sábado, 18 de novembro de 2017

CORDEL


O DIABO MORRE DE MEDO
QUE O TEMER VOLTE PRA LÁ

Pedro Paulo Paulino

A alma de um paneleiro
Que morreu no Ceará,
Numa sessão outro dia
Conseguiu baixar por cá
E revelou um segredo:
O diabo morre de medo
Que o Temer volte pra lá.

Esse coitado morreu
Ao fazer um panelaço
Vestindo verde e amarelo
Torcendo pelo fracasso,
Totalmente alienado,
Findou sendo atropelado
Por um caminhão de aço.

Ali mesmo no local
No mesmo instante morreu.
Está perto de dois anos
Que o fato aconteceu.
Agora, em algum terreiro
A alma do paneleiro
De repente apareceu.

Paneleiro aqui citado,
O leitor preste atenção,
Não se trata do sujeito
De honrada profissão,
Cidadão trabalhador,
Fabricante ou vendedor
De panela pra fogão.

O paneleiro em questão
É aquele que de dia
Ou de noite vai pra rua
Com a cabeça vazia
Torcer pelo ‘tenebroso’,
Pelo ‘das neves’ seboso,
Bolsonaro e companhia.

Pois bem, esse paneleiro
Que baixou numa sessão
Contou que lá no inferno
Tem duas tropas de cão
Dia e noite se alternando,
Pelas almas esperando
De político ladrão.

Falou que a grande ameaça
Que ronda aquele lugar
E preocupa o capeta
Que vive a se lastimar
Numa tremenda agonia,
É que Temer volte um dia
Pra no inferno mandar.

 “Voltar como? Por acaso
Ele por lá já morou?”
Curioso, um cidadão
Da plateia perguntou.
E a alma, tranquilamente,
Perante um grupo de gente
A falar continuou:

 “Morou, sim. Do mesmo jeito,
Praticando só maldade,
Mentindo e armando truques
E cheio de falsidade,
Com discurso demagogo.
O diabo comeu foi fogo
Na sua propriedade.

Temer, lá, se apresentava
Trajado no mesmo terno,
Querendo mandar em tudo,
Como está no seu caderno.
Matando a democracia,
Queria por que queria
Privatizar o inferno.”

 “Como pôde ele mandar
Lá naquela região?”
Respondeu o paneleiro:
“Amigo, preste atenção,
Que a resposta já vem:
Deu um golpe lá também,
Tomando o trono do cão.

De modo que no inferno,
Segundo eu ouvi contar,
Se já era muito ruim,
Só fez mesmo piorar.
Fracassou de cabo a rabo
E não tinha mais um diabo
Que quisesse lá morar.

Assim como fez aqui,
Por lá, Temer fez também,
Ou talvez até pior:
fez o diabo de refém,
Com seu berro de mandão.
Trabalhava todo cão
Sem receber um vintém.

Os demônios principais,
Outro dia reunidos
Opinavam que o Temer
Foi o pior dos bandidos:
Vendeu por preço irrisório
Metade do purgatório
Para os Estados Unidos.

Naquele dia em que ele
De repente adoeceu,
O inferno por completo
De pavor estremeceu.
É tanto, que depois desta
O diabo deu uma festa
Porque Temer não morreu.”

Assim disse o paneleiro
E depois se evaporou.
Todo mundo que o ouviu
Muito espantado ficou
Interrogando entre si:
“O presidente daqui
Até no cão já mandou?!”

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