado a São José. Nesse período, que coincide com o primeiro equinócio do ano, as condições climáticas tornam mais favoráveis a presença de chuvas para nós. É o chamado Equinócio Vernal, ou de primavera. Nessa ocasião, os dias e as noites têm igual duração e ocorre a passagem do Sol, em seu movimento aparente, do hemisfério Sul para o hemisfério Norte da Terra. A mudança pode ser percebida no deslocamento das sombras projetadas por prédios e árvores. Há, então, um correlação bem acentuada do equinócio com nossa condição climática.
Falta de chuva traz carro-pipa de volta
Em 2012, no entanto, verificou-se o contrário. Em fevereiro, costumeiramente uma estação de veranico, pelo menos na região de Canindé, no Sertão Central, choveu bem mais do que em março que já está no fim. Mesmo tendo se confirmada a ausência do fenômeno denominado El Niño, que é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, as chuvas, em muitas regiões do Estado continuam abaixo da média. O efeitos da estiagem já podem ser notados na lavoura. Plantações de milho e feijão realizadas ainda em fevereiro não prosperam. Em muitas localidades a volta do carro-pipa é uma realidade.
Até o momento estamos diante de uma seca verde. Em face das previsões otimistas para o inverno, e ainda não confirmadas, que fato novo pode ter ocorrido na natureza? O acontecimento mais marcante divulgado no início de março foi a tempestade solar que, segundo os cientistas, está sendo uma das mais violentas do começo deste século. O fenômeno ocorre a 150 milhões de quilômetros, mas seus efeitos são sentidos aqui na Terra, principalmente nos meios de comunicação que sofrem prejuízo. Transmissões na frequência de rádio AM, por exemplo, há cerca de 20 dias apresentam interferência. Os telefones, radares e outros sistemas de comunicação sem fio também são prejudicados devido à gigantesca nuvem de partículas expelidas pelo Sol. São afetados ainda pela perturbação solar o transporte aéreo, a rede elétrica e os aparelhos de GPS de alta precisão usados em operações petrolíferas e agrícolas.
Sabendo-se que o clima na terra é alvo de influências as mais diversas, é válido se perguntar se a tempestade solar, de repente, frustrou as previsões para um inverno em torno da média anual para 2012, embora saiba-se que os efeitos desse fenômeno astronômico são mais percebidos nas regiões polares do planeta, provocando inclusive as atraentes auroras boreais. O clima global é uma cadeia única e qualquer alteração pode surtir efeitos a distância.
Mesmo assim, o sertanejo ainda está otimista com relação ao inverno. As fortes chuvas caídas em Fortaleza nas últimas horas causaram alagamentos e transtornos, mas, distante dali reforçam o ânimo do homem do campo. Muita chuva no Litoral, via de regra, chega ao interior do Estado. De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), as chuvas que banharam ontem (27/3) nossa Capital atingiram 197,5mm, a segunda maior precipitação acumulada na Cidade desde 1974. Enquanto isso o Sertão Central ainda convive com a estiagem. E, na Semana Santa que se aproxima, ainda não vamos contar com o feijão verde, o maxixe e o jerimum próprios do período.