domingo, 1 de outubro de 2017

CORDEL

GETÚLIO, O SINO E A FÉ

Pedro Paulo Paulino

Mestre Getúlio Colares
Ou Getúlio simplesmente
Há tempos é responsável
Pelo badalar dolente
Do sino lá da Matriz
De São Francisco de Assis
E do Canindé da gente.

Há mais de setenta anos
Que chega a todos os lares,
E pelas ondas do rádio
Chega a diversos lugares,
O som jamais igualado
Do sino que é repicado
Pelo Getúlio Colares.

Lá da torre, o som do sino
É quem de longe anuncia
Quando vem chegando a noite,
Quando vem chegando o dia.
Getúlio, com suas mãos,
É quem convida os cristãos
Pra sagrada Ave-Maria.

Pois desde os 15 de idade,
Lá pelos anos quarenta,
Getúlio é quem toca o sino
E a cidade acalenta.
E não para de tocar...
Pode a velhice atacar,
Mas ele não se aposenta.

O toque do sino tem
O mesmo valor de um hino.
Romeiro que vem chegando,
O devoto, o peregrino
De Francisco e Santa Clara
Se concentra todo para
Escutar o som do sino.

Pelo menos cinco vezes
Por dia, em diverso horário,
O Getúlio escala a torre
Onde fica o campanário,
E com seu bendito dom,
Para o mundo espalha o som
Do sino já centenário.

Já sente o peso da idade,
Mas enfrenta e não recua.
Já tanto escalou a torre
E ainda continua,
Que sem tom de pabulagem
Equivale a uma viagem
De ida e volta na Lua.

Encanta o canindeense,
Encanta mais o romeiro,
O tinir das badaladas
É um tinir mensageiro
De fervor e devoção
Do fundo do coração
Do nosso velho sineiro!

Anunciante de paz,
Fraternidade e fervor,
O toque do sino diz
Com beleza e com vigor,
Como se fosse um bendito,
Que tudo é sempre bonito
Quando se faz com amor.

Pois é certo que Getúlio
Todo o seu amor empresta
Ao ofício de sineiro,
E de maneira modesta.
Nessa profissão de fé,
Com razão Getúlio é
Orgulho da nossa festa!

Meio-dia, o som sino
Chegando no nosso ouvido
Não é como a voz de um anjo
Mas é muito parecido.
Canindeense distante,
De saudade, nesse instante,
Tem o coração partido.

Getúlio, como foi dito,
Exerce desde menino
A profissão de sineiro,
Com dedicação e tino.
E sabemos que Getúlio
Tem como maior pecúlio
Somente esse dom divino.

A sua grande fortuna
Todo dia é dividida
Com milhares de romeiros
E nossa gente querida.
Sua musicalidade
Pelos cantos da cidade
De bom grado é repartida.

Quanta gente neste mundo
Parou para apreciar
As badaladas do sino
E ficou a meditar?...
Quanta paz já transmitiu,
Quanto emoção produziu
Nem se pode calcular.

Ao enfermo no hospital,
O sino fala altaneiro;
Fala ao velho, pelos anos
Em casa prisioneiro;
Fala ao povo da cidade
E faz a felicidade
Do turista e do romeiro.

Para Getúlio Colares,
Riqueza de Canindé,
Que passando dos oitenta
Ainda segue de pé
Exercendo o seu papel,
Eu dedico este cordel:
GETÚLIO, O SINO E A FÉ. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário