sábado, 28 de fevereiro de 2015

SONETO

A SERPENTE E O VAGALUME

Pedro Paulo Paulino

Havia muito tempo que a serpente
Um simples vagalume perseguia,
Enquanto ele na noite reluzia
Com a sua lanterna incandescente.

A víbora inimiga e repelente
Não dava trégua à presa em agonia.
Até que o vagalume, certo dia,
Resolveu indagar-lhe frente a frente:

"Por que tentas lançar-me o teu veneno?!
Sendo eu inseto frágil, tão pequeno,
Sirvo-te de alimento ou de empecilho?!”

E a serpente, vencida, respondeu:
“O que me aflige, na verdade, é eu
Rastejar toda a vida e ver teu brilho”.

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