terça-feira, 14 de junho de 2016


BRASIL, A PÁTRIA DA QUEDA

Pedro Paulo Paulino

De algum tempo para cá,
O leitor tem percebido
Que no Brasil, quase tudo,
De repente tem caído?
Embora não seja inédito,
Cai o país no descrédito,
Cai o valor da moeda,
A vergonha cai a mil,
De tal modo que o Brasil
Tornou-se o país da queda.

Só na construção civil,
Pelos meus apontamentos,
Desde o edifício Palace,
São vinte desabamentos.
Caiu viga, caiu teto,
Viaduto de concreto,
Caiu ponte, caiu prédio,
Caiu teto de igreja,
Só não caiu na bandeja
Foi o preço do remédio.

Rompeu-se a represa em Minas
E a lama caiu no rio
Que era doce como a vida
Que lá ficou por um fio.
Caiu shopping, arquibancada,
Caiu parte de uma estrada
Por faltar conservação.
Parece até um complô,
Em São Paulo, do metrô
Caiu parte da estação.

Torre de alta tensão
Caiu em Minas Gerais,
Prédios no Rio de Janeiro
Já caíram três ou mais.
Recentemente, em abril,
Ficou chocado o Brasil
Com aquela ciclovia
Que caiu feito um balseiro
Devido um erro grosseiro
Nas obras de engenharia.

Avião, já nem se contam
Quantos por aqui caíram.
De alguns, só os pedaços,
Porque nos céus se partiram.
De todo acidente aéreo
Mais recente e mais funéreo
E também mais lamentável
Foi com aquele avião,
Quando perto da eleição
Morre um presidenciável.

Falamos aqui em queda
De gigantes estruturas.
Mas horrível mesmo é quando
Caem famosas figuras.
Personagens importantes,
Ilustres representantes
No Congresso da Nação.
Só se ouve é a notícia:
Caiu nas mãos da polícia
Mais um por corrupção.

Não me vem neste momento
Número bastante exato,
Mas calculo que uns duzentos
Caíram na “Lava Jato”.
No começo deste mês,
Até mesmo o japonês
Que brilhou no carnaval,
Por facilitar “entregas”,
Caiu nas mãos dos colegas
Da Polícia Federal.

Na alta esfera em Brasília,
Cai senador, deputado,
Cai ministro, e quando cai,
Às vezes cai algemado.
Nessa terrível maré
Não fica ninguém de pé,
Cai até a presidente
(Nesse caso, com rasteira
De quadrilha traiçoeira
Não tem bom que se sustente).

Mal se ergue outro governo,
Cai Silveira e cai Jucá.
Só não cai, infelizmente,
Chuva no meu Ceará,
Onde um sólido machado
De gume muito afiado,
Caiu como testemunha.
Mas duvido que aconteça
Machadada na cabeça
Que derrube o tal de Cunha.

Muita gente, ainda hoje,
Cai no conto do vigário.
E enquanto o Congresso aprova
A subida do salário
Dos ministros do Supremo,
Acrescentando o extremo
De quase três mil ou mais,
O salário do povão
Teve a mesquinha injeção
De 92 reais.

Corre o risco de cair
Até madeira de lei,
Tronco velho resistente
Do Maranhão dos Sarney.
Duro mesmo no poleiro
É o povo brasileiro
Que apesar do vai-não-vai,
É como fruta madura
Que no galho se segura
Balançando mas não cai.

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