DE OLHO NO DIA 15
Há uma esperança quase geral voltada para o dia 15 de fevereiro, pois a Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme) anunciou para essa data o início da quadra invernosa no Ceará. A previsão já ganhou ares de efeméride e, baseando-se nisso, muita coisa está sendo agendada para antes ou depois do dia 15. Outros dados do serviço meteorológico garantem que as chuvas em nosso Estado, este ano, serão em torno ou acima da média pluviométrica. O apontamento é feito tendo como base a presença do fenômeno denominado La Niña, cujos efeitos são contrários aos do El Niño. Ambos os fenômenos são observados no Oceano Pacífico, mas suas consequências são globais. |
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| Francisco Pizarro |
Os primeiros registros de El Niño foram feitos pelo navegador espanhol Francisco Pizarro, que por volta de 1531 conquistou o Peru, matou o imperador dos Inca, Atahualpa, destruiu a capital, Cuzco, e fundou a cidade de Lima. Pois foi ele o primeiro a anotar em suas crônicas uma diferença para cima na temperatura nas águas do Pacífico, coincidindo com inundações na costa peruana. Por se tratar do período natalino, Pizarro batizou o fenômeno de El Niño, que quer dizer “O Menino”, em alusão ao Menino Jesus. A comparação pára por aí, porque El Niño, devido seus efeitos destruidores, é notavelmente prejudicial à natureza e à vida no planeta. Já La Niña não justifica essencialmente o nome, que vale apenas como ideia de oposição.
Embora a ciência ainda ignore o que causa o fenômeno, não há nada hoje que melhor defina o clima no planeta do que o El Niño. A presença ou não dele cabalmente diz, por exemplo, se vai chover no Nordeste brasileiro. Imagino que boa parte dessas investigações bate com as observações dos chamados “profetas das chuvas”, uma categoria que ultimamente vem conquistando mais status (terá o El Niño alguma relação com a “barra de Natal”, uma das mais tradicionais “experiências de inverno” do sertanejo?). Nossos pescadores, principalmente os mais antigos, já costumavam, no final do ano, prestar atenção na diferença de temperatura das águas do Oceano Atlântico para, a partir daí, fazer suas previsões de inverno do ano seguinte.
Pondo de lado o folclore que existe em “experiências” como das “pedras de sal” no dia de Santa Luzia, muita coisa observada pelo homem do campo tem sentido lógico. Uma vez que a natureza é cíclica, é-nos permitido fazer previsões com boa margem de acerto. Já podemos admitir até que os próprios estudiosos do clima estão vendo com mais tolerância o conhecimento empírico do sertanejo sobre o assunto. E também não podemos negar que a meteorologia oficial alcançou avanço considerável na última década. Até há algum tempo, as previsões da Funceme, por exemplo, não inspiravam qualquer confiança. Mas já botamos mais um pouco de fé em nosso serviço de meteorologia, mesmo sabendo que é um órgão manipulado pelo governo. Mesmo porque, o que moraliza mais esse tipo de serviço hoje em dia é sua interação com outros órgãos de pesquisa climática. A meteorologia expandiu-se, indo além da previsão do tempo para questionamentos que abrangem o meio ambiente e a preservação da natureza. Seminários, workshops, debates e questionamentos do clima envolvem hoje comunidades do mundo todo, numa troca importante de experiências.
Fazendo uma retrospectiva das previsões meteorológicas pelo menos nos últimos cinco anos deste século, houve grande margem de acerto. Previsões do final de 2008, por exemplo, anunciavam um inverno bem acima da média em 2009, como foi constatado. O índice pluviométrico daquele ano passou da marca dos mil milímetros, perdendo apenas para o ano de 1985, quando foram registrados 1.024 milímetros no Ceará. O inverno de 2009 também conicidiu com a ausência total de El Niño no Oceano Pacífico. Em 2012, há previsão otimista de boas chuvas em nosso Estado, que deverão começar a cair no dia 15 de fevereiro, embora não seja necessária tanta exatidão.
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Gráfico mostra que 2009 foi o ano com maior
índice pluviométrico, depois de 1985 |