quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SONETO

O OUTRO CARNAVAL

Pedro Paulo Paulino

O carnaval termina e a vida segue
A cadência de sempre. O recomeço
É para alguns, por certo, um alto preço;
Recomeço é atroz, não há quem negue.

Para quem, entretanto, vive avesso
À pândega, a vida então prossegue
No mesmo passo e ao mesmo modo entregue,
Onde a paz tem ali seu endereço.

Plenos de gozo ou lamentando enfado,
Estes e aqueles voltam, todavia,
Ao palco do labor continuado

E ao velho carnaval do dia a dia,
Do desfile de lutas agitado,
Sem máscara, sem pó, sem fantasia...

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