segunda-feira, 5 de junho de 2017

CORDEL


O VELHO, O BURRO E A CABRA
ROUBADOS POR TRÊS LADRÕES*

Pedro Paulo Paulino

Três ladrões estavam juntos,
Quando um velho ia passando
Cabisbaixo, com um burro
E uma cabra puxando
Que tinha preso no rabo
Um chocalho badalando.

Um dos ladrões assim disse:
– Eu vou a cabra roubar.
O segundo então falou:
– O burro, vou carregar.
Disse o terceiro: – Esse velho,
Sem a roupa vai ficar.

Dito isto, os três ladrões
Depressa se separaram.
Em lugares diferentes,
Num instante se postaram
E partiram para agir
Do jeito que planejaram.

O primeiro, atrás do velho,
Qual cobra foi rastejando,
Tirou ligeiro o chocalho
Da cabra e foi colocando
No rabo do burro, e o mesmo
Continuou badalando.

Logo mais na frente, o velho
Olhou pra trás, espantado,
Ao perceber que a cabra,
Um ladrão tinha roubado,
Quando avistou um sujeito
No caminho, bem sentado.

– Meu amigo, há pouco tempo
Um gatuno me roubou –
O velho disse ao estranho,
E assim continuou:
– Pois eu trazia uma cabra
E só o burro ficou.

– Meu senhor, há pouco tempo,
Bem ali eu avistei
Um homem com uma cabra,
Era a sua, disto eu sei!  –
O estranho disse ao velho,
Com segurança de rei.

O velho pediu ao homem,
Para o burro pastorar,
Enquanto ele ia atrás
Da cabra recuperar.
O estranho então lhe disse:
– Vá sem se preocupar!

Esse estranho, todavia,
Era o segundo ladrão,
Que só fez pegar o burro
E na mesma ocasião
Fugiu com o animal,
Deixando o velho na mão.

O velho nada encontrou,
Retornou desanimado
E chegando no local
Em que o burro foi deixado,
Percebeu que novamente
Havia sido roubado.

Sem o burro, sem a cabra
E com as mãos abanando,
O pobre homem saiu
Sua sorte lamentando,
Quando avistou outro homem
Lá mais na frente chorando.

Sentado à beira dum poço,
O tal homem se encontrava.
Quanto mais olhava o poço,
Mais o seu pranto aumentava.
O velho então perguntou
Por que tanto ele chorava.

– Meu senhor – eis a resposta –
Eu trabalhei feito um mouro,
Como fruto do trabalho,
Trazia um saco de ouro,
Mas cochilei, e o poço
Engoliu o meu tesouro.

E o pior disso tudo
É que eu não sei nadar –
Disse o homem, soluçando
– Mas dou sem pestanejar
Vinte moedas de ouro,
Quem o saco for buscar.

– Pois pode deixar, que vou
Buscar o seu saco agora! –
Disse o velho bem contente,
E sem a menor demora
Tirou a roupa e pulou
Dentro do poço, na hora.

Era o terceiro ladrão,
Que cumprindo o prometido,
Pegou a roupa e tomou
Destino desconhecido,
Ficando o velho sem burro,
Sem cabra e também despido.

FIM

*Adaptado de um conto de Leon Tolstói.

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