quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CORDEL


A CRIAÇÃO DO MUNDO...

...Na visão do poeta paraibano
Leandro Gomes de Barros (1865-1918)

Fui ver se estudava a forma
Como foi a Criação
Quase pude conseguir
Como ela foi então,
Faltou-me achar a parteira
Que pegou o velho Adão.

Antes de nada existir
Cousa alguma não havia,
Nem céu, nem terra, nem mar,
Nem luz nem ar existia
Mas nos diz a Escritura
Deus sobre as águas vivia.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


DE OLHO NO DIA 15




Há uma esperança quase geral voltada para o dia 15 de fevereiro, pois a Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme) anunciou para essa data o início da quadra invernosa no Ceará. A previsão já ganhou ares de efeméride e, baseando-se nisso, muita coisa está sendo agendada para antes ou depois do dia 15. Outros dados do serviço meteorológico garantem que as chuvas em nosso Estado, este ano, serão em torno ou acima da média pluviométrica. O apontamento é feito tendo como base a presença do fenômeno denominado La Niña, cujos efeitos são contrários aos do El Niño. Ambos os fenômenos são observados no Oceano Pacífico, mas suas consequências são globais.
Francisco Pizarro
Os primeiros registros de El Niño foram feitos pelo navegador espanhol Francisco Pizarro, que por volta de 1531 conquistou o Peru, matou o imperador dos Inca, Atahualpa, destruiu a capital, Cuzco, e fundou a cidade de Lima. Pois foi ele o primeiro a anotar em suas crônicas uma diferença para cima na temperatura nas águas do Pacífico, coincidindo com inundações na costa peruana. Por se tratar do período natalino, Pizarro batizou o fenômeno de El Niño, que quer dizer “O Menino”, em alusão ao Menino Jesus. A comparação pára por aí, porque El Niño, devido seus efeitos destruidores, é notavelmente prejudicial à natureza e à vida no planeta. Já La Niña não justifica essencialmente o nome, que vale apenas como ideia de oposição.
Embora a ciência ainda ignore o que causa o fenômeno, não há nada hoje que melhor defina o clima no planeta do que o El Niño. A presença ou não dele cabalmente diz, por exemplo, se vai chover no Nordeste brasileiro. Imagino que boa parte dessas investigações bate com as observações dos chamados “profetas das chuvas”, uma categoria que ultimamente vem conquistando mais status (terá o El Niño alguma relação com a “barra de Natal”, uma das mais tradicionais “experiências de inverno” do sertanejo?). Nossos pescadores, principalmente os mais antigos, já costumavam, no final do ano, prestar atenção na diferença de temperatura das águas do Oceano Atlântico para, a partir daí, fazer suas previsões de inverno do ano seguinte.
Pondo de lado o folclore que existe em “experiências” como das “pedras de sal” no dia de Santa Luzia, muita coisa observada pelo homem do campo tem sentido lógico. Uma vez que a natureza é cíclica, é-nos permitido fazer previsões com boa margem de acerto. Já podemos admitir até que os próprios estudiosos do clima estão vendo com mais tolerância o conhecimento empírico do sertanejo sobre o assunto. E também não podemos negar que a meteorologia oficial alcançou avanço considerável na última década. Até há algum tempo, as previsões da Funceme, por exemplo, não inspiravam qualquer confiança. Mas já botamos mais um pouco de fé em nosso serviço de meteorologia, mesmo sabendo que é um órgão manipulado pelo governo. Mesmo porque, o que moraliza mais esse tipo de serviço hoje em dia é sua interação com outros órgãos de pesquisa climática. A meteorologia expandiu-se, indo além da previsão do tempo para questionamentos que abrangem o meio ambiente e a preservação da natureza. Seminários, workshops, debates e questionamentos do clima envolvem hoje comunidades do mundo todo, numa troca importante de experiências.
Fazendo uma retrospectiva das previsões meteorológicas pelo menos nos últimos cinco anos deste século, houve grande margem de acerto. Previsões do final de 2008, por exemplo, anunciavam um inverno bem acima da média em 2009, como foi constatado. O índice pluviométrico daquele ano passou da marca dos mil milímetros, perdendo apenas para o ano de 1985, quando foram registrados 1.024 milímetros no Ceará. O inverno de 2009 também conicidiu com a ausência total de El Niño no Oceano Pacífico. Em 2012, há previsão otimista de boas chuvas em nosso Estado, que deverão começar a cair no dia 15 de fevereiro, embora não seja necessária tanta exatidão.

