segunda-feira, 23 de novembro de 2015

SONETO

O PINTOR E O POETA

Pedro Paulo Paulino


Das artes – esse dom sem paralelo –
Deve a pintura ser a mais distinta,
Porquanto a tela, embora a mais sucinta,
Comporta a majestade de um castelo.

Com que emoção – calculo! – com que anelo
Confronta-se o artista com a tinta,
E embevecido em seu silêncio pinta
A liberdade, o sonho, a vida, o belo...

Por linha reta, prolongada ou breve,
Por linha curva, delicada ou brusca,
E toques repousados do pincel,

O artista plástico, na tela, escreve
O que o poeta, aflito às vezes, busca
Com símbolos transpor para o papel.

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