domingo, 8 de outubro de 2017

CORDEL

Meu amigo Assis Vidal estaria aniversariando hoje (8/10). Mas, no último dia 26 de agosto, ele partiu para o infinito, deixando no seu círculo de amizades, em Canindé, uma lacuna impreenchível. Em mim, particularmente, permanece uma saudade proporcional à grandeza da amizade que compartilhamos a vida toda, sem entre nós jamais haver qualquer sombra de desentendimento. Amigo sincero, companhia leal, nossa prosa ia do futebol à ciência, da piada ao comentário
de uma leitura, um filme etc.
Em tributo à sua memória, um cordel fala um pouco do seu convívio e personalidade.

ADEUS PARA ASSIS VIDAL

Pedro Paulo Paulino

Quando um grande amigo parte,
A gente nem acredita
Que de uma hora pra outra
A morte faça visita
E leve assim tão veloz
Um irmão que deixa em nós
Saudade quase infinita.

Dia 26 de agosto,
Nosso amigo Assis Vidal,
Canindeense dos bons,
Humilde, simples, leal,
Sem chance de despedida
Deixou de vez essa vida
Para a viagem final.

Foi mais um bom coração
Que o Canindé perdeu,
Deixando boas lembranças
Na cidade onde viveu,
Onde fez tanta amizade,
Onde brincou à vontade
E onde em casa morreu.

Fica dele, em Canindé,
A grande recordação,
Seu sorriso, seu abraço
E seu aperto de mão,
Seu jeito descontraído
Tantas vezes repetido
Em qualquer ocasião.

O seu retrato ficou
Fielmente fixado
Na lojinha do Vilmar,
Na calçada do Mercado,
Ou mesmo lá no Natan,
Por onde, toda manhã,
Gostava de estar sentado.

Era ali, como sem falta,
Seu reduto rotineiro,
Conversando com amigos,
Conhecido ou companheiro,
Fazendo a sua “cruzada”
Todo dia, na calçada,
Perto da Casa Marreiro.

Dentro do Mercado Velho,
Seu retrato está completo,
Sendo atendido na mesa
Por Herculano ou o Beto.
Era justamente ali,
No Zezim Paramoti,
Seu recanto predileto.

Amigo da boa prosa
E da gostosa piada,
Do violão, da seresta
E da boa gargalhada,
Em todo e qualquer local,
A mesa do Assis Vidal
Era bastante animada.

E também no futebol
Estava o seu coração.
Desportista fervoroso,
Conservava a tradição
De vibrar e bater palma
E torcer de corpo e alma
Por seu querido “Vozão”.

Amante do futebol,
Não só como torcedor,
Pois na sua juventude
Revelou-se jogador,
Em campo teve destaque
Defendendo, como craque,
O seu time com amor.

Em Fortaleza, estudou
Em distinto educandário,
E como ofício, exerceu
A profissão de bancário.
Fosse no lazer ou lida,
Em toda etapa da vida
Foi da paz um partidário.

Este foi o Diassis
Que Canindé conheceu.
Cheio de simplicidade,
A vida inteira viveu.
Querido por todo canto,
Adorava tudo quanto
Do Canindé que era seu.

Por certo, já se encontrou
Com muitos de Canindé.
Com seu pai, o “Bate-estaca”,
E com seu irmão “Lelé”,
Com Gonzaga e Homerinho,
Eliomar, Marreirinho
E Anchieta Café.

E tantos outros amigos
Que já partiram primeiro.
Nessa sua nova escala
No eterno paradeiro,
Talvez até tenha sido
Prontamente recebido
Por Laurismundo Marreiro.

Lá no céu, houve decerto
Uma grande animação.
A chegada do Diassis
Foi de festa e emoção.
São Pedro, já preparado,
Tinha um banquete aprontado
Para aquela ocasião.

Enquanto os que aqui ficaram,
Seus amigos de verdade,
Sentindo a tremenda ausência,
Do Diassis na cidade,
No momento nos unimos,
E juntos nós repartimos
O banquete da saudade.

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