Gráfico mostra que 2009 foi o ano com maior
índice pluviométrico, depois de 1985

domingo, 12 de fevereiro de 2012

CARMEM MIRANDA: 103 ANOS


No dia 9 de fevereiro, comemorou-se o 103º aniversário de nascimento da cantora, atriz e dançarina CARMEN MIRANDA. Carmen Miranda é até hoje a cantora brasileira que mais fez sucesso no exterior. Dona de um estilo absolutamente único e particular, tanto na maneira de cantar como na performance de palco, teve uma vida de mito, cheia de glórias e dramas. Nascida em Portugal, veio para o Brasil ainda bebê, fixando-se com a família no Rio de Janeiro. Aos 15 anos começou a trabalhar numa loja de chapéus. Em 1928 conheceu o compositor e violonista Josué de Barros, que a convidou para participar de um festival beneficente e mais tarde a levou para o rádio. A primeira gravação veio em 1929, pela Brunswick, tendo de um lado o samba "Não vá simbora" e o choro "Se o samba é moda", ambas de Josué. Carmen gravou alguns outros discos antes de estourar com seu primeiro grande sucesso, a marchinha "Pra você gostar de mim (Taí)" (Joubert de Carvalho), que bateu recordes de venda, com 36.000 cópias. A partir daí, gravou diversos discos, fez cinema, trabalhou em dupla com sua irmã Aurora, fez parte da história do lendário Cassino da Urca, onde, em 1938 usou pela primeira vez o traje de baiana que a celebrizaria mundo afora. No Cassino conheceu um empresário norte-americano que a convenceu a ir para os Estados Unidos. Acompanhada pelo Bando da Lua, a maior estrela do Brasil deixou uma legião de fãs chorando na sua despedida e chegou à América em 1939 totalmente desconhecida e sem falar inglês. Em pouco tempo fez participações em programas de grande audiência, cantando músicas como "Mamãe eu quero", "Tico-tico no fubá", "O que é que a baiana tem?" e "South American Way" e se tornou um fenômeno também nos EUA, onde chegou a ser a segunda estrela mais bem paga de Hollywood. No total, participou de dez filmes em Hollywood e ficou conhecida como a Brazilian Bombshell. Em 1940 voltou rapidamente ao Brasil, onde a população a recebeu com euforia, à exceção do público do Cassino da Urca, que a tratou com indiferença e frieza. Arrasada, Carmen encomendou uma música sobre a situação, e gravou "Disseram que voltei americanizada" (V. Paiva e L. Peixoto). Depois disso voltou para os EUA e se radicou em Beverly Hills, onde continuou sua carreira de cantora e atriz de cinema e televisão. Em 1954 as pressões da indústria do entretenimento causaram uma crise de nervos, e a Pequena Notável veio ao Brasil para se tratar e descansar. Voltou para Beverly Hills em 55, e em agosto teve um colapso cardíaco e morreu, depois de passar mal em um programa de televisão. Seu corpo foi embalsamado e veio de avião para o Brasil, onde uma multidão de um milhão de pessoas seguiu o cortejo de seu enterro. Carmen continuou sendo sempre lembrada por meio de shows e discos de homenagens, filmes, documentários sobre sua vida (como o premiado "Banana Is My Business", de Helena Solberg). Seu acervo está preservado no Museu Carmen Miranda, no Rio de Janeiro.


Via Site Collector's: http://www.collectors.com.br/